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domingo, 3 de novembro de 2019

"Marighella #LIVRE" no Catarse

O site de apoio coletivo Catarse é um paraíso para os colecionadores de quadrinhos, principalmente aqueles que gostam de apoiar bons trabalhos do Brasil. Você encontra lindos trabalhos infanto-juvenis, de conscientização social, aventuras de super-heróis, detetives, ficção científica, sobrenatural, história fantástica, mitologia e biografias. Dessa forma, venho falar sobre o projeto "Marighella #LIVRE", que está no site Catarse.
"Marighella #LIVRE" busca contar a história do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) no período da Era Vargas (1930-1945), quando ele lutou contra o Regime Varguista que tomava conta do poder criando o Estado Novo. Ele foi preso, torturado, pois era comunista-leninista acirrado. Marighella nasceu em Salvador-BA e se mudou para o Rio de Janeiro após abandonar o curso de engenharia, filiando-se ao PCB. Ele se tornou um dos maiores militantes do partido e ficou responsável pela imprensa e divulgação do partido. Foi em 1939 que ele terminou preso durante seis anos e foi torturado pelo Regime Varguista. Isso, com certeza, endureceu Carlos Marighella e tornou-o mais rígido na forma de agir e pensar.
Marighella recebeu um filme recentemente, também, que terminou não estreando devido aos questionamentos sobre o conteúdo. O filme tem direção de Wagner Moura e roteiro dele com Felipe Braga, George Walter Torres e Erez Milgrom - que colaboraram com o roteiro. O filme de Moura é baseado no livro do jornalista Mario Magalhães, que publicou o livro em 2012.
Já "Marighella #LIVRE" é um trabalho desenvolvido pelo roteirista Rogério Faria e o desenhista Ricardo Sousa.
O projeto está indo bem, apesar dos diversos ataques que vêm recebendo nas redes sociais daqueles que não sabem - e nem desejam saber - quem foi o guerrilheiro que terminou morrendo nos Anos de Chumbo (1968-1974) do Regime Militar no Brasil (1964-1985).
Rogério Faria vem defendendo seu projeto com coragem e arduamente escrevendo matérias no jornal online GGN, como "Marighella é um maldito" e "Marighella sempre foi o inimigo", além de conseguir repercussão, tendo matéria publicada na Folha Ilustrada da Folha de São Paulo e no jornal O Vale.
Com todas essas informações, conheça mais sobre o projeto "Marighella #LIVRE" que você pode apoiar no site Catarse (https://www.catarse.me/marighella).

"Não tive tempo de ter medo".
(Carlos Marighella)

Marighella em quadrinhos
Na década de 30, durante a ditadura de Getúlio Vargas, a polícia prende um jovem comunista e o tortura cruelmente para que ele entregue seus camaradas. 

Está rolando a campanha de financiamento coletivo no Catarse para a revista em quadrinhos Marighella #LIVRE, com roteiro de Rogério Faria (Corpos-Secos, Metamorfose), desenhos de Ricardo Sousa (ZéMurai), e arte da capa de Phill Zr.

Marighella #Livre conta a história de um Carlos Marighella com apenas 24 anos, que em 1936 foi preso por agentes da ditadura de Getúlio Vargas e torturado para entregar seus companheiros. Mas Marighella provou sua fibra, surpreendendo seus captores, e começando, aí, a criar a lendária figura do maior guerrilheiro brasileiro do século, o inimigo público nº 1 da ditadura civil-militar. Apesar da crueldade que caracteriza o episódio, o quadrinho consegue equilibrar dor, poesia e humor.

A campanha traz recompensas exclusivas para quem apoiar pela plataforma Catarse: marcador de página, print, poster e outras obras dos mesmos autores. Ainda como recompensa, foram disponibilizadas duas artes exclusivas em colagem do artista Phill Zr. São peças únicas, somente disponíveis pelo Catarse.

Marighella #Livre terá 24 páginas no formato 17 x 24 cm, com papel off-set 90g e capa em papel cartão de boa gramatura.

