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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

RESENHA HQ: Edição Definitiva: Sandman Volume 2 (The Absolute Sandman II)

EDIÇÃO DEFINITIVA: SANDMAN VOLUME 2 (The Absolute Sandman II)

sandman-ed-definitiva-vol2Roteiro: Neil Gaiman

Desenhos: Shawn McManus, Kelley Jones, Mike Dringenberg, Bryan Talbot, John Watkiss, Matt Wagner, Stan Woch, Colleen Doran, Duncan Eagleson, John Bolton, Malcolm Jones III, George Pratt, Dick Giordano, P. Craig Russel e Vince Locke.

Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2007 (BR: 2011)

Pág.: 620

Destino, um dos Perpétuos, reúne seus irmãos para lhes informar sobre algo que está para acontecer que poderá mudar o rumo das coisas drasticamente, mas não especifica o que. Durante o encontro, Desejo, também um membro da família, provoca seu irmão Sonho quanto ao enclausuro da jovem Nada, que era uma princesa africana que não cedera às investidas românticas de Morfeu. Percebendo seu erro, Sonho decide ir ao inferno para resgatá-la de sua prisão, mas termina sendo surpreendido por Lúcifer, que lhe entrega a chave do inferno e deixando-o sobre seu poder. Morfeu então precisa encontrar um novo governante do inferno, pois Lúcifer o abandonou.

Depois embarcamos na história da bela Barbie, que depois de deixar seu marido Ken, encontra-se sem dinheiro e vivendo em um prédio ao lado de uma transexual, de um casal de lésbicas e de uma moça pouco sociável. Só que tudo muda quando ela encontra Dezossos, um enorme cão que vive na Terra, um reino dos sonhos de Barbie, onde ela é uma princesa. Barbie precisa voltar ao seu reino, pois o malévolo Cuco tomou conta do lugar e o está destruindo.

Mesmo que eu cite somente essas duas histórias, Neil Gaiman gosta de trabalhar entremeios, ou seja, historietas que servem para intermediar um arco de histórias do outro. O mais interessante é o extenso trabalho que ele desenvolve com vários personagens que desenvolverá para o seu Universo Gaimaniano. Quando você pensa que somente verá determinado personagem uma vez, ele nos vêm com uma reaparição em determinada história, como ocorre com Lady Johanna Constantine, que teve uma historieta totalmente dedicada a ela, depois de aparecer como coadjuvante em uma história anterior. Bem como Barbie, que somente era uma residente em um arco de história e, de repente, está a frente de seu próprio arco. É um trabalho extenso, longevo e gostoso de acompanhar.Perpetuos

Não tem como se cansar de personagens como Desejo, que sempre trama algo para desafiar tudo que Sonho representa, como no caso da historieta que corresponde ao Imperador dos Estados Unidos.

Joshua Edward Norton (1818-1880) foi um personagem verídico dos Estados Unidos que, em 1859, através de uma carta, decretou-se Imperador dos Estados Unidos. Ele residia em São Francisco e tinha o respeito de muitos, figuras da literatura mundial e da política estadunidense o convidavam para festas, além dos turistas adorarem receber sua “moeda”. O interessante dessa historieta é que Gaiman relaciona Norton se tornar imperador dos Estados Unidos, devido a uma aposta realizada entre os irmãos Devaneio, Desejo, Desespero e Delírio, onde os três últimos apostavam que conseguiriam persuadir Norton, mesmo que Sonho o mantivesse são. É uma das histórias mais lindas que já vi, pois a integridade e a sanidade de Norton é posto a prova o tempo inteiro, mas ele não pestaneja nenhum minuto.Sandman-definitivo-2-pg038

A cada momento nas histórias que compõem esta edição – como acontecera no primeiro volume – você tem uma surpresa maravilhosa e percebe a riqueza e a magnitude da composição do trabalho de Gaiman. Ele se encheu de pesquisas e conhecimento para compor seu universo. Não somente pesquisou em quadrinhos de House of Mystery e House of Secrets, da DC Comics, mas foi além ao pesquisar em mitologias Greco-romanas, célticas, germanas, africanas, se aparando nelas para enriquecer o conteúdo que escreve.

Dessa vez a Panini foi concisa na composição desse encadernado, não misturando histórias, deixando fluir aos nossos olhos tudo que compõe esse segundo volume de Sandman. Rico seria uma palavra menor para descrever o majestoso e magnífico universo criado por Neil Gaiman, Sam Kieth e Mike Dringenberg. São histórias que se eternizam em sua lembrança e o faz perceber que não existe um universo que seja melhor do que o de Sonhar e todos os personagens que por lá passam.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

RESENHA HQ: O Perfuraneve (Le Transperceneige)

O PERFURANEVE (Le Transperceneige)

o-perfura-neveRoteiristas: Jacques Lob, Bejamin Legrand

Desenhos: Jean Marc Rochette

Editora: Casterman (US: Titan Comics / BR: Aleph)

Ano: 1982 (US: 2014 / BR: 2015)

Pág.: 280

A primeira história começa com o mega trem de turismo conhecido como “Perfuraneve”, que salvou parte da humanidade após um cataclismo que nos levou de volta a Era Glacial. O trem divide os grupos em Comboios, sendo que o Terceiro Combios, os “fundistas”, são as pessoas que entraram por último no trem e ficaram no final deste, sendo execrados pelo restante dos habitantes do Perfuraneve, principalmente os militares, que os tratam como escória. As coisas aparentam mudar quando um desses fundistas, Proloff, adentra no Segundo Comboio e é interceptado por um dos guardas que o espanca. Achando que ele pode ter alguma doença, o isolam, mas uma jovem que faz parte do Grupo de Ajuda ao Terceiro Comboio, Adeline Belleau, termina entrando em contato com ele, o que acarreta em sua prisão, também. Após serem assepsiados, ambos são levados em direção aos vagões frontais, passando por vários setores e conhecendo um pouco da comunidade que habita o Perfuraneve. Só que sua passagem ocasiona em fatos que podem levar a extinção dos habitantes do Perfuraneve.

Na segunda e terceira histórias, conhecemos os habitantes do segundo trem de passageiros, o “Desbrava-Gelo”. Este é um trem bem maior que o Perfuraneve e possui um contingente maior de pessoas, que trabalham em integridade para o melhor funcionamento do trem. Quando o trem inicia o processo de frenagem, causa um enorme caos entre os moradores do Desbrava-Gelo, ocasionando a morte de vários. Um dos sobreviventes é Puig Vallés, que se torna um explorador. Os exploradores descem do trem durante a frenagem para conhecer o ambiente que o Desbrava-Gelo passa. Durante uma dessas expedições, a câmera do capacete de Puig não funciona e ele é preso e termina conhecendo a filha do Conselheiro Kennel, Val Kennel. Como punição, enviam Puig em uma missão suicida, na qual seria impossível o retorno, mas ele volta e se torna um herói, pois avisa às pessoas do Desbrava-Gelo que uma ponte está caída, possibilitando a frenagem para um conserto da ponte e tornando-o membro do Conselho. Os acontecimentos de sua prisão até se tornar herói e membro do Conselho, revoltam o grupo intitulado Alienistas, cujo líder Metronômo crê que eles estão em uma nave espacial e que precisa provar, de alguma forma, isso para todos, nem que precise destruir a nave. Encarando terrorismo, complôs, revoltas e tentativas de denegrir seu nome, Puig precisa mostrar seu valor e que se importa com a sobrevivência de todos.O Perfuraneve

Como eu pensei que seria, o filme “Expresso do Amanhã” (Snowpiecer, 2013) é bem diferente da história que nos conta esse encadernado das três histórias criadas na França entre os anos de 1982 e 2000.

A primeira história, cujo título é “O Perfuraneve”, começou a ser escrita pelo escritor Dominique “Alexis” Vallet (1946-1977), em 1977, mas terminou finalizada pelo seu colega – e parceiro na obra Superdupont – Jacques Lob (1932-1990) e desenhada pelo pintor Jean-Marc Rochette. Após o falecimento de Lob em 1990, duas novas histórias foram escritas por Benjamin Legrand, L’Arpenteur e La Traversée, dando continuidade a esse universo extensamente rico.

O caráter de valor dessas três histórias dá mais conteúdo a tudo que se conhece de ficção científica. Explora um ambiente novo quanto a cataclismos globais. Percebe-se que a ideia não se iniciou com “O Dia Depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow, 2004), mas sim com “O Perfuraneve”.L'Arpenteur

Outro trabalho bem explorado em todas as histórias são as divisões de classes e ideais que todas possuem. A primeira, mesmo que sejam somente mostradas em lembranças do personagem Proloff, mostra que os Fundistas são pessoas que vivem cada momento como se fosse – possivelmente – o último. São doentes, suicidas, pessoas nas quais os outros poucos se importam, a não ser um grupo em particular. Já nas histórias cujo personagem principal é Puig Vallés, a classe trabalhadora do segundo trem é a menos favorecida, mesmo que seja a mais importante. Ela faz tudo pelo trem, desde sair na neve para explorar o ambiente inóspito que se tornou a Terra até proteger e servir, desde que mantenha a “classe favorecida” bem e se sentindo segura. Mesmo que as vezes não pareça haver diferença, ela está nas formas com as coisas agem dentro do trem, já que a classe trabalhadora precisa ganhar sorteios para poder fazer viagens virtuais, criadas para o entretenimento de todos, enquanto os outros podem fazer as viagens quando bem desejarem.

