Surgiu uma discussão imbecil nas redes sociais, recentemente, quando foi comentada a possibilidade de o próximo Superman se interpretado por um ator preto, onde muitos falaram que seria muito diferente do Superman original, mas fica a pergunta, qual é o original?
Sim, seria totalmente diferente do Superman criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, mas se pensarmos bem, nenhum dos atores que chegaram a vestir o do uniforme representou o dos quadrinhos, pois houveram interpretações de cada roteirista.
Aquilo eu falo sobre cada um desses atores, assistam e tirem suas próprias análises.
Ray Middleton no Superman Day da Feira Mundial de Nova York de 1939: https://youtu.be/dhYzI1J1fNI
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quinta-feira, 24 de novembro de 2022
Superman: Qual é o original?
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sábado, 4 de dezembro de 2021
Capitão América: 80 anos do Bandeiroso
Nunca fui muito fã dele, mas não posso negar a importância do Capitão América, principalmente por causa do seus criadores e as motivações.
Mesmo sendo um personagem da década de 1940, Capitão América ainda busca representar o povo estadunidense e não o Estado. Foram várias as versões do mesmo personagem, mas neste vídeo eu abordo um quinto de sua história. Espero que apreciem!
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019
RESENHA CINEMA: Rambo: Até o Fim (Rambo: The Last Blood, 2019)
RAMBO: ATÉ O FIM (Rambo: The Last Blood, 2019)
Direção: Adrian Grunberg
Roteiro: Matthew Cirulnick, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Paz Vega, Adriana Barraza,
Yvette Monreal, Óscar Jaenada, Sergio Peris-Mencheta
Desde que retornou da Tailândia, John Rambo (Sylvester
Stallone) tem vivido uma vida pacífica na fazenda de sua família, ajudando as
pessoas quando pode e auxiliando Maria Beltran (Adriana Barraza) a criar sua neta,
Gabrielle (Yvette Monreal). Mas, antes de ir à faculdade, Gabrielle deseja
reencontrar seu pai e vai ao México, onde é sequestrada, levando Rambo a voltar
ao seu extinto de combatente para resgatá-la.
Em 1982, Sylvester Stallone iniciou a saga de John Rambo nos
cinemas com “Rambo – Programado para Matar” (no original, “First Blood”),
baseado no livro de David Morrell, narrando a história de um veterano do Vietnã
que termina em uma cidade do interior dos EUA, onde sofre preconceitos por parte
dos policiais e termina tornando a vida deles um inferno.
Contra todas as hipóteses – já que no final do livro Trautman
o matava, e não prendia –, Rambo retorna em uma continuação três anos depois
com “Rambo II: A Missão” (no original “Rambo: First Blood Part II”), onde ele
retorna ao Vietnã e termina encontrando prisioneiros da guerra que os EUA gostariam
de esquecer e tenta resgatá-los. Depois, Trautman volta a chamar Rambo para uma
missão no Afeganistão e, quando o coronel favorito de Rambo termina preso, o Boina
Verde “5º Dan” entra em uma guerra que a União Soviética gostaria de esquecer,
em “Rambo III”, de 1988. Vinte anos depois, em “Rambo IV” (no original “Rambo”,
somente) John Rambo vive na Tailândia e trabalha como guia e, após ser
contratado, leva um grupo de missionários para o interior da Birmânia e termina
em uma guerra que ele não gostaria de se envolver. No final, ele retorna à
fazenda de sua família e fica vivendo lá., e é de onde parte o novo filme – não
vou narrar tudo de novo, pois vai ficar chato.
Sylvester Stallone, novamente, soube como entreter aquele
público que vai ao cinema descompromissado com um enredo amarrado, buscando
somente ação e explosões – apesar da história ser completamente compreensível.
Com uma classificação mais adulta, o “exército de um homem
só” – estilo de filme que consagrou Stallone e outros atores nas décadas de
1980 e 1990 –, John Rambo, consegue mostrar que ainda está em plena forma –
mesmo que Stallone esteja com 73 anos. Ele é um fazendeiro que vive com as
lembranças de seu passado como boina verde, buscando manter esse “demônio”
contido, enquanto ajuda na criação de uma jovem. Quando tudo foge do seu
controle, esse “demônio” volta a despertar.
Quem conhece bem o trabalho de Stallone como Rambo, sempre
percebe quando o modo “Boina Verde 5º Dan” desperta nele. Não que o ator seja
uma primazia de atuação, mas ele já vive a tanto tempo o personagem, que se
percebe algumas nuances dessa personalidade.
Diferente do filme anterior, Stallone somente preferiu ficar
na criação do roteiro do filme, deixando a direção para Adrian Grunberg, que
trabalhara como diretor de “Plano de Fuga”, com Mel Gibson. Acredito que esse
seu conhecimento quanto aos ambientes marginais do México foram fatores
importantes para que o filme ficasse mais interessante.
Não estou dizendo que eles retrataram uma realidade do
México – sabemos que, por vezes, os estadunidenses têm sua própria
interpretação de países latino-americanos, não se importando com suas
realidades –, mas Grunberg sabe buscar a ação em filmes feitos por esses atores
seniors da ação do tiro e explosão.
