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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

RESENHA CINEMA: Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016).

STAR TREK: SEM FRONTEIRAS (Star Trek Beyond, 2016)

Roteiro: Simon Pegg, Doug Jung
Direção: Justin Lin
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoë Saldaña, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Sofia Boutella, Idris Elba.

“O espaço, a fronteira final...
Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.

Já faz três anos que a NCC-1701 USS Enterprise está realizando sua viagem pelo espaço, buscando conhecer novas civilizações e realizar acordos de paz entre os povos, em nome da Frota Estelar e da Federação dos Planetas Unidos. Mas o cansaço e as saudades já acometem os membros da nave, principalmente seu capitão, James Tiberius Kirk (Chris Pine).
Depois de tentar realizar um acordo de paz entre dois planetas em constante conflito – e falharem feio –, Jim e sua tripulação chegam a Estação Espacial Yorktown, onde encontram familiares e parceiros. Mas de repente uma nave à deriva chega a Estação e a Comodoro Paris (Shohreh Aghdashloo) passa a missão de resgate para Kirk que reconvoca a sua tripulação e eles partem para uma nebulosa, onde terminam sendo atacados por uma tropa de naves lideradas pelo famigerado Krall (Idris Elba), que deseja ativar uma arma mortal para destruir a Federação.
Esse filme é formidável por dois motivos: Primeiro, ele tem o roteiro escrito por um trekker e ator do filme. Simon Pegg assina o roteiro ao lado de Doug Jung (Dark Blue: No Limite da Lei), baseado no roteiro escrito por Roberto Orci, Patrick McKay e John D. Payne. Ele possui uma história complexa e que se desdobra de uma forma fenomenal, com vários altos e baixos, e dando espaço para todo o elenco central.
Kirk, Spock (Zachary Quinto), Uhura (Zoë Saldaña), McCoy (Karl Urban), Sulu (Frank Cho), Chekov (Anton Yelchin) e Scott (Simon Pegg), todos têm seus momentos de destaque no filme, tornando-se protagonistas em determinado momento. Além deles, personagens como Krall, Jhayla (Sofia Boutella), Syl (Melissa Roxburgh) e a Comodoro Paris tem seus destaques também no filme, principalmente os dois primeiros.
O segundo motivo é a fantástica direção de Justin Lin. Conhecido pelos três mais recentes filmes da franquia “Velozes & Furiosos”, Lin mostra que é talentoso também dirigindo um filme do nível de Star Trek. As cenas amplas, onde ele busca desenhar a Enterprise ou mesmo as cenas dentro da Estação Espacial Yorktown, são simplesmente vertiginosas e maravilhosas. São momentos que ficaram na memória de qualquer um. E, como sempre, ele trabalha muito bem a ação do filme. Desde a primeira cena até a última, o filme tem momentos adrenalizantes. Lin capricha com as cenas de ação, não ficando nada a dever ao diretor dos dois filmes anteriores, J.J. Abrams – que agora assina a produção. Ele trabalha a linha de ação com as pequenas pegadas de comédia, que nunca podem faltar tendo atores que trabalham em conjunto como se fossem amigos de longa data.
Bem, como sabemos, será a última vez que veremos o ator Anton Yelchin como Pavel Chekov, pois ele faleceu depois de um acidente. Sua participação no filme não fica a devendo a nenhum ator, pelo contrário, como sempre – desde que J.J. Abrams assumiu essa empreitada –, Chekov tem extrema importância para trama, devido ao seu conhecimento. Como dito antes, todos os membros da Enterprise tiveram seus momentos, não esquecendo nenhum deles. Temos tremulações na relação amorosa de Spock e Uhura, temos um crescimento na relação de convivência entre Spock e McCoy. Vemos o quão importante o navegador Hikaru Sulu é para a Enterprise e como ele se tornou confiante no passar dos tempos. E Montgomery Scott é um personagem fantasticamente bem realizado e retratado, como sempre.
“Star Trek: Sem Fronteiras” tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano de 2016. Ele consegue mostrar que esse ano tem sido uma grande realização para os fãs de ficção científica e de filmes de ação.

Não há cenas pós-créditos, mas vale a pena ficar para ver a linda homenagem ao grandioso Leonard Nimoy e ao ator Anton Yelchin, lógico.

sábado, 6 de agosto de 2016

RESENHA CINEMA: Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016).

ESQUADRÃO SUICIDA (Suicide Squad, 2016).

Roteiro: David Ayer
Direção: David Ayer
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Joel Kinnaman, Jay Hernandez, Jai Courtney, Cara Delevingne, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara, Scott Eastwood, Adam Beach, David Harbour, Shailyn Pierre-Dixon, Common.