SERVIÇO
MARIGHELLA #LIVRE
Autores: Rogério Faria e Ricardo Sousa
Gênero: ação, drama
Formato: 17x24cm
Páginas: 24 P&B (off-set 90g)
Ano de publicação: 2019
Preço de capa: R$ 25,00 (frete grátis para qualquer lugar do Brasil)

METAS EXTRAS

Já alcançamos a meta inicial do projeto e criamos metas extras, muito mais ousadas. A primeira, R$ 6.000,00 foi batida, e o print A5 com arte da capa de todos os apoiadores virou um postal.

E revelamos agora a meta extra secreta de 10k. Se atingirmos R$ 10.000,00 de financiamento, todos os apoiadores vão receber um catálogo com as artes da exposição virtual Marighella #LIVRE, que estamos organizando. Para conhecer e participar da exposição, é só clicar aqui.
Saiba quais são as metas estendidas.
Revista em quadrinhos é material subversivo. Filmes são proibidos. Artistas são censurados. Militantes de causas sociais são perseguidos e mortos. Líderes políticos são presos em processos de exceção. O Estado atira em cidadãos do alto de helicópteros. O fascismo ressuscita seus “heróis”, e cria outros novos. É Brasil, é século XXI.
A arte vira trincheira de luta.
É por isso que filmes como Marighella, de Wagner Moura, não podem ser vistos. Meio século depois de sua covarde execução pela ditadura, a se completar agora em novembro, o guerrilheiro ainda é temido pelos fascistas. Marighella assombra os déspostas. Ele precisa ser silenciado, esquecido, assassinado quantas vezes forem necessárias. Ele precisa continuar preso em sua solitária, incomunicável.
A arte é resistência, mas também é contra-ataque.
Assim, essa HQ vai arrancar essa mordaça para contar a história desse revolucionário como uma figura referencial para os tempos atuais. Para isso, vamos precisar do seu apoio, seja contribuindo, compartilhando, indicando para amigos.
Marighella é uma das grandes personalidades mundiais do século XX, praticamente ignorado pela geração atual. Ele inspirou movimentos de lutas por todo mundo, como os Panteras Negras, a Organização pela Libertação da Palestina, o IRA - Exército Republicano Irlandês. Foi reverenciado por intelectuais como Jean-Paul Sartre, Roberto Rosselini, Jean-Luc Godard. Sua história é de resistência, de coragem, de sacrifício. É também a história do Brasil e seu claudicante flerte com a democracia num cenário de opressão permanente, quando não uma ditadura desavergonhada.
A história foi idealizada a partir de uma extensa pesquisa em diversas fontes. Com base no relato da prisão em "Se fores preso, camarada", nos aprofundamos em outros escritos de Marighella, como "Por que resisti à prisão" e "Minimanual do Guerrilheiro Urbano". Contamos com obras como a biografia Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães, e o documentário Marighella (2012), de Isa Grinspum Ferraz. E levantamos alguma coisa em revista e jornal da década de 60. Tudo para nos aprofundarmos nele. Também tivemos como referência Olga, de Fernando Morais, e o filme (2004) de Jayme Monjardim, que ajudaram com a contextualização da época e na construção de outros personagens. Até uma novela de época, Esperança, de Benedito Ruy Barbosa, foi importante para ambientação e caracterização. Vídeos de YouTube, videoaulas, também foram úteis. Tentamos ser fiéis ao período e ao personagem para contarmos uma história nossa, de forma original, sobre o episódio real.
O álbum de história em quadrinhos terá formato 17 cm X 24 cm, 24 páginas em preto e branco e papel offset 90g. A capa será feita em papel cartão com boa gramatura e acabamento em laminado fosco.
Vamos mandar o livro para a gráfica no fim da campanha e, assim que chegarem os exemplares impressos, iniciaremos as entregas. A previsão é de que todos estarão com seus exemplares e recompensas até o fim de fevereiro de 2020.
Do total arrecado, 10% será doado pelos autores para a família de Carlos Marighella para a criação de uma fundação em seu nome. O objetivo dessa instituição é desempenhar ações no sentido de recuperar e preservar a memória de Marighella, de modo que o Brasil possa conhecer e refletir sobre uma parte importante de sua história.
Os apoiadores desta campanha aqui pelo Catarse receberão a HQ, que conta com frete grátis para todo o Brasil. Também, claro, poderão escolher recompensas exclusivas. Veja quais são:
+ Marcador de página e print da capa - RECOMPENSAS EXCLUSIVAS
+ Pôster A4 MArighella - Anos 40- RECOMPENSA EXCLUSIVA
+ Revista em quadrinhos Corpos-Secos
Nessa ficção científica, há muito tempo, as pessoas pararam de nascer e de morrer. O nosso planeta é uma prisão de segurança máxima na qual bilhões de almas estão condenadas à prisão perpétua, enquanto vermes devoram seus corpos lentamente. Ainda assim, o velho Miguel está disposto a trazer Ju de volta. Tudo o que restou foi o crânio de seu grande amor, mas ele tem um plano.
O roteiro é de Rogério Faria com desenhos de Raimundo Guimarães.
A revista tem formato 17 cm X 24 cm, 24 páginas em preto e branco e papel offset 90g. A capa é feita em papel cartão com boa gramatura e acabamento em laminado fosco.
+ Revista em quadrinhos ZéMurai