Como eu disse, “Rambo: Até o Fim” é o típico filme que você
vai para se entreter, sem compromisso, somente se importando em ver tiros,
explosões e cruezas nas mortes, sem piadinhas fora do contexto e cujo enredo
cai para segundo plano. Não é o típico filme para pessoas de estômago fraco,
que não estão esperando uma ação exacerbante, mas sim uma historinha com alguma
ação e piadinhas. É um filme casca-grossa, alpha male, pica das
galáxias.
“Rambo: Até o Fim” é um filme para quem gosta desse tipo de
filme... e Longa Vida a John Rambo!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
RESENHA FILMES: Polar (2019)
POLAR (2019)
Direção: Jonas Åkerlund
Roteiro: Jayson Rothwell
Elenco: Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick,
Fei Ren, Ruby O. Fee, Matt Lucas, Robert Maillet, Anthony Grant, Josh Cruddas,
Lovina Yavari, Ayisha Issa, Richard Dreyfuss
Duncan Vizla (Mads Mikkelsen), também conhecido como Kaiser
Negro, é um dos melhores assassinos profissionais do mundo. Sempre que Vivian
(Katheryn Winnick) deseja um trabalho limpo e bem feito, chama Duncan para o
serviço. Agora que está para se aposentar, o Kaiser Negro virou produto descartável,
então o Sr. Blunt (Matt Lucas), coloca a cabeça dele a prêmio. E, no meio dessa
perseguição, entra a jovem Camille (Vanessa Hudgens), uma moã com vários
traumas no passado, que precisará ser salva por Duncan, enquanto ele faz o que
sabe fazer melhor: matar!
Polar é um filme da Netflix baseado em uma coleção de graphic
novels com o mesmo título, criada pelo espanhol Victor Santos. A série se
iniciou como uma webcomic em janeiro de 2012. A série – que pode ser vista
ainda no site www.polarcomic.com – não tinha
falas, mas quando a Dark Horse Comics lançou em edições encadernadas, ela foi
ampliada e ganhou falas. São três volumes, começando com “Polar: Came from the
cold”, onde nos é apresentado o Kaiser Negro. Tem um clima de ficção noir, com
traços bem estilizados e tons de preto, branco e cores quentes, como laranja e
vermelho.
Lógico quando falamos de um filme existe uma extensão dessa
história, uma criação roteirística que nos leva ao momento retratado dos
quadrinhos. A história em si parece um apanhado de outros filmes e
desenvolvidos novamente, se não fosse a forma como ele é feito. O diretor sueco
Jonas Åkerlund
não poupou crueza nas cenas de ação, tiros e crueldade pura e simples. A forma
de retratar o filme, creio eu, tenta buscar a retratação dos quadrinhos em seus
tons de cores quentes, principalmente com o vermelho-sangue. Vale pontuar,
também, que devido ao tom pesado, o filme tem cores bem escuras e que
climatizam bem o título.
Mads Mikkelsen está ótimo no papel. Ele não é um ator de
muita expressão, mas que sabe atuar bem em filmes de ação, principalmente
quando é necessário. Com exceção de sua participação coadjuvante em “Rogue One:
Uma História de Star Wars”, é o típico filme onde Mikkelsen tem talento de sobra
e sabe como usá-lo. E, vale lembrar que ele é o tipo de anti-herói que sai bem
arregaçado de todas as suas lutas.
“Polar” não é um filme de mimimi, muita enrolação e pouca ação.
Tem seus momentos de sobriedade, mas em sua maior parte e um filme de
assassinatos e tiros. A crueldade já citada fica em momentos perceptíveis e
claros. Mas, também devo citar, que não é um filme sem um enredo, onde a
intenção é somente matar e atirar. Tem uma história de fundo que narra um pouco
da trajetória do Kaiser Negro.
“Polar” é o típico filme para aqueles que gostam de muita
ação, morte e adrenalina juntos. Recomendo.
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
RESENHA FILMES: A Justiceira (Peppermint, 2018)
A JUSTICEIRA (Peppermint, 2018)
Direção: Pierre Morel
Roteiro: Chad St. John
Elenco: Jennifer Garner, John Gallagher
Jr., John Ortiz, Juan Pablo Raba, Annie Ilonzeh, Jeff Hephner, Cailey Fleming.
Riley North (Jennifer Garner) é
uma típica mãe suburbana. A filha faz parte das bandeirantes, vendendo
biscoitos, ela trabalha em um banco e o marido tem uma loja mecânica e passa
por problemas financeiros. No dia do aniversário da filha, próximo ao natal,
eles vão comemorar, mas sofrem um atentado, onde o marido e a filha são mortos.
Riley acredita no sistema e consegue levar os culpados a julgamento, mas o
sistema falha com ela, mostrando-se corrupto.
Após cinco anos viajando e se
preparando, Riley North retorna para Los Angeles, com seu desejo de vingança e
justiça aflorados, capaz de matar todos que não levaram a justiça àqueles que
ela amava.
