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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016)

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016).

Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Colin Farrell, Dan Fogler, Ezra Miller, Alison Sudol, Carmen Ejogo, Samantha Morton, Faith Wood-Blagrove, Jenn Murray, Jon Voight, Josh Cowdery, Ron Perlman, Ronan Raftery.

Diferente de Londres, nos Estados Unidos a convivência entre bruxos e trouxas – chamados por lá de não-majs ou não-bruxos – é ainda menor ainda, tanto que eles não convivem e nem podem se casar, mesmo que os não-majs tenham uma ideia de sua existência e criem movimentos contra os bruxos. Além disso, a criação de animais fantásticos é estritamente proibida nas regiões urbanas. E é nesse ambiente que chega Newton “Newt” Scamander (Eddie Redmayne), um estudioso de animais fantásticos, em Nova Iorque. O bruxo gostaria de passar despercebido, mas ele carrega uma mala bruxa com vários animais fantásticos dentro dela. Então um desses termina fugindo, chamando a atenção da bruxa Porpentina “Tina” Goldstein (Katherine Waterston), que é uma auror do Congresso Mágico dos Estados Unidos (também conhecido como MACUSA). Além dela, o padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler), um não-maj, vê-se envolvido em uma trama que o levará a conhecer mais o mundo mágico. Além disso, o jovem Credence Barebone (Ezra Miller), filho da maníaca religiosa Mary Lou (Samantha Morton), está sendo manipulado pelo bruxo Percival Graves (Colin Farrell). Como se não bastasse isso tudo, o bruxo negro Gellert Grindelwald está nos Estados Unidos tocando o terror na comunidade não-maj.
O enredo é mais ou menos esse, pessoal. Falar mais além disso, seria entregar várias surpresas que esse novo filme do Universo Mágico de J.K. Rowling – que escreveu o roteiro desse filme – traz.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” nos leva de volta a esse mundo, que ficamos órfãos por cinco anos, quando Yates dirigiu o último filme da octologia Harry Potter. Falando sobre o diretor, ele retorna a esse universo e mostra o quão confiável é para dirigir esses filmes. David Yates começou essa caminhada em “Harry Potter e a Ordem da Fênix” e demonstrou competência e o máximo de fidelidade nos filmes que esteve à frente, chegando até “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, que estreou em 2011. Para isso ele contou com o roteiro da romancista britânica J.K Rowling, que pegou seu livro “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e transformou em um novo longa metragem totalmente fiel ao que ela concebeu em 1997 com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, fazendo-nos retornar no tempo com a história de Newt Scamander e seu tempo do outro lado do oceano, antes de conceber a obra que dá título ao filme.
Para dar vida ao roteiro de Rowling, o elenco é encabeçado pelo ator Eddie Redmayne, que já ganhou o Oscar de Melhor Ator pelo filme “A Teoria de Tudo”, onde interpretou o gênio da astrofísica, Stephen Hawking. Redmayne dá aspectos bem interessantes ao personagem Newt Scamander, com uma certa timidez e ímpeto para lutar pelo que acredita. Suas caracterizações para Scamander demonstram a paixão do personagem pelos animais fantásticos do reino mágico e o quanto ele se importa com eles, mesmo os mais tenebrosos.
Ladeando Newt Scamander, temos o personagem não-maj Jacob Kowalski, interpretado pelo ator Dan Fogler. Mesmo com vários trabalhos de Fogler, o filme que eu sempre me lembro dele é “Fanboys”, onde ele viaja com um grupo de amigos para o Rancho Skywalker, onde eles desejam realizar o último desejo de um amigo com câncer, dele assistir “Star Wars I: A Ameaça Fantasma”. Como o padeiro Jacob Kowlaski, Fogler se torna o lado engraçado da história. Mesmo com um grande drama de ser um operário desejando se tornar dono de uma panificadora, onde faria os pães e doces que sua avó fazia, Fogler não perde sua veia de comédia, dando um alívio a esse drama. Ele é como nós, um não-maj dentro do universo dos bruxos. Sua visão encantada de tudo que ocorre a sua volta, é como nos sentiríamos se estivéssemos em seu lugar. Ele vê coisas novas, realiza desparatamentos com Newt, se encanta com os animais fantásticos e se apaixona pela bela Queenie Goldstein, irmão de Tina Goldstein.
Tina, a auror do MACUSA, é interpretada pela atriz Katherine Waterston. Mesmo com trabalhos realizados no cinema e na TV desde 2004, a personagem que melhor lembro de Waterston foi sua participação no filme “Steve Jobs”, onde ela faz a mãe da primeira filha do gênio por trás da Apple. Nesse filme, Waterston interpreta Tina Goldstein, um auror que está sendo mantida fora do seu grupo por conta de sua ação no mundo dos não-majs. Ela é uma apaixonada pelo seu serviço, conhecendo todas as leis que fazem parte do mundo mágico dos Estados Unidos e buscando leva-los a sério. Quando descobre que Newt está carregando animais fantásticos dentro de sua mala, e que um desses escapou, ela crê que será sua redenção e seu retorno ao grupo de aurores da MACUSA. Mas ela termina encantada com a paixão do bruxo britânico pelos animais fantásticos e conclui que precisa ajuda-lo, ao invés de prendê-lo, somente.
Já a irmã de Tina, Queenie Goldstein, é uma legilimente, ou seja, ela tem a capacidade de ler mentes. Ela é interpretada pela atriz e cantora Alison Sudol. Os trabalhos de Sudol no cinema e na TV estadunidense sempre foram de papéis menores, até 2015 quando participou de dez episódios do seriado “Dig”. Sua caracterização para a personagem Queenie Goldstein é de uma bruxa que não realizou o que desejava, mas que tem uma enorme paixão pelo desconhecido. Quando conhece Jacob Kowalski, fica fascinada pelo não-maj e termina se apaixonando pelo padeiro.
Do outro lado da moeda, temos Percival Graves que encabeça o elenco antagonista do filme, sendo interpretado pelo ator Colin Farrell. Farrell é muito conhecido pelos seus filmes de ação como “S.W.A.T.T.”, “Alexandre”, “Miami Vice”, “A Hora do Espanto”, “O Vingador do Futuro” e a série da HBO “True Detective”. Ele interpreta Percival Graves como um empenhado chefe do Departamento para Cumprimento das Leis da Magia. Graves tem como principal intenção descobrir um novo bruxo entre os não-majs, além de estar empenhado em encontrar o bruxo das trevas Gerard Grindelwald. Quando descobre que Newt tem em sua mala um grande número de animais fantásticos, acredita que ele seja um seguidor de Grindelwald, o perseguindo avidamente.
Para ajudá-lo a descobrir o novo bruxo entre os não-majs, Graves recruta o jovem Credence Barebone, um órfão adotado pela líder da Sociedade Filantrópica de Nova Salem, Mary Lou Barebone. Credence ganha como interprete o ator Ezra Miller. Miller se tornou muito conhecido graças ao anuncio de sua participação no filme Liga da Justiça – que estreia em 16 de novembro de 2017 nos cinemas brasileiros – como Barry Allen/Flash. Mas ele já fez filmes dramáticos como “Precisamos Falar sobre o Kevin”, “As Vantagens de Ser Invisível” e “Madame Bovary”. Para “dar vida” a Credence, Miller decide dar ao personagem aspectos de um jovem retraído e tímido, sem muitas expectativas, que gosta de cuidar de sua irmã caçula, mas que tem um desejo enorme de se tornar algo mais, principalmente quando é recrutador por Graves para descobrir o novo bruxo que está entre eles.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é mais um momento mágico na história de filmes relacionados a esse universo desenvolvido e criado por J.K. Rowling. É mais outra forma de vermos o quão rico essa criação da escritora britânica pode ser, com várias intrigas e momentos inesquecíveis. Me sinto, novamente, maravilhado com essa nova viagem.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

