ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD (Once upon a time... in Hollywood,
2019)
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch,
Margaret Qualley, Mike Moh, Al
Pacino, Timothy Olyphant, Julia Butters, Austin Butler, Dakota Fanning, Bruce
Dern, Luker Perry, Damian Lewis, Nicholas Hammond, Rafal Zawierucha, Lorenza
Izzo, Lena Durham, Madison Beaty, Mikey Madison, Damon Herriman, Samantha
Robinson.
Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um antigo astro de séries
de cowboy dos anos de 1950 que, agora, encontra-se em uma fase decadente de sua
carreira, fazendo somente participações especiais em séries dos anos 1960, como
Besouro Verde, FBI, entre outras. Seu dublê pessoal, Cliff Booth (Brad Pitt),
além de ser um faz-tudo pessoal de Dalton, também busca reacender a carreira,
apagada depois de várias controvérsias sobre sua vida pessoal. Nesse interim
conhecemos um pouco sobre a atriz Sharon Tate (Margot Robbie) e sua relação com
o diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e o que viria a ser o estopim para
mudanças de padrão de vida na Hollywood do final da década de 1960.
Se vocês pensam que conhecem o final desse filme, então
vocês não conhecem nada de Quentin Tarantino.
Em seu nono filme – sim, pois ele não contabiliza suas
participações como diretor em “Grande Hotel” (1995), “Sin City” (2005) e “Grindhouse”
(2007), e muito menos as histórias de “Amor
à Queima Roupa” (1993) – digirido por Tony Scott (1944-2012) – e “Assassinos
por Natureza” (1994) – dirigido por Oliver Stone – Tarantino expande seu
universo pessoal.
Diretor de sucessos como “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction”, “Bastardos
Inglórios” e “Os Oito Odiados”, Quentin Tarantino dá sua própria visão da
Hollywood de 1969. Ele busca uma humanização dos atores e atrizes que
conhecemos mais por trabalhos na sétima arte do que nas vidas pessoais.
Rick Dalton, interpretado por Leonardo DiCaprio, é uma clara
visão da maioria dos atores que tiveram que buscar fazer papéis menores para
poder manter o estilo de vida que tinham na maravilhosa ascensão da década de
1950, com o boom da televisão. É um personagem com vários problemas pessoais,
que tem uma parcial estabilidade graças aos papéis de vilão que vive em séries
de TV. E, como sempre, Tarantino busca “filosofar” sobre esse aspecto.
Diretor controverso, acusado de ser machista, xenófobo e
racista, Tarantino se mantém fazendo cinema com boa ação e reviravoltas que
fazem você ficar impressionado. Se as acusações são verdadeiras, eu não sei,
mas ele busca expressar a realidade da época que ele se atém.
Mesmo que falem bem ou falem mal de Tarantino, ninguém pode
negar que seus personagens são fortes e expressivos, e a naturalidade que ele
expressa em seus roteiros, ele busca fazer na sua direção.
Já ouvi críticas que falaram que Tarantino se perdeu em seu
novo filme, mas creio que isso é irrelevante. Não creio que ele se perdeu, mas
que vem amadurecendo cada vez mais aquilo que alguns chamam de “teoria
tarantinesca”, onde ele constrói uma história só em todos os seus filmes.
Se “Era uma vez em... Hollywood” é mais um filme dentro desse
universo, somente os fãs poderão dizer, mas com certeza é mais uma carimbada do
trabalho de qualidade de Tarantino nos cinemas, mostrando que seus filmes têm
uma identidade própria e bem particular do diretor.
Elenco: Derek Mears, Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Will Patton, Kevin Durand, Maria Sten, Ian Ziering, Henderson Wade, Jennifer Beals, Jeryl Prescott, Selena Anduze, Macon Blair, Michael Beach
Alec Holland (Andy Bean) é um cientista que vem investigando acontecimentos estranhos nos pântanos de Marais, na Louisiana, quando chega à cidade a cientista do CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos –, a Dra. Abby Arcane (Crystal Reed), que surge após uma menina ser infectada por algo advindo do pântano de Marais.