Amanda Waller (Viola Davis) se reúne com um grupo de membros do governo, pois pretende reativar a Força-Tarefa X, mas dessa vez usando os “piores dos piores”. Ela pretende usar prisioneiros de Belle Reve, uma prisão escondida na cidade de Louisiana. Lá encontram-se o Pistoleiro (Will Smith), um assassino profissional que nunca erra seu alvo. Arlequina (Margot Robbie), uma ex-psicóloga do Asilo Arkham que terminou se apaixonando pelo Coringa (Jared Leto) e se tornou uma sociopata pior do que ele. Diablo (Jay Hernandez), um homem que é um verdadeiro lança-chamas humano (na melhor das hipóteses). Capitão Bumerangue (Jai Courtney), um marginal cuja as armas principais são bumerangues bem afiados. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), um humanoide com um problema que o transformou em um réptil humano, com sede por sangue. E Magia (Cara Delevingne), uma bruxa milenar que tomou o corpo da arqueóloga June Moone e sempre surge quando é chamada.
A ideia de Waller era usa-los como último recurso em casos extremos e de perigo imediato e, caso eles voltassem vivos e tudo desse errado, eles seriam acusados por tudo e, caso a missão fosse bem sucedida, eles teriam uma redução em suas penas. Então, junto com o coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), ela visita esses prisioneiros na penitenciária, na tentativa de estuda-los e suas capacidades, mas algo foge do controle e ela precisa ativá-los como operativos e, inserindo um chip explosivo, ela os controla o tempo inteiro. Então o grupo parte em uma missão suicida, podendo não voltar.
Esquadrão Suicida é um bom filme, mas não tem o potencial esperado e desejado. O problema com o filme é aquele no qual eu temia desde o começo: ele se concentra nos personagens de Will Smith e Margot Robbie.
Não que os outros atores não tivessem um bom desenvolvimento dos personagens, mas ficou uma grande preocupação em dar uma porcentagem bem maior aos personagens dos dois atores já citados. Sim, Arlequina é uma personagem dos quadrinhos de grande importância e, por isso, o destaque para ela era mais do que esperado, mas o personagem do Pistoleiro, mesmo tendo uma das histórias mais fantásticas, melhor desenvolvida pelo roteirista John Ostrander em uma minissérie em quatro partes em 1988, não é um personagem para tanta atenção. Ele se torna o ponto central e de ligação entre os super-marginais e os soldados de Flag. Em determinado momento, Amanda Waller pede para ele cumprir uma missão que poderia muito bem ser cumprida por qualquer outro, mas a necessidade de destacar o ator é grande.
Mas é o estilo do diretor David Ayer, pois mesmo que ele desenvolva os dramas de todos os personagens, ele se concentra em um ou dois para que a trama role.
Mas o filme, como eu disse inicialmente, é um bom filme. Tem atores que sabem desenvolver bem seus personagens, mesmo com pouco destaque, e tem um enredo bem interessante, desenvolvido em torno do Esquadrão Suicida. Mas o que não torna o filme algo no mesmo nível de “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” são as coisas destoantes, como uma cena que ganha uma slow motion para dar o tom dramático, mais pareceu forçado. E, sinceramente, a cena pós-créditos – sim, o filme tem uma cena logo depois dos primeiros créditos – poderia muito bem ser algo antes dos créditos. Foi uma “marvelizada” desnecessária no filme.
Mas temos participações especiais muito legais, também, pois além do homem-morcego, temos outro dos novos super-heróis do Universo Cinematográfico DC. Além de easter-eggs que são claras homenagens que somente aqueles que são fãs antigos do Esquadrão Suicida perceberão.
Agora faço uma pausa dramática para falar sobre o terceiro Coringa dos cinemas, dessa vez interpretado pelo ator camaleão Jared Leto. O que se percebe de sua participação mais que especial – lembrem-se, o filme não é sobre ele, então é somente uma participação mesmo – é que Leto decidiu desenvolver o personagem como um gangster assassino.
Como eu imaginava, foi uma nova visão do personagem, que poderia muito bem se assimilar com a ideia desenvolvida por Frank Miller em “Grandes Astros Batman e Robin, o Menino Prodígio”. Ele não é um chefão da máfia ou um agente do caos, ele é um homicida passional, que age da forma que lhe convém, fazendo o que desejar, sem pensar duas vezes na situação. Foi uma brava caracterização de Leto para o personagem, mas o que destoou foi a extrema importância que ele dá ao sentimento por Arlequina.
Eu me acostumei a ver o Coringa sempre usando a paixão da Dra. Harley Quinzel como um objeto de seu interesse. Ela era somente uma necessidade em um momento desesperador, nada mais. O Coringa nunca teve interesses amorosos pela doutora e nem pela sua contraparte, a Arlequina. Ela que sempre foi loucamente caidinha por ele. Vê-lo motivado a libertá-la e resgatá-la, demonstrou algo novo nessa visão que me pareceu estranho.
Mas isso aconteceu com vários outros personagens que eu conheço do universo do Batman, principalmente (Capitão Bumerangue é inimigo do Flash). Sim, vemos a ideia que Ostrander deu a respeito de quem é Floyd Lawton, ou seja, um dos melhores assassinos do mundo que é um pais fervoroso e dedicado à filha. Também vemos que a psicóloga Harley Quinzel é loucamente apaixonada pelo Coringa e ajuda na sua fuga, como mostrado por Bruce Timm e Paul Dini na história “Mad Love”.
Mesmo que não esmiúcem muito, parte da história de Katana está lá, contada por Rick Flag, o que me entristece um pouco, pois a ligação de sua história com o Batman vem desde a época dos Renegados, grupo que ela integrou ao lado do Homem-Morcego e outros personagens. Poderiam ter feito essa ligação ao personagem, também, mas preferiram colocá-la como um tipo de "guarda-costas" de Flag. Ficou legal, mas perdeu a riqueza da personagem.
Eu não conheço a história de El Diablo, mas achei que foi muito bem desenvolvida, também, com todo seu drama pessoal. Já Magia teve elementos renovados, pois a sua transformação de June Moone em Magia – nos quadrinhos –, era algo mais psicológico do que uma mudança de corpos, mas não deixou de ser interessante, também, já que o sofrimento de June Moone em se transformar na bruxa estava todo ali. Já não posso dizer que os personagens Crocodilo, Katana e Capitão Bumerangue tiveram personagens bem desenvolvidos, mas Jai Courtney soube dar o tom de comédia ao personagem.
Quanto as músicas do filme, são elementos especiais. Além das que ouvimos em trailers, temos a inclusão da fabulosa “Sympathy for the devil”, dos Rolling Stones. A trilha sonora do filme é rica e simplesmente perfeita para todo o filme. Queen, Bee Gees, Rolling Stones, Sweet, Skrillex, Grace, Twenty One Pilots, entre tantos outros, tornam o filme mais empolgante.
Muitas das críticas que tenho lido é que o roteirista simplesmente teve o universo do Esquadrão Suicida empurrado em suas mãos e ele escreveu o que quis, que não tem nada a ver com os quadrinhos. Não entro nesse quesito, pois estamos falando do Universo Cinematográfico DC, que não tem nada a ver com o Universo dos quadrinhos. E de qual universo do Esquadrão estamos falando? Sinceramente, eu vi elementos da criação de Ostrander ali, principalmente na – sempre fantástica – Viola Davis como Amanda Waller. Ela não tem dó, nem piedade. É capaz de pisar em qualquer um, fazer o que for preciso para alcançar o que deseja. Isso é totalmente a Amanda Waller de Ostrander. Se estão falando de Novos 52, bem, não posso opinar, pois não acompanhei essa fase.