“A Justiceira” poderia ser
somente mais um filme de uma mulher forte combatendo severamente a injustiça se
não fosse por sua protagonista, Jennifer Garner.
Garner já foi a protagonista de
uma série de sucesso, “Alias: Codinome Perigo” (2001-2006), o que a levou ao
filme “Demolidor, O Homem Sem Medo” (2003) e, posteriormente, “Elektra” (2005).
Ambos os filmes não foram bem aceitos pela crítica e público, principalmente
Elektra. Garner chegou a protagonizar,
com Jamie Foxx e Chris Cooper o filme “O Reino” (2007), mas se concentrou em
comédias românticas e dramas, sempre como co-protagonista ou coadjuvante. Então
vê-la atuando, novamente, como protagonista de um filme nesse estilo, foi muito
bom.
“A Justiceira” traz um enredo que
poderíamos ver como semelhante ao do próprio Frank Castle, o diferencial é que
ela não é uma ex-fuzileira já preparada para matar. Ela busca treinamento, mais
no estilo do Batman. Percebe-se que a construção do roteiro de Chad St. John
tem muita base em quadrinhos. E a direção de Pierre Morel é precisa.
Morel nos entrega um filme de
ação sem enrolações e dramalhão desnecessário. “A Justiceira” é um filme com
objetividade e precisão. Ela tem um objetivo, busca meios para consegui-los e
faz de tudo para tal. Ela rouba, ela mata sem dó e nem piedade, com uma
determinação de vingança nas veias. A atuação de Garner só melhora o filme.
Tá, tudo que eu disse parece
seguir um clichê bem básico, mas vamos lá. Riley North é uma pessoa comum. Ela
não serviu ao exército ou fuzileiros, foi treinada secretamente e ativada por
uma palavra código, violentada por nenhum homem. Ela era uma pessoa qualquer,
com uma vida bem banal e por causa de uma decisão errada de seu marido, tudo muda.
“A Justiceira” poderia ser qualquer mulher decidida a o tomar o poder da
justiça com as próprias mãos, sem nenhuma ajuda paralela, contando somente com
sua determinação.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
RESENHA FILMES: Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin, 2018)
CHRISTOPHER ROBIN: UM REENCONTRO INESQUECÍVEL (Christopher Robin, 2018)
Roteiro: Alex Ross Perry, Tom
McCarthy, Allison Schroeder, Greg Booker, Mark Steven Johnson
Direção: Marc Forster
Elenco: Ewan McGregor, Hayley
Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, Brad Garrett, Nick
Mohammed, Peter Capaldi, Sophie Okonedo, Sara Sheen, Toby Jones
Quando Christopher Robin era
criança se divertia no Bosque de Cem Acres com seu amigos Pooh (Jim Cummings),
Leitão (Nick Mohammed), Ió (Brad Garrett), Tigrão (Jim Cummings), Can (Sophie
Okonedo) e Guru (Sara Sheen), Corujão (Toby Jones) e Abel (Peter Capaldi). Mas
quando ele precisa ir para o internato, tudo muda e ele esquece totalmente dos
seus amigos. Mas quando eles desaparecem, Pooh procura por Christopher Robin
(Ewan McGregor), já adulto, para encontra-los e, quem sabe, se reencontrar.
Quando eu era criança e viajávamos
de férias, meu primo levava grandes almanaques da Disney para lermos à noite.
Era almanaques com muitas histórias do Mickey, Pato Donald, Tio Patinhas,
Pateta, Havita, Os Três Porquinhos e O Ursinho Puff (era assim que tinham traduzido
o nome do personagem). As histórias de Puff eram recheadas de inocência,
amizade e companheirismo, então por vezes eu pulava, pois eu gostava do Mickey
encarando o Mancha Negra, ou o Super-Pateta se metendo em encrencas, ou o Tio
Patinhas encarando a Maga Patalógica – que tinha obsessão pela Moeda Número 1
do Tio Patinhas – e os Irmãos Metralhas – que tentavam, mas sempre falhavam em
assaltar o Tio Patinhas, ou seja, eu queria ação. Depois a Disney decidiu
transformar as aventuras de Pooh – já o chamavam assim na época da animação –
em desenho animado, daí atraiu minha atenção.
Pooh era sempre o amigo que
ajudava a todos. Na animação, nem sempre tínhamos Christopher Robin, mas sabíamos
o quanto ele era importante para Pooh, Leitão, Tigrão, Ió, Can e Guru, Corujão
e Abel. As histórias sempre eram divertidas, mas por vezes traziam lições que
conseguiriam emocionar até o coração mais duro. Acredito que o filme “Christopher
Robin: Um Reencontro Inesquecível” tenha esse mesmo objetivo.
Tá, estamos falando de um filme
da Disney, direcionado ao público infantil... Será? “Christopher Robin: Um
Reencontro Inesquecível” nos mostra o personagem título do filme adulto, com
responsabilidades e obrigações que o fazem esquecer o mais importante: a
família.
