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segunda-feira, 8 de julho de 2019

RESENHA FILMES: Batman & Bill – A secret identity finally revealed (2017)


BATMAN & BILL – A SECRET IDENTITY FINALLY REVEALED (2017)
Direção: Don Argott e Sheena M. Joyce

Vocês sabem quem criou o Batman?... Sim, hoje em dia TODOS sabemos o verdadeiro nome por trás da máscara do Morcego, mas isso graças a Marc Tyler Nobleman.
Nobleman é o tipo de fã dos quadrinhos que sempre busca lutar por causas daqueles que merecem. O documentário “Batman & Bill – A secret identity finally revealed” fala exatamente sobre essa busca por justiça, dessa vez para o escritor Bill Finger.
Finger era um escritor de quadrinhos, pouco reconhecido pelo maior trabalho de toda a sua vida, a criação do Batman.
Tá, nós sempre ouvimos falar que Bob Kane era o homem por trás do Cavaleiro das Trevas, mas isso é 30% da verdade pela criação do maior detetive dos quadrinhos. Kane teve a ideia e levou para os editores da National Periodicals, dizendo ser o criador do Batman, mas o que ele escondeu é que o conceito do traje, a máscara, o nome da identidade secreta do personagem, sua história original, sua cidade, seu parceiro Robin, seu inimigos Coringa, Charada, Pinguim, Espantalho, Mulher-Gato, seu Batmóvel, sua Batcaverna,... TUDO que teve Bob Kane como desenhista, veio de Bill Finger.
A batalha de Nobleman se iniciou quando ele ouviu uma história do produtor Michael Uslan (Batman vs. Tartarugas Ninjas) sobre a primeira Comic-Con de Nova Iorque, em 1965, onde ele e seus pais foram apresentados, por Otto Binder – co-criador de personagens como Supergirl, Adão Negro, Mary Marvel, Brainiac, Bizarro, a Legião dos Super-Heróis original –, a Bill Finger, deixando-os estupefatos com a notícia.
Nessa Comic-Con, por sinal, em relato gravado em fita, Finger fala sobre como foi a criação do personagem para Jerry Bails – o "pai" do Comic Fandom e decobridor que Bill Finger era o "escritor anônimo" de Batman –, fazendo com que fãs questionassem tudo que conheciam. Como era um dos redatores do fanzine Batmania, Bob Kane logo se prontificou a negar TUDO que o roteirista havia falado, como se ele fosse somente um ghost writer, que transpunha para o papel as ideias de Kane.
Essa Comic-Con – mesmo com todas as negações de Kane – fizeram os fãs começarem a se questionar sobre a real fonte da criação do Batman.
No ano seguinte a Comic-Con estrearia a série de TV “Batman”, tendo somente – como sempre – o nome de Bob Kane mencionado como criador do personagem e seu universo.
No décimo-primeiro episódio da segunda temporada da série, o roteirista Charles Sinclair pediu que creditassem o nome de Bill Finger no auxílio do roteiro do episódio “Crimes Loucos do Rei Relógio”, o que foi a primeira vez que Finger pode ver seu nome ligado àquele personagem que ele fizera tanto.
Todo o documentário segue atrás da busca por justiça para Finger, que terminou falecendo em 1974, sozinho em um apartamento, que se como um indigente, que estava para ser tomado dele, pois não tinha condições de pagar o aluguel. Enquanto Bob Kane enriquecia com a franquia do Batman.
Nobleman chegara em um ponto que pensou em desistir de buscar justiça, pois sabia que ele, como não era parente de Finger, não poderia exigir muito para o escritor. Ele descobriu que Bill Finger tivera um filho em seu primeiro casamento, Fred Finger, que era bissexual e terminara morrendo em decorrência de ser HIV Positivo em 1992.
Fred Finger tentara, junto a DC Comics, conseguir que seu pai tivesse crédito no filme “Batman”, que seria lançado em 1989, mas se decepcionou, pois no Contrato de Bob Kane com a National Periodicals – antecessora da DC Comics – era que ele seria o ÚNICO creditado. Então, mesmo que a empresa tivesse conhecimento sobre a participação de Bill Finger – que co-criou outros personagens, mas que estes NUNCA tiveram o mesmo sucesso do Batman –, ela não poderia fazer nada.
Um pouco antes do lançamento de “Batman – O Retorno”, em uma entrevista Bob Kane desejou “aliviar a consciência” e falar abertamente sobre a participação de Bill Finger, mas ainda tomando para si 60% da criação do personagem. Surgiu, nessa época um desenho – datado de 1934 – que mostrava um rabisco de Kane, como se desde essa época – quatro anos antes de Jerry Siegel e Joe Shuster lançarem Superman – ele já pensava no Batman (o que torna a imagem questionável).
Como Finger não tivera filhos com sua segunda esposa, Nobleman achava que era um caso perdido, até descobrir que Fred tivera uma filha, Athena Finger.
Em 2012, Marc Nobleman lançou o livro “Bill the Boy Wonder: The Secret Co-Creator of Batman”, o que levou pessoas a questionarem, a DC Comics, nas convenções sobre os créditos do escritor no personagem. Isso levou a neta de Bill Finger, Athena, a buscar os direitos de o avô ser creditado como co-criador do Batman... o resto vocês já conhecem!
“Batman & Bill – A secret identity finally revealed” não é um documentário fácil de ser encontrado, por ele foi lançado pelo sistema streaming Hulu (ainda sem distribuição no Brasil), então poucos conhecem.
A Skript, Editora através do financiamento coletivo do Catarse, lançou “Bill Finger – A História Secreta do Cavaleiro das Trevas”. Escrita por Diego Moreau e Douglas Vieira, o exemplar traz arte de Sandro Zambi e cores de Italo Silva, ela pode ser encontrada – com exclusividade – na Amazon. Mas se você for bom em inglês e quiser adquirir o livro de Marc Nobleman, “Bill the Boy Wonder:The Secret Co-Creator of Batman”, pode encontra-lo, também, na Amazon.
O documentário “Batman & Bill – A secret identity finally revealed” mostra que, as vezes, por mais que demore 75 anos, o bom combate sempre termina de forma gratificante e vale a pena ser combatido.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