ZéMurai - O mugido da besta fera
Edição de estreia. ZéMurai chega arretado, com espada e cachaça nas mãos, para iniciar suas aventuras,
Criado por Ricardo Sousa, ZéMurai é um cangaceiro sobrevivente, que abandona as antigas tradições do cangaço e passa a viver um novo código de honra. Suas histórias se passam em um nordeste atemporal e são recheadas de intrigas, injustiças e muita violência. Nesse cenário árido, Zé tenta estabelecer a justiça, com suas próprias mãos. Essa primeira edição conta com a participação de diversos artistas, numa parceria com a Escola HQ em FOCO e o curso de Roteiro de Daniel Esteves.
A revista é uma publicação independente, tem formato 16 cm X 25 cm e 36 páginas em preto e branco.
ZéMurai - Malassombros na terra do Sol
O Cabra da Peixeira estranha está de volta! E dessa vez muito mal acompanhado! O Sertão é um lugar perigoso, não só por causa do clima inclemente, mas também por causa dos coronéis implacáveis. Quando a noite cai, criaturas aterrorizantes espreitam nas sombras! ZéMurai volta com suas aventuras e nos apresenta um pouco mais desse Sertão sem lei!
A HQ “ZéMurai – Malassombros na Terra do Sol” é uma coletânea de cinco histórias: “Encontros macabros”, de Tiago Oaks e Ricardo Sousa – os criadores do personagem; “Papangu”, de Kung Fu e Panda; “Girassol”, de Larissa Palmieri e Pedro Okuyama; “Cão das bila”, de Samuel Bono; “Dados marcados”, do Al Stefano.
A revista é uma publicação da Zapata Edições, tem formato 16 cm X 25 cm, 40 páginas em preto e branco.
+ Artes em colagem originais do artista Phill Zr. (PEÇAS ÚNICAS)
Phill Zr. utiliza técnica de colagem para criar imagens e símbolos com milhares de pedaços de papel rasgado. Os materiais são basicamente papel, cola e compensado como base.
+ Artes originais das páginas internas
Você pode agora ter artes originais das páginas internas da HQ Marighella #LIVRE desenhadas e finalizadas pelo Ricardo Sousa. A escolha da arte respeitará a ordem de apoio, a partir de uma seleção das páginas internas que irá além dessas da imagem de exibição. Após o término da campanha, o material será enviado pelo próprio artista.
Dá para escolher qualquer das recompensas que traz a revista, e, depois, a recompensa com uma das páginas internas. Ou só ela.
ROGÉRIO FARIA
De repente, 30. Descobriu que queria ser roteirista de quadrinhos quando crescesse. E assim passou os anos 10 deste século, estudando, praticando e publicando as tiras dos Brasinhas (2013 a 2016), colaborando com as revistas Calafrio e Mestres do Terror (2017-2018), lançando HQ independentes como Mais um dia e Metamorfose (2018), Corpos-Secos e O Fantasma da Verdade (2019).
RICARDO SOUSAEle desenha desde que se entende por gente. Quadrinista e ilustrador, começou sua carreira profissional em 2007, trabalhando com ilustrações e quadrinhos institucionais como freelancer. Já atuou no mercado norte-americano, desenhando as graphic novels Clarity e Whiplash em 2015 e 2016. Autor do personagem ZéMurai, lançou, em 2017, ZéMurai - O mugido da besta fera. Em 2018, ZéMurai - Malassombros da terra do Sol. Também é coautor da revista O legado: Vudakol, lançada em 2018.PHILL Zr.Phill Zr. iniciou suas atividades artísticas através da música e do desenho. Mas, a partir de 2013, passou a se dedicar profissionalmente à pintura. Atualmente, divide-se entre a música e as artes plásticas, compondo e gravando suas canções, produzindo suas obras e experimentando técnicas mistas como entalhe em madeira, colagem, pintura, escultura, além de desenvolver trabalhos de ilustração, design e serigrafia.