É claro que temos os personagens
Pooh, Leitão, Tigrão, Ió, Can e Guru, Corujão e Abel, mas é importante lembrar
que eles são o ponto de ligação de Christopher Robin com seu lado infantil, que
ele deixou devido ao endurecimento de seu coração. Ok... ele passou por muitas
coisas e o mundo o mostrou que nem tudo é um arco-íris, só que quando nos
desligamos do nosso lado criança, nos desligamos da diversão. Não estou falando
de sair com os amigos para um bar e beber, estou falando de nos divertirmos com
bobeiras. Com uma chuva que cai e nos molha. Com as ondas do mar molhando nossos
pés. Olhar pro céu, cheio de nuvens, e imaginar formas. Passear de carro e
contar quantos carros verdes vê. Coisas que deixamos para trás e que muitas
crianças aproveitam e nós achamos que é bobeira. “Christopher Robin: Um
Reencontro Inesquecível” traz isso de volta.
Com o filme, percebemos que as
pequenas coisas, às vezes, podem trazer mais felicidade do que um presente
caro. Nós esquecemos tudo isso, nos “desvencilhamos” dessas coisas, pois damos
valor a outras, que as vezes não tem tanta importância para aqueles que só nos
querem por perto, dividindo os melhores e piores momentos.
“Christopher Robin: Um Reencontro
Inesquecível” é um filme para que reflitamos nossas vidas e valorizemos os
momentos prazerosos com aqueles que mais amamos.
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sexta-feira, 8 de setembro de 2017
RESENHA CINEMA: It: A Coisa (IT, 2017)
IT: A COISA (IT,
2017).
Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Chase Palmer, Cary Fukunaga, Gary Dauberman
Elenco: Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis,
Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wayatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton,
Jake Sim, Logan Thompson, Owen Teague, Jackson Robert Scott.
Uma
chuva torrencial acontece em Derry, no Maine, quando o jovem Georgie Denbrough
(Jackson Robert Scott) decide sair de casa para testar o barquinho de papel
feito pelo seu irmão mais velho, Bill (Jaeden Lieberher), que está de cama e
não pode ir junto com ele. Mas Georgie termina desaparecendo após encontrar-se
com Pennywise (Bill Skarsgård), o Palhaço Dançante, algo que vem acontecendo
constantemente na cidade.
Quando
o verão se inicia, Bill junta seus amigos Richie Tozier (Finn Wolfhard), Eddie
Kaspbrak (Jack Dylan Grazer) e Stanley “Stan” Uris (Wyatt Oleff) para ajuda-lo
a descobrir o que aconteceu ao seu irmão. Na busca, juntam-se a eles a jovem Beverly
Marsh (Sophia Lillis), Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor) e Mike Hanlon (Chosen
Jacobs), pois eles todos têm visões com Pennywise, visões tão concretas que
eles creem que somente existe uma forma de deter o palhaço, enfrentando-o.
“It:
A Coisa” não é a primeira adaptação da obra do mestre do Terror Moderno,
Stephen King. Em 1990, o diretor Tommy Lee Wallace e o roteirista Lawrence D.
Cohen decidiram fazer uma adaptação, colocando o passado da história –
retratado nesse novo filme – como simples lembranças dos personagens centrais
da história. Isso foi um erro, pois perdeu a riqueza de detalhes que essa
história tem. Detalhes esses que foram amplamente abordados no novo filme.
O
drama dos personagens, a dinâmica deles em grupo ou na luta contra Pennywise ou
o personagem Henry Bowers (Nicholas Hamilton), fica melhor entendido no filme
dirigido por Andy Muschietti. Temos uma melhor compreensão do que acontece com Beverly
Marsh e seu pai, que não é somente um caso de violência doméstica com a menina,
vai bem mais além. Até mesmo o próprio Bowers, é compreensível o medo dele com
seu pai. Também temos uma maior amplitude quanto ao preconceito racial. Ou
seja, Muschietti não quis colocar panos
quentes em dramas profundos. E ele também tem uma grande sorte de ter um
elenco juvenil capaz de dar a dramaticidade necessária aos filmes. São crianças
e adolescentes na faixa etária de idade de 8 a 18 anos, que têm a capacidade de
causar uma grande empatia no público, mostrando que It funciona como um grande filme
de terror.
Mas,
pelo que podemos testemunhar, Muschietti é um diretor que sabe trabalhar com
crianças em seus filmes. Pois quem não se recorda do trabalhos das duas meninas
criadas por um fantasma no aterrorizante “Mama”.
Esse
diretor argentino tem um “dedo verde” para filme de tensão e terror. Ele gosta
de trabalhar com formas antropomórficas e seres aberrantes, além de conseguir
desenrolar um drama psicológico no filme, trabalhando cada um dos personagens,
sem perde nenhum de vista, pois mesmo percebendo que o protagonista é Bill
Denbrough, na sua busca em descobrir o que ocorrera com seu irmão indo de
encontro com o antagonista central, o palhaço sobrenatural Pennywise, um mal
que assola a cidade de tempos em tempos. Muschietti não esquece dos outros
co-protagonistas e dos co-antagonistas, que são tão importantes para a trama.