“Esquadrão Suicida” não é um filme perfeito. Colocaria ele bem abaixo nas categorias de filmes de quadrinhos de super-heróis – se fosse para classificar, estaria entre “Kick Ass 2” e “Hellboy 2”, na minha humilde opinião –, mas ainda assim tem um desenrolar interessante e uma bela composição dos personagens, com atores que sabem trabalhar esses vilões e suas personalidades, pena que o enredo foi mal desenvolvido no final. Torço que tenha uma versão estendida, pois acredito que o filme poderia ficar melhor do que ele é.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

RESENHA ANIMAÇÃO: Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke, 2016).

BATMAN: A PIADA MORTAL (Batman: The Killing Joke, 2016).

Direção: Sam Liu
Roteiro: Brian Azzarello
Elenco: Kevin Conroy, Mark Hammil, Tara Strong, Ray Wise, John DiMaggio, Robin Atkin Downes, Brian George.

O Coringa (Mark Hammil) fugiu do Arkham e, com essa nova fuga ele ataca inesperadamente o comissário James Gordon (Ray Wise) e sua filha, Barbara Gordon (Tara Strong), que um tempo atrás foi a Batgirl.
O Coringa atira em Barbara e termina levando Gordon consigo, mas não antes de tirar fotos explícitas da bibliotecária e ex-vigilante. Com isso, Batman parte atrás de um de seus piores inimigos, um homem insano que teve um passado terrível que o mudou totalmente e que pretende fazer o mesmo com Gordon, crendo que é somente necessário um dia ruim na vida de alguém para muda-la totalmente.
Sim, é breve a sinopse, pois se você não viu a animação ainda, existem muitas surpresas no decorrer desta.
Essa animação é baseada na clássica graphic novel “Batman: A Piada Mortal”, escrita por Alan Moore e Brian Bolland. Bolland já afirmou que foi ele quem convidou Moore para escrever essa história icônica. Na história vemos a narrativa que acabei de citar, mas com poucos diálogos e mais cenas que já falam por si só. A revista é considerada por muitos um dos ápices na história do Homem-Morcego, gerando discussões até os dias de hoje, referentes ao seu final.
Na adaptação para animação, algumas coisas foram alteradas, como uma introdução de como Barbara deixa de ser Batgirl.
Sinceramente, foi a coisa mais desnecessário de toda a animação. Se não tivessem colocado, não faria falta ou diferença na narrativa da animação. Quiseram criar algo para que justificassem a ação do Homem-Morcego, como se isso fosse necessário.
Tá, estou sendo chato nesse ponto, pois eu não entendi os motivos de Brian Azzarello escrever aquela introdução do filme. Antes ele tivesse partido dos momentos posteriores a desistência de Barbara e tivessem colocado essa introdução como flashbacks ou algo assim.
Mas tirando isso, o restante do tempo que vemos a animação, vimos o que leirasse na graphic novel, mas com um ritmo moroso e cansativo, com excesso de diálogo e ação parca. Mas quando ela acontece é adrenalizante e muito bem realizada, só que eu esperava mais, ainda mais tendo como base um dos grandes clássicos da DC Comics.
O final é uma surpresa muito interessante, pois introduz uma das personagens mais carismáticas do Bat-squad.
Sou uma pessoa que leu “Batman: A Piada Mortal” inúmeras vezes, comprei três edições diferentes da história e amo com todas as minhas forças essa graphic novel. Então, fiquei um pouco decepcionado com essa adaptação, pois eu tinha esperanças de que a engrandecessem como fizeram com outras.