RESENHA HQ: Crise de Identidade (Absolute Identity Crisis)


CRISE DE IDENTIDADE (Identity Crisis)

Roteiro: Brad Meltzer
Desenho: Rags Morales
Arte-final: Michael Bair
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2011 (BR: 2018)
Pág.: 268

Enquanto Ralph Dibny, o Homem-Elástico, estava em uma missão com a super-heroína Águia Flamejante, sua esposa, Sue Dibny, é assassinada. Com isso, uma antiga memória do passado – quando Ralph era membro ativo da Liga da Justiça – vêm à tona. Durante uma invasão ao Satélite da Liga, o vilão Doutor Luz termine agredindo e violentando Sue. Acreditando que seja uma vingança de Luz, Ralph e outros antigos membros da Liga saem atrás do vilão. O que poucos sabem – um segredo mantido por Canário Negro, Arqueiro Verde, Zatanna, Flash “Allen”, Lanterna Verde “Jordan” e Gavião Negro – é que, enquanto a equipe fazia a limpa da ação do Luz, eles terminaram indo além e apagaram as memórias do vilão, transformando-o em um rufião que ninguém – nem mesmo outros vilões – suportam.
Após descobrirem que Luz não foi o culpado – e reativarem a memória do vilão –, Lois Lane recebe uma ameaça, deixando o Superman mais preocupado e todo os heróis e super-heróis do Universo DC em polvorosa se perguntando: quem é essa ameaça que conhece a identidade dos heróis e sabe a quem ameaçar? Será que tem a ver com a atitude dos heróis que hoje são membros reservas? Quem será o próximo ameaçado? Batman descobrirá antes que mais alguém morra?
“Crise de Identidade” é uma minissérie que foi lançada, inicialmente, em cinco partes. Depois ganhou várias encadernações, graças ao sucesso da série. Escrita por Brad Meltzer e desenhada por Rags Morales, ela nos leva até onde um super-herói pode ir para considerar algo amoral.
O principal narrador da história é Oliver Queen, o Arqueiro Verde. Ele que conta a Wally West – o novo Flash, em substituição ao seu tio – e Kyle Rayner – o novo Lanterna Verde, em substituição ao Hal Hordan – o que eles fizeram no passado e continua revelando várias coisas a Wally, dentre elas, uma das maiores amoralidades de todas, o apagamento da memória de um dos membros ativos da Liga da Justiça.
O que é mais interessante dessa história é o respeito ao tempo cronológico do Universo DC, pós-Crise nas Infinitas Terras.
Como muito sabem, Crise nas Infinitas Terras foi o maior megaevento da DC Comics, que alterou toda sua realidade, dividindo a Era de Ouro e a Era de Prata em um mesmo universo. Na Era de Ouro, os heróis eram membros da Sociedade da Justiça, do Esquadrão Supremo, dos Combatentes da Liberdade, dos Quatro Soldados da Vitória, enquanto a Era de Prata – ou Era Moderna dos Heróis – se iniciou com o aparecimento do Superman. Daí surgiu os novos heróis que viriam a formar a Liga da Justiça. Seus membros fundadores seriam Canário Negro, Caçador de Marte, Flash “Allen”, Lanterna Verde “Jordan” e Aquaman. Batman e Superman seriam membros honorários dessa nova formação, que teve vários outros membros fazendo parte do grupo. Oliver Queen, o Arqueiro Verde, seria um dos principais financiadores dessa nova formação e a Mulher-Maravilha somente a viria a fazer parte da equipe a partir da Liga da Justiça Internacional.
