Surgiu uma discussão imbecil nas redes sociais, recentemente, quando foi comentada a possibilidade de o próximo Superman se interpretado por um ator preto, onde muitos falaram que seria muito diferente do Superman original, mas fica a pergunta, qual é o original?
Sim, seria totalmente diferente do Superman criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, mas se pensarmos bem, nenhum dos atores que chegaram a vestir o do uniforme representou o dos quadrinhos, pois houveram interpretações de cada roteirista.
Aquilo eu falo sobre cada um desses atores, assistam e tirem suas próprias análises.
Ray Middleton no Superman Day da Feira Mundial de Nova York de 1939: https://youtu.be/dhYzI1J1fNI
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quinta-feira, 24 de novembro de 2022
Superman: Qual é o original?
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quarta-feira, 28 de outubro de 2020
Sangue de Zeus: sexismo mítico
Não é meu lugar de fala, mas assisti a minissérie em formato de anime “Sangue de Zeus” e minha avaliação é que os irmãos Parlapanides (escreveram "Imortais", com Henry Cavill) foram totalmente sexistas na concepção da série.
Antes de continuar, quer deixar claro que sou um devoto do helenismo, que e a adoração ao deuses da tradição helênica (mais conhecida como grega), então, sei bem que nas poleis existiam a tradição de adoração dos deuses e das deusas helênicas – prefiro este termo à grega. Também sei que Hera era uma deusa extremamente ciumenta e, por vezes, tentou se vingar de Zeus incumbindo monstros e soberanos a destruir os filhos deste, fossem deuses ou semideuses. Também sei que Hera, mesmo com todos os ciúmes e o ódio pelos filhos de Zeus, nunca trairia o marido que, mesmo com suas puladas de cerca, estava ao seu lado nos piores embates dos deuses como a Titanomaquia, onde Zeus salvou todos seus irmãos das entranhas de seu pai, e a Gigantomaquia, onde Zeus e os olímpicos enfrentaram Tífon, Êquidna, entre outros gigantes e Héracles foi crucial no combate, pois ele salvou Hera de Porfírion (a versões que dizem que foi Apolo que o matou com suas flechas), e este salvamento selou a paz entre os dois, tanto que Héracles se casou com Hebe, deusa da juventude, filha de Zeus e Hera. Além do que, Hera não foi a primeira esposa de Zeus, pois ao final da Titanomaquia, Zeus desposou Têmis, mas assim que soube que um filho que era conceberia lhe tomaria o trono, a devorou e de sua cabeça, rachada pelo machado de Heféstos, nasceu Atena. Após este ato com Têmis, ele desposou Hera.
Com isso tudo, fica claro vários erros e o motivo de eu considerar esta minissérie misógina. Os dois primeiros episódios da série lembram uma Tragédia Grega, como a de Perseu e Teseu, onde o filho de Zeus nasce no ventre de uma família poderosa de um pólis – usar a palavra “rei” ou “príncipe” é anacrônico – e, quando o soberano desta pólis toma consciência disso, decide se desfazer do jovem. Também tem aspectos da Tragédia de Héracles, pois ele tem um meio-irmão que dividiu o ventre com ele. Mas, a partir do terceiro episódio, os ciúmes de Hera se tornam irascíveis e ela deseja tomar o trono de seu marido. A retratação da deusa é como a de uma mulher louca de ciúmes que faz um acordo com um grande inimigo para destronar o marido. Eu sei que nos mitos helênicos, as deusas já demonstraram irascibilidade, como no caso de Ilíada, que se inicia com uma disputa entre as deuses Atena, Hera e Afrodite, desejando saber qual delas é a mais bela, depois de Êris lançar o pomo da discórdia entre elas, e terminou com a destruição de Tróia (Ílio). Mas nunca qualquer um dos deuses cobiçou o trono de Zeus, mesmo que Atena soubesse que poderia ser a sucessora natural ao trono. Os olímpicos usavam os humanos em suas querelas, não digladiavam entre si. E aí começa o erro da história, quando coloca Hera desejando, desesperadamente, a morte de Zeus e seu lugar no trono do Olimpo.
Por que digo isso? Porque, mesmo com todos os ciúmes, com toda a ira, Hera era grata a Zeus por tê-la salvo das entranhas de seu pai. E quando Zeus aprontava das suas, ela tramava das delas, também. Como no caso do nascimento de Heféstos, que Hera concebeu sozinha, vendo que Zeus havia concebido por si só Atena. Ou todas as agruras que ela despejou sobre os filhos de Zeus que ele tivera com outras deusas ou mortais, após desposa-la. E transformar Hera em uma poderosa deusa e por isso está ao lado de Zeus, não desfaz a ideia sexista da série.