Diferente do filme de Bong Joon-Ho, que explora a utopia e a distopia, “O Perfuraneve” explora a divisão de classes, como se fossem espécies diferentes vivendo no mesmo ambiente, mesmo que sejam todos humanos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

RESENHA HQ: Edição Definitiva Sandman: Volume 1 (The Absolute Sandman I).

EDIÇÃO DEFINITIVA SANDMAN: VOLUME 1 (The Absolute Sandman I).

sandman-ed-definitiva-vol1Roteiro: Neil Gaiman

Artes: Chris Bachalo, Coleen Doran, Mike Dringenberg, Kelley Jones, Malcolm Jones III, Sam Kieth, Steve Parkhouse, Charles Vess, Michael Zulli

Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2006 (BR: 2010)

Pág.: 616

Em 1916, ao usar o Livro Místico de Madalena na intenção de aprisionar à Morte, Rodrerick Burgess termina aprisionando seu irmão mais novo, o Sonho.

Também conhecido como Morfeu, Oneiros, L'zoril, Kai'ckul, Moldador, ele ficou preso por mais de setenta anos, causando anomalias conhecidas como narcolepsia, a doença do sono.

A prisão de Sonho é um globo de vidro, cercado por um círculo místico que o mantém dentro. Quando o círculo é quebrado, ele escapa e, depois de se vingar de Alex Burgess, filho de Rodrerick, que ainda o manteve cativo, sai em busca de suas ferramentas. Sua algibeira que o John Constantine sabe onde está, seu elmo que está no inferno e sua pedra dos sonhos que fora recuperada pela Liga da Justiça ao combaterem o Dr. Destino, um vilão que fora aprisionado no Arkham. Após recuperar essas ferramentas, Sonho precisa combater um vórtice que pode destruir Sonhar, além de recuperar suas criações que fugiram de seu reino durante sua ausência. Entremeios, conhecemos alguns dos amores de Morfeu, alguns de seus irmãos/irmãs, membros dos Perpétuos como ele, e seus amigos.

Eu não sei o motivo de ter demorado tanto para conhecer esse Universo Gaimaniano, mas finalmente me adentrei nele. Comecei meio de trás para frente, mas me embrenhei no mundo dos Perpétuos e me encanto com a riqueza de detalhes e acontecimentos.

O mais interessante é que além de um exímio escritor, Neil Gaiman não gosta de deixar pontas soltas, além de nos mostrar várias possibilidades de seus personagens.

Nesse primeiro volume somente temos uma pequena visualização desse rico universo. Conhecemos a história de como Sonho é preso e as repercussões de sua prisão – interessantíssima a forma como Gaiman liga a narcolepsia à ausência de Morfeu em Sonhar. Fazer relação de personagens como Caim (criado por Bob Haney, Jack Sparling e Joe Orlando em House of Mystery #175 (agosto de 1968)) e Abel (criado por Mark Hannerfeld e Bill Draut em House of Secrets #81 (setembro de 1969)), John Constantine (criado por Alan Moore e Steve Bissette em Swamp Thing #37 (junho de 1985)), Etrigan (criado por Jack Kirby em The Demon #1 (setembro de 1972)), Liga da Justiça Internacional (criado por J.M. DeMatteis, Keith Giffen e Kevin Maguire em Justice League #1 (maio de 1987)), Doutor Destino (criado por Gardner Fox e Mike Sekowsky em Justice League of America #5 (julho de 1961)) com as ferramentas perdidas de Sonho, usar personagens como Moça-Elemento (criada por Bob Haney e Ramona Fradon em Metamorpho #10 (fevereiro de 1967)). A ligação intrínseca entre as histórias, sem perder as intenções de cada uma delas, é simplesmente genial.

Neil Gaiman faz ligação aos mitos conhecidos e desconhecidos, como no caso de J’onn J’onzz, o Caçador de Marte e o deus dos sonhos, L’zoril, criando uma amplitude enorme em suas histórias. O que Gaiman faz é dimensionar sua criação, usando artifícios já existentes para quantifica-la. O mito de Nada e Kai’ckul, a musa Calíope, além de usá-lo como artífice para uma das criações máximas de William Shakespeare, “Sonhos de Um Noite de Verão”, que reúne mitologia greco-romana com elementos anglo-saxônicos.Sandman1

O único problema do primeiro volume são as páginas trocadas, pois assim que terminei a página 98, logo em seguida me deparo com a página 335. Acredito que fora algum problema da Panini Books na organização das páginas ou então algum problema de impressão, mas mesmo assim não tira nenhum pouco o prazer da leitura, pelo contrário, se torna uma viagem pela leitura. Talvez muito não gostariam de ficar caçando a continuação de determinada história, mas para mim foi uma aventura sem igual.

Quando sempre falam que Sandman é uma obra máxima dos quadrinhos, depois que o lemos, percebemos que as pessoas têm toda a razão. Edição Definitiva Sandman: Volume 1 dá um início a um universo que pretendo ler sem parar, mesmo que não tenha começado pelo começo e me apaixonado pelas outras edições, conhecer Sandman pelo seu começo é algo fascinante e maravilhoso.

domingo, 20 de setembro de 2015

RESENHA FILMES: Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013).

expresso do amanhãEXPRESSO DO AMANHÃ (Snowpiercer, 2013)

Direção: Joon-ho Bong

Roteiro: Joon-ho Bong, Kelly Materson

Elenco: Chris Evans, John Hurt, Tilda Swinton, Jamie Bell, Octavia Spencer, Kang-ho Song, Ah-sung Ko, Luke Pasqualino, Ed Harris.

Uma fórmula “milagrosa” foi jogada na atmosfera da Terra para buscar evitar o Aquecimento Global, mas terminou causando o oposto, levando o planeta a uma nova Era do Gelo. A humanidade terminou quase extinta se não fosse um trem que viaja todo o planeta, ela teria sido exterminada.

O trem, uma construção do genial Wilford (Ed Harris), dá todo o sustento que os humanos precisam, com exceção do que vivem na cauda, que sofrem processos de contagem constantes, comem uma barra de proteína que eles não têm ideia como é feita e veem suas crianças serem escolhidas, desconhecendo seu destino. Mas Curtis Everett (Chris Evans) não suporta mais isso. Incentivado por Gilliam (John Hurt) e mensagens que recebe em pequenas cápsulas de metal, ele decide uma rebelião. Apoiado pelo jovem Edgar (Jamie Bell) e por Tanya (Octavia Spencer), que deseja rever seu filho que foi lhe levado, ele inicia uma incursão até a frente do trem, mas antes precisa do engenheiro de segurança do trem, Namgoong Minsu (Kang-ho Song), que sabe abrir todas as portas, e sua filha Yona (Ah-sung Ko).

O filme inspirasse no romance gráfico francês “O Perfuraneve” (Le Transperceneige), escrito em 1982 pelo escritor francês Jacques Lob (1932-1990) e desenhado pelo artista – também francês – Jean-Marc Rochette. O encadernado foi lançado no Brasil pela editora Aleph no ano de 2015, bem como esse filme.

Eu ainda não li o encadernado, mas o filme é uma ficção científica de ótima qualidade. O diretor coreano Joon-ho Bong, conhecido pelos seus suspenses “Memórias de um Assassino” (2003) e “O Hospedeiro” (2006), acerta em cheio tanto no roteiro quanto na direção, pois o filme tem uma tensão que não se cessa. A cada abrir de porta dos compartimentos não se sabe a surpresa que virá, isso sem contar o contraste da utopia com a distopia, de uma se sobressaindo sobre a outra. Enquanto a cauda vive uma distopia total, onde pessoas buscam viver uma vida utópica, os outros vagões vivem esta utopia e desejam mantê-la, mesmo que as vezes usem do caos para aproveita-la. É o típico sobrepujar os mais afortunados sobre os menos, a necessidade de utopia existir desde que tenha uma distopia. Joon-ho acertou totalmente nesse ponto, além de contar com um estupendo elenco.snowpiercer2

Chris Evans cresce cada vez mais em suas atuações. Para um cara que fez “Não é Mais um Besteirol Americano” (2001), seus últimos trabalhos mostram como ele cresceu em seus trabalhos. Seja como Capitão América, Mr. Freezy – em “O Homem de Gelo” (2012) – ou Curtis Everett, Evans tem demonstrado seu grande talento. Ele deixou de ser o rapaz sarado de “Celular – Um Grito de Socorro” (2004) para se tornar um ator muito talentoso, que sabe equilibrar drama e humor em suas atuações. Não perdeu o jeito de meninão, mas se tornou um ator maduro. Ainda mais trabalhando ao lado de atores do calibre de John Hurt, Ed Harris, Tilda Swinton e Octavia Spencer. Mesmo que eles tenham papéis menos atuantes, não deixam de ter suas importâncias no filme, por exemplo, John Hurt e Ed Harris fazem os opostos, Enquanto Hurt faz Gilliam, nomeado como líder do grupo da cauda do trem, Ed Harris é Wilford, o criador do trem de que viaja o mundo. Hurt busca tornar a distopia em uma utopia e Wilford tenta manter o equilíbrio entre os grupos que vivem no trem, mesmo que tenha de tornar a vida das pessoas que habitam a cauda algo pior do que já é. Outro que também está muito bem nesse trabalho é o ator Jamie Bell.snowpiercer

Depois de “Billy Elliot” (2000), Bell veio fazendo papéis menores, mas não que viesse crescendo com cada um deles. Personagens como Jimmy em “King Kong” (2005), Griffin em “Jumper” (2008), Esca em “A Legião Perdida” (2011) e St. John Rivers em “Jane Eyre” (2011), foram os papéis coadjuvantes de destaque que ele teve e sempre mostrando um grande talento. Bell fez recentemente Bem Grimm/O Coisa em “Quarteto Fantástico” (2015), mas como Edgar ele está muito melhor. Antes “Expresso do Amanhã” tivesse estreado em 2013, como ocorreu em outros países, que assim mostraria a todos como Bell é um ator talentoso.