Abby é uma nativa da cidade, tendo ido embora após acontecimentos fora de seu alcance. Ela e Alec se unem para verificar o que anda acontecendo com as pessoas infectadas de Marais, quando um incidente que causa a morte de Holland o termina transformando em um ser feito dos elementos do pântano, o transformando em um Monstro do Pântano. Na busca por uma cura para Holland, Abby termina se metendo no caminho do milionário Avery Sunderland (Will Patton), que deseja ver o crescimento da cidade com a exploração do pântano. Ele conta com a ajuda do Dr. Jason Woodrue, que busca uma cura para a doença de sua esposa e será capaz de qualquer coisa para alcançar seu objetivo.
Eu pensei seriamente em fazer mais um ECN Comenta com essa – tristemente – única temporada de “Monstro do Pântano”, mas achei mais viável uma resenha mesmo, assim poderia fazer uma introdução com essa introdução.
O Monstro do Pântano é um personagem que surgiu na DC Comics na década de 1970, na House of Secrets #92. Criado por Len Wein e Bernie Wrightson, o sucesso do personagem foi tão imediato que automaticamente a DC Comics encomendou mais histórias de ambos que terminaram modificando alguns meandros da primeira história.
No original, a história do personagem se passava no final do século XIX, onde o cientista Alex Olsen sofria um “acidente” que levou a sua transformação no Monstro. Depois, quando o Monstro ganhou sua própria revista em novembro de 1972, surge Alec Holland e a história de sua criação como o Monstro do Pântano.
A história de sua origem não foi mudada, mas novos elementos foram introduzidos em meados da década de 1980 pelo escritor britânico Alan Moore.
Moore manteve o clima sombrio e aterrador das histórias do Monstro do Pântano, mas começou a desenvolver um enredo mais místico e tornou o Monstro do Pântano em um fenômeno maior ainda, e boa parte do que vemos na série vem do que ele criou a partir de The Saga of the Swamp Thing #20 (janeiro de 1984), sendo assim, você vê todo os conceitos de Moore sendo reproduzidos, com alguns novos elementos sendo misturados a história.
Temos a introdução de personagens como Madame Xanadu – interpretada por Jeryl Prescott –, uma feiticeira extremamente poderosa que ajuda Maria Sunderland – vivida pela atriz Virginia Madsen –, que tem delíros com sua filha morta, e o dublê de ator Daniel Cassidy – interpretado por Ian Ziering – que – aparentemente – fora amaldiçoado pelo Vingador Fantasma – vivido pelo ator Macon Blair – e não pode deixar a cidade.
A série buscou mostrar vários elementos sobrenaturais do Universo Mágico da DC Comics, algo que foi buscado na série Constantine – cancelada em 2015 após 13 episódios – anteriormente. E, como Constantine, Monstro do Pântano foi cancelada abruptamente.
Foram somente dez episódios, onde vemos um centésimo do que vem a ser a construção do personagem, desde Len Wein e Bernie Wrightson, passando David Micheline, Gerry Conway, David Anthonny Kraft, Martin Pasko, Dan Mishkin, até chegar em Alan Moore, Monstro do Pântano tem um enredo rico de suspense, terror e misticismo nas suas histórias, trazendo personagens que podem – ou não – ganhar suas próprias séries. As alegações de cancelamento vão desde a criação do HBO Max – sistema de streaming da WarnerMedia, que englobará várias séries e filmes da Warner Bros. e os canais da HBO – até um déficit econômico na Carolina do Norte, onde a série era filmada.
Independente dos motivos, Monstro do Pântano era uma série que vinha agradando a maioria do público que assistia a série e o cancelamento abrupto e desnecessário somente a torna mais especial.
Existem determinados filmes que uma resenha soaria como algo
superficial e enfadonho, como no caso de “Tolkien”.
John Ronald Reuel Tolkien não era membro de uma família
abastada. Sua mãe faleceu quando ele e seu irmão, Hilary Arthur, eram crianças
ainda. Graças a ela, Tolkien tornou-se um sonhador, um estudioso de línguas
(filólogo) autodidata e um criador sem igual.
Com uma criação católica, Tolkien tinha como guardião o padre
Francis Xavier Morgan, grande amigo de sua mãe Mabel Tolkien, que conseguiu
para ele uma vaga na King Edward’s School, onde ele viria a conhecer os outros
membros da Tea Club and Barrovian Society (TCBS), o poeta Geoffrey Bache Smith, o músico Christopher Luke Wiseman e o desenhista Robert Gilson. No lar onde ele morava com seu irmão,
administrado pela Sra. Faulkner, Tolkien viria a conhecer a jovem e talentosa
pianista Edith Bratt, que viria a se tornar seu maior e único amor.