sábado, 26 de outubro de 2019

"Como fazer amigos e enfrentar fantasmas" no Catarse

Constantemente venho falando sobre os projetos dos artistas brasileiros no Catarse. São vários projetos de quadrinhos independentes que contam com a ajuda do financiamento coletivo, dando vários brindes, além de adquirir quadrinhos com ótimas histórias e uma arte fantástica.
Eu tenho me tornado um persistente divulgador desses quadrinhos, pois sei que temos garantia de qualidade no que será recebido. Sendo assim, dois desses artistas que me tornei fã lançaram mais um projeto em conjunto no Catarse, são eles Eric Peleias e Gustavo Borges.
Peleias e Borges já realizaram um trabalho juntos, o belíssimo "Até o fim" e agora retornam com "Como fazer amigos e enfrentar fantasmas".
A história de "Como fazer amigos e enfrentar fantasmas" conta a história de duas crianças muito diferentes na forma de agir e interagir. Enquanto Olívia, que tem 8 anos, tem uma imaginação fértil e energia para dar e vender, além de cultivar o hábito de "caçar fantasmas", Leo, de 10 anos, prefere ficar na dele e jogar vídeo-game, sendo mais... cético. Filhos de pais separados, quando estes começam a namorar, deixam Olívia e Leo juntos e ambos aprenderam muito um com o outro.
"Como fazer amigos e enfrentar fantasmas" está no Catarse e você pode estar apoiando até o dia 05 de novembro de 2019 no link https://www.catarse.me/comofazeramigos.
Agora fiquem com um pouco mais desse projeto que promete!
Oi, 
Nós queremos contar para você um pouco sobre Como Fazer Amigos e Enfrentar Fantasmas, o novo projeto da dupla de Até o Fim.
Pensamos que o seu público pode se interessar pelo projeto.
Sinopse
Estamos na década de 1990, em cada casa há uma televisão ligada e a internet ainda é desconhecida.
Leo e Olívia não possuem muitas coisas em comum, mas ambos são filhos de pais separados. Eles são obrigados a passar um dia juntos, quando o pai dele e a mãe dela começam a namorar. Olívia tem 8 anos, é expansiva, cheia de imaginação e energia. Leo tem 10 anos, é introspectivo, sério e prefere passar o final de semana jogando videogame sozinho.
Levado contra sua vontade, o menino só quer se livrar de Olívia, que, diferentemente dele, está empolgadíssima. A menina só pensa em mostrar a ele seu fascinante hobby: investigar fenômenos sobrenaturais. Olívia acaba convencendo o “irmão temporário” a acompanhá-la em uma busca por fantasmas na região onde vive.
Um dia cheio de aventuras e descobertas pode mudar a vida de ambos e ajudar a definir a personalidade deles para o futuro? É possível preservar o senso de magia diante das decepções da vida? Ao mesmo tempo, é possível amadurecer sem perder o otimismo da infância?
Esta é uma história sobre os fantasmas que nos definem na infância e quais significados diferentes um “fantasma” pode ter. É também uma história sobre memórias, família, amizade, diferenças, semelhanças e, principalmente, sobre o amadurecimento.



Período da campanha: 16 de setembro até 5 de novembro de 2019
Lançamento previsto para dezembro de 2019
www.catarse.me/comofazeramigos

Anexamos aqui as primeiras páginas e algumas imagens (arte do Gustavo e texto do Eric). Acreditamos muito no potencial desta história. Esperamos que você e seu público se empolguem tanto quanto a gente.