Na época que ocorre “Crise de Identidade”, anos haviam se passado desde que ocorrera “Zero Hora”, também. Essa saga – de acordo com a motivação – tinha o objetivo de organizar o que ficara desorganizado pós-Crise nas Infinitas Terras, dentre esses problemas, era o Gavião Negro – que terminou mais bagunçado ainda.
Já Crise de Identidade somente tem o motivo de mostrar que nem sempre um herói é tão provido de integridade quanto se imagina. É um assunto a se refletir, pois quando falamos do Universo DC, temos várias discussões sociais e políticas – principalmente no que tange o mundo do Arqueiro Verde –, mas eles são íntegros e nunca ultrapassam a linha imaginária que sempre vibra próximo do serviço deles, chamada moralidade.
Alguns fazem usos de armas letais e, às vezes, podem ferir um bandido, mas nunca o matar. Outros tem poderes de destruir o mundo, mas sempre pesa o uso desse poder. Tem aqueles que possuem dons mágicos capazes de transformar toda uma realidade, mas sabem que isso poderia distorcer tudo que acredita. Mas será que apagar a memória de um vilão – ou super-vilão – foge a essa moral? Ainda por cima quando está à beira limiar da loucura e ameaça, constantemente, destruir a família de um herói ou super-herói? Quando um super-vilão descobre a identidade secreta de um herói ou super-herói, o que fazer? Como agir? Se não vai mata-lo, pois isso feriria tudo pelo que luta, apagar a memória seria a solução?
Lógico que a história não fica presa somente a esses questionamentos, ela vai além, pois trabalha a psique dos heróis. Como eles agem e veem as ameaças àqueles que eles amam? A maioria dos heróis, vigilantes e super-heróis criam identidades secretas para poder agir sem que seus familiares e companheiras (os) sejam ameaçados. Para isso servem as máscaras, para esconderem sua vida pessoal – tá, o Superman usa ao inverso – e não misturar suas vidas. A de Ralph Dibny era aberta, mas dos outros não.
A história é impactante em vários aspectos de seu decorrer, mas um dos momentos mais catárticos fica com o pai do Robin, John Drake.
A cena é de um sentimentalismo arrebatador. Faz você se sentir dentro da cena, vendo tudo acontecer. É isso torna o trabalho de Meltzer e Morales ainda melhor.
Alguns dirão que “Crise de Identidade” é datado, pois o Universo DC – que voltou a ser Multiverso DC após Crise Infinita – mudou muito desde que a minissérie foi lançada. Mas não é.
O trabalho sobre a moralidade e a integridade de um vigilante, herói e super-herói vêm sendo trabalhado mais afincamente desde então. Sempre se busca compreender os limites das ações desses personagens, mas depois de “Crise de Identidade”, a “pulga atrás da orelha” se tornou algo a sempre pensar: O que um super-herói faria para sua identidade nunca ser revelada?

sábado, 29 de junho de 2019

RESENHA FILMES: Shaft (2019)


SHAFT (2019)

Direção: Tim Story
Roteiro: Kenya Barris, Alex Barnow
Elenco: Samuel L. Jackson, Jessie T. Usher, Richard Roundtree, Regina Hall, Alexandra Shipp, Method Man, Titus Welliver, Isaach De Bankolé, Avan Jogia, Luna Lauren Velez