“Expresso do Amanhã” é um excelente filme de ficção científica. Sobre sua relação com a revista em que baseia, ainda não posso falar, mas vale muito a pena ver.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Os – meus – 10 melhores filmes baseados em quadrinhos.

Lista de melhores filmes, quadrinhos, séries, livros, existem aos montes. Especialistas sempre lançam esses tipos de listas, mencionando o motivo do qual determinada cultura midiática pode ser considerada melhor, mas nem sempre concordamos com elas.

Fãs geralmente têm sua própria lista na cabeça. Aquela que ele guarda com afeição, que ele não consegue esquecer e que o motiva a querer sempre assistir/ler. Sendo assim, eu tenho minhas listas. Aquelas que sempre me deixam feliz de ser Nerd, que me motivam, toda vez que posso, ver/ler novamente. São filmes, quadrinhos, séries e livros que eu não consigo esquecer.

Uma dessas listas muito importantes para mim são os filmes baseados em quadrinhos.

Desde 1980 (creio que foi quando eu assisti “Super-Homem – O Filme” no cinema), eu sou simplesmente fascinado por filmes baseados em quadrinhos. Adoro Super-Homem – O Filme (Superman – The Movie, 1978), Flash Gordon (1979), Batman (1989), pois foram filmes que eu assisti no cinema e me encantaram de forma inominável.

Desde o final do século XX e começo do novo século, os cinemas têm sido tomados por uma onda de filmes baseados em quadrinhos. Não que antes não tivesse ocorrido – já mencionei alguns acima –, mas as produções têm sido investimentos de grandes estúdios, gerando – as vezes – brigas entre eles ou suas uniões.

Pensando nesses filmes, eu decidi fazer uma lista de dez filmes que considero como excelentes blockbusters, tendo enredo bem tramado, elenco empenhado e histórias bem motivadoras e com – certa – fidelidade aos quadrinhos que foram baseados. Muitos não gostaram da lista, dizendo: “Ah, tá faltando este filme”, “Ah, tá faltando aquele filme”... bem, não se pode agradar gregos e troianos, DCnautas e Marvetes, Trekkers e Star Wars, tolkienianos e georgenianos, então se desejam criticar fiquem a vontade, mas a lista não vai mudar por causa disso.

fantasy_superheroes_in_cinema10 MELHORES FILMES BASEADOS EM QUADRINHOS

10 – KICK-ASS: QUEBRANDO TUDO (Kick-Ass, 2010)

10 - Kick-Ass Quebrando TudoO filme toma como base a história criada por Mark Millar e John Romita Jr, que se baseia em Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson), um jovem rapaz fã de quadrinhos que um dia decide colocar um traje de mergulho, uma máscara de esqui e sair nas ruas para se tornar um vigilante, mas já no seu primeiro dia como herói, quase termina morto. Quando retorna as ruas, Dave termina se apelidando de Kick-Ass e assim começa suas aventuras. Ele conhece Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloë Grace Moretz), um pai e uma filha em busca de vingança contra o gangster Frank D’Amico (Mark Strong), que acredita ser Kick-Ass o culpado pelos seus problemas de tráfico, mas seu filho, Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse), decide se fantasiar de Red Mist e trair Kick-Ass.

O enredo é fantástico, pois mostra como uma pessoa comum pode se tornar um vigilante usando poucos recursos, mas que isso pode trazer grandes problemas, também. A atuação dos atores demonstra um bom entrosamento, principalmente nas relações pai e filho (a), fosse por imparcialidade (Dave e seu pai), fosse por afinidade (Big Daddy e Hit Girl) ou desinteresse (Frank e Chris D’Amico), elas são bem feitas, sem contar que a história tem um começo, meio e fim, uma verdadeira trajetória do herói. Mas peca por não usar certos elementos dos quadrinhos que a tornariam melhor ainda. Só um exemplo, na revista Dave não chega a ter uma relação com Katie Deauxma (Lyndsy Fonseca). Quando ela descobre que ele estava fingindo ser gay, ela ordena que seu namorado dê uma surra em Dave.

Certos elementos deram um tom maior de ação, mas o filme ter seguido mais próximo aos quadrinhos, que é praticamente um roteiro para o cinema. Isso o tornaria mais único do que qualquer coisa.

9 – RED: APOSENTADOS E PERIGOSOS (RED, 2010)

09 - R.E.D. Aposentados e PerigososO filme se baseia na minissérie em 3 partes escrita por Warren Ellis e desenhada por Cully Hammer. No filme vemos o aposentado Frank Moses (Bruce Willys) vivendo sua vida e mantendo contado com a bela e jovem atendente do Departamento de Aposentadoria, Sarah Ross (Mary-Louise Parker), até que um dia ele é atacado em sua casa e então esse aposentado revela ser um assassino dos mais eficientes. Moses era um operativo da CIA que sempre era chamado para depor ditadores, matar espiões e desbaratar organizações. Quando ele é atacado, decide correr atrás daqueles que querem elimina-lo e se junta a outros colegas como Joe Matheson (Morgan Freeman), Marvin Boggs (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren), para enfrentar o jovem agente William Cooper e toda uma rede que termina envolvendo até o vice-presidente do Estados Unidos, Robert Stanton (Julian McMahon).

"RED: Aposentados e Perigosos" é totalmente baseado na minissérie em quadrinhos, tendo somente como referência o sobrenome Moses do personagem de Bruce Willys e certa semelhança entre Paul (quadrinhos) e Frank (filme). Mas o que poderia ser uma desvantagem, termina se tornando algo sensacional.

Enquanto que na minissérie "Red" é o código de ativação de Paul Moses, saindo da aposentadoria para voltar à ativa, no filme R.E.D. se torna a sigla para Retired Extremely Dangerous (algo como Aposentado Extremamente Perigoso, em inglês), o que torna as histórias distintas. Outra grande diferença é que enquanto Ellis se concentra em uma história solo de Paul Moses, os roteiristas John e Erich Hoeber criam vários personagens que auxiliam e vão contra Frank Moses, ampliando a história em quantidades.

Ambos os enredos são muito bons, pois na minissérie, Paul busca matar todos que decidiram retira-lo da aposentadoria, já no filme Frank pretende se unir a sua velha equipe para descobrir e exterminar aqueles que decidiram tentar mata-lo. O filme trabalha a ideia de espionagem e contraespionagem, algo bem corriqueiro no período da chamada "Guerra Fria". Mas seu erro é o lance de criar uma dupla romântica.

Na minissérie temos Sally, que sempre atende Paul Moses e trabalha no departamento de aposentados da CIA, mas a ligação dela com Paul é bem pequena. Sim, ele sente uma afeição e ligação com ela, mas é o suficiente para não matá-la, mas no filme Frank busca ter mais do que uma ligação carinhosa com a atendente Sarah. É engraçada e divertida a relação de ambos, mas se não tivesse rolado tornaria a história mais dinâmica.

8 – O JUSTICEIRO: EM ZONA DE GUERRA (Punisher: War Zone, 2008)

08 - O Justiceiro Em Zona de GuerraAntes desse filme ser feito, foram feitas outras duas tentativas de leva-lo ao cinema, mas ambas foram infrutíferas e não retrataram Frank Castle em toda sua extensão. A primeira foi um enorme fracasso, pois com exceção do nome do personagem e dele ter perdido a família no meio de um tiroteio, nada mais se assemelha ao personagem. Na segunda, teve um sucesso morno, mas as mudanças na história do personagem e na sua forma de agir terminou sendo muito criticado, tanto que o ator Thomas Jane depois fez o fanfilm “Dirty Laundry” como um pedido de desculpas aos fãs e mostrou que ele poderia ter sido um Justiceiro bem melhor do que no filme de 2004.

Quatro anos depois do filme com Jane e Travolta (este fazia o mafioso Howard Saint), a diretora Lexi Alexander dirigiu “O Justiceiro: Em Zona de Guerra”. Esta alemã – ex-campeã de Karatê e Kickboxing - já havia dirigido e co-roteirizado o fantástico “Hooligans”. Ela pegou o roteiro de Nick Santora, Art Marcum e Matt Holloway e tornou-o mais fiel ao legado de Frank Castle.