Leo

Um menino introspectivo de 10 anos de idade. Ele está mais do que acostumado a passar horas se divertindo sozinho, assistindo televisão, jogando videogame ou lendo histórias em quadrinhos. Tem orgulho em saber a programação de seu canal de televisão favorito (e é até capaz de se orientar no tempo ao ver o que está passando na televisão. Está cansado de precisar conviver com os filhos das namoradas que seu pai arruma. Porém, já está acostumado com essa situação, pois seu pai costuma trocar de namorada quase tantas vezes quanto troca de sapatos.

Olívia 

Ela tem 8 anos de idade, é inteligente, tem muita imaginação e energia. Olívia gosta de ler e pesquisar sobre ficção e assuntos ligados ao sobrenatural. Fundou, junto com seu pai, um clube para investigar e catalogar fenômenos na região onde vive. É capaz de passar horas estudando e anotando em seu diário todas as descobertas, pois pretende escrever um livro sobre o assunto. Ela recebe seu novo “irmão” com muita alegria e acredita que ele será seu companheiro de aventuras.

Samuel

É o pai de Leo. Tem 39 anos e trabalha como vendedor, por isso tem horários de trabalho flexíveis. Sonhador e romântico, sempre acredita que a próxima namorada será a definitiva. Apesar de estar fisicamente próximo, ao longo do tempo ele se distanciou emocionalmente do filho. Agora, já não sabe mais como conversar com o menino.




Maya

É a mãe de Olívia. Trabalha como consultora de produtos de beleza e é adepta a dietas macrobióticas. Ligada aos assuntos místicos, se identifica com o movimento new age. Acredita no poder dos cristais e em gnomos.
Gosta do Samuel porque ele a faz rir.




A campanha está no ar em www.catarse.me/comofazeramigos para ver o que preparamos para você, como o projeto, as artes, o vídeo e descubra as modalidades de recompensas disponíveis para apoiadores.
Gustavo Borges é o autor de Até o Fim, Pétalas, Cebolinha – Recuperação, Morte Crens e Escolhas, entre outros.
Eric Peleias é o autor de Até o Fim, Últimos Deuses, Ima - Sempre em Frente, Olhos Insanos, entre outros.

Estamos muito empolgados em poder contar essa história.
Como sempre, tudo começa com VOCÊ e com o SEU apoio.
Muito obrigado por acreditar em nós e seja bem-vindo à Sociedade dos Investigadores do Sobrenatural.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

RESENHA SÉRIE: Carnival Row (2019-)

CARNIVAL ROW (2019-)

Criadores: René Echevarria, Travis Beacham
Elenco: Orlando Bloom, Cara Delevingne, Tamzin Merchant, David Gyasi, Simon McBurney, Andrew Gower, Karla Crome, Arty Froushan, Caroline Ford, Jared Harris, Indira Varma, Alice Krige