“Tolkien” é um filme que busca retratar parte da história do
escritor amplamente conhecido pela criação de um dos maiores e mais influenciadores
universos literários de todos os tempos.
O filme nos mostra Tolkien na Batalha de Somme, na França,
durante a Primeira Guerra Mundial. E, no drama, traz toda a história de Tolkien
em lembranças, pois ele busca encontrar um de seus amigos durante a batalha.
Quem conhece a história de Tolkien a fundo, com certeza
encontrara divergências no decorrer do filme. Mas vale lembrar que é uma
dramatização de uma realidade, então tem-se o costume de romancear determinados
fatos.
Eu tomei a iniciativa de não ler – como sempre faço com os
filmes que quero assistir – ou tentar saber de qualquer crítica sobre o filme “Tolkien”,
pois desde que soube que ele seria feito, fiquei ansioso em conhecer qual parte
da história dele seria contada. Lógico, assisti aos trailers e sabia que
conheceríamos o período que ele participou da Irmandade que lhe daria pretextos
para a criação de sua obra máxima. Sabia que retratariam sua convivência com
sua esposa, Edith Bratt, com seus amigos da King Edward’s School, mas não mais
do que isso.
Eu não conheço muito sobre J.R.R. Tolkien. O pouco que
conheço foi lendo no site Valinor, então o encanto que o filme me trouxe foi
maravilhoso. Amizades, amor, perdas, conquistas, criações são coisas que
fizeram parte da vida de Tolkien, e isso é visto no filme. Conhecer – mesmo que
de forma romanceada – como ele desenvolve a linguística élfica, como ele vai
desenvolvendo o – como é conhecido – Universo Tolkieniano é... mágico.
Não foi uma vida regrada de facilidades. Perdeu a mãe muito
cedo, não foi amplamente aceito no âmbito escolar devido aos problemas do
passado e suas condições financeiras – os outros membros da TCBS tinham mais recursos
financeiros do que Tolkien –, os empecilhos de seu amor por Edith Bratt, sua
constante busca por aprimoramento e estudos autodidatas – mesmo que em menor
proporção –, estão no filme. O mais interessante é que, como em muitas
biografias escritas, não se retrata muito da vivência de John Tolkien com
Hilary Tolkien.Sabemos que eles eram
irmãos, mas a idade os afastava, aparentemente.
Tolkien teve grande influência dos amigos com quem conviveu.
Como eu escrevi, ele não era aceito no âmbito escolar da King Edward’s School.
Os outros membros da TCBS, por inveja – creio eu – o trataram de forma avessa,
no começo, mas depois de iniciarem uma convivência maior, criaram vínculos,
laços que foram levados até as trincheiras.
Apesar dos flashbacks retratarem muito da história do filme,
um ponto importante está na Batalha de Somme, onde Tolkien busca encontrar o
amigo Geoffrey Bache Smith, Tenente nos Fuzileiros de Lancshire.
Quando ouvi pela primeira vez o nome, ele me parecia
conhecido. Então fui buscar sobre Geoffrey Bache Smith e descobri o motivo de conhece-lo.
Esse amigo de Tolkien teve o prelúdio escrito por ele:
“Os poemas deste livro foram escritos em vários momentos,
um deles (‘Vento sobre o Mar’), acredito que já em 1910, mas a ordem em que
eles estão aqui não são cronológicos além do fato de que a terceira parte
contém apenas poemas escritos após a eclosão da guerra. Destes, alguns foram
escritos na Inglaterra (em Oxford em particular), alguns no País de Gales e
muitos durante um ano na França, de novembro de 1915 a dezembro de 1916, que
foi ocorreu por uma licença em meados de maio.
‘O Enterro de Sófocles’, que é colocado aqui no final,
foi iniciado antes da guerra e continuou em tempos estranhos e em várias
circunstâncias posteriores; a versão final me foi enviada das trincheiras.
Além desses poucos fatos, nenhum prelúdio e nenhuma necessidade
são necessários, a não ser aqueles aqui impressos como seu autor os deixaram.
J.R.R.T.
1918”.