“It:
A Coisa” é um filme de terror de qualidade. Sim, vai ter os sustos esperados em
um filme de terror, mas também tem a tensão, o clima e a dramaticidade
necessária para o funcionamento do filme. Não consigo ver mais filmes de terror
funcionando somente com meros sustos em momentos que não se espera. Tem que ter
algo mais, algo que vai além do medo e da tensão e, esse algo, “It: A Coisa”
tem de sobra.
sábado, 14 de janeiro de 2017
RESENHA CINEMA: Assassin’s Creed (2017).
ASSASSIN’S CREED
(2017)
Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Michael Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons,
Denis Ménochet, Charlotte Rampling, Michael Kenneth Williams, Brendan Gleeson,
Michelle H. Lin, Matias Varela, Callum Turner, Carlos Bardem, Essie Davis,
Ariane Labed, Javier Gutiérrez, Khalid Abdalla, Hovik Keuchkerian, Thomas Camilleri,
Marysia S. Peres, Kemaal Deen-Ellis
No final do século XV, os soberanos da Espanha tomam Granada
dos mulçumanos e a Inquisição Espanhola está caçando infiéis com toda a força
do seu líder, Tomás de Torquemada (Javier Gutiérrez). Nesse cenário estão os
Assassinos, um grupo de guerreiros com capacidades de enfrentar as tropas dos
Templários, seus principais inimigos. Entre os membros do Assassinos está
Aguilar (Michael Fassbender), que tem a incumbência de proteger a Maçã do Éden,
um artefato de grande poder, capaz de dar enorme poder aos Templários, se cair
nas mãos deles.
No futuro, Callem Lynch, um assassino que está no corredor
da morte é levado a Fundação Abstergo e lá descobre ser o descendente direto de
Aguilar e usando o Animus, uma tecnologia criada por Sofia Rikkin (Marion
Cotillard), filha do presidente da Fundação Abstergo, Alan Rikkin (Jeremy
Irons), é ligado ao passado para descobrir onde seu antepassado escondeu o
artefato, mas o que ele não sabe é que a Abstergo está ligada, diretamente, aos
Templários e pretende, com a Maçã do Éden, dominar o mundo e destruir o Credo
dos Assassinos.
Como já havia revelado em uma resenha anterior, não sou um
fã de games, mas gosto de ver as adaptações desses, e quando são bem feitas
gosto de citá-las.
Gosto de “Mortal Kombat”, dos dois “Hitman” – mesmo que
muitos não gostem do primeiro –, dos filmes de “Resident Evil” – que também têm
fãs dos jogos que não gostam muito –, de “Warcraft: o Primeiro Encontro de Dois
Mundos” e, agora, de “Assassin’s Creed”.
Busquei informações em sites especializados em games para
saber mais da história do filme e fiquei impressionado com a sintonia do game
com a História da Idade Média e Moderna, indo das Cruzadas até o domínio Bórgia
no Vaticano, tudo pensando no jogador estar em primeira pessoa, se tornando os
Assassinos Altair Ibn La-Ahad e Ezio Auditore, ao mesmo tem que é Desmond
Miles, descendente de Altair. Apesar de não parecer, é um game bem educacional,
em certos aspectos. O filme não segue a mesma história do game, criando sua
própria história, mas segue a mesma linha, misturando História com ficção
científica.
A premissa é quase a mesma, um descendente de um membro do Credo dos Assassinos é escolhido para se unir ao Animus, um artefato
tecnológico que o faz ligar-se ao seu antepassado, pois os Templários desejam
os Pedaços do Éden – no caso do filme, fica somente a referência a Maçã do Éden
(como o objeto começou a ser conhecido a partir de Assassin’s Creed II) –, mas as
mudanças começam com o membro da Ordem do Assassinos, pois no filme é Aguilar
de Nerha, vivido pelo ator Michael Fassbender, que é incumbido de proteger a
Maçã do Éden. Depois partimos para os responsáveis pela Fundação Abstergo,
agora nas mãos de Alan Rikkin e sua filha, Sofia Rikkin, interpretados pelo
ator Jeremy Irons e pela atriz Marion Cotillard. Alan é CEO da Abstergo e Sofia
a cientista, criadora do Animus, ambos são membros dos Templários, ordem
inimiga dos Assassinos há séculos.
O período histórico também é um pouco diferente, se
posicionando entre as Cruzadas e o domínio Bórgia no Vaticano. Agora o Credo dos Assassinos enfrenta a Ordem dos Templários em plena Espanha tomada pela
Santa Inquisição e após a Tomada de Granada. Temos também a participação de
personagens como o sultão Abu Abd Allah Muhammed XI, interpretado pelo ator Khalid
Abdalla, o rei Fernando e a rainha Isabel, vividos pelos atores Thomas
Camilleri e Marysia S. Peres, o frade dominicano e Grande Inquisidor Tomás de Torquemada,
interpretador pelo ator Javier Gutiérrez, sem contar a menção ao grande
navegador Cristovão Colombo.