Em 1989, John Shaft (Samuel L. Jackson) sofre um atentado a sua vida, causado por Pierro “Gordito” Carrera (Isaach De Bankolé). E seu carro estavam sua parceira, Maya Barbanikos (Regina Hall) e seu filho, ainda pequeno.
JJ Shaft (Jessie T. Usher) cresceu com a ausência do pai – que não esquecia seu aniversário, mas sempre mandava presentes... inadequados – e se tornou um programador do FBI. Além de sua mãe, JJ também podia contar com seus melhores amigos, Karim (Avan Jogia) – que o ajudou na infância – e Sasha (Alexandra Shipp) – por quem ele tem uma queda. Quando Karim aparece morto devido a uma overdose, ele e Sasha desconfiam, mas devido a inexperiência com casos de drogas e gangues do Harlem, em Nova York, JJ recorre ao seu pai para ajuda-lo, iniciando uma parceria inesperada. E, quando as coisas apertam, os dois recorrem ao Shaft original (Richard Roundtree) para encarar essa ameaça.
Em 2000, a Paramount Pictures lançou um remake de Shaft, estrelado por Samuel L. Jakcson. O filme teve uma bilheteria razoável (US$ 70.334.258, com classificação de 33ª melhor bilheteria, de acordo com o Box Office Mojo) e críticas elevadas (67% de acordo com o Rotten Tomatoes), mas o problemas foram as críticas contra – nunca vou entender isso, sinceramente e, por isso que digo que não crítico, pois eles são chato demais. O filme não era um reboot, pois trazia uma continuidade, com o atual Shaft – tipo – substituindo o antigo, que já estava velho. Era divertido, eletrizante e uma fantástica homenagem à Era Blaxploitation.
Blaxploitation era um termo usado na década de 1970 para filmes que surgiam tendo afro-americanos como os heróis das histórias. O movimento surgiu com o filme “Sweet Sweetback’s Badasssss Song”, de Melvin Van Peebles, que estreou em Nova York em 23 de abril de 1971. Com isso, vários outros surgem na sequência, entre eles o filme “Shaft”, de 02 de julho de 1971.
No filme, John Shaft – interpretado por Richard Roundtree – é um detetive particular negro que tem de encontrar a filha sequestrada de um chefão do submundo. O filme tinha uma ação extrema e dava destaque a um homem negro como principal protagonista. Foi um grande sucesso.
Roundtree viria a viver Shaft em mais dois filmes – “O Grande Golpe de Shaft” (1972) e “Shaft na África” (1973) – até ganhar sua própria série televisiva, que estreou na CBS e teve somente sete episódios.
Shaft nunca foi um cara comum. Não era muito fã da lei, tratava as mulheres com um machismo inerente da época, mas sem levantar um dedo contra elas. Tratava marginal de forma violenta e, às vezes, extrema. Quando foi para a televisão, muito do charme dos filmes desapareceu, pois certas ações não eram bem-vindas na TV e, talvez por isso a curta duração.
Quando o filme de 2000 foi lançado, a época era diferente, mas trazia um clima próximo dos filmes da década de 1970, tanto que o próprio Roundtree fez uma participação. Lógico, poucos compreendiam – e compreendem – o movimento Blaxploitation e sua representatividade. Ele fez algo pelos atores e atrizes afro-americanos que não se fazia muito na época, lhes deu destaque.
Em 2003, o produtor Mario Van Peebles decide mostrar a todos mais sobre o movimento no filme “O Retorno de Sweetback”.
Quase um filme-documentário, “O Retorno de Sweetback” mostra toda a luta e dificuldades que o pai de Mario Van Peebles teve para lançar seu filme e, quando descobriram sobre o que era, o grande sucesso que alcançou. Van Peebles escreveu o roteiro, produziu, dirigiu e estrelou o filme, de forma bem semelhante ao que seu pai fizera na época. Dessa forma, as pessoas começavam a ter uma ideia desse movimento... mas já era tarde demais para um continuação de Shaft, pois não interessava mais. Então a Warner Bros. Pictures e a Netflix se juntaram e decidiram fazer mais uma continuação. Com o mesmo título de seus antecessores, eles lançam o novo “Shaft” na plataforma de streaming da Netflix.
O novo “Shaft” tem direção de Tim Story e toma um rumo um pouco diferente, dando um tom mais humorístico ao filme e com uma violência mais moderada. E, na minha humilde opinião, não perde o charme. Temos ali um pouco do Shaft de Roundtree, bastante do Shaft de Samuel L. Jackson e um Shaft “Nutella” do ator Jessie T. Usher.
Por que “Nutella”? Ele não é o valentão, o “cara que pega todas”, aquele que “atira antes e pergunta depois” dos seus antecessores. JJ Shaft não gosta de armas, é geek, tem dificuldades para se expressar com mulheres, não aguenta uma balada e prefere perguntar ao invés de erguer a arma. Ele é totalmente contrário a seus antecessores... por isso “Nutella”.
Mas, o que poderia ser considerado como defeitos, terminam se tornando qualidades e, com o desenvolver do filme, ele vai evoluindo, mas sem se tornar igual aos seus antecessores, nos dando um tipo diferente de Shaft.
Já vi críticas totalmente negativas ao novo filme – aprendam, não se deixem influenciar por críticas, criem suas próprias – e o filme não foi tão bem nos Estados Unidos – a crítica pegou pesado –, mas isso não muda o fato do filme ser bem interessante. Roundtree, em entrevista para o Collider disse que só precisou de um telefonema para entrar nesse projeto, pois falaram que Samuel L. Jackson estaria. Isso já fala por si mesmo.
Se você não gosta da forma como Shaft age, eu posso respeitar sua posição e opinião, mas que ele representa uma época, um movimento de inclusão ao qual negros poderiam ser os protagonistas, sem serem retratados como escravos, presos ou mesmo empregados, isso é um fato.
“Shaft” está em cartaz na Netflix e se você gosta de ação light com Samuel L. Jackson estrelando, fique a vontade para assistir.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