No filme, Frank (Ray Stevenson) é um ex-fuzileiro que perdeu a esposa e os filhos em meio a um tiroteio de gangsteres, quando faziam um piquenique no Central Park. Ele se tornou obcecado em destruí-los, sendo juiz, júri e carrasco de qualquer pessoa que não siga a lei, seja bandido ou policial, ele não perdoa. Durante uma batida numa festa na casa do mafioso Gaitano Cesare (John Dunn-Hill), Frank termina perdendo Billy “O Belo” Russotti (Dominic West), um capanga de Cesare com pretensões de grandeza no tráfico de drogas. Este foge para uma fábrica de reciclagem e termina sendo atacado pelo Justiceiro, que o joga em uma máquina de reciclagem de vidros. Durante o ataque, Frank termina matando um agente infiltrado na quadrilha de Russotti e isso o corrói por dentro. Deformado, Russotti agora se intitula Retalho e decide solta o irmão, James “Loony Bin Jim” Russotti (Doug Hutchison), para que ambos dominem Nova Iorque de assalto.

Frank agora é perseguido pelo parceiro do agente que assassinara, Paul Budianski (Colin Salmon), que se une ao detetive Martin Soap (Dash Mihok) na – chamada – “Força-Tarefa Justiceiro”, para ser levado à justiça pelo crime de assassinato de um agente da lei. Ele busca a remissão tentando ajudar a esposa e a filha do agente, mas sua única forma de ajuda-la e salvando-a de Cicatriz e seu irmão lunático, que descobrem do agente infiltrado e decidem se vingar na família dele.

No filme vemos vários elementos da mitologia de Frank Castle, como lembranças do assassinato de sua família, que o assombra, personagens como Retalho e David “Microchip” Lieberman (Wayne Knight), que sempre estiveram ligados ao personagem. Mas a forma como o ator Dominic West cria a personalidade do vilão Retalho se tornou caricata. Em vez de uma loucura desenfreada por ter tido os nervos da face cortados, ele se tornou um vilão engraçado. E esse é o grande problema do filme, as caracterizações dos vilões ficaram caricatas enquanto deveria ter uma profundidade maior no arquétipo da demência desenfreada tanto do Retalho quando de Loony Bin Jim. Também vemos essa construção caricata no detetive Martin Soap, que é um “bucha”, somente servindo para ser salvo pelo Justiceiro. O Microchip, que é um hacker sofisticado, é mais forte do que o detetive, que nada mais é do que uma piada dentro do próprio distrito. Já a história busca algo que os outros não tentaram, ou seja, uma proximidade maior com os quadrinhos, pois Frank Castle não tem pena dos bandidos. Ele usa de todos os meios e subterfúgios para destruir seus inimigos. Se algum escapa é por pura sorte, não porque ele quis. A violência é o que se espera de um filme sobre o personagem, nada mais e nada menos que isso. Enquanto alguns atores erraram drasticamente na criação de seus personagens, a história e a direção acertaram em cheio no resto.

7 - BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (The Dark Knight Rises, 2012)

07 - Batman O Cavaleiro das Trevas RessurgeEste é o final da trilogia do diretor e roteirista Christopher Nolan. Neste filme, depois de ser acusado do assassinato de três policiais e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman (Christian Bale) não é visto nas ruas de Gotham há cinco anos, mas com a implantação da Lei Dent, ele e o Comissário James Gordon (Gary Oldman) se tornaram obsoletos. Mas isso está para mudar quando Bane (Tom Hardy) chega à cidade. Mas antes dele estabelecer sua "Nova Ordem", Bruce Wayne – alter ego do Batman - é assaltado pela Selina Kyle (Anne Hathaway), também conhecida como A Gata, uma ladra profissional que lhe rouba mais do que o estimado colar de pérolas de sua mãe, levando-o a falência. Mas antes disso, Bruce determina Miranda Tate (Marion Cotillard) como nova presidente das Indústrias Wayne, mas esta também possui segredos nas trevas. Depois do que Bane faz com Gordon, Batman decide ir contra ele e termina paraplégico e é jogado no Foço, de onde precisa ressurgir para salvar sua cidade, nem que para isso precise se sacrificar.

Esse último filme foi o mais criticado da franquia por vários motivos, mas sempre vi como um fechamento grandioso para Cavaleiro das Trevas. A forma como trataram todo o processo das angustias de Bruce com a morte de sua amiga e interesse romântico Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), seu corpo debilitado por causa dos anos que agiu como Batman, suas perdas, seu ressurgir e o final apoteótico, tornou o terceiro filme muito bom. Nele temos a continuidade do que já vinha acontecendo nos filmes anteriores. Ótimos atores bem relacionados com seus papéis, a introdução de novos atores que dão vida grandiosa aos seus personagens. Uma história bem amarrada – com alguns buracos, para quem não conseguiu entender a franquia desde o começo – com começo, meio e fim. Mas com um problema, a finalização dos personagens.

Com exceção do Batman, que teve toda uma explicação do que ocorrera com ele, personagens como Amanda Tate – que se revelou ser Talia Al Ghul, filha de Ra’s Al Ghul – e Bane têm um fim simplório para personagens que demonstraram serem de suma importância para a transcorrer do filme. O detetive Robin John Blake (Joseph Gordon-Levitt), de repente, ganha esse primeiro nome como se este fosse um fantasma que o assombra e que ele não deseja revelar. São coisas que poderiam ser melhor trabalhadas, mas não tira o mérito do filme e por isso eu o coloco nessa lista.

6 – HOMEM DE FERRO (Iron Man, 2008)

06 - Homem de FerroA partir de Homem de Ferro, a Marvel Studios começou a construir seu Universo Cinemático, que mistura filmes, seriados, animações e quadrinhos em um mesmo universo.

No filme, Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um bilionário que tem negócios com o governo dos Estados Unidos vendendo armas bélicas. Durante uma visita à região da palestina, para apresentar um novo armamento, o comboio que estava é atacado e ele é sequestrado. Com fragmentos de metal bem próximos de seu coração, Tony recria seu artefato ARC em miniatura para manter os fragmentos longes de seu coração e mantê-lo vivo. Seu sequestro acontece, pois seus captores desejam que ele remonte a arma que ele apresentava ao exército dos Estados Unidos, mas ao invés disso, com a ajuda de outro cativo, Yinsen (Shaun Taub), ele cria uma armadura que o ajuda na fuga do seu cativeiro. Resgatado pelas tropas estadunidense do meio do deserto, Tony retorna aos EUA, onde decide cessar com a fabricação e venda de armamentos, surpreendendo seu amigo e tutor Obadiah Stane (Jeff Bridges), pois descobrira que as armas que sua empresa fabrica estão sendo comercializadas, também, com os exércitos palestinos. Nesse interim ele é visitado pelo agente Phil Coulson (Clark Gregg) da Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, uma agência de contraterrorismo que diz querer ajuda-lo. Mas as intenções de Tony vão além de parar de fabricar armas, pois ele pretende criar uma nova armadura e combater àqueles que usam suas armas para o terrorismo global, criando o Homem de Ferro. Com auxílio da inteligência artificial J.A.R.V.I.S. (Paul Bettany), ele faz várias tentativas até acertar, mas após enfrentar as forças palestinas lideradas por Abu Bakaar (Sayed Badreya), ele é descoberto pela Força Aérea estadunidense e recorre ao amigo James “Rhodey” Rhodes, tenente-coronel da Força Aérea, que o livra. Enquanto isso, o próprio Stane aparece como o negociador de armamentos com o grupo extremista conhecido como “Dez Anéis”, liderados por Raza (Faran Tahir), que sequestraram Tony e, agora, tem como posse a armadura que este criara quando cativo. Matando Raza, Stane leva a armadura e pretende criar sua própria, mas não consegue desenvolver a fonte de alimentação da armadura, então a rouba de Tony, que criara uma nova. Rhodey encontra Tony à beira da morte, mas o salva e este vai atrás de Stane que é descoberto por Coulson e a secretária de Tony, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), usando uma enorme armadura que se assemelha a primeira de Tony. Em uma luta épica, Tony o vence, salvando sua empresa.

Como eu disse inicialmente, com este filme a Marvel deu o pontapé inicial para o conhecido MCU (Marvel Cinematic Universe). E o fez com chave de ouro, pois o roteiro de Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway, juntado à direção de Jon Favreau, trouxe, pela primeira vez, um filme muito fiel às origens do personagem Tony Stark/Homem de Ferro. As mudanças foram necessárias, pois quando Jack Kirby, Stan Lee e Don Heck criaram o Homem de Ferro para a Tales of Suspense #39 (março de 1963), os Estados Unidos participavam da Guerra do Vietnã (1955-1975). Mas todos os elementos estão ali, o que torna Homem de Ferro em um filme muito bom. As atuações também são memoráveis, desde as participações menores como Shaun Taub no papel de Yinsen e Clark Gregg como o agente Coulson, até o fantástico Jeff Bridges como Obadiah Stane e Robert Downey Jr – em remissão – como Tony Stark, nenhum ator fica a dever a qualquer outro. Mesmo a tensão romântica entre Tony e Pepper é bem esquematizada, sem quebrar o ritmo do filme e sem ser melosa demais. O que quebra o filme é somente uma coisa, a necessidade de apresentar vários elementos do personagem em um só filme, como ele revelar sua identidade ao final da película. Sei que isso se deve ao caráter atrevido de como Tony se revela no filme, mas se mantivessem sua identidade secreta, seria uma forma de explorar isso mais a fundo no futuro. Uma das coisas que sempre cria tensão nos quadrinhos é exatamente isso, pois enquanto o Homem de Ferro é tratado como um herói, Tony Stark é visto como uma pessoa frívola e inconsequente. Seria algo que poderia vir a ser mais explorado nos outros filmes, explorando o quanto um segredo desses poderia influenciar a vida daqueles que conhecem a verdade.

