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sexta-feira, 28 de junho de 2019
RESENHA CINEMA: Turma da Mônica: Laços (2019)
segunda-feira, 2 de julho de 2018
RESENHA HQ: Jeremias: Pele
Roteiro: Rafael Calça
Arte: Jefferson Costa
Editora: Panini Comics
Ano: 2018
Páginas: 96
Eu estava com certa dificuldade para escrever uma resenha para essa Graphic MSP, pois receava escrever coisas equivocadas sobre essa obra e cometer injustiças, mas decidi que era melhor escrever e ver o que acontece.
Sim, "Jeremias: Pele" é uma obra. É a mais recente Graphic MSP e, escrita por Rafael Calça e desenhada por Jefferson Costa, ela traz a história do personagem Jeremias, que foi criado por Maurício de Sousa para integrar o grupo de amigos do Franjinha, na década de 1960. De lá para cá, Jeremias sempre participou como coadjuvante nas histórias da Turma da Mônica - acho que somente protagonizou uma história, mas posso estar enganado -, sendo membro da "Turma do Bermudão", quer é formado por ele, Franjinha, Titi e Manezinho. Sem muita enfase ao personagem e sem muito destaque nas histórias, Jeremias permaneceu meio que "jogado de lado" - lembra que eu mencionei que possivelmente ele teve uma história como protagonista - até a MSP +50, segunda edição publicada em comemoração aos 50 anos de profissão do Maurício de Sousa. O artista André Diniz se responsabilizou, que usou seu estilo todo único para o contexto, deixando o Jeremias participar dessa maravilhosa homenagem ao seu criador. Mas eu vejo isso como algo para não deixar passar em branco, já que Jeremias é um dos primeiros personagens do universo criado por Maurício de Sousa.
Não estou dizendo que Maurício ou sua produtora de quadrinhos sempre deixou Jeremias para escanteio propositalmente, mas com a infinidade de personagens protagonistas para dar relevância, deve ter sido complicado pensar em uma história para dar destaque a ele. Mas graças a um conceito desenvolvido e criado por Maurício de Sousa e o produtor Sidney Gusman, surgiram as Graphic MSP, dando oportunidade para que outros personagens viessem a brilhar, e foi o que ocorreu com Jeremias nessa.
A história trata de um assunto bem complicado e que todos preferem não falar, pois acreditam que não falar faz com que não exista, mas - infelizmente - existe e ocorre mais constantemente do que imaginamos, o racismo.
Eu mesmo não gosto do termo, acho a palavra estranha por si só, pois se pensarmos em raça, somos todos humanos. A raça humana tem proximidades com outros primatas, mas seja negro, branco, amarelo, marrom, rosa, somos todos parte da raça humana, dessa forma, a palavra racismo foge do que convém. Aí alguns falam de discriminação étnica e, mesmo que eu discorde em um caso de localização, concordo que é o que melhor se aplicaria no caso.
Nunca sofri discriminação por causa da minha cor, então falar que entendo o que as pessoas que sofrem passam, seria demagogia barata e irrelevante. Mas quando você lê "Jeremias: Pele" se sensibiliza com essa situação tão degradante do nosso país.
Sou professor de História e sempre tento falar para os meus alunos que não temos motivos para discriminar ninguém, pois somos um país cuja miscigenação é factual e parte de nós. É difícil caracterizar uma etnia para o brasileiro. Somos várias misturas, um mix de espécies humanas. Somos negros, brancos, amarelos. Temos olhos claros e escuros, azuis, verdes, castanhos e negros. Temos os cabelos loiros, ruivos, castanhos e protos, lisos, ondulados, encaracolados e crespos, numa mistura sem fim. Então, como nos definir? Como dizer que determinada pessoa é de uma etnia, sendo que no seu passado pode ter sido tataraneto de outra etnia, sem se saber? Somos um país colonizado, miscigenado e deveríamos ser um exemplo ao mundo por isso. Mas não é o caso.