A animação “Batman: A Piada Mortal” tem momentos muito bons, Mark Hammil está ótimo dando a voz – novamente – ao Coringa, bem como Kevin Conroy como Bruce Wayne/Batman. Tara Strong também retorna a interpretar a voz de Barbara Gordon/Batgirl. É como uma reunião do velho time, da época de “As Novas Aventuras de Batman”. Mas, sinceramente, acredito que poderia ser melhor.

sábado, 23 de julho de 2016

RESENHA HQ: Novos Titãs: O Contrato de Judas (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 20 da Eaglemoss).

NOVOS TITÃS: O CONTRATO DE JUDAS (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 20 da Eaglemoss).

Roteiro: Marv Wolfman, Bob Haney
Desenhos: George Pérez, Bruno Premiani
Artes-finais: George Pérez, Dick Giordano, Mike DeCarlo, Romeo Thangal, Bruno Premiani, Sheldon Moldoff
Título original: The New Teen Titans: The Judas Contract

Os Novos Titãs estão no Alasca para desmantelar uma das bases do Irmão Sangue, mas terminam caindo em uma armadilha da Matriarca do Caos, uma das seguidoras do – dito – profeta do Caos. Trabalhando em equipe, Robin, Moça-Maravilha, Kid Flash, Cyborg, Estelar, Ravena, Mutano e Terra, escapam e vencem os asseclas do Irmão Sangue, mas mal sabem eles que estão sendo espionados por um de seus membros que trabalha com Slade Wilson, o Exterminador, inimigo declarado dos Titãs, que tem como principal missão capturá-los para a Colmeia, cumprindo uma tarefa de seu filho, Grant Wilson, o Devastador. E a espiã é ninguém menos que a jovem Dana Markov, também conhecida como Terra, meia-irmã de Brion Markov, o super-herói conhecido como Geoforça.
Desconhecendo o trabalho da jovem espiã, os Titãs sofrem duas baixas, assim que retornam da missão no Alasca. Wally West, o Kid Flash, deixa o uniforme e a carreira de super-herói para tentar ter uma vida mais simples, enquanto Dick Grayson abandona o uniforme do Robin, buscando fugir da sombra do Batman e, até decidir que segunda identidade seguirá, ele continuará como um civil a serviço do bem.
Nisso, agindo como agente infiltrado e disfarçado, Dick vai até a Igreja do Irmãos Sangue, localizada em Zândia, no intuito de expô-lo ao mundo, só que termina capturado. Cientes disso, os Novos Titãs partem para Zândia para resgatar Dick, mas terminam caindo em uma armadilha. Eles então descobrem que Dick foi transformado em um assecla de Sangue. Nesse ínterim, senadores e deputados que foram com Dick para Zândia, terminam rendidos pelos soldados que servem ao presidente Rafael Marko, que comanda o país com mãos de ferro. Este decide infligir um ataque a Igreja do Irmão Sangue. Nesse meio tempo, Dick se liberta e libera seus amigos, também. Enquanto a Igreja é atacada, os Novos Titãs se veem no meio de uma disputa cruzada entre política e religião. E quanto o Irmão Sangue, aparentemente, termina morto, eles conseguem escapar e retornar a Nova Iorque.
Enquanto observa os Titãs, Dana passa informações constantes para o Exterminador, principalmente quando tem acesso as identidades secretas dos membros ativos do grupo, dando chances do mercenário preparar uma armadilha própria para cada um, o que poderá culminar na morte de alguém.
“Novos Titãs: O Contrato de Judas” é considerado por muito o ápice das histórias em quadrinhos dos Novos Titãs.
Surgidos em meados da década de 1960, somente em outubro de 1980, na edição DC Comics Presents #26, quando Marv Wolfman assumiu os roteiros e Goerge Pérez assumiu a arte, que os Novos Titãs tiveram sua grande chance ao estrelato. As histórias eram interessantes, pois Wolfman – que nunca quis assumir o grupo, mas o fez com louvor – não somente mostrava histórias movidas por ação, mas também com problemas cotidianos, como envolvimento com drogas, guerras de gangues, relacionamentos, casamentos, rompimentos. O dia-a-dia de um grupo que não dava mole para os supervilões ou grupos terroristas como a Colmeia e a Igreja do Irmão Sangue.
A Colmeia, por exemplo, já surgiu logo na primeira edição de novembro de 1980, onde convidavam o filho do Exterminador, Grant Wilson, a se tornar um “supersoldado”. Ele adota o nome Devastador e ataca os Novos Titãs, mas termina morrendo, pois seu corpo não suporta o soro que tomara. Slade Wilson, então, decide iniciar seu projeto de vingança contra os Novos Titãs, culpando-os pela morte de seu filho.