O filme tem momentos cansativos, mas a história é necessária
para compreender os acontecimentos, sem contar que a ação é formidável. Cenas
de tirar o fôlego, com pakour, lutas
de lanças, espadas, explosões, ações furtivas, dignas de um grande filme como “Assassin’s
Creed”.
Sei que terão aqueles que não terão essa visão do filme, mas
ao sair do cinema, vi muitos gamers elogiando o que assistiram. Isso torna “Assassin’s
Creed” é um filme próprio para os conhecedores ou não do game, pois mesmo não
conhecendo o jogo em si, gostei muito do filme.
Mal o ano começou e já temos um filme como “Assassin’s Creed”
– que estreou no final do ano passado nos EUA –, então espero que estiver por
vir esteja a altura.
sábado, 17 de dezembro de 2016
RESENHA CINEMA: Rogue One: Uma História de Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).
ROGUE ONE: UMA
HISTÓRIA DE STAR WARS (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll, Gary Whitta
Elenco: Felicty Jones, Diego Luna, Donnie Yen, Ben Medelsohn,
Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Alan Tudik, Jimmy Smits, Alistair
Petrie, Genevieve O’Reilly, James Earl Jones, Valene Kane, Beau Gadsdon, Dolly
Gadsdon, Ingivild Deila, Guy Henry, Daniel Naprous, Spencer Wilding.
Jyn Erso (Felicity Jones), filha do engenheiro Galen Erso
(Mads Mikkelsen), sobreviveu após seu pai ser levado por Orson Krennic (Ben Mendelsohn),
que matou sua mãe Lyra Erso (Valene Kane). Ela recebeu os cuidados do rebelde
radical Saw Gerrera (Forest Whitaker), quando mais nova, mas já adulta terminou
presa pelo Império Galáctico e terminou libertada pelo Capitão Cassian Andor
(Diego Luna), da Aliança Rebelde. Mas a intenção ao libertá-la e descobrir onde
está seu pai e os planos para uma arma mortal que ele ajudou a construí-la, a
Estrela da Morte.
Nessa busca com Capitão Andor e seu dróide reprogramado
K-2SO (Alan Tudyk), Jyn termina descobrindo que um piloto, Bodhi Rook (Riz
Ahmed) é um conhecido de seu pai e, na busca por ele que foi capturado por
Gerrera, ela conhece o monge cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e seu guardião Baze
Malbus (Wen Jiang). Junto a esse grupo, ela parte para encontrar seu pai e
conseguir os planos para a destruição da Estrela da Morte.
No final de “A Vingança dos Sith”, vimos o início da
construção da Estrela da Morte, um artefato do Império que é capaz de destruir
mundos, e já no começo de “Uma Nova Esperança” vemos a Princesa Leia (Carrie
Fisher) carregando os planos de destruição da Estrela da Morte em seu dróide
R2-D2, antes dele e seu companheiro, o dróide de protocolo C-3PO, desembarcarem
em Tattoine e conhecerem Luke Skywalker (Mark Hammill), iniciando uma das sagas
mais idolatradas e adoradas pelos fãs de ficção científica.
“Rogue One” nos coloca entre essas duas histórias, nos
mostrando como os planos da Estrela da Morte foram parar nas mãos da Aliança
Rebelde e quem foram os responsáveis por isso. A saga de Jyn Erso, Capitão
Cassian Andor, K-2SO, o piloto Bodhi Rook, o monge Chirrut Înwe e o guerreiro
Baze Malbus se mostrou uma das mais belas histórias de Star Wars, pois mostra
que todos somos capazes de ter esperança desde que tenhamos um objetivo e
sejamos determinados.
Sinceramente, eu esperei muito tempo para que toda a catarse
que me contagiou ao assistir “Rogue One” se assentasse, mas mesmo depois de
dias ainda me sinto extasiado pelo filme. Não gosto de confiar em empolgações
extremas, pois pessoas têm o costume de exagerar no que gostam ou ojerizam,
então quando muitos viram a pré-estreia de “Rogue One” e vieram embevecidos com
o filme, preferi deixar e esperar.
Eu esperava um filme bom, mas não esperava por “Rogue One”.
A história escrita por John Knoll e Gary Whitta, roteirizada por Chris Weitz e
Tony Gilroy, e dirigida por Gareth Edwards, é algo único, mas que capta bem a essência
do que conhecemos de Star Wars, onde grandes heróis não são momentâneos, mas
sim se constroem, se desenvolvem. E que, às vezes, precisamos ir além de algo
para fazer com que os nossos desejos se tornem reais, pois se esperarmos, nunca
alcançaremos nossos objetivos.