A cidade de Burgo é um local que mistura o luxo e a decadência da sociedade, misturando humanos com seres mágicos. No Burgo, humanos convivem com fadas, faunos, ogros, haruspex, centauros, lobisomens, e vários outros seres. Repentinamente uma morte inesperada ocorre com uma pixie e o inspetor do Departamento de Polícia do Burgo, Rycroft Philostrate, se vê em um mistério que pode levar o Burgo a uma guerra entre os seres mágicos e os humanos, que é contida pelo Conselho da Cidade, sob a liderança do Chanceler Absalom Breakspear (Jared Harris).
Enquanto isso, fugindo do Pacto, Vignette Stonemoss (Cara Delevingne) chega à Cidade de Burgo e precisa retomar sua vida, após a Grande Guerra de Timanoc, onde conhecera Rycroft, por quem se apaixonou. Ela vai morar com sua amiga Tourmaline Larou (Karla Crome), uma fada prostituta no Hotel Tetterby.
Já em Finistere Crossing, o bairro de luxo do Burgo, chega o fauno Agreus Astrayon (David Gyasi), que termina fazendo um contrato com os irmãos falidos Imogen Spunrose (Tamzin Merchant) e Ezra Spurnrose (Andrew Gower), e causa burburinhos na sociedade aristocrática do Burgo... Sinceramente, o Burgo será pequeno para tudo o que está acontecendo!
“Carnival Row” estreou todos os episódios no sistema streaming da Amazon, Prime Video, no dia 30 de agosto de 2019 e seus oito episódios misturam magia, mistério, suspense, romance e questionamentos sociais.
“Carnival Row” é uma grande mistura de estilos que mexem com os admiradores deles. Começo com o que notei logo de cara, um ar shakespeariano na história.
Por que isso? Porque me lembrou, de cara, a peça “Sonhos de Um Noite de Verão”, de William Shakespeare. Começa pelo sobrenome do personagem interpretado por Orlando Bloom. Rycroft Philostrate. Philostrate era o censor do Tribunal de Teseu na comédia de Shakespeare. A deusa das fadas é Titânia, que na obra shakespeariana é a rainha das fadas. Ou seja, os elementos combinam com a ideia de influência.
Outra grande influência à série são as obras de suspense e steampunk do final do século XIX. O clima e ambientação do Burgo lembra muito as obras de Arthur Conan Doyle, Bram Stoker, Robert Louis Stevenson, Oscar Wilde, H.G. Wells e Jules Verne, com toda a tensão e as descobertas tecnológicas da Era das Invenções. Para criar esse ambiente, os roteiristas da série incluem “Viagem à Lua”, como o livro preferido de Rycroft Philostrate.
Por aí, você percebe que “Carnival Row” pode simplesmente atrair os mais diversificados tipos de pessoas que conseguem admirar esse tipo de contexto. Mas, o que ainda mais te deixa fascinado com a série são as questões sociais abordadas e como ocorrem.
É impressionante como decidimos ojerizar o que não conhecemos ou que consideramos como diferente. E isso acontece constantemente em “Carnival Row”. As pessoas discriminam, degradam os seres mágicos, por serem diferentes e terem uma religião diferente. Eles são surrados, ofendidos e execrados constantemente, tendo poucos humanos que os apoiem. Alguns mais abertamente, outros de forma mais ponderada e diplomática, mesmo que não resolva muito. E, entre os seres mágicos, eles adotam o lema “se não está comigo, está contra mim” na sua própria espécie ou contra os humanos, principalmente os fanáticos religiosos. Ou seja, temos terroristas, também.
É impressionante como Travis Beacham – que ampliou o seu roteiro para filme para uma série – e René Echevarria conseguiram ambientar tantas questões em uma série com ares de Era Vitoriana misturada com Shakespeare. Você tem desde agressões verbais e físicas contra os seres mágicos, que precisam sobreviver em empregos degradantes ou subalternos, até os “não-preconceituosos”, aqueles que sempre dizem “eu não sou preconceituoso, mas...” A polícia e os políticos que sempre dão preferência em acusar e bater em seres mágicos, culpando-os pela decadência de sua sociedade, mas não deixam de ir ao prostibulo de fadas ou contar com os trabalhos serviçais dos faunos.  Se você odeia discriminação, prepare-se para ficar extremamente irado com o que ocorre em “Carnival Row”.
Mas, mesmo que esse pano de fundo seja extremamente importante pra percebermos como somos seres decadentes, a verdadeira trama está nas histórias que são narradas nos oito episódios, pois o mistério acerca do assassino que estripa seres mágicos e humanos está totalmente ligado a Rycroft, personagem de Orlando Bloom que, por sinal, está muito bem no papel do inspetor da Polícia do Burgo.
Outra que também demonstra seu grande talento é Cara Delevingne fazendo a fada Vignette. Desde o momento que ela surge na série, ela demonstra lutar pelos seres mágicos como ela. Quando chega ao Burgo, depois de encontrar Rycroft, passa por uma prova de fogo para se unir aos Corvos Negros, um grupo militante de fadas. Outros atores fantásticos também são a atriz Tamzin Merchant e o ator David Gyasi que interpretam Imogen Spurnrose e Agreus Atrayon, respectivamente. Ela é uma das “não-preconceituosas” que aprendem muito com o fauno de Gyasi, um homem que veio do nada e conseguiu fazer fortuna passando por cima do que fosse necessário.
A qualidade de “Carnival Row” é tão deslumbrante que a Prime Video já ecomendou uma segunda temporada. Não vejo a hora de continuar a acompanhar essa serie que promete um grande caos na próxima temporada.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

RESENHA CINEMA: Coringa (Joker, 2019) – COM SPOILERS!!!