O livro “A Spring Harvest” é citado em várias biografias
de Tolkien, devido a esse prelúdio. O que nos traz o tamanho de afinidade que o
escritor tinha com seus amigos. Só para citar, seu filho Christopher Tolkien
tem o nome em homenagem ao amigo Christopher Luke Wiseman.
Tolkien é uma influência. Linguisticamente, literalmente,
ele desenvolveu algo que alcançou patamares que servem como exemplo para um
grande número de pessoas. Ele influenciou J.K Rowling na criação do seu
Universo Mágico. Ele influenciou o escritor George R.R. Martin em As Crônicas
de Gelo e Fogo, foi membro de um grupo informal de discussão literária da Universidade
de Oxford conhecida como Inklings, onde serviu de influência religiosa
para o escritor C.S. Lewis – que preferiu a Igreja Anglicana, para a decepção
de Tolkien –, criador de As Crônicas de Nárnia. Até mesmo o jogo Dugeons &
Dragons, desenvolvido por Gary Gygax e Dave Arneson, um dos pioneiros do RPG, tem grande influência de Tolkien.
Quando você conhece o Universo Tolkieniano – eu vim a conhece-lo
tardiamente em 2001 – ou você se apaixona de imediato ou você odeia a forma
narrativa e detalhada da escrita, mas NINGUÉM pode negar o tamanho de sua influência
e existência. Tá, os filmes de Peter Jackson o colocaram em evidência no século
XXI, mas Tolkien já era uma influência antes deles e continuará sendo no passar
dos anos, pois tudo que ele criou com todo o conhecimento que adquiriu sempre
será parte das vidas daqueles que convivem ou conviveram com esse universo maravilhoso.
O filme – sim, eu vim falar do filme – “Tolkien” é somente a
representação de um décimo do que foi a criação de Tolkien, que iniciou da
frase que postei logo no começo deste texto. Assisti-lo é um enriquecimento de
conhecimento dessa mente influenciadora e conquistadora de corações.
"É mais do que uma mera amizade. É uma aliança. Uma aliança invencível... Uma Irmandade".
Para não faltar... Ficha Técnica:
Tolkien (2019)
Direção: Dome Karukoski
Roteiro: David Gleeson, Stephen Beresford
Elenco: Nicholas Hoult (John Ronald Reuel Tolkien), Lilly Collins (Edith Bratt), Colm Meaney (Padre Francis Xavier Morgan), Anthony Boyle (Geoffrey Bache Smith), Patrick Gibson (Robert Quilter Gibson), Tom Glynn-Carney (Christopher Luke Wiseman), Laura Donnelly (Mabel Tolkien), Harry Gilby (J.R.R. Tolkien - jovem), Derek Jacobi (Professor Joseph Wright), James McCallum (Hilary Arthur Reuel Tolkien), Pam Ferris (Sra. Faulkner)
Não tinha como fazer outra coisa a não ser comentar a
remasterização desse clássico da Disney.
“O Rei Leão” chegou aos cinemas na semana passada em uma
nova versão e já alcançou a bilheteria mundial de US$ 564.663.379,00 – de acordo
com o Box
Office Mojo –, bem mais realística... impressionantemente realística!
Não tenho como fazer um resumo, pois é a mesmíssima
história, mas posso comentar o quão impressionante é ver todo o filme em uma
visão bem mais próxima da realidade.
Sempre fui um fã de Animal Planet, então, por vezes, assisti
a vários documentários sobre leões, hienas, elefantes, zebras, e toda a fauna
africana, então ver a capacidade que o CGI (símbolo que representa Imagem
Gerada por Computador) chegou, me deixou maravilhado no cinema.
O filme vai além de uma mera animação, sendo assim,
expressar emoções com as faces dos animais é bem diferente, então ficou o
desafio aos dubladores o expressar através de suas vozes.
Já inicio falando do retorno de uma das vozes mais
maravilhosas entre os atores estadunidenses, James Earl Jones, que volta como
Mufasa – assisti a versão legendada... que somente tem uma sessão no cinema que
eu fui! Sério, fica difícil definir poucas palavras sobre a dublagem desse
grande ator. Ele já foi Darth Vader, já foi o Almirante James Greer da série de
filmes de Jack Ryan... sua majestade James Earl Jones. Ele é o ganhador do EGOT
(designação dada para artistas que ganharam os quatro principais prêmios
estadunidenses: Emmy, Grammy, Oscar – Prêmio Honorário da Academia – e Tony),
um título dado para poucos nos EUA. A partir daí as coisas somente melhoram,
pois temos Alfre Woodard, Chiwetel Ejiofor, Donald Glover e Beyoncé, enriquecendo
ainda mais a dublagem do filme.