A história criada para a personagem Jyn Erso – vivida pelas atrizes-mirins
gêmeas Beau Gadsdon e Dolly Gadsdon e pela atriz Felicity Jones – tem drama,
mas não melodrama. Ela praticamente perde tudo quando criança, torna-se uma
marginal aos olhos do Império, indesejada aos olhos da Aliança, mas não
desiste, mesmo que veja a todos caírem. É uma guerreira obstinada e destemida,
que sabe e conhece seu principal objetivo. O Capitão Cassian Andor, vivido pelo
ator Diego Luna, testemunhara tantas coisas e fizera tantos serviços pela
Aliança Rebelde, que perdera a sensibilidade humana, tornando-se frio e – quase
– desumano quando seu objetivo são suas missões, mas ao conhecer Jyn, algo muda
nele, confiando na jovem e seguindo-a no seu objetivo, mesmo que seu dróide,
K-2SO – com voz do ator Alan Tudyk – não goste muito disso. A personalidade
deste é um dos pontos altos do filme, pois K2 – como é chamado – tem uma
personalidade única, conseguindo ser mais interessante do que C-3PO, até.
Outro personagem de grande personalidade é o monge Chirrut
Înwe, vivido pelo fantástico Donnie Yen. Sua crença na Força é algo sem igual,
levando-o a seguir Jyn, pois acredita que ela possui um propósito maior e que seu
destino está escrito e deve ser apoiado por ele, e termina carregando o
guerreiro Baze Malbus, interpretado por Wen Jiang, que além de um grande amigo
e seu protetor, mesmo que não tenha as mesmas crenças que ele na Força, nessa
jornada.
O filme é único, como já escrevi antes. Tem uma história
narrada com começo, meio e um fim fantástico, pois muitos de nós já conhecemos
seu destino e onde chegará. “Rogue One: Uma História de Star Wars” é mais do
que uma simples história, é um ponto crucial para a saga, que determinou o
destino de vários nas três histórias que se seguiram.
Existem pontos de divergências com “Uma Nova Esperança”, mas
nem isso tira o brilho desse ponto de interligação entre as franquias, pois “Rogue
One” é um dos mais fantásticos filmes dessa longeva história e, com certeza,
repercutirá por anos e anos e, dificilmente, será esquecido.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
RESENHA FILMES: O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny, 2016)
O TIGRE E O DRAGÃO: A
ESPADA DO DESTINO (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny, 2016)
Direção: Woo-Ping Yuen
Roteiro: John Fusco
Elenco: Michelle Yeoh, Donnie Yen, Harry Shum Jr., Natasha
Liu Bordizzo, Jason Scott Lee, Eugenia Yuan, Chris Pang, Juju Chan, Roger Yuan,
Darryl Quon.
No ano de 2000, o diretor Ang Lee (As Aventuras de Pi) levou
o livro do escritor chinês Du Lu Wang (1909-1977), “O Tigre e o Dragão”, aos
cinemas. Era uma história sobre ficção chinesa baseada em aventuras marciais da
China Antiga conhecida como Wuxia (Wu = marcial, militar, armada – Xia =
honrosa, cavalheiresco, herói). Na história conhecemos a jovem Jen Yu (Ziyi
Zhang), aprendiz da notória bandida Jade Fox (Pei-Pei Cheng), que demonstra
querer aprender mais sobre o Wudang, uma seita de artes marciais que vivem nas
montanhas Wudang. Sua mestra matara um grande mestre cujo um dos discípulos era
o lendário Li Mu Bai (Yun-Fat Chow). Este a persegue desde então, buscando
fazer justiça em nome de seu mestre.
Jen Yu é filha do governador Yu (Li Fazeng), e apaixonada
pelo jovem ladrão Luo Xiao Hu (Chen Chang). Ela vai com seu pai visitar a
residência do Sr. Te (Sihung Lung) e lá conhece Li Mu Bai e a guerreira Yu Shu
Lien (Michelle Yeoh). Shu Lien é um amor antigo de Li Mu Bai, mas como fora prometida
a outro homem, este nunca a cortejou. Li Mu Bai e Shu Lien foram à residência
de Sr. Te para lhe levar a lendária Destino Verde, uma espada poderosa capaz de
cortar o mais duro metal, sem perder o fio.
Destino Verde é roubada, fazendo Li Mu Bai e Shu Lien irem
atrás da bandida que é ninguém menos que Jen Yu. Durante a fuga, Jen Yu tem a
chance de aprender mais sobre o Wudang com Li Mu Bai, mas a traiçoeira Jade Fox
não aceita que sua pupila saiba mais do que ela, então em um combate final, Li Mu
Bai consegue fazer justiça pelo seu mestre, mas sucumbe à batalha, pois Fox
usará dardos envenenados. Shu Lien leva a Destino Verde de volta a mansão do
Sr. Te, pois este prometera que aquele presente seria guardado e protegido.
Depois, Lien leva Jen Yu até a montanha Wudang, onde a jovem desiste do
aprendizado e foge.
Àqueles que não assistiram “O Tigre e o Dragão” ainda, mil
desculpas se dei algum spoiler, mas eu precisava contar essa história –
parcialmente – para falar do novo filme baseado na pentalogia de Du Lu Wang. “O
Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é baseado no livro “Iron Knight, Silver
Vase”, e nele passaram-se 18 anos desde a morte de Li Mu Bai. Shu Lien está a
caminho da residência dos Te, para prestar suas homenagens à morte do
governante, quando sua carroça é atacada pelos homens de Hades Dai (Jason Scott
Lee), líder do Clã Lótus Ocidental, que deseja ser o governante do Mundo
Marcial. Apesar de se sair bem sozinha, ela conta com a ajuda de um misterioso
forasteiro que a ajuda.