PRIMEIRA OLHADA: Atirador (Shooter,2016)

ATIRADOR (Shooter,2016).

Direção: Simon Cellan Jones
Roteiro: John Hlavin, Jonathan Lemkin
Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson, Omar Epps, Eddie McClintock, Lexy Kolker

Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) vive no interior dos Estados Unidos com sua família, sua esposa Julie (Shantel VanSanten) e sua filhaMary (Lexy Kolker), quando recebe a visitar de seu antigo comandante em Kandahar, capitão Isaac Johnson (Omar Epps), que lhe fala de uma ameaça que o presidente recebeu de um antigo inimigo de Swagger, que chegou a matar seu olheiro e parceiro.
Swagger reluta em aceitar a missão, mas após conversar com sua esposa, decide aceita-la, só que tudo não termina como ele espera e ele se vê incriminado por um crime que não cometera.
A série que estreou recentemente no Netflix baseia-se no livro “Point of Impact”, do escritor estadunidense Stephen Hunter. Este já teve uma primeira adaptação em 2007, com o ator Mark Wahlberg. As mudanças de ambos são uma forma de trazer o romance para a atualidade. Nessa série do Netflix, o personagem de Hunter ainda ganha uma família e uma casa onde mora com ela, mas as ideias centrais parecem estar bem ali.
O primeiro episódio já mostra a direção que a trama seguirá, mas ainda existem surpresas, já que Swagger agora tem uma família para se preocupar e, ao invés de um policial, ele deverá ser auxiliado pela agente do FBI, Nadine Memphis, vivida pela atriz Cynthia Addai-Robinson (da série Arrow).
O clima de suspense e tensão ainda se mantém e, aparentemente, as mesmas nuances que foram usadas no filme, também. O mais interessante é a forma de abordagem nas cenas que ele trabalha fazendo analises, aparecendo metragens, velocidade e números que remetem ao trabalho de um franco-atirador.

Sem contar que é bom ver o retorno de um ator talentoso como Ryan Phillippe, que anda fora do foco desde sua participação no filme de 2014, Sobrevivendo ao Inferno. Ele chegou a participar, em 2015, da série de TV Secret and Lies, mas somente agora volta a ser o foco central de um trabalho.
Também temos o ator e rapper Omar Epps. Epps estreou no dia 11 de novembro com o filme “Almost Christmas”, ao lado do ator Danny Glover (Glover viveu no filme “Atirador” o mesmo papel que Epps está fazendo na série). Mas seu último trabalho na TV aconteceu entre os anos de 2014-2015 na série Ressurection.
Além deles, como possível personagem central dessa temporada, temos a atriz Cynthia Addai-Robinson que, como mencionado, interpreta a detetive do FBI Nadine Memphis. Addai-Robinson já participou de séries como Spartacus (2012-2013) e Arrow (2013-2016). Ela pode ser vista, mais recentemente no filme “O Contador”, estrelado por Ben Affleck (Batman vs. Superman: A Origem da Justiça).

Atirador parece ser uma série com bastante ação e com um bom clima de suspense. E se perdurar, poderemos ver a série de livros de Stephen Hunter com o personagem, sendo passado no Netflix.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016)

DOUTOR ESTRANHO (Doctor Strange, 2016).

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt.

O Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um dos maiores neurocirurgiões do mundo. Preciso e eficaz, não tem uma cirurgia que ele não consiga efetuar. Mas, ao mesmo tempo, ele é extremamente prepotente, tanto que somente atua no Centro Cirúrgico, nunca se misturando com o atendimento no Pronto-Socorro, mesmo que sempre seja convidado por sua colega, a Dra. Cristine Palmer (Rachel McAdams).
Quando Strange está a caminho de um evento que iria homenageá-lo, ele sofre um terrível acidente e, com isso, termina perdendo a eficiência de seus instrumentos de trabalho, as suas mãos. Em uma busca constante para voltar a ser cirurgião, ele gasta todas as suas finanças, mas não consegue. Então ele descobre que um homem conseguiu se curar depois de ir ao Nepal, em Kamar-Taj, e decide seguir para lá.
Na sua busca, Strange termina sendo salvo nas ruas de Katmandu por Mordo (Chiwetel Ejiofor), um dos discípulos da Anciã (Tilda Swinton), uma maga suprema que protege o nosso mundo contra outras magias poderosas e, principalmente, contra Kaecilius (Mads Mikkelsen), que deseja soltar o terrível Dormammu na Terra. Strange então entra para o mundo da magia, mesmo sendo cético inicialmente e relutante, ele precisará ajudar a Anciã a proteger os sanctums e a Terra.
Eu li uma história do Doutor Estranho, pela primeira vez, na revista Heróis da TV nº 100 (outubro de 1987). Nela víamos a origem do personagem nas mãos do fantástico Steve Ditko. Conhecíamos como tudo começou na vida do mago supremo Stephen Strange, do acidente, a sua chegada em Katmandu, seu aprendizado com o Ancião, seus problemas com o Barão Mordo, até se tornar o Mago Supremo. Em outubro de 1999, a Editora Abril publicou a revista Origens dos Super-Heróis Marvel nº 8, que trouxe histórias da coleção Uncanny Origins. Na edição 12 dessa coleção, o roteirista Len Wein e o desenhista brasileiro Marcelo “Marc” Campos contaram de uma forma diferente a origem de Strange, mostrando seu passado, que o levou a ser quem era antes de se tornar o Mago Supremo.
Um pouco dessa origem do Doutor Estranho vemos nesse novo filme do Universo Cinemático Marvel. O filme segue o padrão Marvel de filmes, ou seja, bastante diversão, ação, um filme voltado para a família... lógico, se você quiser colocar seus filhos e filhas para fazer uma viagem extradimensional nessa película inesquecível.
“Doutor Estranho” parece pegar as ideias do filme “Origem”, de Christopher Nolan, e ir além, colocando elementos totalmente incomuns, além do imaginável. Você fica alucinado com cada momento do filme. São simplesmente viajantes e delirantes, pois extravasa a ideia da quarta dimensão, pensando no multiverso como uma continuidade do nosso universo, mas visto “através do espelho”. Entrar em mais detalhes seriam entregar aspectos do filme que são extremamente importantes para você compreender, dessa forma partimos para as atuações.
Eu vejo nesse filme a maior união de atores talentosos de todos os tempos na Marvel Studios.
Não quero tirar créditos de atores como Robert Downey Jr, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, entre outros que já atuaram nos filmes do Universo Cinemático Marvel, mas a realização de “Doutor Estranho” traz um número incomum de talentos em um filme solo. Desde seu protagonista até seu antagonista, temos talentos dos mais variados e ganhadores de prêmios, indo do Prêmio da Academia (Oscar) a prêmios locais. Benedict Cumberbatch, que encabeça o elenco fazendo Dr. Stephen Strange/Doutor Estranho, atua na série britânica Sherlock, fazendo o protagonista ao lado do ator Martin Freeman (Capitão América: Guerra Civil), o que lhe proporcionou alguns prêmios e o levou a atuação de filmes para a TV e cinema, fazendo personagens como Khan em Além da Escuridão: Star Trek, Alan Turing em O Jogo da Imitação – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia e o Globo de Ouro como Melhor Ator – e Ricardo III na série inglesa The Hollow Crow.
Junto a Cumberbatch, fazendo seu companheiro, está o ator Chiwetel Ejiofor como Mordo. Ejiofor já pode ser visto em filme em Amistad, O Plano Perfeito, O Gangster, 2012, Salt, 12 Anos de Escravidão – que foi indicado pelo seu trabalho como protagonista – e Perdido em Marte. Ainda ladeando o protagonista temos a atriz Rachel McAdams que fez filmes como Meninas Malvadas, Diário de Uma Paixão, Penetras Bom de Bico, Voo Noturno, Intrigas de Estado, Sherlock Holmes – ao lado do ator Robert Downey Jr. (Capitão América: Guerra Civil), a série True Detective e Spotlight: Segredos Revelados – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia (Oscar).
Continuando próximo ao protagonista temos a atriz Tilda Swinton que faz A Anciã. Swinton já atuou fazendo a voz de Ofélia na minissérie da TV britânica Shakespeare: The Animated Tales. Esteve em A Praia, Adaptação, Constantine, As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, Despertar de Um Crime, Conduta de risco – que lhe garantiu o Prêmio da Academia de Melhor Atriz Coadjuvante –, O Curioso Caso de Benjamin Button, Precisamos Falar Sobre Kevin – ao lado do ator Ezra Miller (Liga da Justiça), Expresso do Amanhã – ao lado do ator Chris Evans (Capitão América: Guerra Civil) – e O Grande Hotel Budapeste. Ainda temos o ator Benedict Wong fazendo Wong. Ele já atuou na minissérie As Mil e Uma Noites, Jogo de Espiões, Conspiração Xangai, Além da Liberdade, O Retorno de Johnny English, Kick Ass 2 e a série do Netflix Marco Polo.
Já no papel de antagonista temos o fantástico ator dinamarquês Mads Mikkelsen. Mikkelsen já fez filmes como Rei Arthur, 007 – Cassino Royale, O Guerreiro Silencioso, Fúria de Titãs, Os Três Mosqueteiros, O Amante da Rainha, a série de TV Hannibal – interpretando o personagem Hannibal Lecter, que já lhe garantiu três Indicações de Melhor Ator de Série de TV no prêmio da Academia de Ficção Científica (Saturn Award) – e, futuramente, o veremos no filme Rogue One: Uma História Star Wars.
Todos esses atores foram regidos – posso usar essa palavra – pelo diretor Scott Derrickson. Derrickson é um diretor acostumado ao sobrenatural, pois dirigiu filmes como O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade e Livrai-nos do Mal, além da ficção científica O Dia Em Que a Terra Parou, uma mistura de sci-fi com sobrenatural.
O único problema, no meu ver, no filme foi exatamente as pontas soltas e o formato Marvel de se fazer filmes, ou seja, sem muito aprofundamento na trama, dando mais atenção a ação e aos efeitos visuais. Mas isso se torna pequeno perto de tudo que vemos, pois Doutor Estranho é puro entretenimento e cria uma nova visão para os filmes do Universo Cinemático Marvel, a visão por parte da magia. Para conseguir superar isso, a concorrência vai ter de rebolar e suar, pois novamente a Marvel dá um passo à frente.
Alguns falarão que sobrenatural não é novidade em filmes baseados em quadrinhos, pois temos os dois filmes de Hellboy – personagem de Mike Mignola, que teve direção de Benicio Del Toro – e Blade – com Wesley Snipes. Mas é uma visão diferente de magia e sobrenatural, ampliando essa ideia.