A escolha de um elenco afro-americano pode ter sido
proposital, mas eu sempre considerei que os atores negros americanos têm talento
a transbordar pelos seus poros. Até mesmo o elenco infantil – que fazem as
vozes de Simba e Nala, crianças –, constituído JD McCrary e Shahadi Wright
Joseph, demonstra de forma primorosa os sentimentos pela dublagem. Muitos diriam
que isso tem a ver com a direção de Jon Favreau – que, novamente, transforma um
filme da Disney (Homem-de-Ferro É da Disney, já que a Marvel Studios pertence a
ela) algo elogioso e maravilhoso –, mas eu vejo além da direção, pelas palavras
que já teci sobre os atores afro-americanos.
Tá, temos atores brancos também no filme, dando o tom de
comédia. Começamos com o inglês John Oliver – AMARIA ouvir Rowan Atkinson
também reprisando a dublagem – que dá o ar de nobreza inglesa para o Valete Zazu,
um Calau bico-vermelho. Com exceção de – atual primeiro-ministro britânico – Boris
Johnson, a forma do inglês dos britânicos traz um ar... nobre. Já Pumbaa e
Timão, o javali e o suricato mais amados dos desenhos animados, têm a dublagem
de Seth Rogen e Billy Eichner, respectivamente, dois conhecidos atores
comediantes.
Com esse elenco, Jon Favreau teve o exímio trabalho de que
eles viessem expressar sentimentos aos animais realisticamente constituídos
(tá, estou sendo repetitivo... mas somente você assistindo para entender).
Como muitos já citaram em 1994, “O Rei Leão” dá sua própria
interpretação da tragédia de William Shakespeare, “Hamlet”, então podemos dizer
que 25 anos depois, consegue trazer novamente essa reinterpretação. A história
original está toda lá – criada por Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton
– bem como a trilha sonora original criada por Hans Zimmer, Elton John e Tim
Rice, com a introdução das músicas “Spirit” – interpretada por Beyoncé – e “He Lives
in You” – interpretada por Lebo M. (que também nos dá “Mbube” de Solomon
Linda).
“O Rei Leão” poderia ser caracterizado como um filme
infantil, dedicado às crianças, mas mesmo tendo censura – lógico, uma mãe ou um
pai podem levar seus filh@s menores de 10 anos – é um filme para ser assistido
por aquela pessoa que foi criança a 25 anos atrás, pelo pai deste, pelos filh@s...
Por toda a família! A magia está lá e encanta!
Já vi classificações do filme como “live action”, o
que não deixa de ser verdade, pois mesmo sendo feito por CGI você acredita
naquilo que vê, de tão real que parece. “O Rei Leão” chegou a um nível de
perfeição para um leigo como eu de maestria. Não tem como comparar com qualquer
outro filme – talvez com os novos filmes da série “Planeta dos Macacos”... mas
eles foram captação de movimentos – deixando em um patamar a ser superado.
Dessa forma, o que mais a Disney poderá fazer?
Eu lembro de quando fizeram um documentário sobre Walt
Disney e dele desenvolvendo seus filmes. Disney levava seus artistas ao
zoológico para que eles captassem os movimentos dos animais que apareceriam nas
animações. Assim o movimento de um gamo, de uma gazela, de um veado, de um
coelho, de um pássaro, apareceriam de forma mais real nas animações. Com “O Rei
Leão”, acredito que Walt Disney deve estar sorrindo no Elísio e dizendo: “Eles
conseguiram!”
LJA/SJA: VÍCIOS E VIRTUDES (DC Comics Coleção de Graphic
Novels Volume 64)
Roteiro: David S. Goyer, Geoff Johns
Desenhos: Carlos Pacheco
Arte-final: Jesús Meriño
Título original: JLA/JSA: Virtue and Vice
Dia de Ação de Graças. A Liga da Justiça e a Sociedade da
Justiça decidem fazer seu primeiro grande encontro, desde que a SJA se
reestruturou e voltou a atuar como um grupo de super-heróis. Inspiradores para
a criação da LJA, a Sociedade é um grupo formado por antigos super-heróis que
tiveram seus legados seguidos por outros grandes heróis.