CORINGA (Joker, 2019) – COM SPOILERS!!!

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Scott Silver
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beets, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Glenn Fleshler, Leigh Gill, Sharon Washington, Douglas Hodge, Dante Pereira-Olson, Carrie Louise Putrello

Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço contratado nas ruas e hospitais de Gotham City, mora com sua mãe, Penny Fleck (Frances Conroy), em um prédio no bairro pobre de Gotham, tendo como vizinha a bela Sophie Dumont (Zazie Beets) – por quem Arthur e tenta uma afinidade – e tenta ser um comediante de stand by... ah, além de tem vários problemas psicológicos que ele busca resolver indo a uma assistente social (Sharon Washington). Ele e sua mãe são fãs do apresentador Murray Franklin (Robert De Niro), que um dia Arthur sonha em conhecer, mas sua vida tem uma reviravolta que o leva a assumir um lado de sua psicopatia através do rosto do Coringa.
Antes de continuar a escrever esse texto – coloquei após esse resumo, pois sei que não conteria nada demais – preciso dizer que poderá conter SPOILERS. Estava temeroso a escrever esse texto por causa desse receio, então se desejar continuar, será por sua conta e risco.
“Coringa” é um filme incomum. Sinceramente, muitos o comparam a “Taxi Driver” – filme onde De Niro protagoniza um motorista de táxi desajustado –, “Um Dia de Cão” – citado pelo próprio Phoenix em uma entrevista à revista People – ou “Um Dia de Fúria” – tenho pensado nesse desde que terminei de assistir ao filme –, pois são retratos de como o ser humano, quando perturbado, se torna uma ameaça para ele e toda a sociedade a sua volta.
Tá, você pode não ver assim “Coringa”, pois Fleck é uma pessoa que possuía uma doença psicológica congênita, enquanto os personagens de De Niro e Douglas  – no caso de Pacino, ele vê a necessidade de tomar uma ação desesperada, não tendo psicopatia envolvida – são vítimas de uma psicopatia gerada por momentos de extremo stress que os levaram a ações homicidas.
Travis Bickle – personagem de Robert De Niro em “Taxi Driver” – se via como um herói. Veterano do Vietnã, que sofreu com stress da guerra, trabalha em Nova York como taxista e busca salvar uma prostituta, além de fazer justiça a sua amada – que nunca soube do amor dele por ela. Já William “D-Fens” Foster – personagem de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria” – é uma pessoa frustrada. Divorciado, com uma ordem de restrição, desempregado, em um dia de total stress, ele decide que a melhor forma de desestressar é extravasar, então ele começa a desencadear um dia de caos a sua volta. No caso de Sonny Wortzik – papel de Al Pacino em “Um Dia de Cão” – ele é um assaltante inexperiente que termina não conseguindo realizar o que deseja, pois o assalto a banco que ele se envolvera por amor, não termina bem e se torna um circo da mídia.
Três personagens que possivelmente não tem nada a ver com Arthur Fleck de “Coringa”, mas cujos filmes tem uma ação crescente, como o filme em cartaz.
Ok, eu estava falando de Arthur Fleck, personagem protagonizado pelo ator Joaquin Phoenix. Bem, Fleck tem um problema sério de risos, que se assemelha muito à Síndrome de Tourette[1], mas ele também tem nuances da Síndrome de Clérambault[2], doença que sua mãe tem. E isso nos faz duvidar do filme.
Ao conversar com um conhecido, percebi que ele teve uma visão do filme bem diferente que a minha quanto ao final. Ele acredita que todo o filme – ou a maior parte dele – tem ligação com a piada mencionada por Arthur ao final do filme para a psicóloga do Arkham, quanto eu acredito que o delírio de Arthur veio somente dele achar que tinha um romance com Sophie, personagem da bela Zazie Beets, já que ele é um stalker[3], também.
O caso de Fleck ser uma “vítima da sociedade” é uma outra questão que muitos têm abordado. Ele é uma pessoa doente, que poucos compreendem sua doença – as vezes, nem querem compreender –, que constantemente é rechaçado e tratado como pária na sociedade em que vive. É um “invisível”, uma pessoa que ninguém deseja notar e quando o notam, agem de forma a denegri-lo diante de todos, como fosse objeto de piadas e chacotas. Eu estou falando de várias questões nas quais entendo – quase – nada, mas eu penso que a sociedade constrói os seus males. Ela gera pessoas como Fleck. Ele não tem recursos para poder se tratar, dependendo de uma assistência social falha, que também não se importa com suas condições problemáticas. Seria necessário, desde o princípio, que ele fosse tratado de forma mais adequada, mas não ocorre, em nenhum momento. Somente recebe receitas de remédios que não resolvem seus problemas psicológicos. As vezes, dá para acreditar, que as risadas são efeitos colaterais dos remédios que ele toma, pois quando ele decide que sua psicopatia assumirá a situação, ele não ri – a não ser que seja uma risada forçada... e, acreditem, dá para perceber.
Não entendam que estou justificando todas as ações de Arthur Fleck, mas acredito mesmo que ele foi um mal gerado pelo desprezo da sociedade gothamita.
“Coringa” não é um filme que comumente você assistiria por ter ligação aos quadrinhos. Ele poderia se chamar de várias outras formas e, se não fossem a cidade fictícia de Gotham (um dos vários nomes que Nova York possui) e personagens como os Wayne, é um filme a ser adorado e cultuado pelos grandes amantes do cinema.
Se você for ao cinema esperando um filme com ação quadrinhística, NÃO VÁ! Mas se deseja ver um filme diferente de tudo que já testemunhou, com uma história que reflete uma realidade pungente – sim, é uma realidade ainda existente –, então “Coringa” é o filme que você vai gostar de ver.
Independente de indicações ao Golden Globe ou Oscar, “Coringa” já pode ser considerado um filme que marcou seu lugar como os outros já citados. A violência é crua. A psicopatia de Arthur é doentia. clown é o verdadeiro psique dele. A transformação é notável e perceptível, mas o “nascimento” do Coringa vai, também, da interpretação de cada um.
Os movimentos que Joaquin Phoenix dá ao personagem parecem fluir naturalmente dele, indo além da construção do personagem. E, percebemos que a face Arthur Fleck é a verdadeira máscara e a maquiagem
“Coringa” é um filme único, que deve ser assistido sem preconceitos e sem avaliações conservadoras. Vá de mente aberta e analisando os porquês dele se tornar o que se torna.