Perder Doutor Estranho nos cinemas, é deixar de ver algo único que nunca poderá ser visto na televisão, pois a dimensão do filme é absolutamente feito para a tela grande. Lógico que você poderá vê-lo muito bem em Blu-ray e DVD, mas no cinema é um espetáculo único e absoluto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

RESENHA ANIMAÇÃO: Batman: O Retorno do Cruzado Encapuzado (Batman: The Return of the Caped Crusaders, 2016)

BATMAN: O RETORNO DO CRUZADO ENCAPUZADO (Batman: The Return of the Caped Crusaders, 2016).

Direção: Rick Morales
Roteiro: Michael Jelenic, James Tucker
Elenco: Adam West. Burt Ward, Julie Newmar, Jeff Bergman, William Salyers, Wally Wingert, Steven Weber, Jim Ward, Thomas Lennon, Lynne Marie Stewart

Gotham City. Mansão Wayne. Lar dos paladinos da justiça Batman (Adam West) e Robin (Burt Ward), em suas identidades de Bruce Wayne e Dick Grayson. Enquanto assistem a uma programa de TV, eles testemunham quatro de seus piores inimigos, a Mulher-Gato (Julie Newmar), o Coringa (Jeff Bergman), o Pinguim (William Salyers) e o Charada (Steven Weber), aparecerem e correm para enfrentá-los, sem saber os motivos desse aparecimento súbito. Depois do Charada deixar um enigma, eles descobrem que os vilões pretendem roubar um multiplicador, capaz de gerar múltiplos objetos, desde um buraco no chão até pessoas.
 Quando decidem ir atrás deles, a dupla dinâmica sofre uma emboscada e terminam presos e prestes a serem cozinhados. Será que a dupla dinâmica conseguirá escapar dessa armadilha e deter os vilões? O que acontecerá com Batman e Robin caso escapem? Não percam essa emocionante animação.
Bem, fui exagerado nesse final, mas eu queria – tentar – capturar a essência do que era a série dos anos de 1960.
Em 12 de janeiro de 1966 estreava a série Batman. O seriado foi idealizado e produzido por William Dozier (1908-1991) e Lorenzo Semple Jr. (1923-2014), que decidiu levar os personagens para dentro das casas das pessoas com pessoas reais (ou live action). O canal de TV onde a estreia aconteceu foi a American Broadcasting Company (ABC) e tinha os atores Adam West e Burt Ward interpretando Bruce Wayne/Batman e Dick Grayson/Robin, respectivamente. A série tinha um estilo camp, ou seja, era uma série que brincava com o ridículo e o absurdo. Ela teve três temporadas e criou o fenômeno conhecido como batmania, que consistia em vendas de produtos e memorabílias ligadas ao seriado. Além disso, o seriado teve o primeiro filme do Batman.
“Batman – O Homem-Morcego” estreou em 30 de julho de 1966 e trazia Batman e Robin enfrentando Coringa (Cesar Romero), Mulher-Gato (Lee Meriwether), Charada (Frank Gorshin) e Pinguim (Burgess Meredith), que decidem sequestrar membros das Nações Unidas. O filme incorporou o Batcóptero, um novo elemento que funcionou muito bem para a película.
Em setembro de 2013, o roteirista Jeff Parker iniciou um trabalho para a DC Comics levando o seriado de 1966 para as revistas em quadrinhos. Foram 30 edições e um especial que trazia a introdução do personagem Duas-Caras no seriado, algo que nunca aconteceu de verdade.
Esse ano a Warner Animation, em comemoração aos 50 anos do seriado e percebendo um sucesso razoável com a venda das edições em quadrinhos (seja em formato impresso ou digital), lançou o filme que narrei acima. A animação traz toda a ideia do seriado da década de 1966, além de ampliar ainda mais, pois existiam limitações para o seriado que não precisam ocorrer nem nos quadrinhos e nem na animação. O interessante é o retorno de Adam West, Burt Ward e Julie Newmar (ela atuou no seriado, fazendo a Mulher-Gato na primeira e segunda temporadas, dando lugar na terceira para a atriz Eartha Kitt (1927-2008)) na dublagem. Eles dublam, respectivamente, os personagens que os consagraram no seriado. Chega a ser uma pena não podermos contar com os outros atores para retornarem, também, ao seus antigos vilões ou colegas e parceiros do Batman, mas é uma casta antiga de atores que, em sua maioria, já veio a falecer.
Mas existem personagens que se sente falta no momento em que começamos a assistir, como a Barbara Gordon/Batgirl. Mesmo que a atriz Yvonne Craig tenha falecido há um pouco mais de um ano, seria interessante rever sua personagem – que foi criada para um seriado-solo, mas que terminou entrando para a terceira temporada de Batman – sendo retratada como parceira da dupla dinâmica.
Quanto ao enredo em si, ele chega a ser divertido, mas cansativo. A diversão fica por conta das lembranças que trazem para aqueles que assistiram ou assistem (o seriado passa no Canal Brasil, todos os dias, as 23h00), pois tem o mesmo clima camp. Mas é cansativo, pois são muitas idas e vindas, que parece sem motivo aparente, somente para tornar a animação em algo com 78 minutos de duração. Sinceramente, é uma história que poderia ser resolvida com bem menos tempo e sem muita lengalenga. Batman vai, desvenda um caso, é preso, se liberta, desvenda outro caso, e assim vai até o final, tornando algo que poderia ser dinâmico em moroso.
“Batman: O Retorno do Cruzado Encapuzado” vale pelo clima nostálgico que mantém do começo ao fim, mas não esperem uma história que te prenderá, pois você pode vir a se decepcionar.