Homem de Ferro iniciou a corrida cinematográfica da Marvel Studios nos cinemas de forma memorável, mas pecou em explorar arquétipos que poderiam ser interessantes no futuro.

5 – BATMAN BEGINS (2005)

05 - Batman BeginsSe o Batman teve um começo memorável nos cinemas, foi com Batman Begins.

Não desmereço o filme de 1989, mas naquele filme o Batman era um personagem secundário, ficando tudo centrado no Coringa vivido por Jack Nicholson, mas nesse filme vemos a construção do herói.

O filme nos mostra como Bruce Wayne (Christian Bale) se torna o Batman. Mostra a infância do personagem, a perda de seus pais pelas mãos de Joe Chill (Richard Brake), sua convivência com seu mordomo Alfred (Sir Michael Caine) e a assistente de promotoria Rachel Dawes (Katie Holmes). A parceria com o sargento de polícia James Gordon (Gary Oldman) e o embate contra Carmine Falcone (Tom Wilkinson), Dr. Jonathan Crane, o Espantalho (Cillian Murphy) e Ra’s Al Ghul (Ken Watanabe/Liam Neeson). O roteiro de Christopher Nolan e David S. Goyer explora cada meandro da mitologia do Batman. Vai desde o – já mencionado – assassinato de seus pais, passando pelo seu treinamento e ele adquirindo o material que possa torna-lo mais do que um vigilante. A direção de Nolan é minuciosa em vários detalhes, ele se preocupa com cada situação que faz de Bruce Wayne o Batman, mostrando que não é só um cara vestir um traje com orelhas pontudas, pular pelos telhados e bater em bandidos que torna o Cavaleiro das Trevas em uma lenda da cidade. Ele tem aliados, pessoas que o ajudam e estão constantemente ligados a sua ação. Tem pessoas como Lucius Fox (Morgan Freeman), que lhe fornece o material ideal para ele agir, ou mesmo Alfred que lhe dá orientação e conselhos.

O elenco do filme é outra estrela a parte. Mesmo personagens como Joe Chill e William Earle (Rutger Hauer), que são menores se destacam no filme. Temos um elenco maximizado por atores britânicos, um país cuja arte de interpretar é fantástica, gerando alguns dos melhores atores do mundo. Temos Gary Oldman, Tom Wilkinson, Christian Bale, Liam Neeson, Cillian Murphy, Sir Michael Caine, Linus Roache e Richard Brake como um bom exemplo. Eles se juntam a atores do calibre do holandês Rutger Hauer e do estadunidense Morgan Freeman, para dar alma a esse filme. Mas o que Batman Begins tem algumas falhas que terminam sendo consideradas mínimas, terminam colocando nessa classificação. Um dos problemas do filme são as cenas de ação, pois como são feitas em ângulo fechado terminam perdendo um pouco da emoção. Outro problema fica com a atriz Katie Holmes que não parece confortável com a personagem Rachel Dawes. Ela parece se preocupar somente com uma intenção da personagem, esquecendo a tensão romântica que Rachel Dawes tem com Bruce Wayne. Tirando esses pontos, Batman Begins é considerada como a melhor história de começo de um personagem dos quadrinhos no cinema, tanto que muito usaram a forma “realista” de Nolan como referência para os filmes que foram lançados após este.

4 – CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR (Captain America: The First Avenger, 2011)

04 - Capitão América O Primeiro VingadorSe Homem de Ferro foi o começo do Universo Cinemático Marvel, “Capitão América: O Primeiro Vingador” foi a pedra angular para esse universo. Ele é o prequel que estabelece o princípio do Universo Marvel como um todo.

No filme, temos o franzino Steve Rogers (Chris Evans) tentando ingressar no exército do Estados Unidos, pois deseja ir para a Segunda Guerra Mundial ao lado do seu amigo Bucky Barnes (Sebastian Stan), mas somente consegue ser reprovado até que o Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci) o vê e lhe chama para o projeto super-soldado, submetendo-o a um experimento inovador que o transformará no exército de um só. Erskine é assassinado, mas consegue com que Steve se torne o super-herói que ele desejava. Só que o coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones) acha que Steve não seria o suficiente para o que ele deseja, ou seja, vencer a guerra. Então o nomeado Capitão América se torna um instrumento do governo para angariar bônus, fazendo apresentações e filmes promocionais.

Steve consegue chegar ao local de batalha, mas como entretenimento das tropas, mas fica sabendo que seu amigo Bucky e outros soldados foram capturados. Ajudado pela agente do serviço britânico Peggy Carter (Hayley Atwell), Steve vai atrás dos soldados e termina encarando Johann Schmidt (Hugo Weaving), o Caveira Vermelha. Ele salva a todos e demostra ser de enorme valia para o exército estadunidense. Com ajuda de Howard Stark (Dominic Cooper), Steve consegue um traje e seu escudo.

Ele enfrenta a Hidra, uma frente de combate nazista que explora forças sobrenaturais e usa armas super-avançadas para vencer o combate em nome do führer. Capitão América e seus aliados precisam vencê-los, senão a derrota será certa e as perdas serão grandes.

Foram necessários quatro filmes iniciais para lançarem o filme que define o Universo Marvel no que ele é. A construção do herói, mais uma vez, é o ponto chave desse filme, mas a construção vai no crescente fantástico, pois Christopher Markus e Stephen McFeely tem um grande respeito com toda a trajetória de Steve Rogers no Capitão América. Eles não o tratam como um símbolo americano, mas como um símbolo da justiça. Capitão América se mostra o verdadeiro super-herói, pois ele demonstra um altruísmo único, pouco visto em filme de super-heróis. Ele usa todo o seu dom e poder para ajudar aos outros, mesmo que precise se sacrificar. Ele não pensa somente em si, mas vai além, sempre pensando no bem maior. A direção de Joe Johnston somente torna isso tudo em realidade, mas ele é um diretor acostumado a filmes grandes, além de contar com um elenco excelente e promissor. Mesmo Chris Evans e Sebastian Stan surpreendem em suas interpretações, mas eles trabalham ao lado de atores como Stanley Tucci, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving e Toby Jones, além de ter o suporte dos britânicos Hayley Atwell e Dominic Cooper, mas, mesmo assim, Evans e Stan estão ótimos.

“Capitão América: O Primeiro Vingador” somente ocupa essa posição devido a falhas pequenas, principalmente na construção histórica do filme. No começo parece que o Capitão América combaterá o Terceiro Reich, mas ele somente enfrenta a Hidra, como se as tropas nazistas e toda a Segunda Guerra Mundial ficasse em segundo plano do filme, o que não deixa de ser uma verdade. Lógico que isso é o mínimo do filme, pois ele tem a dosagem certa de ação, drama e humor, sem perder nunca o ritmo.

3 – DREDD (2012)

03 - DreddO filme é baseado no personagem da editora britânica 2000 AD, criado por John Wagner e Carlos Ezquerra. Dredd teve um filme em 1995 com Sylvester Stallone, mas é totalmente execrado pelos fãs devido a pompa e falta de conteúdo do personagem, tendo muito pouco do mito de Dredd no filme.

Mas em uma redenção esse novo filme foi feito, tendo mais respeito ao personagem.

Dredd é membro da Ordem dos Juízes em Mega City I, um conglomerado de blocos que existe em um Estados Unidos distópico. Ele é chamado para a avaliação de uma nova Juíza, Cassandra Anderson. Nesse mesmo dia o Peach Trees, um bloco de 200 andares, teve três assassinatos feitos pelos capangas da chefe local, Ma-Ma, então Dredd e Anderson são chamados para investigar o crime e prender, julgar e punir Ma-Ma e seus asseclas. Mas tudo não será tão simples, então Dredd e Anderson se envolvem em uma verdadeira guerra dentro do bloco. Além dos homens de Ma-Ma, os dois precisam enfrentar Juízes corruptos e sobreviverem até o dia seguinte.

Não é filme de origem, não parece nem um filme baseado em quadrinhos, mas é um dos melhores filmes nesse sentido. “Dredd” traz toda a carga de ação e violência das revistas do personagem britânico. Ele mostra de forma única a distopia que Mega City representa, com seus Juízes e seus bandidos. A representação de como uma sociedade pode se tornar pior do que imaginamos, mesmo que os oficiais da lei tomem a justiça nas próprias mãos. O roteiro de Alex Garland é uma referência sem igual ao universo de Dredd, respeitando tudo que Wagner – e posteriores escritores – fizeram pelo personagem. Pete Travis traz toda a crueza dos quadrinhos com sua direção. Junte a isso a capacidade dos atores se entregarem aos personagens, temos um dos três primeiros colocados entre os melhores filmes baseados em quadrinhos. Só não o coloquei como primeiro ou segundo, pois senti falta de outros elementos de Dredd, que talvez venham a aparecer, se derem uma nova chance ao personagem nos cinemas.