Outro ponto é que Ares, como deus da guerra, é extremamente habilidoso e poderoso, concordo em gênero, grau e número, mas ele tem uma contraparte feminina tão poderosa e tão mortal quanto ele, Atena. Mas aonde está a deusa? Ela somente aparece com “figurante” na batalha dos deuses, ao lado de seu pai, Zeus. Já Ares é mostrado como um grande algoz dos deuses. E lógico, na ideia dos criadores das séries, os homens são os grandes heróis, mas eles esquecem que as mulheres também tiveram seus momentos de heroísmo nas histórias gregas. Vale lembrar de Antígona, Elektra. Ah, mas alguns dirão: "Tem a guerreira amazona, Alexia". Ok, começa que ela não era uma amazona. Ela tinha pai e mãe, o que não a torna amazona. As Amazonas eram guerreiras filha de Ares e Harmonia, no caso de Alexia ela seria filha de soberanos de uma pólis (sim, o mito nas revistas da Mulher-Maravilha está errado). “Ah, mas ela era uma guerreira igual a uma amazona e os irmãos Parlapanides escreveram que ela é uma amazona. Está querendo dizer que eles, que são descendentes de helenos, estão errados?”... não, eu não quero dizer, eu estou dizendo que eles estão totalmente equivocados.
“Ah, mas é mito. Quem se importa?”... eu me importo. Como disse no começo do texto, sou um helenista, devoto dos deuses helênicos, e me importo muito. Acredito que as tradições religiosas devem ser respeitadas, sendo míticas ou não. Existe uma falta de respeito com a deusa Hera, colocando-a como uma treslouca com sede de sangue. Ela era ciumenta e tinha seus motivos, mas ela respeitava a autoridade de Zeus. E, se fosse para mostrar a insatisfação, que fosse de outra forma que não desejando o sangue e a cabeça do marido, como se todas as mulheres que são traídas desejassem isso. Sem contar a diminuição da mulher em seus papéis. Atena se torna uma mera figurante, quando poderia ser a estrela ao lado de Zeus, mas preferem colocar Apolo e Hermes como contrapartes de Ares. Atena é uma deusa-guerreira. Nasceu da cabeça de Zeus já adulta e portando um elmo. Seu pai lhe deu a égide com a pele da cabra Amaltéia. Em seu escudo está a cabeça da górgona Medusa, presente do guerreiro – e seu meio-irmão – Perseu. Ela venceu dois gigantes durante a Gigantomaquia. Coloca-la como figurante, é o mesmo que a relegar como personagem inferior a Ares, o que nunca seria. E Alexia, apesar de uma guerreira extremamente habilidosa e voraz, nunca parece conseguir resolver nada sozinha, tendo sempre ao seu lado homens. Sim, ela os lidera, mas parece que depende deles para tudo. Como no caso do aparecimento de Heron – o protagonista da história, filho de Zeus com uma mortal, que tem o meio-irmão como seu antagonista – no momento em que eles precisam destruir os restos do gigante que transformou Seraphim – o meio-irmão de Heron – em um monstro poderoso. Nem nas antigas histórias as mulheres dependeram tanto dos homens como nesta minissérie.
O retrato que os irmãos Parlapanides trazem da mulher é de uma louca ciumenta-possessiva, gananciosa, com sede de sangue, antagonista ou coadjuvante nas querelas e também extremamente dependentes para ganhar algo ou suas conquistas. Se isso não é sexismo, é a maior falta de respeito a história das mulheres nos mitos helênicos e a religião helénica.
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quinta-feira, 26 de julho de 2018
Errar é humano, Warner, mas persistir no erro...
Errar é humano, Warner, mas persistir no erro...
Recentemente tivemos uma foto do diretor Zack Snyder (Batman
vs. Superman: O Despertar da Justiça) publicando uma imagem sua em uma rede
social bem próximo de onde ocorre a Comic Con International (antes conhecida
como San Diego Comic Con), que acontece em San Diego, na Califórnia. Daí então,
um site de entretenimento especulou que seria anunciado a versão do diretor do
filme Liga da Justiça, de onde Snyder fora demitido – antes ele dissera que
sairia devido a problemas pessoais – dando lugar ao diretor Joss Whedon (Os
Vingadores: Era de Ultron), que mudou significativamente a direção do filme e
não agradou muito.
