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sábado, 7 de maio de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal – Deus Ex-Machina (Animal-Man, Book 3 – Deus Ex-Machina).

HOMEM-ANIMAL – DEUS EX-MACHINA (Animal-Man, Book 3 – Deus Ex-Machina).

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Chaz Truog, Paris Cullins
Artes-finais: Doug Hazzlewood, Steve Montano, Mark Farmer
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2003 (BR: 2016)
Pág.: 252

“Bom, é esse o problema das minhas histórias. Sempre prometem crescer pra culminar em algo maior... que acaba não acontecendo. É o problema com minha vida também”. -- Grant Morrison.

“Homem-Animal – Deus Ex-Machina” é um BOOM cerebral. Ele é a conclusão do trabalho de Grant Morrison com o personagem Homem-Animal e, com isso, ele aproveita para usar todas as formas de escrita e estruturação textual que é possível.
Desde o começo da série, percebemos que o Homem-Animal de Morrison é bem diferente da ideia de super-herói lutando pela verdade e justiça no mundo em que vive. Ele combate bandidos e super-vilões, mas também combate       grandes corporações que usam animais em testes químicos, enfrenta caçadores de animais, sejam terrestres, aéreos ou aquáticos. É um grande defensor da fauna mundial. Também vemos que seus combates com super vilões não são duelos de poderes, mas diálogos, buscando compreender o que os motiva em suas ações.
Desde o começo do encadernado, Buddy Baker busca por respostas, não somente para os seus poderes, mas pelas sensações e sentimentos que possui durante toda essa história. Os enigmáticos alienígenas que lhe deram poderes, as suas aparições em momentos que ele não imaginaria que estivesse, suas batalhas sem sentido, contra inimigos inesperáveis. A busca se torna mais intensa quando uma tragédia ocorre em sua vida, fazendo-o partir em busca de vingança, de uma forma como nunca agira antes, indo contra seus princípios e contra os seus ideais.

Buddy se envolve em coisas inexplicáveis, nas quais nem ele consegue compreender direito, e fará de tudo para conseguir respostas, mesmo que isso ultrapasse barreiras do incompreensível.
Sinceramente, é o encadernado mais complicado de resumir, pois possui tantas revelações e informações que qualquer coisa na qual eu venha a escrever pode ser um spoiler. Mas Morrison, como eu disse, antes, usa todos os tipos de artifícios e formas de se trabalhar essa história. Meta linguagem, quarta parede, interação, ele não poupa esforços para tornar essa história única, de uma forma que você sempre se lembre que é um trabalho dele.

Diferente de seus trabalhos posteriores, Morrison consegue imprimir nesse trabalho toda sua capacidade de interação com seu público. Ele não busca mexer com nossas mentes como em “Os Invisíveis”, o mesmo deturpar conceitos como com Batman, ele trabalha com afinco para tornar o Homem-Animal um personagem inesquecível, e consegue. Desde o começo, Morrison nos mostra que o Homem-Animal pode ser um personagem mais interessante e que está longe de ser um personagem de segunda linha, como durante anos ele foi considerado. Com Morrison, Homem-Animal foi considerado um personagem para integrar a Liga da Justiça Internacional. Essa série foi tão digna que o personagem tem uma importância muito grande até os dias de hoje para a DC Comics.

Sei que a série não é somente feita pelo roteirista, e definitivamente Morrison conta com grandes desenhistas para desenvolvimento do encadernado. Chaz Truog e Dave Hazzelwood, que o acompanham desde o começo da série, são os principais artistas no desenvolvimento da série e em tornar as ideias de Morrison reais. Mas para o final ele termina contando com o talento de Mark Farmer, também. Além deles, os artistas Paris Cullens e Steve Montano trabalham em um dos momentos de interligação da série, que tem grande importância para a compreensão dela.
A frase que citei no começo não serve para essa série em si, mas é interessante a menção dela, pois muitos dos trabalhos de Morrison eu sempre vi como o que ele fala em determinado momento.