Admirando à Terra, Lanterna Verde/Alan Scott se junta ao
Superman quando um chamado de emergência surge, referente a um ataque a uma
conferência na África onde se encontra o presidente dos Estados Unidos, Lex
Luthor.
Após um conflito curto contra o novo deus Bedlam, os dois
grupos de super-heróis se reúnem na Mansão da SJA, onde acontecimentos estranhos
se iniciam e Batman, Sr. Incrível, Shazam, Poderosa, Lanterna Verde/Kyle
Rayner, Senhor Destino e Homem-Borracha se voltam contra os membros da Liga da
Justiça e da Sociedade da Justiça, levando alguns a Torre do Destino e outros
ao Limbo. J’onn J’onzz, antes de entrar em colapso, informa que tudo tem a ver
com Lex Luthor, então os membros restantes, se unindo aos membros reservas da
LJA, decidem resolver esse caso, que vai além da compreensão – até mesmo – de Zatanna.
Quem está por trás desses ataques? Luthor? Os problemas se agravarão antes
mesmo de ser descoberto.
“LJA/SJA: Vícios e Virtudes” é o primeiro encontro dos
grupos de super-heróis desde Crise nas Infinitas Terras, como ocorria
antigamente.
Os encontros se tornaram algo corriqueiro entre a Liga e a
Sociedade, trazendo sempre aventuras que eles terminavam enfrentando os vilões
de ambas as Terras – a LJA era da Terra-1 e a SJA era da Terra-2 – ou de outras
Terras do Multiverso DC. Quando a Crise transformou o Multiverso em um único universo,
a Sociedade ficou desativada até Zero Hora, quando ela ressurge em uma
explicação muito simples: Eles estavam no Limbo enfrentando o Ragnarok, o
Crepúsculo dos deuses, até serem trazidos de volta, onde alguns terminaram
envelhecendo de forma gradativa ou morrendo.
A história trabalha bem o lado místico do Universo DC.
Escrita por David S. Goyer – co-roteirista da trilogia “Cavaleiro das Trevas” –
e Geoff Johns – na época, era o roteirista da revista da Sociedade da Justiça –,
a história embarca em um enfrentamento onde os dois grupos encaram vilões de
ambos, como no passado, mas levando em conta o lado do sobrenatural. Então vemos
problemas sérios, principalmente, para o Superman. Um dos pontos legais é ver
como os mais jovens que embarcaram na SJA como membros efetivos aprendem mais
sobre a ação. Outro ponto maravilhoso é ver a intercalação dos grupos através
da Canário Negro, pois Dinah é membro reserva de ambos – fundadora da LJA
pós-Crise nas Infinitas Terras – e, dessa forma, assume a liderança.
Em minha humilde opinião, uma das melhores histórias
escritas na época em que foi lançada no Brasil, pela Panini em 2003. A parceria
de Goyer e Johns funciona de forma exímia usando com precisão os personagens da
LJA e da SJA.
Uma das coisas que sempre gosto de ressaltar é que, nessa
história, eles usam os coadjuvantes de forma primaz, tornando-os, por vezes,
centrais mais importantes do que a clássica Trindade DC ou qualquer outro
personagem principal.
“LJA/SJA: Vícios e Virtudes” é memorável e estabelece o recomeço
desses encontros memoráveis dos maiores grupos de super-heróis da DC Comics.
Na edição 66, a Eaglemoss lança “Batman: A Luva Negra”, história
escrita por Grant Morrison para a publicação regular de Batman, onde o
Homem-Morcego reencontra os membros do Clube dos Heróis e descobre que uma
organização poderosa está por trás de acontecimentos que ocorrem com o grupo. Nessa
história, Morrison iniciou a série “Batman: Descanse em Paz”.
A Coleção DC Comics de Graphic Novels da Eaglemoss pode ser
adquirida em bancas e lojas especializadas. Ela também pode ser encontrada na
loja virtual da Eaglemoss Collections Brasil, principalmente para aqueles que
desejam completar sua coleção. No site da Eaglemoss Brasil você também pode
fazer assinaturas da coleção, ganhando brindes bem especiais.
O Agente William Clyde está trabalhando sobre o tráfico de
armas do “Primado Califórnia”, quando nomes misteriosos aparecem na sua lista
de investigados. Ele então decide entrevistar os nomes que terminam levando-o a
conhecer o Codinome Soldado Desconhecido.