2 – CAPITÃO AMÉRICA 2: O SOLDADO INVERNAL (Captain America: The Winter Soldier, 2014)

02 - Capitão América O Soldado InvernalChegamos à segunda posição e essa é ocupada por “Capitão América 2: O Soldado Invernal”. Por quê? Porque esse filme consegue equilibrar ação e intriga política na dosagem certa.

Não é bem uma continuação do primeiro – apesar de compartilhar de semelhanças – e nem de nenhum outro filme do MCU, mas tem ligação com este Universo. Neste filme, Steve Rogers não somente encara um homem por trás de um grande mal, mas sim o mal personificado em uma organização, a Hidra, que retorna com mais força do que ele poderia imaginar. E para piorar os inimigos são pessoas em quem Steve confiou e que ele estimava serem amigos, companheiro de combate, como ele tivera na Segunda Guerra. Mas tudo é muito, muito pior. Ele somente pode confiar em quem menos confia, ou seja, Nick Fury (Samuel L. Jackson). Ainda pode contar com Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Maria Hill (Cobie Smulders) e o soldado Sam Wilson (Anthonie Mackie) como aliados consideráveis, mas precisa enfrentar o seu melhor amigo transformado em um inimigo, pois agora Bucky Barnes (Sebastian Stan) é o Soldado Invernal, um sobrevivente da Guerra Fria que se tornou uma lenda. Isso graças a Armin Zola (Toby Jones), que conseguiu mantê-lo em hibernação e conservação, além de dá-lo um braço biônico.

Esse Soldado Invernal é responsável pelo atentado a vida de Nick Fury e é onde começa a Hidra a agir e tomar de assalto a S.H.I.E.L.D. Steve enfrenta Brock Runlow (Frank Grillo) e outros soldados da S.H.I.E.L.D. em uma das cenas mais icônicas de combate corpo-a-corpo. Mas é difícil não dizer um momento que não tenha isso no filme. As cenas de ação são fantásticas, abertas e limpas, onde você pode ver elas do começo ao fim sem parecerem confusas. E quando falei de intriga política, falo exatamente da tomada de poder de uma organização terrorista sobre uma organização de proteção dos Estados Unidos. A ascensão ao poder da Hidra é algo que se vê em filmes como “O Quarto Poder”, “Sob o Domínio do Mal” e tantos outros. Não se imagina ver tal enredo em um filme baseado em quadrinhos, mas algo semelhante já ocorrera em Captain America #175, quando a organização Império Secreto assume o governo dos Estados Unidos. Steve Englehart engendrou uma história de intriga política fascinante, que pode ter servido de inspiração para os grandiosos Christopher Markus e Stephen McFeely.

O mais surpreendente é a direção inspiradora dos irmãos Anthony e Joe Russo. Pensava-se que por estarem acostumados a fazerem filmes e séries de comédia, não dariam conta de um filme dessa magnitude, mas conseguiram fazer uma história tão acertada que fica difícil encontrar algo que não funcione nela, algum defeito. Então, por falta de algo, vou ficar com a falta de um vilão com força, um vilão que seja lembrado, como ocorreu no primeiro filme com o Caveira Vermelha interpretado por Hugo Weaving. Temos vários vilões, vários antagonistas, mas nenhum que seja memorável e eternizado. Algo que o primeiro lugar tem de sobra.

1 – BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS (The Dark Knight, 2008)

01 - Batman O Cavaleiro das TrevasO primeiro foi muito bom, o terceiro foi bom, mas o segundo... foi ótimo.

“Batman: O Cavaleiro das Trevas” é um filme baseado em quadrinhos que tem ação, drama, suspense, tensão e nos dá um dos maiores vilões do cinema de todos os tempos, o Coringa (Heath Ledger).

Não é a primeira caracterização do personagem nos cinemas, pois no já citado "Batman" (1989), ele fora caracterizado com um gângster que enlouquece após cair em um tonel de ácidos que o deforma. Desta vez a criação foi mais baseada na insanidade do personagem. Mesmo sendo a maior - e melhor - lembrança do filme, "Batman: Cavaleiro das Trevas" tem como plano central a desconstrução do herói. E nisso o Coringa é totalmente responsável. Ele primeiro deseja a identidade secreta do Batman (Christian Bale), depois deseja à morte daquele que sabe essa identidade. Além disso, ele consegue transformar Harvey Dent (Aaron Eckhart), o "cavaleiro de armadura branca" no insano Duas-Caras.

As questões que permeiam o filme são totalmente claras e coesas, mostrando que ela tem um objetivo tentando destruir a imagem dos heróis de Gotham. Mas ele também bate de frente com o intelecto do Batman e a integridade dos cidadãos da cidade, pois quando ele acredita que o caos reinará, se mostra bem longe disso.

A dualidade é outra coisa bem explorada no filme. O tempo todo vemos aço sentido do duplo, sejam nas histórias assombrosas do Coringa, seja na desistência de uma dupla identidade de Bruce, na criação de uma dupla personalidade em Harvey Dent ou na dualidade do segredo que o Cavaleiro das Trevas e o Comissário Gordon (Gary Oldman) precisam guardar.

O ritmo da ação não se perde em nenhum momento, sendo parte necessária do filme, não somente sendo colocado para dar um ritmo mais acelerado.

A tensão amorosa criada no triângulo amoroso entre Bruce Wayne/Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) /Harvey Dent desencadeia cenas memoráveis.

O roteiro, a história e direção é de Christopher Nolan, que dividiu o roteiro com o irmão, o - também - talentoso Jonathan Nolan, baseados em uma história que Nolan criou com David S. Goyer.

Vemos referências aos quadrinhos (Batman #1 (1940), Piada Mortal). As mudanças nos mitos não são absurdas e insuportáveis e o elenco é primoroso.

"Batman: O Cavaleiro das Trevas" está no primeiro lugar pois tem um enredo firme, uma história coesa, ação bem assimilada a vários outros conceitos cinematográficos (drama, romance, suspense), uma direção afiada um elenco bem orgânico e um vilão memorável que entra para a categoria de melhor vilão dos cinemas, ao lado de Darth Vader, Jason Voorhees, Michael Myers e Freddy Krueger. Será difícil esquece-lo.

MENÇÃO HONROSA: WATCHMEN (2009)

0600005030QAr1.qxd:0600005030QAr1Uma lista como essa não poderia ficar sem uma menção honrosa, então eis Watchmen.

Sempre que se lê essa história criada em doze partes pelo escritor Alan Moore e pelo desenhista Dave Gibbons, percebemos que os vigilantes são personagens jogados a escanteio devido a uma nova ordem mundial, onde eles não cabem. Mas eles tentam persistir e defender o bem comum, se sacrificando mostrando o verdadeiro significado de herói, ou seja, aquele que faz algo por alguém por puro altruísmo, mesmo que isso signifique o seu próprio sacrifício.

É algo que vemos em bombeiros, alguns policiais e pessoas que não medem esforço para agir corretamente, defendendo, protegendo e socorrendo àqueles que precisam. Foi assim que ocorrera com os primeiros vigilantes dessa minissérie, os Minutemen. Eles se tornaram heróis pois queriam fazer algo mais, mas sem revelar a própria identidade e sem prejudicar àqueles que amam, escondendo-se atrás de máscaras e capuzes. Alguns fizeram por marketing, outros fizeram porque tinham condição de fazer e outros fizeram por simples diversão, como o Comediante (Jeffrey Dean Morgan).

O filme começa bem, com referência direta a alguns detalhes dos quadrinhos, mas nos poucos minutos de projeção já mostra exageros que nunca fizeram parte da minissérie. Quando Comediante é atacado, ele está desgastado, abatido, se sentindo desmoralizado e desconcertado, então “deixa” ser morto. Ele é pego de surpresa, não há briga, não há conflito, somente um homem desgostoso da vida sendo assassinado.

Depois vemos várias outras referências, quadros montados diretamente da revista para o filme, mas detalhes passando como se fossem algo a ser desconsiderado. A última máscara que o Comediante usa lembra os sadomasoquistas, com os olhos aparecendo e um zíper aberto na boca. Isso, além de mostrar o nível de insanidade do personagem, busca esconder uma fraqueza, uma cicatriz que ele possui no rosto e não deseja mostrar aos seus inimigos, para que não achem que ele deixou ser atacado, já que sempre se mostrou forte e determinado. Isso não é levado em conta. Também não se leva em conta que os trajes de elastano são para ser ridículos. É o quão ridículo chega o ser humano a usar colantes ou camisetas sociais e sunguinhas. Desconsidera-se isso ao colocar o segundo Coruja (Patrick Wilson) em uma armadura que recua sua barriga acentuada como se fosse uma cinta, deixando-o parecer em forma. Bem como o traje “clássico” de Ozymandias (Matthew Goode), sendo substituído por uma armadura com mamilos acentuados. Isso sem contar os “superpoderes” que cada personagem de Watchmen parece ter. Em uma luta – demasiadamente coreografada com o slow motion – vemos o Coruja e Espectral (Malin Ackerman) quebrarem vários ossos de bandidos, em vários lugares que precisaria exercer uma enorme força para tal. Não são deslocamentos, mas quebrar mesmo. Eu creio que os personagens deveriam ter algum problema nos ossos para estes serem quebrados tão facilmente.