RESENHA CINEMA: Turma da Mônica: Laços (2019)


TURMA DA MÔNICA: LAÇOS (2019)

Direção: Daniel Rezende
Roteiro: Thiago Dottori (baseado na Graphic MSP “Turma da Mônica: Laços, de Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi)
Elenco: Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo, Gabriel Moreira, Fafá Rennó, Paulo Vilhena, Ravel Cabral, Rodrigo Santoro, Monica Iozzi, Luiz Pacini, Mauricio de Sousa

O Floquinho foi sequestrado e a turma sai do Limoeiro em sua busca. Entrando em uma floresta misteriosa dentro do Parque das Andorinhas – após fugirem da Turma da Rua de Baixo –, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Raseo) e Cascão (Gabriel Moreira) embarcam em uma aventura para salvar o Floquinho.
“Turma da Mônica: Laços”, o filme, é uma adaptação da segunda Graphic MSP da Mauricio de Sousa Produções com a Panini Comics (a primeira é “Astronauta: Magnetar”, de Danilo Beyruth, que será lançado como animação).
A série traz os personagens criados por Maurício de Sousa, em seus 60 anos de carreira (tudo começou com uma tirinha do Franjinha em 1959), escritos e desenhados por vários artistas brasileiros independentes. Danilo Beyruth, Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi, Shiko, Gustavo Duarte, Eduardo Damasceno, Luis Felipe Garrocho, Artur Fujita, Roger Cruz, Davi Calil, Orlandeli, Rafael Calça, Jefferson Costa, Bianca Pinheiro, Gustavo Borges, Fabio Coala, Eduardo Ferigato, Paulo Crumbim, Cristina Eiko, Marcela Godoy, Renato Guedes e Rogério Coelho são os nomes dos envolvidos nesse empreendimento único na história dos personagens de Mauricio de Sousa. Foi um verdadeiro marco em sua história.
Agora Maurício de Sousa alcança um patamar maior.
Com a ajuda do roteirista Thiago Dottori e do diretor Daniel Rezenda, a Turma da Mônica ganha seu primeiro live action.
No passado, mais exatamente em 1979, a Turma da Mônica encabeçou a adaptação de Romeu e Julieta em “Mônica e Cebolinha – No Mundo de Romeu e Julieta”. O filme – desenvolvido pela Transvídeo e TV Bandeirantes –, apesar de terem atores de verdade, os personagens da Turma estavam fantasiados, ou seja, usando máscaras com os rostos dos personagens. É uma referência e é memorável... datado, mas memorável!
Dessa vez os atores são mirins, crianças como a Turma é (tá, não estou levando em conta a Turma da Mônica Jovem). Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Xaveco, Jeremias, Titi, Aninha, Xabéu, Cascuda, Quinzinho, a Turma da Rua de Baixo, ... estão todos lá junto com a família do Cebolinha, da Mônica, do Cascão, da Magali, o Seu Juca, o Louco – interpretado por Rodrigo Santoro –, as gêmeas Cremilda e Clotilde, entre tantas outras participações e aparições. E isso tudo com um clímax todo da Graphic MSP.
Lógico, como uma adaptação o filme não segue à risca a história de Vitor e Lu Cafaggi, mas boa parte do que eles fizeram na história está dentro do filme. Há modificações e ampliações de participações para desenvolver mais o enredo, mas o que os Cafaggi desejavam mostrar está bem claro na película. Amizade, companheirismo, obstinação, solidariedade, paixão, amor... está tudo ali.
Eu sou um bobo e um tremendo puxa-saco das Graphic MSP, por isso eu AMEI “Turma da Mônica: Laços”. É algo marcante e único que, sinceramente, eu espero e torço que se repita rapidamente, pois infelizmente atores mirins crescem e a catarse que eu sofri com as interpretações de Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira, eu espero ter bem brevemente em Lições e Lembranças.
“Turma da Mônica: Laços” é um filme infantil, dedicado a um público infantil, mas é um resgate da memória afetiva – tô adorando essa palavra! – de momentos e coisas de crianças que não se vê mais e, com certeza, nunca mais existiram, a não ser no Bairro Limoeiro.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