Desde antes do lançamento do DVD/Blu-ray de Liga da Justiça,
a empresa Warner Bros. Pictures já havia revelado que não lançaria uma versão
do diretor Zack Snyder, pois não faria diferença do filme que fora lançado nos
cinemas, mas na rede social que Snyder participa, ele lançou imagens de cenas
que ele filmara e que não entraram no filme, bem como os trailers do filme, divulgados para promover o filme, continham cenas que,
posteriormente, foram retiradas do filme. E não foram coisas pequenas, foram
modificações gritantes.
Os atores foram chamados para refazer várias cenas do filme
e, como Henry Cavill (O Homem de Aço) estava envolvido nas filmagens de
“Missão: Impossível – Efeito Fallout” e não poderia remover o bigode que era a
composição do personagem no filme, foi necessário fazer uma remoção digital que
não ficou tão boa. Além do que o ator Ciarán Hinds (The Terror) veio a público
dizendo que a concepção de Snyder para o personagem Lobo da Estepe, antagonista
do filme, não era da forma como terminou sendo feita no filme.
Esses fatores, mais os atores que ainda estão ligados ao
Universo Estendido DC (agora chamado pela própria Warner como “Mundos da DC”)
dizerem que não faria diferença o corte de Snyder, gera um pontada de
curiosidade do que seria o filme “Liga da Justiça” de Zack Snyder.
Agora fica a questão, o por que do título? Bem, não é a
primeira vez que a Warner faz algo assim, desconsiderar o filme de um diretor,
substituindo-o por outro e ignorando totalmente a versão do diretor anterior.
Em 1978 estreava nos cinemas o filme “Superman”, do diretor
Richard Donner. Na época, os produtores do filme, Alexander e Ilya Salkind
haviam se aborrecido com o diretor, devido a demora das filmagens de Donner,
que estava preparando, praticamente, dois filmes sequenciais. Com os atrasos, o
cartaz do filme não vinha com imagens dos personagens caracterizados, somente o
símbolo do Superman em cristal e a frase “You’ll
believe a man can fly” e o trailers eram montagens de cenas filmadas e
finalizadas, gerando uma perspectiva enigmática para o primeiro filme dedicado
a um personagem de quadrinhos e que não tinha ligação com as séries televisivas
– em 1951, George Reeves (o Superman da série televisiva de 1952 a 1958)
protagonizou o filme “Superman and the Mole-Men” e em 1966, os atores Adam West
e Burt Ward (que estrelavam a série “Batman” de 1966 a 1968) atuaram no filme
“Batman – The Movie”.
“Superman” teve uma bilheteria gratificante, ótimas
críticas, daí os Salkind e a Warner perceberam que um novo filme era possível.
Tendo mais de 80% do filme pronto, com outras cenas ainda não finalizadas, ao
invés de chamarem Donner para dar continuidade, em 1980, preferiram chamar o
diretor Richard Lester (Os Três Mosqueteiros).
Não que Lester não tivesse uma boa direção, pelo contrário,
“Superman II” teve uma boa bilheteria, também, e ótimas críticas,
possibilitando o terceiro filme, em 1983, “Superman III”. Mas aí percebesse a
diferença.
“Superman III” tem um clima um pouco mais cômico do que seus
anteriores, isso por conta do roteiro que agora pertencia somente David e
Leslie Newman – que haviam escrito os roteiros de “Superman” e “Superman II” com
Mario Puzzo. Sem contar que muito do filme “Superman II” já havia sido dirigido
por Richard Donner, com somente algumas mudanças, principalmente no final do
filme.
Foram anos com todos achando que o filme “Superman II” era
somente dirigido por Richard Lester, até que entre 2004 e 2005, foi revelado
que existia uma versão de “Superman II” toda filmada por Richard Donner. Isso
surgiu quando o diretor Bryan Singer (X-Men: Apocalipse) estava a frente do
filme “Superman Returns”. Então em 2006, no mesmo ano do lançamento do filme de
Singer, foi lançado “Superman II: The Richard Donner Cut”, onde mostravam a
versão de Richard Donner do filme lançado em 1980. E as diferenças eram mesmo
grandes, pois haviam cenas com o ator Marlon Brando – substituído pela atriz Susannah
York, devido aos valores exorbitantes que o ator exigiu pelo direito de imagem
no filme, hoje repassados à sua família – e um final totalmente diferente do
filme de Lester (não vou contar, para não dar spoilers e incentivar o interesse
da busca pelo filme). Dessa forma, a Warner Bros. Pictures demonstrou que
existitam mesmo dois filmes bem diferentes apresentando essa versão.
E parece que o mesmo erro está ocorrendo novamente, só que,
a diferença é a facilidade que todos têm de informações nos dias de hoje. Hoje
em dia existem as redes sociais, onde atores e diretores podem se expressar,
principalmente quando existe uma difamação de seus trabalhos.