Mas existem coisas positivas no filme também, como a caracterização do Rorschach (Jackie Earle Haley), um dos personagens de maior destaque no filme, bem como o Dr. Manhattan (Billy Crudup). Como eu disse, algumas cenas são retratações muito fieis à minissérie, sendo praticamente uma montagem perfeita. Mas é uma pena como armaduras tomaram lugar dos ridículos trajes colantes. Isso sem contar a mudança drástica do final do filme, que quebra totalmente a ideia do ridículo que Moore busca retratar com sua história.

Eu não sou fã do filme “Watchmen”, considerando o começo da decadência do diretor Zack Snyder (que teve sua redenção recentemente em “O Homem de Aço” (2015)), mas não tiro os méritos de tentar levar uma das maiores obras da nona arte para a sétima arte, só que demonstra que é impossível filmar algo tão grandioso quanto Watchmen, que deveria ter nascido e permanecido somente nos quadrinhos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cultura do Deslocado: seriados.

SelfieSimpsons

Quando se procura a palavra descolado nos dicionários, em seu sentido figurado, se fala de alguém fora de seu ambiente habitual, formal, mas se pegarmos esta palavra no seu sentido macro, em ambiente generalizado, é assim que eu me sentia quando mais novo, pois gostava de coisas que outros não gostavam. Hoje esse sentido se dispersa, pois ser deslocado é ser pop, o que termina descaracterizando a palavra em si.

Um deslocado era – ou é – uma pessoa com preferências e gostos diferentes de diversão e entretenimento. No meu caso, em específico, era meu prazer em ler quadrinhos, brincar de super-heróis (meu primo era o Batman, meu irmão era o Robin e eu, pra não ser o Alfred, era o Batmão (sem ferir os direitos autorais do Maurício de Sousa)), assistir desenhos animados e seriados (minha hipermetropia é graças as minhas horas de frente para a TV), passar horas desenhando, criando meus personagens (tenho meu próprio universo de personagens) e criando suas histórias (coisa que eu faço até hoje em dia... bem maluco mesmo!), que às vezes eu mesclava com as brincadeiras de super-heróis (a varanda da casa de minha avó era o cockpit de um furgão, com direito a comunicação por rádio. rastreamento por radar e sistema de armas). E eu sempre gostei de seriados.

the_incredible_hulk_posterAssim, não vou me lembrar qual foi o primeiro seriado que eu assisti, mas me lembro remotamente, dos seriados do Batman, com Adam West e Burt Ward e suas onomatopeias, d’O Incrível Hulk, com Bill Bixby no papel de David Banner e Lou Ferrigno no papel do gigante verde (não vou chamar de esmeralda, pois a pintura as vezes criava um contraste de verde com o tom da pele dele que NUNCA seria esmeralda), o Homem de Seis Milhões de Dólares, A Mulher-Biônica, Mulher-Maravilha, Poderosa Ísis e Shazam. Não me lembro de acompanhar séries como Jornada nas Estrelas (hoje chamado pelo nome verdadeiro por uma grande maioria, ou seja, Star Trek), Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, mas também, aqui na minha cidade só tínhamos acesso a três canais, TVS (agora conhecida como SBT), Rede Globo e TVE (hoje conhecida como TV Cultura), então ficávamos submetidos ao que passava nestes canais. Eu também me recordo de assistir Spectreman, A Terra Perdida (que eu não gostava muito).

Uma das recordações mais memoráveis que possuo foi quando anunciaram o seriado do Homem-Aranha. Eu e meu irmão estávamos na casa de uma amiga de nossa mãe quando o seriado estreou e ela tinha um filho e nós assistimos todos juntos para depois ficar brincando de subir pelas paredes como Hammond fazia na série. Lembro até hoje de subir nos portais e ficar dizendo “olha, eu sou o Homem-Aranha”, bem sem noção, mas que nutria minha sede por novidades na minha vida.

Eu parava tudo que fazia para assistir os seriados e foi assim até mais tarde, quando eu e meu irmão corríamos para chegar a tempo de ver os seriados da Sessão Aventura. Fosse a brasileiríssima Armação Ilimitada com Juba, Lula, Zelda e Bacana, ou mesmo as séries estrangeiras comomanimal Manimal, Moto Laser, Automan, Trovão Azul, Águia de Fogo, The Flash e Robocop. Ou então passava o canal e assistia Esquadrão Classe A (assisti poucos episódios, mas o que assisti adoro até hoje) e Super Máquina. Com certeza era diversão garantida e horas na frente da TV.

Essa paixão por séries nunca esmoreceu, pois televisão – ao contrário dos quadrinhos – eu não precisava pagar para assistir o que desejava, estava a minha disposição, desde que chegasse a tempo para ver.

Hoje em dia, um – possível – descolado tem o mais variado leque de opções para o que deseja assistir, desde séries inspiradas em quadrinhos até séries baseadas em literatura fantástica, passando pela ficção científica, que nunca pode fazer falta. Eu mesmo busco manter meu tempo nos fins de semana me mantendo atualizado com o que tem de novo. Assisto The Walking Dead, Fear The Walking Dead (tá, começou agora, mas já estou acompanhando), the flash-arrowThe Flash (Bem diferente do clássico dos anos de 1990, mas tão bom quanto), Gotham, Arrow, Agentes da S.H.I.E.L.D., Agente Carter, Constantine (é, eu sei que foi cancelado, mas eu acompanhei), Demolidor, Powers, Hawaii Five-0, Under the Dome (que eu tive a triste notícia que foi cancelado), Dark Matter, Killjoys, Narcos (estreou a pouco no Netflix, com Wagner Moura, e é excelente), The Blacklist, The Originals (spinoff de The Vampire Diaries, que dá de 10 a 0 na original) e Game of Thrones.

Eu sempre busco me atualizar e assistir de tudo um pouco, mas termino me enjoando ou não me identificando com o contexto de determinadas séries e desisto delas, como o recente Mr. Robot e True Detective. Existem aquelas que eu insisto, mas por causa de outras séries que considero mais interessantes, desisto, Terra Novacomo foi o caso de Teen Wolf, American Horror Story, Elementary e Defiance, que eu vinha gostando do conteúdo, mas cessei o acompanhamento.

Como boa parte das séries que eu acompanho são feitas pra emissoras de TV dos Estados Unidos, eu me frustro quando descubro que determinada série foi cancelada e eu acreditava que teria um futuro promissor, como no caso de Moonlight, Roma, Terra Nova, – já citada – Stargate Universe e – também – Constantine, mas também fico feliz quando consigo acompanhá-la até o final como Dexter, Spartacus, Fringe e Breaking Bad, mesmo que elas me deixem decepcionados como no caso de Lost (como eu ODEIO aquele último episódio).

Eu convivo com seriados como se fosse um ar que eu respiro, me divirto assistindo-os e não me canso deles. Sentiria muita falta se um dia sentasse em um sofá ou deitasse em minha cama e não tivesse uma série para eu assistir. Acho que me sentiria vazio, sem objetivo.

Agora venho aguardando o que vem pela frente, pois existem promessas de novas séries como Legends of Tomorrow, Supergirl e Marvel’s Most Wanted. O prequel de The Walking Dead, – que eu citei acima – Fear The Walking Dead, já estreou com um clima tão tenso quanto seu antecessor. Temos ainda o – para mim – decepcionante Lúcifer, baseado em um personagem da Vertigo Comics, mas que não tem muito haver com o personagem dos quadrinhos.

O importante é que, enquanto existirem seriados para serem assistidos, este descolado estará vendo-os.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

RESENHA HQ: Turma da Mônica: Lições (2015)

turma da monica - licoesTURMA DA MÔNICA: LIÇÕES

Roteiro: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi

Arte: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi

Editora: Panini Comics

Ano: 2015

Pág.: 84

“- Quer brincar?

- De casinha?

- Ok, mas não conta pro Cebolinha”.

Pegar uma Graphic MSP escrita e desenhada por Vitor e Lu Cafaggi é fazer uma verdadeira viagem no tempo.

Esses dois mineiros, belo-horizontinos, sabem desenvolver uma história de encantar a qualquer leitor de quadrinhos.

“Turma da Mônica: Lições” é um retorno deles à Turma da Mônica, com quem tiveram contato em 2013 na história “Turma da Mônica: Laços”. Na primeira, eles fazem a Turma se aventurar para reencontrar o cachorro do Cebolinha, Floquinho, que havia fugido. Nesta nova história eles falam sobre os variados estilos de lições que a Turma precisa de aprender, depois de um dos “planos infalíveis” do Cebolinha que termina muito mal.msp - licoes

O mais legal de se ler a história e notar os detalhes, nos quais eles sempre se preocupam, desde easter-eggs escondidos no decorrer da história até pequenas coisas que você pode terminar recordando que tinha na sua infância. Eu fico maravilhado e sem palavras para falar desse trabalho fantástico dos dois.