Soldado Desconhecido é um militar que faz trabalhos sujos
desde a Segunda Guerra Mundial. Suas principais características são a altura
descomunal, a fala pontual e decisiva, os olhos penetrantes e demoníacos e ação
de forma a eliminar vestígios ou criar governos, sempre em nome dos Estados
Unidos.
O que deixa Clyde preocupado, é que todos que ele entrevista
terminam mortos. E, por acidente, uma colega de trabalho dele também termina
assassinada.
O que será que está acontecendo? Quem são essas pessoas que
desejam esconder sobre o Soldado Desconhecido? E mais, quem é esse Soldado
Desconhecido?
Garth Ennis é um escritor do tipo que gosta de trabalhar com
personagens enigmáticos e perigosos. Então, não é nada demais para ele
trabalhar com o personagem Soldado Desconhecido.
O personagem, que nunca teve a identidade revelada, surgiu
em julho de 1970 na revista Star-Splanged War Stories 151, sendo criado pelo
lendário Joe Kubert. Ele e o irmão Harry embarcaram na II Guerra Mundial, em uma
invasão das Filipinas. Durante um combate contra os japoneses, Harry terminou
morto por uma granada, enquanto o Soldado Desconhecido terminou com o rosto
deformado, o que obrigou que usasse bandanas. Ele se tornou o operacional
desconhecido, transformando-se em uma lenda durante a II Guerra Mundial. Foi
responsável pela morte de Adolf Hitler e, mesmo sendo considerado como morto,
foi avistado outras vezes, mas sem certezas, pois ele sempre estava disfarçado.
Ennis parte exatamente dessa ideia de que aqueles que
conhecem o Soldado Desconhecido nunca podem revelar que o conheceram, pois ele
não existe.
Na história de Ennis, o Soldado Desconhecido trafega pelos
momentos mais acirrados e sinistros das histórias de combates que envolveram os
Estado Unidos. Obstinado e decidido, o Soldado Desconhecido não deixa ponta sem
nó, resolvendo da forma que achar necessário ou usando de sua facilidade de se disfarçar
e imitar para isso.
O retrato de Ennis para o personagem é um resgate da
mitologia iniciada por Kubert na década de 1970, mostrando que o personagem é
completamente válido em qualquer época ou período, podendo vivenciar os
conflitos e agir neles, deixando uma pulga atrás da orelha: É sempre o mesmo
Soldado Desconhecido? Ele está vivo desde a II Guerra Mundial? São perguntas
que você descobre no decorrer da história, que tem a arte de Kilian Plunkett,
que eu vim a conhecer nesse trabalho.
“Soldado Desconhecido” é uma extensão de conhecimento de um
personagem esquecido – que esteve ativo nos quadrinhos até 1982 e retornou em
1988 com doze edições – que pode ser colocado em qualquer período dos Estado
Unidos e continuará válido.
BATMAN & BILL – A SECRET IDENTITY FINALLY REVEALED
(2017)
Direção: Don Argott e Sheena M. Joyce
Vocês sabem quem criou o Batman?... Sim, hoje em dia TODOS
sabemos o verdadeiro nome por trás da máscara do Morcego, mas isso graças a
Marc Tyler Nobleman.
Nobleman é o tipo de fã dos quadrinhos que sempre busca
lutar por causas daqueles que merecem. O documentário “Batman & Bill – A
secret identity finally revealed” fala exatamente sobre essa busca por justiça,
dessa vez para o escritor Bill Finger.
Finger era um escritor de quadrinhos, pouco reconhecido pelo
maior trabalho de toda a sua vida, a criação do Batman.
Tá, nós sempre ouvimos falar que Bob Kane era o homem por
trás do Cavaleiro das Trevas, mas isso é 30% da verdade pela criação do maior
detetive dos quadrinhos. Kane teve a ideia e levou para os editores da National
Periodicals, dizendo ser o criador do Batman, mas o que ele escondeu é que o
conceito do traje, a máscara, o nome da identidade secreta do personagem, sua
história original, sua cidade, seu parceiro Robin, seu inimigos Coringa,
Charada, Pinguim, Espantalho, Mulher-Gato, seu Batmóvel, sua Batcaverna,...
TUDO que teve Bob Kane como desenhista, veio de Bill Finger.