Em determinado momento eles conhecem Terra, que era aliada de terroristas. Inicialmente ela enfrenta Mutano e termina capturada por ele e revela ser uma moradora de Markóvia e que estava sendo usada pelos terroristas por causa de seus pais. Mutano estabelece uma amizade com a jovem e consegue integrá-la ao grupo, mas mal sabe ele o mal que está adentrando no meio de seus amigos.
O desenvolvimento dos personagens é algo grandioso e gostoso de acompanhar, pois em meio a vários outros acontecimentos, vemos tudo que citei acima acontecendo. Grant, antes de se tornar o Devastador, tinha uma relação complicada com sua namorada, chegando a agredi-la fisicamente.
O Exterminador é um mercenário calculista, estratégico e frio, mas seu lado paterno se ativa quando está relacionado aos seus filhos, pois eles significam a vida que ele deixou para trás, na intenção de tornar-se quem é. Os conflitos internos de Wally e Dick são claros, bem como a insegurança de Donna quando é nomeada líder dos Novos Titãs. Cyborg é um personagem impar, pois mesmo sendo uma pessoa que aceitou-se, possui dramas internos que sempre entram em conflito. O jeito brincalhão e abusado de Mutano tem todo seu sentido quando sabemos que ele busca esconder o medo que tem de si mesmo. Já Estelar busca uma adaptação ao jeito da Terra, pois era uma pessoa que foi vendida como escrava pelos seus pais, na intenção de manter a paz em seu mundo e foi treinada para sentir as emoções à flor da pele, e precisa controlar seu lado violento quando está ao lado dos seus amigos, pois acredita que eles – principalmente Dick – a rejeitariam.

O nível de qualidade das histórias permaneceu durante anos. Mesmo quando Pérez saiu para dar sequência a outros projetos, Wolfman buscou manter o alto nível das histórias, mas quando ambos saíram, Novos Titãs perdeu todo seu charme e passou por maus bocados, durante anos, até que Judd Winick e Alé Garza realizaram Titãs/Justiça Jovem: Dia de Formatura e mudaram o rumo dos Novos Titãs, que seguiram com excelentes histórias escritas por Geoff Johns e desenhadas por Mike McKone.
Na continuação vemos o primeiro encontro dos jovens ajudantes de super-heróis (ou sidekicks).
Como bem se sabe, Robin foi o primeiro ajudante adolescente de super-herói a surgir nos quadrinhos na revista Detective Comics #38 (abril de 1940), dando início a uma sequência de criação de jovens parceiros para os super-heróis, como, por exemplo, Bucky Barnes (ajudante do Capitão América, Capitão Marvel Jr. E Mary Marvel (ajudantes do Capitão Marvel), Centelha (ajudante do Tocha Humana), Ricardito – ou Speedy – (ajudante do Arqueiro Verde), Sandy (ajudante do vigilante Sandman), e daí por diante. Alguns tinham super-poderes, outros não. Alguns tinham fantasias, outros não.
Quando a Era de Prata chegou, novos ajudantes adolescentes apareceram como Kid Flash (Ajudante do Flash da Era de Prata) e Aqualad (ajudante do Aquaman). Com isso, a DC Comics que tinha, anos antes, feito o primeiro encontro entre os super-heróis da Era de Prata, criando a Liga da Justiça, decidiu fazer um encontro entre os jovens ajudantes e deixaram a responsabilidade disso para o roteirista Bob Haney e o desenhista Bruno Premiani na revista The Brave and The Bold #54 (julho de 1964), que unia Robin, Kid Flash e Aqualad contra o Sr. Ciclone, um homem que vai a uma cidade exigir uma herança a ser paga, mas quando não consegue sequestra todos os jovens, fazendo-os trabalhar para ele. Assim os três jovens heróis precisavam salvar os jovens e deter o vilão.
O interessante é que o encontro foi aleatório, não gerando um grupo. Mas um ano depois, na edição 60 de The Brave and The Bold (julho de 1965), Bob Haney os une novamente e cria a Moça-Maravilha (irmã da Mulher-Maravilha) para enfrentarem o Homem-Separado e, pela primeira vez, é mencionado o nome do grupo, Titans (aqui ficou conhecido como Turma Titã).
Na próxima edição da coleção a história será a minissérie “Trindade”, escrita e desenhada pelo artista inglês Matt Wagner, onde Batman, Superman e Mulher-Maravilha enfrentam Ra’s Al Ghul e seu grupo de terroristas. A história entrou pro cânone da DC Comics como o primeiro encontro dos três maiores heróis da editora, ignorando a minissérie Lendas, de John Byrne. Mas é impressionante o respeito de Wagner pelas histórias de cada personagem.