Na história escrita por Calça, vemos Jeremias ser submetido ao Dia da Profissão, onde na escola, os alunos - ou a professora, no caso da história - escolhem com qual profissão melhor se identificam e Jeremias termina tendo como profissão algo que não desejava, pois outros acham que o seu desejo não seja viável e, com isso, ele começa a questionar tudo e a se revoltar com o que acontece a sua volta e, como eu já havia dito, as pessoas preferem não falar sobre a discriminação, pois assim - creem que - deixará de existir, o que de fato não ocorre. Jeremias aprende muito com isso, principalmente que a cor de sua pele não define nada na sua vida, somente que as pessoas não sabem reconhecer o verdadeiro valor da pessoa, não importando que cor de pele ela tenha.
Ninguém é melhor do que ninguém . Não é a cor de uma pele que definirá seu futuro, mas sim seu caráter... bem, tá virando o que eu temia, discurso demagógico e desnecessário. O que importa mesmo é que "Jeremias: Pele" é a mais nova Graphic MSP da Maurício de Sousa Produções e dá uma alfinetada em uma realidade que poucos querem enxergar. Somente a leitura dessa obra poderá fazer com que entendam o motivo dessa resenha. Sem contar que a arte do Jefferson Costa é encantadora do começo ao fim, com várias referências cênicas e realistas.
"Jeremias: Pele" entra no meu hall de revistas relevantes e importantes e permanecerá nele para todo sempre.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
RESENHA HQ: Turma da Mônica: Lições (2015)
Roteiro: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi
Arte: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi
Editora: Panini Comics
Ano: 2015
Pág.: 84
“- Quer brincar?
- De casinha?
- Ok, mas não conta pro Cebolinha”.
Pegar uma Graphic MSP escrita e desenhada por Vitor e Lu Cafaggi é fazer uma verdadeira viagem no tempo.
Esses dois mineiros, belo-horizontinos, sabem desenvolver uma história de encantar a qualquer leitor de quadrinhos.
“Turma da Mônica: Lições” é um retorno deles à Turma da Mônica, com quem tiveram contato em 2013 na história “Turma da Mônica: Laços”. Na primeira, eles fazem a Turma se aventurar para reencontrar o cachorro do Cebolinha, Floquinho, que havia fugido. Nesta nova história eles falam sobre os variados estilos de lições que a Turma precisa de aprender, depois de um dos “planos infalíveis” do Cebolinha que termina muito mal.
O mais legal de se ler a história e notar os detalhes, nos quais eles sempre se preocupam, desde easter-eggs escondidos no decorrer da história até pequenas coisas que você pode terminar recordando que tinha na sua infância. Eu fico maravilhado e sem palavras para falar desse trabalho fantástico dos dois.
Vitor e Lu Cafaggi simplesmente me encantam e me fazem perceber o quão diferente era uma infância recheada de inocência e liberdade, onde o mais importante era tentar se aventurar, sem correr riscos, fazendo – as vezes – diabruras e picardias infantis que poderiam terminar sendo desastrosas.
Alguns momentos me senti como vivesse aquela história da Turma, pois me lembrou de coisas que aprontei com meu irmão, em total inocência infantil, que me fazem rir nos dias de hoje.
Eu não quero falar demais para não soltar spoilers, pois “Turma da Mônica: Lições” é simplesmente lindo, tanto em enredo como na arte em si. Os momentos de recordação de Mônica e Cebolinha, você percebe a dedicação desses dois mineirinhos em se preocupar com detalhes. Você ri e se emociona constantemente lendo essa divina história da coleção Graphic MSP.
Só tenho a agradecer a Maurício de Sousa e Sidney Gusman por nos proporcionarem o prazer de poder ler e ver o trabalho de Vitor e Lu Cafaggi novamente. E se você é chegado a lembranças de uma infância mágica, “Turma da Mônica: Lições” é algo que deve fazer parte de sua coleção.
Se fosse falar, em uma palavra, sobre “Turma da Mônica: Lições”, eu diria LINDO! Obrigado Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi por mais essa Graphic MSP memorável.