RESENHA HQ: Rising Stars: Estrelas Ascendentes – A Saga Completa (Rising Stars Deluxe Edition)


RISING STARS: ESTRELAS ASCENDENTES – A SAGA COMPLETA (Rising Stars Deluxe Edition)

Roteiro: J. Michael Straczynski
Desenhos: Keu Cha, Christian Zanier, Ken Lashley, Stuart Immonen, Brent Anderson, Gary Frank
Editora: Image Comics (BR: Mythos Editora)
Ano: 2005 (BR: 2013)
Pág.: 616

Acontece um fenômeno cósmico sobrenatural na cidade de Pederson, em Illinois, e 113 crianças em estado interuterino sobre alterações genéticas que lhes concedem superpoderes. Consciente desse acontecimento, o governo dos EUA decide monitorar essas crianças enquanto crescem. Percebem que cada uma dos “Especiais” desenvolve um poder diferente, como super força, poder de voo, domínio sobre correntes elétricas, invulnerabilidade, geração de energia, telepatia, domínio sobre o fogo, entre outros. Alguns desses dons não parecem ser muito úteis e são menosprezados, enquanto outros retratam a característica típica do super-herói ou do ser divino.
Quando alguns deles – os menosprezados – começa a ser mortos, Johnny Simon inicia uma investigação para descobrir quem é o responsável pelas mortes. E quando descobre os motivos e as consequências, busca deter o Especial causador dos assassinatos, pois sabe que os militares estão loucos para poderem agir eles mesmo.
Mesmo que Johnny aja, um burocrata conhecido como Paulson se antecipa contra os Especiais, mas o que ele não sabe é que ao tentar destruí-los, a energia que pertencia aos mortos e passada para os outros, ampliando seus poderes. Os sobreviventes, as duras penas, buscam encontrar seu lugar no mundo, pois são constantemente rechaçados e menosprezados, mas, mesmo assim, buscam agir de forma a mostrar que vieram para causar benefícios, mesmo que muitos tentem entende-los como algo maligno.
“Rising Stars: Estrelas Ascendentes” é um trabalho bem único de J. Michael Straczynski, mas bem característico do roteirista. A ligação entre seres superpoderosos ou mesmo essa sinapse de indivíduos é algo que vemos Straczynski usar em Homem-Aranha e na série Sense8 – criada por eles e as irmãs Wachowski.
Há algo especial e único que ocorre com as criações e histórias de Straczynski. Sempre existe uma intercalação, uma ligação entre vários seres comuns.
A série em si, lançada pela Mythos em um encadernado de 616 páginas, tem muita qualidade de roteiro e gráfica.
Começa como uma típica história de super seres se enfrentando para tomar uma profundidade maior. Ou seja, sai de uma mini fórmula típica de quadrinhos, para ganhar uma mega fórmula de complexidade social de estabelecidos e outsiders, sendo que estes outsiders buscam uma adaptação fazendo uso de seus superpoderes.
Como disse, a série tem qualidade, mas a comparação com Watchmen é meio exagerada.
Talvez na busca de estabelecerem como algo revolucionário – pois Watchmen buscava a retratação do vigilante como um ser membro da sociedade que termina sendo a causa provável de um problema maior, pois eles mudam o estilo de vida americano –, essa comparação poderia até se estabelecer se tivesse um integridade roteirística do começo ao fim.
A história não tem um bom começo, podendo até causar uma aparência de “mais do mesmo”. Mas ela somente ganha aspectos mais interessantes da metade para o fim. Ao contrário do que conheço de Watchmen que tem uma qualidade de roteiro integral, mostrando de forma minuciosa tudo o que ocorre.
Já “Rising Stars: Estrelas Ascendentes” tende a ganhar uma acelerada. Enquanto você consegue compreender tudo o que ocorre nas doze edições de Watchmen, em Rising Stars ficam buracos e espaços a serem completados, pois não se desenvolve muito os personagens secundários, concentrando-se mais no personagem Johnny Simon – também chamado de O Poeta – e no Corvo Sombrio, cuja identidade não-secreta é de Randy Fisk, um artista plástico.
Outros personagens surgem, mas sem muitas referências e profundidades. Sendo assim, acho a comparação de ambas as séries pífia e – meio – degradante para Watchmen.
Apesar disso, “Rising Stars: Estrelas Ascendentes” é uma ótima história sobre o desenvolvimento de uma sociedade de superpoderosos em meio a uma sociedade humana temerosa e amendontrada com o que esses Especiais podem ou não fazer.