domingo, 9 de outubro de 2016

RESENHA SÉRIES: Luke Cage (Marvel’s Luke Cage, 2016)

LUKE CAGE (Marvel’s Luke Cage, 2016)

Roteiros: Cheo Hodari Coker, Jason Horwitch, Akela Cooper, Ainda Croal, Nathan Louis Jackson, Charles Murray, Matt Owens, Christian Taylor
Direção: Paul McGuigan, Andy Goddard, Marc Jobst, Clark Johnston, Magnus Martens, Sam Miller, Vincenzo Natali, Guillermo Navarro, Tom Shankland, Stephen Surjik, George Tillman Jr.
Elenco: Mike Colter, Simone Missick, Theo Rossi, Alfre Woodard, Rosario Dawson, Jaiden Kaine, Ron Cephas Jones, Mahershala Ali, Erik LaRay Harvey, Frank Whaley, Jacob Vargas, Karen Pittman, Michael Kostroff, Frank Faison, Parisa Fitz-Henley.

Harlem, o bairro nova-iorquino extensamente conhecido pela cultura afro-americana e latina que existe por lá. O bairro tem seus cidadãos que convivem com as gangues e os policiais corruptos, mas que luta todos os dias e sobrevive. Só que existem os locais neutros dentro do Harlem, e um deles é a Barbearia do Pop’s, onde trabalha Luke Cage (Mike Colter), varrendo o local para o proprietário, Pop (Frank Faison).
Além de trabalhar para Pop, Luke também trabalha lavando pratos na boate Harlem’s Paradise, que pertence ao mafioso Cornell “Boca de Algodão” Stokes (Mahershala Ali). Na boate passam grandes nomes da música soul, funk, rhythm and blues e hip hop, além de lavar dinheiro para a campanha da prima de Stokes, a vereadora Mariah Dillard (Alfre Woodard).
Enquanto cobria a ausência do bartender da boate, Luke termina conhece Misty Knight (Simone Missick), uma policial que surge disfarçada em Harlem’s Paradise, iniciando uma caso de amor e ódio entre ambos. O que ninguém sabe é que o bartender da boate está com outros dois comparsas, se arriscando a roubar dinheiro de um carregamento de armas de Cornell, que terminou levando-o à morte. O caso do roubo chega aos ouvidos do “patrocinador” de Cornell, Willis “Kid Cascavel” Stryker (Erik LaRay Harvey), que envia seu braço direito, Hernan “Shades” Alvarez (Theo Rossi), para acompanhar o caso de perto.
O caso das armas termina ganhando proporções desastrosas, causando uma grande tragédia e tirando
Luke Cage das sombras e fazendo-o mostrar todo seu potencial.
O que poucos sabem é que Luke ganhou poderes incríveis quando ficou preso em Seagate, uma prisão de segurança máxima. Lá, ele termina participando de um Clube de Luta que é transmitido pela internet. Quando termina levando uma grande surra e fica mortalmente, ele é socorrido pela psicóloga Reva Connors (Parisa Fitz-Henley), por quem sente uma atração. Ela o encaminha ao médico da prisão, o Dr. Noah Burnstein (Michael Kostroff), que possui uma máquina experimental que acelera a cicatrização dos feridos. Durante o processo, o médico entre em conflito com um policial inescrupuloso o que leva a um superaquecimento da máquina, dando a Luke uma pele invulnerável.
Luke começa então a buscar desmascarar os negócio de Cornell e sua prima, mas isso tudo termina levando-o a revisitar seu passado turbulento e encarar velhos fantasmas que estavam guardados no armário.
Nunca fui uma pessoa que lia as histórias de Luke Cage. Não o acompanhei nos quadrinhos, mesmo que conhecesse sua existência e a origem de seus poderes. Conheço parte de sua trajetória, pois sem via e lia o material que falava sobre ele. Quando ele foi para o selo MAX, cheguei a ler alguma coisa, mas não acompanhei arduamente. Vendo agora, percebo que perdi a oportunidade de conhecer um personagem com uma história bem intensa e dramática.
De suas origens no Harlem, sua passagem pela prisão, sua submissão a um experimento arriscado e toda sua história como herói de aluguel, Luke Cage teve um caminho árduo para cruzar, encarando inimigos dos mais diversos. Ele fez amizades que permanecem até hoje, teve relações amorosas com várias personagens, tem uma filha, já foi líder dos Thunderbolts e dos Novos Vingadores e, agora, ganha destaque em uma série no Netflix.
Na série vemos algumas pequenas mudanças nos aspectos do personagem. De ter nascido no Harlem, agora as raízes de Cage são em Savannah, na Georgia. Ele não se submete a experiência que altera sua estrutura celular, tornando sua pele resistente, mas é tudo um acidente experimental quando buscam curar suas feridas. Ele também não é um herói de aluguel, mas sim uma pessoa que possui super-poderes e busca usá-los a favor daqueles que merecem, ou seja, um verdadeiro super-herói (mesmo que não goste muito do título). Só que, essas mudanças não são algo negativo, pelo contrário, servem para tornar o contexto de “Luke Cage” mais interessante e seu drama pessoal mais complexo.
É muito clara a homenagem que o criador Cheo Hodari Coker quis passar ao movimento afro-americano cinematográfico que ocorreu na década de 1970 e ficou conhecido como Blaxploitation. O movimento buscava mostrar o potencial de filmes dedicados aos atores negros dos Estados Unidos, sem menospreza-los, tornando-os personagens menores. Os filmes eram voltados para um público afrodescendente, também. Além disso, a série mostra como o Harlem, bairro de Manhattan, em Nova Iorque, é rico culturalmente e expressivamente. Lá surgiram nomes como Harry Houdini, Louis Armstrong, os Irmãos Marx, Burt Lancaster, Billie Holiday, Fiona Apple, Sammy Davis Jr., Al Pacino, Erik Estrada, Malcolm X, Sugar Ray Robinson, J. D. Salinger, Dinah Washington, Kareem Abdul-Jabbar, Puff Daddy, Billy Dee Williams, Angela Bassett, dentre outros. Alguns desses nomes até surgem em comentários de alguns dos personagens que circulam na série. Sem contar que a fotografia busca mostrar bem a expressividade dos grafites e das pessoas que circulam pelo Harlem, dando uma dimensão imensa para o bairro, que parece ser dez vezes maior do que verdadeiramente é.