A Coleção DC Comics de Graphic Novels da Eaglemoss pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas. Ela também pode ser encontrada na loja virtual da Eaglemoss Collections Brasil, principalmente para aqueles que desejam completar sua coleção. No site da Eaglemoss Brasil você também pode fazer assinaturas da coleção, ganhando brindes bem especiais.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

RESENHA SÉRIES: Stranger Things (2016).

STRANGER THINGS (2016).

Roteiros: Matt Duffer, Ross Duffer, Jessie Nickson-Lopez, Paul Ditcher, Justin Doble, Jessica Mecklenburg.
Direção: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy.
Elenco: Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Millie Bobby Brown, Winona Ryder, David Harbour, Charlie Heaton, Matthew Modine, Natalie Dyer, Joe Keery.

Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Will Byers (Noah Schnapp), Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin) e Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) são quatro crianças que tem uma amizade incrível. Eles jogam RPG até tarde da noite na casa de Mike, passeiam de bicicleta juntos e sofrem bullying juntos, por serem diferentes e gostarem de coisas que outros não gostam. Isso é 1983. Mas sua cidade possui uma base secreta do governo, liderada pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), onde experiências macabras vêm ocorrendo.
Uma noite, alguma coisa foge da base e vai parar na cidade. Esta coisa persegue Will e o rapta, deixando sua mãe Joyce (Winona Ryder) e seu irmão Jonathan (Charlie Heaton) desesperados em encontra-lo, ficando no pé do xerife Hopper (David Harbour) para descobrir onde ele está. Mesmo com um toque de recolher de terminado pela polícia local, os amigos de Will, Mike, Lucas e Dustin, saem em sua busca. Nesse ínterim, uma jovem aparece em uma lanchonete local e seu dono a alimenta, mas algo drástico acontece, fazendo-a fugir.
Mike, Lucas e Dustin adentram na Floresta, onde aparentemente Will desapareceu e terminam encontrando a jovem que se chama Onze (Millie Bobby Brown). Ela vai com Mike para sua casa e, mesmo pouco comunicativa, cativa o menino que a coloca escondida no porão de sua casa, alimentando-a e buscando comunicar-se com ela. Will então descobre que Onze – carinhosamente chamada de On – sabe sobre Will. Nesse meio tempo, a irmã de Will, Nancy (Natalie Dyer), que namora Steve Harrington (Joe Keery), vai a uma festa privada na casa de seu namorado com sua amiga Barbara Holland (Shannon Purser), só que Nancy a despensa e, chateada, Barbara fica na piscina e, quando uma sombra salta sobre ela, esta desaparece.
Onze demonstra ter poderes incríveis de telecinesia, o que deixa os três amigos assustados e admirados com a menina. Juntos, em uma direção diferentes de investigação, eles vão em busca de Will, mas são perseguidos por pessoas da base militar, que desejam pegar Onze e leva-la de volta, nem que para isso precisem matar todos que cruzarem seu caminho.
“Stranger Things” – sem tradução em português, ainda – é uma daquelas histórias que lhe leva aos clássicos da década de 1980 como “E.T.”, “Os Goonies”, “Conta Comigo” e “Viagem ao Mundo dos Sonhos”, além de trazer lembranças do filme “Super 8”, de J.J. Abrams e Steven Spielberg. As lembranças não vêm por causa do enredo, mas sim por causa da amizade que se torna um dos pontos centrais da história.
Essa amizade se inicia com Mike, Will, Lucas e Dustin, interpretados pelos atores-mirins Finn Wolhard (The 100, Supernatural), Noah Schnapp (Ponte dos Espiões, Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o filme), Caleb McLaughlin (Forever, Shades of Blue) e Gaten Matarazzo (The Blacklist), quando Will desaparece o laço de amizade se fortalece, fazendo-os ir atrás do amigo e, depois que Onze surge – interpretada pela atriz Millie Bobby Brown (Era Uma Vez no País das Maravilhas, Intruders) – essa amizade parece ser abalada por ciúmes e desconfianças, por causa da troca de atenções.
Estamos falando de crianças de 9 ou 10 anos de idade, em plena década de 1980, onde a amizade era mais importante do que o afeto por uma menina. Mas também temos outros fatores que constam nos filmes citados, como a relação entre adolescentes, a afeição – e, às vezes, a incompreensão – dos pais.
As referências à cultura dos anos de 1980, nos Estados Unidos, está em todo filme. Desde as músicas, a forma de se vestir, os cortes de cabelos e as referências a cultura nerd, de X-Men, de Chris Claremont e John Byrne a O Senhor dos Anéis, passando por Dugeons & Dragons. As pessoas consideradas diferentes (nerds ou freaks) ou eram excluídas ou eram desordeiros, pois não se encaixavam no padrão burguês de cidade pequena, onde os mais favorecidos se sobressaíam sobre os menos favorecidos, e sempre eram maltratados ou injustiçados. Mas o ponto mais importante de “Stranger Things” está na ficção científica.
O mistério por trás de quem Onze é, qual o motivo dela estar ali, como ela conseguiu seus poderes e que ligação ela tem com o monstro que rapta as pessoas da cidade, é o que povoa toda a série. Desde o primeiro minuto da série até seu fim memorável, todo esse ar de mistério, intriga e suspense está dentro de “Stranger Things”. Os irmãos Duffer fazem você viajar no tempo e ao mesmo tempo te prende, do começo ao fim, para compreender como Onze se encaixa na trama e porquê o monstro sequestra as pessoas da cidade. Algumas conclusões pode-se tirar logo nas primeiras cenas da série, mas só vamos entender tudo no transcorrer desta.