Sim, difamação, pois todos creditam “Liga da Justiça” e todo
seu insucesso nas bilheterias e críticas ao diretor Zack Snyder, que vem
mostrando que não é bem assim. Sem contar que, um ator que não tem mais
ligações com os “Mundos da DC”, explanou que seu personagem não era bem aquilo
que aparecera no filme. Então, por mais que Cavill, Gadot, Momoa, ou qualquer
outro ator ainda com contrato com os “Mundos da DC”, que venha a dizer o
contrário, podemos crer que existe uma versão do Snyder escondida nos arquivos
da Warner Bros. Pictures e ela não pretende admitir isso.
Sei que existe uma petição para que essa versão seja
disponibilizada, mas tenho certeza que serão anos de insucessos, como ocorreu
com “Superman II” – pois, com certeza, pessoas tinham conhecimento dessa versão
e devem ter pedido por ela –, que levou mais de duas décadas para termos a
versão do diretor original do filme. Então podemos acreditar que a Warner Bros.
Pictures vem persistindo em um erro que cometera no passado, por teimosia e por
“não querer dar o braço a torcer” (vulgarmente conhecido como burrice). A
empresa continuará reticente e pedindo aos atores que insistam em falar que não
existem diferenças entre o que vimos e o que é, pois eles sabem que, para ter a
versão de Snyder, teriam que recontratar o diretor e deixá-lo seguir em frente
com o projeto e, talvez, admitir que erraram muito feio ao não acreditar na sua
ideia.
Um amigo meu pediu para eu realizar um vídeo a respeito do
assunto, mas preferi escrevê-la. Apesar de
poder realizar o vídeo, eu não expressaria o que sinto, tão bem, quanto
escrevendo. Então, agradecendo a dica do meu amigo Robson, continuo preferindo
escrever e, quem sabe, um dia fazer um vídeo sobre o assunto, também.
quinta-feira, 24 de março de 2016
RESENHA CINEMA: Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016).
BATMAN VS. SUPERMAN:
A ORIGEM DA JUSTIÇA (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016).
Direção: Zack Snyder
Roteiro: David S. Goyer, Chris Terrio
Elenco: Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Gal Gadot,
Jesse Eisenberg, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Diane Lane, Holly Hunter,
Scoot McNairy, Tao Okamoto, Callan Mulvey, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray
Fisher, Joe Morton, Michael Shannon.
Dois anos se passam desde a destruição de Metrópolis nas
mãos dos kriptonianos e a aparição mundial do Superman (Henry Cavill). As
pessoas não sabem o que pensar, principalmente os senadores dos Estados Unidos,
que liderados pela Senadora Finch (Holly Hunter), vem investigando as ações do
Homem-de-Aço pelo mundo.
Muitas vidas se perderam na tragédia e muitos revoltados
surgiram, também, dispostos a degradar a imagem do Superman, por não achar que
ele tenha lugar na Terra e nem como herói da humanidade. Entre eles está Lex
Luthor (Jesse Eisenberg), um homem disposto a tudo para conseguir infringir
algum mal ao Homem-de-Aço.
Enquanto isso, do outro lado da baía, Gotham City se vê,
novamente, aterrorizada por Batman (Ben Affleck), que vem investigando um
mercenário russo, possível conexão com alguém – ou algo – chamado o Português
Branco. Acreditando que isso tenha ligação a Lex Luthor, no alter ego Bruce
Wayne, ele vai a uma festa na casa do milionário de Metrópolis e se depara com
Clark Kent e com uma misteriosa e bela mulher (Gal Gadot). Clark está intrigado
com o vigilante de Gotham e como Superman decide confrontá-lo, iniciando uma
guerra entre eles cujo o fim pode ser catastrófico para um deles.
Não quero narrar o filme, pois é importante vê-lo. Ele é a
realização de uma mera brincadeira que Snyder fez anos atrás com Frank Miller
na SDCC, questionando se poderia dirigir “The Dark Knight Returns”. Sim, tem
muita coisa de TDKR no filme, mas não esperem um filme do Batman, como os
trailers cuspiam para nós, pois é um filme do Superman. Ele é o centro das
atenções nessa extensão de “O Homem de Aço” (2014).
Não é uma continuidade, é uma extensão, pois parte do
momento que Metrópolis conseguiu se reerguer. Batman retornou, pois deseja algo
que pode ajudá-lo em um futuro próximo, e Lex Luthor está completamente
desnorteado, pois um homem consegue ser mais poderoso do que ele jamais será.