Alfa: A Primeira Ordem – Parte 2 já tem data de lançamento


Continuação da HQ lançada em 2017 tem novos personagens e contabiliza mais de 80 heróis brasileiros.


A espera valeu a pena! Após duas campanhas para captação de recursos no site de financiamento coletivo Catarse, o álbum Alfa: A Primeira Ordem – Parte 2 finalmente tem sua data de lançamento marcada. A HQ, que está na reta final de produção, será lançada em setembro de 2019 e a campanha de financiamento termina no dia 20 de julho.

Apesar da demora (a HQ deveria ter sido lançada no final do ano passado), o autor Elyan Lopes justifica dizendo que foi por uma boa causa: “a história foi melhorada e novas parcerias com autores nacionais foram feitas, aumentando para mais de 80 heróis participando da trama. É o maior encontro de super-heróis brasileiros já realizado. Nunca ninguém fez nada parecido no Brasil”, comemora.

O álbum está em processo de captação de recursos no Catarse (www.catarse.me/alfaparte2 ) e já atingiu boa parte da meta. Para impulsionar o que falta, Lopes adicionou alguns novos pacotes com brindes que incluem CardGames e um jogo interativo gratuito. “Essas novidades entrarão em novos pacotes até o encerramento da campanha, no dia 20 de julho”, informa o autor.

A primeira parte de Alfa – A Primeira Ordem foi lançada em dezembro de 2017 e teve uma excelente aceitação do público leitor e muitas críticas positivas da mídia especializada. A continuação traz a investida do vilão Aéris, o arqui-inimigo da equipe formada pelos heróis Capitão 7, Raio Negro, Homem-Lua, Capitão Gralha e Flama. Após enviar o General Zeta, seu mais poderoso aliado, para deter os heróis da nova geração, Aéris retorna mais forte do que nunca e entra na briga pela dominação mundial. Heróis do presente e do passado juntam forças para derrotar o vilão numa batalha épica.

A revista terá 52 páginas (48 páginas no miolo + capa), formato americano (16cm X 25cm), capa em papel couché 170g com verniz e miolo em couché brilho 115g, totalmente em cores e lombada com grampos. Entre os benefícios oferecidos para os colaboradores estão o nome impresso nos agradecimentos, revistas em quadrinhos de heróis nacionais, pôsteres dos personagens e a revista Alfa: Origens, uma publicação digital que trará a origem dos super-heróis participantes da saga. Além, é claro, dos novos pacotes que incluem os cardgames e o jogo interativo.

“Eu e a editora Kimera estamos muito felizes em proporcionar esse lançamento com a ajuda dos fãs. É a realização de um sonho poder criar uma única história reunindo tantos personagens relevantes para a cultura nacional”, finaliza Lopes. Os interessados em financiar o projeto podem entrar no site (www.catarse.me/alfaparte2).

RESENHA FILMES: Brightburn – Filho das Trevas (Brightburn, 2019)

BRIGHTBURN – FILHO DAS TREVAS (Brightburn, 2019)

Direção: David Yarovesky
Roteiro: Mark Gunn, Brian Gunn
Elenco: Elizabeth Banks, David Denman, Jackson A. Dunn, Meredith Hagner, Matt Jones, Emmie Hunter, Becky Wahlstrom, Gregory Alan Williams, Abraham Clinkscales