Chegando a residência dos Te, Shu Lien descobre que Destino
Verde encontra-se exposta na sala de Mestre Yu (Gary Young), pois um dos
últimos desejos do seu pai era que a espada ficasse ali, para lembrar-lhe de
dias mais nobres. Poucos são aqueles que sabem onde encontra-se Destino Verde,
que para muitos encontra-se perdida. Então uma bruxa de olhos de prata (Eugenia
Yuan), ao encontrar-se com o jovem Wei-Fang (Harry Shum Jr.), único
sobrevivente do embate com Shu Lien, pede para que este a leve até Hades Dai e
conta ao soberano onde a Destino Verde está e recomenda que Wei-Fang vá
usurpá-la.
Durante a tentativa, Wei-Fang conhece a guerreira Vaso
Nevado (Natasha Liu Bordizzo), mas é impedido por Shu Lien de levar o espólio. Vaso
Nevado é aprendiz de uma antiga guerreira e deseja aprender mais sobre o Wudang
– nesse filme é chamado de Caminho de Ferro – se tornando aprendiz de Shu Lien.
Com a tentativa de assalto da Destino Verde, Shu Lien acredita
que seja hora de levar a espada para as montanhas Wudang, mas mestre Yu não
concorda, então ela vê a necessidade de convocar um grupo de guerreiros para a
proteção da Casa dos Te e da Destino Verde.
A mensagem chega a uma taverna, onde reúnem-se outros
guerreiros do Wudang que se juntam para ir ajudar Shu Lien, liderados por Lobo
Silencioso (Donnie Yen), um grande guerreiro que tem uma história com Shu Lien.
“O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é mais um daqueles
filmes baseados na ficção chinesa que guarda a beleza na ação. É lindo ver as
lutas, as batalhas de espadas, lanças, adagas, e todo tipo de instrumento que
faz parte das artes marciais chinesas. Rever Michelle Yeoh de volta atuando
como Yu Shu Lien é outra grande beleza deste filme. Ela é uma artista marcial
fantástica. É um grande balé as cenas que ela luta, cada movimento captado
pelas câmeras, cada golpe demonstra na sua precisão é de uma beleza sem
tamanho.
Vemos nesse filme outro dos grandes artistas marciais da
China, Donnie Yen.
Considerados por muito como um dos melhores, Donnie Yen
mostra toda a graça e habilidade que possui. Jackie Chan é um dos atores
chineses que já o elogiou abertamente. Outros destaques ficam para Jason Scott
Lee fazendo o antagonista Hades Dai. Quem não conhece o ator, assista “Dragão:
A História de Bruce Lee” (1993), onde ele atua como o ator sino-americano. As
origens de Lee tem uma mistura de chinês e havaiano, o que o faz um ator
perfeito nesse filme.
Outros com origens nada chinesas são o ator porto-riquenho
Harry Shum Jr. e a atriz australiana estreante Natasha Liu Bordizzo. Shum ficou
muito conhecido pelo seu personagem Mike Cheng na série de TV “Glee” (2009-2015).
Já Bordizzo encara seu primeiro trabalho no cinema e se sai muito bem. Ambos
demonstraram um excelente talento. Agora dá para entender o motivo de Shum ser
um excelente dançarino em “Glee”.
Todas as tomadas de cenas com o “balé marcial” devem meu
agradecimento ao diretor – e ator – chinês Woo-Ping Yuen. Ele já realizou
trabalhos com Michelle Yeoh, Donnie Yen, Jet Li e Jackie Chan, e sua fantástica
forma de captar cada movimento, cada momento, cada cena de criar impacto é maravilhoso.
Uma coisa simples que poderia passar despercebida, ganha um impacto maior nas
lentes dirigidas por Yuen.
Mas nem tudo são maravilhas em “O Tigre e o Dragão: A Espada
do Destino”, pois a poesia falada no idioma mandarim e cantonês se perde na
tradução para o inglês. Sinceramente, uma das coisas lindas de “O Tigre e o
Dragão” é os atores falarem no seu idioma original, sem as traduções grosseiras
do inglês. Eu fico pensando como nomes iguais a “Vaso Nevado” e e “Lobo
Silencioso” ficariam em mandarim ou cantonês. Não ver a terminologia Wudang
sendo pronunciada chega ser estranho, pois era o caminho de Li Mu Bai e Yu Shu
Lien, e é o que difere este tipo de filme dos estilos shaolin (são duas
vertentes diferentes do wushu).
“O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é uma linda
história de tradição, honra e lealdade. Mesmo àqueles que buscam o caminho errado,
você testemunha um pouco de honradez entre eles. Testemunhar treze anos depois
essa continuação é um prazer inenarrável e como está no Netflix, farei várias
vezes seguidas.
Se possível assistam “O Tigre e o Dragão” primeiro – também está
no Netflix – e depois testemunhem sua continuação, percebendo que uma boa
continuação pode ser feita.
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