Como mencionei os personagens, o elenco é uma consagração de bons atores. Em sua maioria afro-americanos, começamos com o protagonista vivido pelo ator Mike Colter.
Colter já havia mostrado um pouco de Luke Cage anteriormente em outra série da Netflix/Marvel, Jéssica Jones. Agora ele nos dá uma ampla visão de sua interpretação do personagem. Colter não é um ator de talento impecável, mas ele não falha na missão de nos dar um bom trabalho como Luke Cage. Muitos comentarão que no aspecto físico ele não parece o “Poderoso” (Power Man, em português), mas você não assistirá o seriado somente por isso, pois quando o vemos interagir com os elencos coadjuvante e de apoio, isso que fica em evidência. Ele nos dá aquela sensação que deseja viver a vida dele, sem se meter em complicações e confusões, mas quando isso é necessário, demonstra que está a altura de ser o herói do Harlem.
Colter tem ótimas interações com o personagem Pop, interpretado pelo ator Frank Faison, com as personagens Misty Knight – que ele vive uma relação de amor e ódio – e a enfermeira Claire Temple, interpretadas pelas atrizes Simone Missick e Rosario Dawson, respectivamente.
Simone Missick, que já apareceu em séries como Ray Donovan, Scandal e Wayward Pines, ganha seu primeiro papel de grande destaque ao interpretar a detetive policial em “Luke Cage”, Misty Knight.
A personagem é amplamente conhecida nos quadrinhos por ter iniciado como coadjuvante em histórias dos X-Men, Luke Cage e Punho de Ferro, mas ganhou outro panorama quando iniciou a parceria com a personagem Colleen Wing na revista “Daughters of the Dragon”. Misty sempre foi uma detetive de pavio curto que levava suas investigações ao extremo. Missick soube trabalhar bem esse aspecto da personagem, indo aos extremos quando o assunto é pavio curto, chegando a – quase – agredir a personagem Claire Temple.
Já Rosario Dawson retorna às séries como a enfermeira Claire Temple. A atriz vem servindo como ponto de ligação entre as séries, surgindo em Demolidor, migrando para Jessica Jones e ressurgindo em Luke Cage. Nessa série, Dawson mostra a origem da personagem, que tem sua mãe – a atriz brasileira Sonia Braga fazendo sua participação no elenco de apoio – morando no Harlem, onde ela tem uma lanchonete, que serve como ponto de encontro dos personagens.
Outros pontos de encontros são a Barbearia do Pop’s a boate Harlem’s Paradise, sede dos antagonistas de Luke Cage. Ela é, inicialmente, administrada pelo personagem Cornell “Boca de Algodão” Stokes, interpretado pelo ator Mahershala Ali.
Ali torna Cornell um bandido do qual adoramos odiar. Ele não poupa esforços para ser o pior dos piores. As origens do personagem são retratadas em flashbacks, junto com sua prima Mariah Dillard, interpretada pela atriz Alfre Woodard, sendo criados por Mama Mabel. Interpretada pela atriz LaTanya Richardson Jackson. Percebe-se, na interpretação de Ali, a forma como ele precisou mudar, graças a sua criação. Enquanto testemunhamos como ele se transformou, o personagem mostra tudo isso com a sua construção por parte do ator.
Outra que também tem esses fortes aspectos é a personagem interpretada pela atriz Alfre Woodard. Woodard foi vista, brevemente, no filme “Capitão América: Guerra Civil”, mas na série ela se torna uma personagem extremamente poderosa no papel da vereadora Mariah Dillard.
No desenrolar da série, Woodard mostra o crescimento dos aspectos antagonistas da personagem, que no começo demonstra não querer ter participações nas ações do primo, mesmo que arrecade lucros com isso, mas no passar do tempo ela demonstra ser uma loba vestida de cordeiro.
O elenco de coadjuvantes e apoio dos heróis e vilões, é muito talentoso, também. Atores como Frank Faison, Sonia Braga, Theo Rossi, Erik LaRay Harvey – que em determinado momento se torna parte principal da trama –, Michael Kostroff, Parisa Fitz-Henley, dentre outros, compõem a trama da série e se tornam extremamente importantes para entendermos a importância da cultura do Harlem, composta de afro-americanos, hispano-americanos e caucasianos – que aparecem em um número bem reduzido na série (algo – quase – raro de se ver em um seriado estadunidense).

“Luke Cage” é mais uma excelente série de um trabalho conjunto entre a Marvel Studios e o Netflix, cada vez mais ampliando o núcleo de séries de super-heróis da Marvel em streaming que iniciou em 2015 com Demolidor e virá a resultar na série Defensores, em 2017.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

RESENHA CINEMA: Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016).

STAR TREK: SEM FRONTEIRAS (Star Trek Beyond, 2016)

Roteiro: Simon Pegg, Doug Jung
Direção: Justin Lin
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoë Saldaña, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Sofia Boutella, Idris Elba.

“O espaço, a fronteira final...
Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.