Me sinto feliz de ter, finalmente, concluído essa série, que sempre considerei um dos melhores trabalhos de Grant Morrison dentro da DC Comics, pena que minhas ideias e conceitos com o roteirista mudaram, graças aos seus trabalhos atuais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal – Origem das Espécies (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

HOMEM-ANIMAL – ORIGEM DAS ESPÉCIES (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Tom Grummett, Chaz Truog
Arte-final: Doug Hazlewood, Mark McKenna, Steve Montano
Editora: DC/Vertigo (BR: Panini Comics)
Ano: 2002 (BR: 2015)
Pág.: 244

O segundo livro dessa coleção das histórias do Homem-Animal, escrito por Grant Morrison, que redefiniu o personagem e tornou-o um personagem importante no Universo DC.
Nessa nova edição, Buddy Baker vem procurando uma cura para seus problemas com os poderes do Homem-Animal que andam descontrolados desde a Bomba Metagene dos Dominions ao final da minissérie “Invasão” e, com isso, conhecemos a história de sua origem, quando Buddy, durante uma caça encontra uma nave alienígena e após uma explosão ele ganha seus poderes de Homem-Animal. Vemos sua primeira ação, seu primeiro uniforme, sua relação com Ellen florescer, mas descobrimos que a maioria dessas lembranças são embustes, fantasias necessárias geradas por aqueles que tornaram Buddy Baker no Homem-Animal.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, o físico James Highwater encontra-se com Roger Hayden, o Pirata Psíquico, o único que possui lembranças da Crise e do Multiverso DC. Já em San Diego, Vixen procura o Homem-Animal para ajudá-la contra um monstro invisível e isso termina dando muito errado e, de repente, eles acordam na África, onde Buddy reencontra Mike Maxwell, o Fera B’wana, que procura um sucessor. Eles então enfrentam forças militares na África para libertar o sucessor de Maxwell e, durante essa missão, Buddy descobre mais sobre sua origem que é logo reformulada.
Quando retorna, ajuda um grupo ambientalista que resgata animais usados para experiências abusivas, só que esses ambientalistas são ecos-terroristas que causam um incêndio que transforma-se em uma tragédia, causando problemas na amizade de Buddy com Roger Denning, seu agente e melhor amigo. Esse problema faz com que Buddy decida abandonar a carreira de super-herói e, como um último uso para o Tubo de Teletransporte, ele leva Ellen a uma viagem em Paris, França, onde sua esposa conhece a Liga da Justiça Europa; Metamorfo, Homem-Elástico, Soviete Supremo e Sue Dibny, que coordena o grupo, só que Buddy termina ajudando a LJE contra John Starr, o Comandante do Tempo, que decide fazer do tempo uma forma de ajudar as pessoas que não conseguiram se reconciliar com o passado. As coisas não terminam muito bem, fazendo com que Buddy e Ellen voltem para casa, onde uma nova confusão está para começar na vida do Homem-Animal.
Grant Morrison se aproveita bastante de sua liberdade com Homem-Animal nesse encadernado. Ele flutua nas nuvens do absurdo e abusa da metalinguagem ao usar o Pirata Psíquico como aporte para isso. Mas ele não perde o enfoque do lance de consciência ambiental, indo mais além na luta pelos direitos humanos na África, onde os africanos batalham contra o Apartheid e são massacrados e torturados por lutar pela sua liberdade de expressar.
Morrison, nessa edição, aproveita para recontar as origens do Homem-Animal e criar novas teorias sobre os poderes do personagem, maximizando ainda mais o super-herói. Já Highwater começa a ganhar uma importância bem maior e significativa nessa edição. Criação de Morrison e Chaz Truog, o físico surge para ser um auxílio de Buddy Baker na descoberta de mais informações sobre seus poderes. Suas origens indígenas serão o passo futuro para o herói nisso.

É mais uma edição em que Morrison nos dá a honra de escrever um super-herói de forma aprazível e que você consegue curtir do começo ao fim, sem vontade de interromper.

domingo, 24 de janeiro de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal: O Evangelho do Coiote (Animal Man, Book 1 – Animal Man)

HOMEM-ANIMAL: O EVANGELHO DO COIOTE (Animal Man, Book 1 – Animal Man)

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Chaz Truog, Tom Grummett
Arte-final: Doug Hazlewood
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2001 (BR: 2015)
Pág.: 252