[1] “[...] distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques múltiplos, motores ou vocais, que persistem por mais de um ano e geralmente se instalam na infância.
Na maioria das vezes, os tiques são de tipos diferentes e variam no decorrer de uma semana ou de um mês para outro. Em geral, eles ocorrem em ondas, com frequência e intensidade variáveis, pioram com o estresse, são independentes dos problemas emocionais e podem estar associados a sintomas obsessivo-compulsivos (TOC), ao distúrbio de atenção com hiperatividade (TDAH) e a transtornos de aprendizagem”. (BRUNA, Maria Helena Varella. Síndrome de Tourette. Drauzio. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-tourette/> Acesso em: 09 out. 2019)
[2] “[...] ou erotomania, é descrita como uma convicção delirante, apresentada, geralmente, por uma mulher que acredita que um homem, mais velho e de posição social mais elevada, ama-a. O paciente persegue o objeto de amor e, por isso, eventualmente, envolve-se em retaliações e ameaças em resposta às repetidas rejeições”. (ANDRADE, Arthur Guerra de; BALTIERI, Danilo Antônio; SAMPAIO, Thais de Moraes. Síndrome de Clérambault: desafio diagnóstico e terapêutico. SciELO.br. Rio Grande do Sul. 18 jul. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rprs/v29n2/v29n2a13>. Acesso em: 09 out.2019)
[3] “[...] se refereao perseguidor (...). Um fenômeno conhecido como síndrome do molestador [...]” (RIBEIRO, Carla. Perseguição stalking. Psicóloga – Carla Ribeiro CRPSP 86203. Disponível em: <https://www.psicologacarla.com/2016/10/perseguicao-stalking.html>. Acesso em: 09 out.2019)