Já faz três anos que a NCC-1701 USS Enterprise está realizando sua viagem pelo espaço, buscando conhecer novas civilizações e realizar acordos de paz entre os povos, em nome da Frota Estelar e da Federação dos Planetas Unidos. Mas o cansaço e as saudades já acometem os membros da nave, principalmente seu capitão, James Tiberius Kirk (Chris Pine).
Depois de tentar realizar um acordo de paz entre dois planetas em constante conflito – e falharem feio –, Jim e sua tripulação chegam a Estação Espacial Yorktown, onde encontram familiares e parceiros. Mas de repente uma nave à deriva chega a Estação e a Comodoro Paris (Shohreh Aghdashloo) passa a missão de resgate para Kirk que reconvoca a sua tripulação e eles partem para uma nebulosa, onde terminam sendo atacados por uma tropa de naves lideradas pelo famigerado Krall (Idris Elba), que deseja ativar uma arma mortal para destruir a Federação.
Esse filme é formidável por dois motivos: Primeiro, ele tem o roteiro escrito por um trekker e ator do filme. Simon Pegg assina o roteiro ao lado de Doug Jung (Dark Blue: No Limite da Lei), baseado no roteiro escrito por Roberto Orci, Patrick McKay e John D. Payne. Ele possui uma história complexa e que se desdobra de uma forma fenomenal, com vários altos e baixos, e dando espaço para todo o elenco central.
Kirk, Spock (Zachary Quinto), Uhura (Zoë Saldaña), McCoy (Karl Urban), Sulu (Frank Cho), Chekov (Anton Yelchin) e Scott (Simon Pegg), todos têm seus momentos de destaque no filme, tornando-se protagonistas em determinado momento. Além deles, personagens como Krall, Jhayla (Sofia Boutella), Syl (Melissa Roxburgh) e a Comodoro Paris tem seus destaques também no filme, principalmente os dois primeiros.
O segundo motivo é a fantástica direção de Justin Lin. Conhecido pelos três mais recentes filmes da franquia “Velozes & Furiosos”, Lin mostra que é talentoso também dirigindo um filme do nível de Star Trek. As cenas amplas, onde ele busca desenhar a Enterprise ou mesmo as cenas dentro da Estação Espacial Yorktown, são simplesmente vertiginosas e maravilhosas. São momentos que ficaram na memória de qualquer um. E, como sempre, ele trabalha muito bem a ação do filme. Desde a primeira cena até a última, o filme tem momentos adrenalizantes. Lin capricha com as cenas de ação, não ficando nada a dever ao diretor dos dois filmes anteriores, J.J. Abrams – que agora assina a produção. Ele trabalha a linha de ação com as pequenas pegadas de comédia, que nunca podem faltar tendo atores que trabalham em conjunto como se fossem amigos de longa data.
Bem, como sabemos, será a última vez que veremos o ator Anton Yelchin como Pavel Chekov, pois ele faleceu depois de um acidente. Sua participação no filme não fica a devendo a nenhum ator, pelo contrário, como sempre – desde que J.J. Abrams assumiu essa empreitada –, Chekov tem extrema importância para trama, devido ao seu conhecimento. Como dito antes, todos os membros da Enterprise tiveram seus momentos, não esquecendo nenhum deles. Temos tremulações na relação amorosa de Spock e Uhura, temos um crescimento na relação de convivência entre Spock e McCoy. Vemos o quão importante o navegador Hikaru Sulu é para a Enterprise e como ele se tornou confiante no passar dos tempos. E Montgomery Scott é um personagem fantasticamente bem realizado e retratado, como sempre.
“Star Trek: Sem Fronteiras” tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano de 2016. Ele consegue mostrar que esse ano tem sido uma grande realização para os fãs de ficção científica e de filmes de ação.

Não há cenas pós-créditos, mas vale a pena ficar para ver a linda homenagem ao grandioso Leonard Nimoy e ao ator Anton Yelchin, lógico.

sábado, 6 de agosto de 2016

RESENHA CINEMA: Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016).

ESQUADRÃO SUICIDA (Suicide Squad, 2016).

Roteiro: David Ayer
Direção: David Ayer
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Joel Kinnaman, Jay Hernandez, Jai Courtney, Cara Delevingne, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara, Scott Eastwood, Adam Beach, David Harbour, Shailyn Pierre-Dixon, Common.