O filme mantém um ritmo de ação, de tensão constante, tanto
que você não sente ele passar, pelo contrário, se surpreende com cada momento,
cada cena que foi posta nos trailers são momentos que lhe deixam extasiados,
pois a montagem dos trailers não chegam nem perto do que é o filme de
verdade... e acreditem, os trailers não contam o final do filme, nem chegam
perto disso. O lance é que, depois da sessão, fiquei com uma sensação de vazio.
Sou declaradamente batmaníaco, DCnauta, um grande fanboy –
as vezes prefiro referir a mim mesmo como fandom
– da DC Comics, então ver esse filme... sair daquela sessão, me deixou com uma
sensação de entorpecimento inicial, depois veio o vazio. Não sei se foi por
fazer a contagem regressiva ou se foi por ver a realização de um sonho, mas
eu fico pensando “o que mais pode-se se fazer de melhor do que isso?”... tá, eu
sei que teremos “Liga da Justiça”, em breve, mas “Batman vs. Superman: A Origem
da Justiça” é a superação de uma expectativa. Tem referências quadrinhísticas
fantásticas, tem aparições especiais bombásticas. O filme todo é uma grande
realização (sim, estou me repetindo).
Quanto a “critica especializada” que vem detonando o filme
por ter referências aos quadrinhos, não ser animado e nem colorido,
sinceramente, deveriam continuar fazendo críticas de outros filmes, pois eles
estão longe da capacidade de criticar um filme de super-heróis, pois falta-lhes
a compreensão que um filme deste tipo não precisa ter cores ou ser animado,
tendo piadas escatológicas. Um filme de super-herói tem de ter um ritmo de ação
constante, com momentos intrigantes e impactantes, que causem ao espectador a
reação catártica necessária para determinado momento. Existem momentos de “alívio
cômico”, graças as brincadeiras irônicas de Alfred, interpretado magistralmente
por Jeremy Irons, mas nada estrondoso demais devido ao clima do filme.
É um filme tenso, pois por mais que Batman saiba que não tem
condições de encarar o Superman, ele não desiste da ideia que precisa
derrotá-lo. A interação entre Affleck e Cavill é uma sintonia sem igual e
digna. Seus momentos de encontro jorram uma eletricidade estática constante. A
interação de Affleck e Gadot também é muito sintonizada e mesmo a israelita não
sendo um fenômeno como atriz, ela não decai em sua atuação. Sua sede de
guerreira é também muito bem interpretada, deixando seu momento de tela bem
caracterizado. Já Amy Adams demonstra que nasceu para ser Lois Lane. Ela é um
dos pontos altos do filme, pois está em cena constantemente, demonstrando ser a
parte que humaniza o Superman. Mas do outro lado também temos a maravilhosa
Diane Lane interpretando Martha Kent. São as mulheres da vida de Clark
Kent/Kal-El/Superman, que são sempre necessárias para motiva-lo a continuar
sendo quem ele é.
Já no lado do vilão, palmas pela interpretação de Jesse
Eisenberg. Ele não faz somente um milionário sociopata, ele faz um lunático com
tendências terroristas afloradas. Manipulador, excêntrico, determinado, o
Luthor de Eisenberg lhe deixa atônito, pois você nunca pode imaginar do que ele
é capaz de fazer. Ele lhe deixa surpreso com o que faz, pois vai além de tudo
que nossa vã imaginação poderia presumir. Ele demonstra que é capaz de jogar o
melhor amigo na fogueira para conseguir seu objetivo. Ele é absurdamente insano
e imoral (na falta de adjetivos melhores). Não precisavam de outro vilão, pois
ele é o auge da vilania nesse filme, e não podemos considerar Apocalypse um
vilão, pois ele é uma máquina de destruição.
Como nos quadrinhos, ele foi feito para se adaptar e
destruir. Não formarei mais comentários sobre o monstro, mas não tirem da
cabeça o que leram e viram nos quadrinhos, pois Apocalypse é aquilo que
testemunhamos em “A Morte do Superman”, um monstro que destrói tudo a sua
volta.
“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” não é o auge dos
filmes de super-heróis, mas depois de vê-lo, você fica com a sensação de que
Zack Snyder cumpriu bem sua missão de levar o encontro do século para os
cinemas. Como coloquei em outra postagem do blog, o encontro poderia ter
acontecido outras vezes, mas esse é o momento mais acertado para isso, pois
estamos no cume de lançamentos de filmes de super-heróis e “Batman vs. Superman:
A Origem da Justiça” é, definitivamente, o topo de tudo isso, fazendo-me
refletir que o que virá depois disso será mais grandioso e extasiante, mas não
se igualará ao ver dois dos maiores ícones dos quadrinhos nesse encontro
memorável.
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