A batalha de Nobleman se iniciou quando ele ouviu uma
história do produtor Michael Uslan (Batman vs. Tartarugas Ninjas) sobre a
primeira Comic-Con de Nova Iorque, em 1965, onde ele e seus pais foram
apresentados, por Otto Binder – co-criador de personagens como Supergirl, Adão
Negro, Mary Marvel, Brainiac, Bizarro, a Legião dos Super-Heróis original –, a Bill
Finger, deixando-os estupefatos com a notícia.
Nessa Comic-Con, por sinal, em relato gravado em fita,
Finger fala sobre como foi a criação do personagem para Jerry Bails – o "pai" do Comic Fandom e decobridor que Bill Finger era o "escritor anônimo" de Batman –, fazendo com que fãs
questionassem tudo que conheciam. Como era um dos redatores do fanzine
Batmania, Bob Kane logo se prontificou a negar TUDO que o roteirista havia
falado, como se ele fosse somente um ghost writer, que transpunha para o
papel as ideias de Kane.
Essa Comic-Con – mesmo com todas as negações de Kane –
fizeram os fãs começarem a se questionar sobre a real fonte da criação do
Batman.
No ano seguinte a Comic-Con estrearia a série de TV “Batman”,
tendo somente – como sempre – o nome de Bob Kane mencionado como criador do
personagem e seu universo.
No décimo-primeiro episódio da segunda temporada da série, o
roteirista Charles Sinclair pediu que creditassem o nome de Bill Finger no
auxílio do roteiro do episódio “Crimes Loucos do Rei Relógio”, o que foi a
primeira vez que Finger pode ver seu nome ligado àquele personagem que ele
fizera tanto.
Todo o documentário segue atrás da busca por justiça para
Finger, que terminou falecendo em 1974, sozinho em um apartamento, que se como um indigente, que estava
para ser tomado dele, pois não tinha condições de pagar o aluguel. Enquanto Bob
Kane enriquecia com a franquia do Batman.
Nobleman chegara em um ponto que pensou em desistir de
buscar justiça, pois sabia que ele, como não era parente de Finger, não poderia
exigir muito para o escritor. Ele descobriu que Bill Finger tivera um filho em
seu primeiro casamento, Fred Finger, que era bissexual e terminara morrendo em
decorrência de ser HIV Positivo em 1992.
Fred Finger tentara, junto a DC Comics, conseguir que seu
pai tivesse crédito no filme “Batman”, que seria lançado em 1989, mas se
decepcionou, pois no Contrato de Bob Kane com a National Periodicals –
antecessora da DC Comics – era que ele seria o ÚNICO creditado. Então, mesmo
que a empresa tivesse conhecimento sobre a participação de Bill Finger – que co-criou
outros personagens, mas que estes NUNCA tiveram o mesmo sucesso do Batman –,
ela não poderia fazer nada.
Um pouco antes do lançamento de “Batman – O Retorno”, em uma
entrevista Bob Kane desejou “aliviar a consciência” e falar abertamente sobre a
participação de Bill Finger, mas ainda tomando para si 60% da criação do
personagem. Surgiu, nessa época um desenho – datado de 1934 – que mostrava um
rabisco de Kane, como se desde essa época – quatro anos antes de Jerry Siegel e
Joe Shuster lançarem Superman – ele já pensava no Batman (o que torna a imagem
questionável).
Como Finger não tivera filhos com sua segunda esposa,
Nobleman achava que era um caso perdido, até descobrir que Fred tivera uma
filha, Athena Finger.
Em 2012, Marc Nobleman lançou o livro “Bill the Boy Wonder:
The Secret Co-Creator of Batman”, o que levou pessoas a questionarem, a DC Comics,
nas convenções sobre os créditos do escritor no personagem. Isso levou a neta
de Bill Finger, Athena, a buscar os direitos de o avô ser creditado como
co-criador do Batman... o resto vocês já conhecem!
“Batman & Bill – A secret identity finally revealed” não
é um documentário fácil de ser encontrado, por ele foi lançado pelo sistema
streaming Hulu (ainda sem distribuição no Brasil), então poucos conhecem.
O documentário “Batman & Bill – A secret identity
finally revealed” mostra que, as vezes, por mais que demore 75 anos, o bom
combate sempre termina de forma gratificante e vale a pena ser combatido.