Um casal de fazendeiros, no interior do Kansas, visualiza a queda de um objeto e, dentro deste, está uma criança que eles criam como se fosse dele. Quando o jovem completa 12 anos, descobre que possui poderes incríveis como poder de voo, visão de calor, super-força e invulnerabilidade. Então, com isso, ele descobre a nave que chegou à Terra e descobre seu principal objetivo: A dominação do mundo!
O começo lembra muito o maior dos clássicos de super-heróis, mas tudo muda nesse filme escrito pelos irmãos de James Gunn – que, por sinal, ele produz. O casal, Tori Breyer (Elizabeth Bannks) e Kyle Breyer (David Denman), vive em Brightburn, no interior do Kansas. Eles criam o menino Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) da melhor forma possível, mas o destino do garoto já está determinado e será totalmente definido no desenrolar do filme.
Eu fiquei vendo esse filme e pensando: “é algo como: Como seria se Zod tivesse mandado seu filho para a Terra?”, e você percebe que seria algo totalmente sinistro e macabro. “Brightburn – Filho das Trevas” – essa extensão ao título é bem significativa – nos mostra uma versão bem aterrorizante de como seria se tudo fosse destinado a outro caminho.
Tá, eu sei que soltei alguns spoilers com minha narração, mas o filme precisa ser visto de qualquer forma, pois somente assim para entender todo o caminho que Brandon tomará e todas as tentativas de sua mãe, sempre fiel ao seu filho, para que ele tome um caminho inverso.
O título faz uma ligação direta ao símbolo constantemente usado pelo jovem Brandon. Mas, na verdade, vem do nome dele: Brandon Breyer. E, se pensarmos bem – na tradução do título, que significa “queimadura” (em uma tradução livre) – percebe-se que o título e o nome da cidade têm muito a ver com o enredo em si.
Que os Gunn gostam de uma ficção científica, isso é claro. Principalmente James Gunn, que já desenvolveu “Super”, dois filmes de “Os Guardiões da Galáxia” e está trabalhando com o segundo filme “Esquadrão Suicida”. A linha do “super-herói” é uma abordagem normal para eles, mas esse thriller é algo bem novo. A taxa de gore do filme é alta e o torna ainda mais atemorizante e aterrorizante. Fica o destaque para o jovem Jackson A. Dunn, que interpreta Brandon Breyer. Ele está muito bem no papel do jovem de superpoderes.
“Brightburn – Filho das Trevas” surpreende e mostra como as coisas poderiam ser diferentes caso o clássico fosse um terror massacrante.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

RESENHA HQ: LJA: Desígnios Divinos (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 62 da Eaglemoss)


LJA: DESÍGNIOS DIVINOS (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 62 da Eaglemoss)

Roteiro: Doug Moench
Desenhos: Dave Ross
Arte-Final: George Freeman
Título original: JLA: Act of God
Ano: 2001 (BR: 2017)
Pág.: 244

A Liga da Justiça, em missões pessoais – Superman salvava uma população do desabamento de uma represa, Lanterna Verde “Rayner” enfrentava o Sonar, Flash estava impedindo um assalto, Aço respondia a um chamado da Polícia da cidade de Jersey, Metamorfo explorava um território inexplorado, Capitão Marvel/Shazam salvava uma população de um prédio condenado e Estelar e os Supermen da América encaravam super vilões – quando uma energia de luz negra toma conta da Terra, retirando os superpoderes de todos os poderosos e desativando, temporariamente, apetrechos tecnológicos. Com isso, os desastres ocorrem e nenhum super-herói pode fazer alguma coisa. Quando alguns vilões, destituídos de meta-gene, descobrem isso decidem tomar conta de tudo, usando sua tecnologia a seu favor. Alguns creem que isso foi um desígnio divino e desistem da carreira de herói, enquanto outros buscam se reinventar.
“Desígnios Divinos” mostra um outro aspecto dos super-heróis do Universo DC. Pensando em algo tipo “como seria o Universo DC caso os super-heróis perdessem os poderes” – indo na contra-mão de “Invasão”, que faz parte do cânone pré-Novos 52, e nos mostra os super-heróis sendo sobrecarregados por uma bomba metagene, criando novos super-poderes e matando outros –, Doug Moench mostra como cada um reagiria, desde Superman até o vilões tecnológicos e super-gênios. Como eles ficariam abalados, como reagem. Continuariam lutando ou se entregariam a sarjeta? É um trabalho com o psicológico e o aspecto de cada personagem.
A história em si se centraliza em determinados personagens, mas você consegue compreender bem a reação de cada um. Vale destaque, em especial, para Superman, Mulher-Maravilha e Kyle Rayner, onde percebe-se a decepção, a desesperança e a ira sendo aspectos mais do que perceptíveis na história.
Nesse mesmo volume, vemos o primeiro encontro da Liga da Justiça contra o androide Amazo, criado pelo Professor Ivo, na The Brave and the Bold 30, de junho de 1960. A história é escrita por Gardner Fox e desenhada por Mike Sekowsky.
Na edição 65, a Eaglemoss lança “O Que Aconteceu ao Homem de Aço”, minissérie escrita por Alan Moore e desenhada por Curt Swan e George Pérez, onde nos é mostrado os momentos finais do Homem de Aço da Era de Bronze, para sua renovação nas mãos de John Byrne.
A Coleção DC Comics de Graphic Novels da Eaglemoss pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas. Ela também pode ser encontrada na loja virtual da Eaglemoss Collections Brasil, principalmente para aqueles que desejam completar sua coleção. No site da Eaglemoss Brasil você também pode fazer assinaturas da coleção, ganhando brindes bem especiais.