Eu gostaria de fazer com Homem-Animal de Grant Morrison o mesmo que fiz com O Monstro do Pântano de Alan Moore, mas para evitar a fadiga de ficar dizendo as pessoas que não é tudo que Morrison fez para a DC Comics que eu não gosto, preferi me adiantar com esse primeiro encadernado que publica as edições 1 a 9 da revista Animal Man (1988-1995).
Grant Morrison ficou na revista somente até a edição 26 (agosto de 1990), sempre ao lado do desenhista Chaz Truog – que dera lugar para Tom Grummett nas edições #9 e #14 (março e agosto de 1989) e Paris Cullins na edição #22 (abril de 1990) – e do arte-finalista Doug Hazlewood – que dera espaço para Mark McKenna na edição #10 (abril de 1989), Steve Montano na edição #14 (agosto de 1989) e foi substituído por Mark Farmer nas edições #25 e #26 (julho e agosto de 1990), as duas últimas de Morrison no título.
Eu acompanhei as histórias de Morrison em Homem-Animal pela extinta DC 2000 (janeiro de 1990-novembro de 1994), da Editora Abril Jovem, onde ele estreou na edição #3 (março de 1990).
Bem, nessa primeira edição encontramos o Buddy Baker, o Homem-Animal, buscando ser aceito como super-herói. Desempregado, sendo sustentado pela esposa Ellen e tendo dois filhos com ela, Cliff e Maxine, Buddy não tem uma boa reputação por causa de seus poderes, pois ele pode similar as capacidades de animais, e nada mais que isso. Mas como ele primeira missão ele é chamado para ir aos Laboratórios STAR onde vê uma anomalia de chimpanzés fundidos em uma massa disforme. Sua investigação o leva a encarar o herói africano Fera B'wana, que pretende salvar uma chimpanzé amiga.
Na sequência temos a história que dá título à edição. Nela Buddy se depara com uma anomalia, um coiote do deserto vindo de animações que busca ajuda. Ele enfrenta problemas nos quais não está acostumado e o Homem-Animal precisa auxilia-lo.
Depois embarcamos na saga Invasão, onde o Homem-Animal enfrenta os thanagarianos, povo alado de onde veio Katar Hol, o Gavião Negro, e Shayera Thal, a Mulher-Gavião. Continuamos em Invasão, mas Buddy precisa encarar um vilão das antigas, o Máscara Vermelha, que tem uma conversa sobre suas origens com o Homem-Animal e nunca teve um momento de glória em toda sua carreira criminosa.
Ao final, Homem-Animal sofreu certos problemas com a bomba antimetagene, jogada pela raça dos dominións ao final da saga, que alterou a genética de vários meta-humanos e fez vários outros despertarem. Mas a participação ativa de Buddy durante a saga o propiciou uma vaga na Liga da Justiça Europa. Sua constante luta pelo benefício dos animais, que iniciou após o encontro com Fera Bwana o traz problemas com um super-vilão que invade a sua casa. Após saber disso, J’onn J’onzz leva uma equipe para cuidar da segurança na casa de Buddy e conversa com ele sobre seus problemas.
Desde sua criação em Strange Adventures #180 (setembro de 1965), por Dave Wood e Carmine Infantino, o Homem-Animal nunca teve um tratamento tão vip em toda sua existência, sempre aparecendo em histórias esparsas ou como coadjuvante. Chegou a ser membro do grupo Heróis Esquecidos, formado por personagens obscuros da DC Comics, que ficaram anos fazendo participações especiais ou ficando no limbo editorial da DC, como Adam Strange, Cavaleiro Atômico, Congo Bill, Delfim, Capitão Cometa, Homem-Imortal, Ressurreição, Rick Flag, Rip Hunter, Dane Dorrance (líder dos Demônios do Mar) e o geologista Cave Carson. Parte do grupo chegou a fazer uma aparição em Crise nas Infinitas Terras.

Não sei o que motivou a Grant Morrison pegar um personagem como o Homem-Animal, mas ele trouxe o personagem a uma ascensão sem igual. Com histórias falando sobre consciência ambiental, proteção à vida animal, batalhas memoráveis, Morrison tornou Buddy Baker de um personagem sem graça e sem repercussão em um personagem a ser respeitado e estimado nos quadrinhos.

Se hoje o Homem-Animal é um personagem que as pessoas se interessam e escritores gostam de incluir em suas histórias, tem muito a ver do que Morrison fez pelo personagem em sua passagem pela revista-solo.