“Stranger Things” entra pro hall das melhores series lançadas exclusivamente pelo Netflix, junto com Demolidor, Jessica Jones, Sense8 e Scream, pois além de me levar de volta no tempo, me deixou feliz, emocionado e intrigado com toda a sua história. A série termina com mais intrigas e mistérios, por isso espero que a segunda temporada surja em breve para que possamos desvendar os casos sem resposta.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

RESENHA CINEMA: Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016)

CAÇA-FANTASMAS (Ghostbusters, 2016)

Direção: Paul Feig
Roteiro: Katie Dippold, Paul Feig
Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones, Chris Hemsworth, Neil Casey, Andy Garcia, Cecile Strong, Bill Murray, Annie Potts, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Sigourney Weaver, Karan Soni.

Erin Gilbert (Kristen Wiig) é uma renomada cientista que trabalha em uma das maiores universidades dos Estados Unidos e concorre a um dos cargos mais altos dentro desta. Quando o dono de uma mansão assombrada lhe visita, fala sobre um livro que ela e sua ex-melhor amiga, Abby Yates (Melissa McCarthy), haviam publicado anos atrás e retornou, para assombra-la.
Erin então vai visitar Abby, que agora trabalha com a inventora Jillian Holtzmann (Kate McKinnon). Ela descobre que as duas estão obsessivas em descobrir fantasmas e quando ficam sabendo da mansão assombrada, convencem Erin a ir com elas. Após as três testemunharem um fenômeno sobrenatural, Erin termina expulsa da universidade. Sem emprego, se junta a Abby e Jillian para ir atrás de fantasmas, poltergeists e fenômenos sobrenaturais. Elas alugam um antigo restaurante chinês e contratam como atendente Kevin (Chris Hemsworth), um homem enorme, musculoso, mas bem... inocente, que conquista o coração de Erin.
Como primeira missão, são chamadas pela atendente do metrô, Patty Tolan (Leslie Jones) para verificar um incidente no metrô de Nova Iorque onde apareceu um fantasma aterrorizante. Lá elas descobrem pedaços de um dispositivo que pode ser responsável pelas anomalias fantasmagóricas que vêm aparecendo. Dessa forma, elas decidem que precisam impedir que essa anomalia aconteça, antes que seja tarde demais. Mesmo contra os desejos do prefeito, as Caça-Fantasmas pretendem deter o responsável por tudo que vem ocorrendo.
Eu sou uma pessoa que assistiu a primeira versão dos Caça-Fantasmas no cinema. Tive a oportunidade de testemunhar esse acontecimento. Cresci convivendo com a ideia que um dia Harold Ramis, Dan Aykroyd, Bill Murray e Ernie Hudson vestiriam seus trajes cinzas e voltariam a caçar fantasmas pelas ruas de Nova Iorque. Essa esperança começou a se desfazer quando Ramis se tornou membro da casta superior, nos deixando em 24 de fevereiro de 2014. Nesse dia perdemos Egon Spengler. Mas então veio a notícia que uma nova visão estava surgindo para esse grupo histórico. Um remake estava sendo escrito por Katie Dippold e Paul Feig.
Feig também seria o diretor desse novo filme que traria um elenco totalmente novo e diferente, pois quem vestiria o macacão de Caça-Fantasmas seriam quatro mulheres. Muito poderão pensar que sou sexista, misógino, mas eu era uma pessoa que crescera assistindo o desenho dos Caça-Fantasmas, havia assistido aos dois filmes no cinema. Cheguei a usar o topete do Egon (mas foi meu irmão que ganhou o apelido, pois além do “mullet” ele tinha os óculos vermelhos, igualzinho do desenho animado), ou seja, eu era um fascinado pelos Caça-Fantasmas. Então eu hostilizei no começo o filme, fui um dos haters que achava que o filme não daria certo. Mas tomei como lema a seguinte iniciativa: “respeite o passado, abrace o futuro” e comecei a olhar para o filme com outros olhares.
Ao entrar no cinema para assistir “Caça-Fantasmas”, vou ser sincero, estava temeroso da decepção. Mas foi totalmente ao contrário, pois eu me diverti muito com a história.