Amanda Waller (Viola Davis) se reúne com um grupo de membros do governo, pois pretende reativar a Força-Tarefa X, mas dessa vez usando os “piores dos piores”. Ela pretende usar prisioneiros de Belle Reve, uma prisão escondida na cidade de Louisiana. Lá encontram-se o Pistoleiro (Will Smith), um assassino profissional que nunca erra seu alvo. Arlequina (Margot Robbie), uma ex-psicóloga do Asilo Arkham que terminou se apaixonando pelo Coringa (Jared Leto) e se tornou uma sociopata pior do que ele. Diablo (Jay Hernandez), um homem que é um verdadeiro lança-chamas humano (na melhor das hipóteses). Capitão Bumerangue (Jai Courtney), um marginal cuja as armas principais são bumerangues bem afiados. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), um humanoide com um problema que o transformou em um réptil humano, com sede por sangue. E Magia (Cara Delevingne), uma bruxa milenar que tomou o corpo da arqueóloga June Moone e sempre surge quando é chamada.
A ideia de Waller era usa-los como último recurso em casos extremos e de perigo imediato e, caso eles voltassem vivos e tudo desse errado, eles seriam acusados por tudo e, caso a missão fosse bem sucedida, eles teriam uma redução em suas penas. Então, junto com o coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), ela visita esses prisioneiros na penitenciária, na tentativa de estuda-los e suas capacidades, mas algo foge do controle e ela precisa ativá-los como operativos e, inserindo um chip explosivo, ela os controla o tempo inteiro. Então o grupo parte em uma missão suicida, podendo não voltar.
Esquadrão Suicida é um bom filme, mas não tem o potencial esperado e desejado. O problema com o filme é aquele no qual eu temia desde o começo: ele se concentra nos personagens de Will Smith e Margot Robbie.
Não que os outros atores não tivessem um bom desenvolvimento dos personagens, mas ficou uma grande preocupação em dar uma porcentagem bem maior aos personagens dos dois atores já citados. Sim, Arlequina é uma personagem dos quadrinhos de grande importância e, por isso, o destaque para ela era mais do que esperado, mas o personagem do Pistoleiro, mesmo tendo uma das histórias mais fantásticas, melhor desenvolvida pelo roteirista John Ostrander em uma minissérie em quatro partes em 1988, não é um personagem para tanta atenção. Ele se torna o ponto central e de ligação entre os super-marginais e os soldados de Flag. Em determinado momento, Amanda Waller pede para ele cumprir uma missão que poderia muito bem ser cumprida por qualquer outro, mas a necessidade de destacar o ator é grande.
Mas é o estilo do diretor David Ayer, pois mesmo que ele desenvolva os dramas de todos os personagens, ele se concentra em um ou dois para que a trama role.
Mas o filme, como eu disse inicialmente, é um bom filme. Tem atores que sabem desenvolver bem seus personagens, mesmo com pouco destaque, e tem um enredo bem interessante, desenvolvido em torno do Esquadrão Suicida. Mas o que não torna o filme algo no mesmo nível de “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” são as coisas destoantes, como uma cena que ganha uma slow motion para dar o tom dramático, mais pareceu forçado. E, sinceramente, a cena pós-créditos – sim, o filme tem uma cena logo depois dos primeiros créditos – poderia muito bem ser algo antes dos créditos. Foi uma “marvelizada” desnecessária no filme.
Mas temos participações especiais muito legais, também, pois além do homem-morcego, temos outro dos novos super-heróis do Universo Cinematográfico DC. Além de easter-eggs que são claras homenagens que somente aqueles que são fãs antigos do Esquadrão Suicida perceberão.
Agora faço uma pausa dramática para falar sobre o terceiro Coringa dos cinemas, dessa vez interpretado pelo ator camaleão Jared Leto. O que se percebe de sua participação mais que especial – lembrem-se, o filme não é sobre ele, então é somente uma participação mesmo – é que Leto decidiu desenvolver o personagem como um gangster assassino.
Como eu imaginava, foi uma nova visão do personagem, que poderia muito bem se assimilar com a ideia desenvolvida por Frank Miller em “Grandes Astros Batman e Robin, o Menino Prodígio”. Ele não é um chefão da máfia ou um agente do caos, ele é um homicida passional, que age da forma que lhe convém, fazendo o que desejar, sem pensar duas vezes na situação. Foi uma brava caracterização de Leto para o personagem, mas o que destoou foi a extrema importância que ele dá ao sentimento por Arlequina.
Eu me acostumei a ver o Coringa sempre usando a paixão da Dra. Harley Quinzel como um objeto de seu interesse. Ela era somente uma necessidade em um momento desesperador, nada mais. O Coringa nunca teve interesses amorosos pela doutora e nem pela sua contraparte, a Arlequina. Ela que sempre foi loucamente caidinha por ele. Vê-lo motivado a libertá-la e resgatá-la, demonstrou algo novo nessa visão que me pareceu estranho.
Mas isso aconteceu com vários outros personagens que eu conheço do universo do Batman, principalmente (Capitão Bumerangue é inimigo do Flash). Sim, vemos a ideia que Ostrander deu a respeito de quem é Floyd Lawton, ou seja, um dos melhores assassinos do mundo que é um pais fervoroso e dedicado à filha. Também vemos que a psicóloga Harley Quinzel é loucamente apaixonada pelo Coringa e ajuda na sua fuga, como mostrado por Bruce Timm e Paul Dini na história “Mad Love”.
Mesmo que não esmiúcem muito, parte da história de Katana está lá, contada por Rick Flag, o que me entristece um pouco, pois a ligação de sua história com o Batman vem desde a época dos Renegados, grupo que ela integrou ao lado do Homem-Morcego e outros personagens. Poderiam ter feito essa ligação ao personagem, também, mas preferiram colocá-la como um tipo de "guarda-costas" de Flag. Ficou legal, mas perdeu a riqueza da personagem.
Eu não conheço a história de El Diablo, mas achei que foi muito bem desenvolvida, também, com todo seu drama pessoal. Já Magia teve elementos renovados, pois a sua transformação de June Moone em Magia – nos quadrinhos –, era algo mais psicológico do que uma mudança de corpos, mas não deixou de ser interessante, também, já que o sofrimento de June Moone em se transformar na bruxa estava todo ali. Já não posso dizer que os personagens Crocodilo, Katana e Capitão Bumerangue tiveram personagens bem desenvolvidos, mas Jai Courtney soube dar o tom de comédia ao personagem.
Quanto as músicas do filme, são elementos especiais. Além das que ouvimos em trailers, temos a inclusão da fabulosa “Sympathy for the devil”, dos Rolling Stones. A trilha sonora do filme é rica e simplesmente perfeita para todo o filme. Queen, Bee Gees, Rolling Stones, Sweet, Skrillex, Grace, Twenty One Pilots, entre tantos outros, tornam o filme mais empolgante.
Muitas das críticas que tenho lido é que o roteirista simplesmente teve o universo do Esquadrão Suicida empurrado em suas mãos e ele escreveu o que quis, que não tem nada a ver com os quadrinhos. Não entro nesse quesito, pois estamos falando do Universo Cinematográfico DC, que não tem nada a ver com o Universo dos quadrinhos. E de qual universo do Esquadrão estamos falando? Sinceramente, eu vi elementos da criação de Ostrander ali, principalmente na – sempre fantástica – Viola Davis como Amanda Waller. Ela não tem dó, nem piedade. É capaz de pisar em qualquer um, fazer o que for preciso para alcançar o que deseja. Isso é totalmente a Amanda Waller de Ostrander. Se estão falando de Novos 52, bem, não posso opinar, pois não acompanhei essa fase.

“Esquadrão Suicida” não é um filme perfeito. Colocaria ele bem abaixo nas categorias de filmes de quadrinhos de super-heróis – se fosse para classificar, estaria entre “Kick Ass 2” e “Hellboy 2”, na minha humilde opinião –, mas ainda assim tem um desenrolar interessante e uma bela composição dos personagens, com atores que sabem trabalhar esses vilões e suas personalidades, pena que o enredo foi mal desenvolvido no final. Torço que tenha uma versão estendida, pois acredito que o filme poderia ficar melhor do que ele é.