“Caça-Fantasmas” é definitivamente um remake. Vemos claras homenagens em todo o filme, desde o Ecto-1 – com um estilo bem diferente, mas ainda é um rabecão – até a mochila de prótons (que dessa vez é uma criação da inventora Jillian), mas a história toma outro rumo e tudo tem um objetivo de aparição no filme. As heroínas, diferentes dos Caça-Fantasmas originais, são descreditadas rapidamente, pois pode causar uma histeria na sociedade nova-iorquina, e isso é algo que um prefeito de Nova Iorque deseja evitar ao máximo. Elas não criam uma carreira antes de serem caçadas, pelo contrário, elas são evitadas, restringidas e, constantemente, desacreditadas. Lembra muito o lance da mulher procurando seu espaço na sociedade machista, mas fica mais para o lance de pessoas crentes em aparições e acontecimentos paranormais sendo constantemente desacreditados, se tornando uma mistura dessas duas ideias.
É interessante ver que como o filme segue um caminho de humor bem diferente do original, também. Enquanto no filme de 1984 buscava-se um humor mais... comportado, no novo filme vemos momentos de pura euforia, nos quais é difícil segurar o riso. Seja nas conversas atrapalhadas entre as Caça-Fantasmas ou em cenas hilárias, você consegue uma diversão sem igual. Mas Feig tem um único problema, a ação morosa.
Tá, o original não tem uma ação desenfreada, mas pelo menos tem aqueles momentos aos quais você sabe que algo totalmente louco acontecerá. Já o novo filme tem cenas longas com falas cansativas que, em uma visão bem pessoal, poderiam ser resolvidas de formas mais rápidas.
Fica difícil não ficar com essas comparações, mas ainda sou uma pessoa presa ao passado, então me perdoem.
Já o elenco é simplesmente agradabilíssimo de se ver junto.
Desde que anunciaram que Melissa McCarthy estrearia o filme, eu pensei que tudo se concentraria somente nela, mas não é isso que se vê. Melissa tem uma participação muito significativa, mas as cenas são muito bem divididas entre todos os membros do elenco principal. A interação entre McCarthy, Wiig, McKinnon e Jones é maravilhosa. Elas se completam em cena. McCarthy faz o estilo da cientista crente, mas receosa e amargurada, enquanto Wiig já é a cientista apreensiva e motivada a fazer os outros creem no mesmo que ela. McKinnon é uma das figuras mais delirantes do filme. Ela é engraçada e, devido à loucura que interpreta como Holtz – as vezes dá medo. Ela sempre surge com novas invenções, ela tem os momentos mais hilários com suas criações, e suas gags são fantásticas. McKinnon constantemente brica com o tom de voz, indo do grave ao agudo, demonstrando o quão lunática sua personagem é. Já Jones tem cenas das mais memoráveis. Seja fugindo de um fantasma no metrô ou tendo um demônio pousado em seus ombros, Leslie Jones demonstra todos seu talento como comediante e atriz.
Mas o filme tem outros grandes atores como Andy Garcia como o prefeito Bradley, que constantemente tenta parar as Caça-Fantasmas. Temos também sua assistente Jennifer Lynch, interpretada pela atriz Cecily Strong, que com sua forma meiga, sempre desmerece as Caça-Fantasmas.
E não podemos esquecer das participações especiais no decorrer do filme. Feig foi estratégico ao usar cada um dos atores – com exceção de Rick Moranis – que participaram do elenco de “Os Caça-Fantasmas” e “Os Caça-Fantasmas 2”. E não pensem que somente verão os vivos, pois até mesmo Harold Ramis está lá, em uma linda homenagem ao ator.

“Caça-Fantasmas” não vem para substituir nada, mas sim para criar uma nova direção para um clássico. Aquele lema que mencionei e quem venho seguindo funciona muito bem em “Caça-Fantasmas”, pois eles respeitam o passado do clássico e nos fazem abraçar um futuro maravilhoso que, espero eu, renda outros filmes.