Vitor e Lu Cafaggi simplesmente me encantam e me fazem perceber o quão diferente era uma infância recheada de inocência e liberdade, onde o mais importante era tentar se aventurar, sem correr riscos, fazendo – as vezes – diabruras e picardias infantis que poderiam terminar sendo desastrosas.msp - licoes2

Alguns momentos me senti como vivesse aquela história da Turma, pois me lembrou de coisas que aprontei com meu irmão, em total inocência infantil, que me fazem rir nos dias de hoje.

Eu não quero falar demais para não soltar spoilers, pois “Turma da Mônica: Lições” é simplesmente lindo, tanto em enredo como na arte em si. Os momentos de recordação de Mônica e Cebolinha, você percebe a dedicação desses dois mineirinhos em se preocupar com detalhes. Você ri e se emociona constantemente lendo essa divina história da coleção Graphic MSP.turma-da-monica-licoes-vitor-cafaggi-lu-cafaggi-graphic-msp-preview-06

Só tenho a agradecer a Maurício de Sousa e Sidney Gusman por nos proporcionarem o prazer de poder ler e ver o trabalho de Vitor e Lu Cafaggi novamente. E se você é chegado a lembranças de uma infância mágica, “Turma da Mônica: Lições” é algo que deve fazer parte de sua coleção.

Se fosse falar, em uma palavra, sobre “Turma da Mônica: Lições”, eu diria LINDO! Obrigado Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi por mais essa Graphic MSP memorável.

RESENHA HQ: Batman: A Noite das Corujas (Batman Vol. 2: The City of the Owls, 2013).

batman-a-noite-das-corujasBATMAN: A NOITE DAS CORUJAS (Batman Vol.2: The City of the Owls)

Roteiros: Scott Snyder, James T. Tynion IV

Desenhos: Greg Capullo, Rafael Albuquerque, Becky Cloonan, Andy Clarke, Jason Fabok

Arte-final: Jonathan Glapion

Editora: DC Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2013 (BR: 2015)

Pág.: 208

Chega à conclusão a minissérie “A Corte das Corujas”, que iniciou na mensal Batman #1 (novembro de 2011), ganhando um encadernado em maio de 2012.

Este segundo encadernado intitulado “A Noite das Corujas” traz as partes da conclusão que transcorreram nas edições Batman #8 a #11 (junho a setembro de 2012), além de suas repercussões em Batman #12 (outubro de 2012) e Batman Annual #1 (julho de 2012).

Nessa segunda parte, Batman sofre ainda com o que enfrentara na Corte das Corujas, mas a mansão é atacada pelos Garras. Além de enfrentá-los, Batman ainda precisa salvar as pessoas de uma lista de futuros assassinatos das Corujas – contando com a ajuda de sua “família” –, desmascarar a Corte e enfrentar um novo Garra, muito superior aos outros e que traz uma surpresa para a vida de Bruce.

Na segunda história, conhecemos o pai de Alfred, Jarvis Pennyworth, que era mordomo da família Wayne antes dele e terminou tendo de encarar as consequências de Martha Wayne desafiar a Corte das Corujas. Já na terceira, nos encontramos novamente com a jovem Harper Row, que após ela e o irmão serem salvos pelo Batman, decide que precisa retribuir o favor.

Na última história, vemos Victor Fries fugindo da prisão. Após descobrir que sua fórmula foi usada com sucesso pela Corte das Corujas, decide que irá usá-la em sua esposa, mas uma surpresa o espera.

Bem, eu preferi não fazer uma resenha sobre o primeiro volume, pois sei que muitos não gostariam do que eu iria escrever, ainda mais se for para criticar Scott Snyder.

Antes de começar a falar sobre as histórias eu quero dizer que adoro “Vampiro Americano” e a minissérie “O Despertar”. Vejo nesses trabalhos de Snyder uma grande dedicação e um empenho enorme de contar histórias maravilhosas. Suas personagens femininas Têm uma força sem igual e não ficam a dever a nenhum personagem masculino, pelo contrário, podem até se sair melhor do que eles. Dito isso, eu falo agora que não gosto do Batman desenvolvido por Snyder.

Batman-the-city-of-owls_variant-coverEntendam, eu cresci sendo fã do Batman e sempre o vi como um personagem forte e decidido. Ele usa sistemas tecnológicos, mas não depende deles para agir, pelo contrário, ele depende de sua mente e é isso que o torna o maior detetive do Universo DC. Não que ele saiba tudo, mas sempre busca estar um passo a frente do seu adversário e para vencê-lo você precisa submetê-lo ao pior, como ocorreu em “A Queda do Morcego”, onde ele precisa enfrentar sozinho a fuga do Arkham e de Blackgate, além de encarar um homem que descobre sua identidade e pode destruir sua vida e a de seus parceiros.

Quando comecei a ler “A Corte das Corujas”, logo de cara me fez falta o Batman decidido que eu estava acostumado. Esse novo Batman (sim, ele é novo!) parece menos confiante e mais dependente da tecnologia a sua volta. Algumas coisas que cheguei a ler sobre esse começo de Novos 52 dizia que já tinha mais de cinco anos que o Batman estava em ação, tanto que ele já havia tido dois pupilos (Dick e Jason haviam sido Robin), um seguidor – Timothy, nessa nova realidade, nunca fora um Robin – e agora seu filho era o Robin. Isso demonstra que não tem pouco tempo que Bruce Wayne age como o Batman e ele é bem experiente em ação. Outra coisa que senti como um ponto negativo foi esse lance de Bruce não conhecer tudo de Gotham. Se sempre existiu uma coisa que ele buscou saber era tudo sobre Gotham, mesmo que fossem lendas e mitos. É isso que o torna o maior detetive da DC, pois mesmo que não acredite, ele tem conhecimento.

Alguns falaram. “Ah, mas em ‘Batman: Ano Dois’, o Batman não sabia da existência do Ceifador”. Bem, se perceberem bem, a Ano Dois é ainda o começo de carreira de Bruce Wayne como Batman. Ele havia começado a conquistar a confiança de Gordon, tinha bem menos de dois anos que havia iniciado seu vigilantismo e nem tinha Dick Grayson como parceiro, ainda, ou seja, estava bem no começo de carreira para conhecer toda a extensão de vilões ou outros vigilantes da cidade. Sem contar que ele sempre procurou entender sobre a morte dos pais deles, se havia sido um simples assalto ou se existia algo mais por trás. Aonde eu quero chegar com isso? Fica difícil acreditar que o Batman não tivesse nenhum pouco de conhecimento sobre a Corte das Corujas. Fica difícil crer que ele acharia que a Corte seria somente uma cantiga de ninar, e isso tornou o Batman muito fraco, essa submissão ao desconhecimento.

Se eu fosse ficar falando de tudo que eu não gosto na história central de “A Corte das Corujas”, ficaria páginas e páginas me explicando e muitos me odiariam mais do que já me odeiam por tecer opiniões contrárias a Novos 52, sendo assim, vou me prender ao pontos positivos desse segundo volume, principalmente.

Batman-Jarvis-PennyworthA segunda história do encadernado nos apresenta Jarvis Pennyworth, o pai Alfred, que no primeiro encadernado aparece na lista de perseguidos pela Corte das Corujas. Nessa história é mostrado de forma bem interessante como ele entra para a lista negra. É fascinante como um personagem que tem uma ligação indireta com o Batman pôde ser retratado de forma tão significativa nessa história. Jarvis esteve presente, até certo momento, na infância de Bruce e testemunhou e vivenciou coisas com a família Wayne que Alfred termina não tomando conhecimento. E a forma como Snyder – junto à James T. Tynion IV, que co-escreve a história – narra os acontecimento dá um dinamismo todo novo. Me lembrou, em certo momento, “O Despertar” e algumas histórias de “Vampiro Americano”. Mas a história seguinte me lembrou muito “Vampiro Americano”.

Como eu disse antes, Snyder desenvolve personagens femininas fortes, destemidas e que não desistem por qualquer coisa. Foi assim com Pearl Jones, Hattie Hargrove, Dra. Lee Archer e Leeward, e não poderia ser diferente com Harper Row, então a terceira história é – praticamente – dedicada a ela.

Harper-Row-Batman-12-Andy-Clarke-1Eu sinceramente pensei que não fosse gostar da personagem. Pensei que seria uma tapa buraco ou algo assim, mas quando Snyder decide desenvolve-la sem ligação com o Batman – ou, pelo menos, tendo somente uma participação especial do Homem-Morcego – ele encanta. Harper chega ser tão genial quanto Timothy era antes de Novos 52. Ela é totalmente dedicada ao irmão, que sofre preconceitos – acho que ele é gay, mas não tenho certeza ainda – por conta de pessoas do bairro, e é capaz de qualquer coisa para defende-lo. Criativa, engenhosa, Harper Row é maravilhosa. Para que Snyder traria outras personagens do universo do Morcego se ele estava construindo Harper? Se teve alguma coisa que eu fiquei simplesmente fascinado foi essa personagem que tem um grande futuro pela frente e – torço eu – seja bem explorada futuramente nas revistas, pois ela supera uma Stephanie Brown fácil, fácil.

Já a última história vou voltar a ser chato – e vou terminar entregando alguns SPOILERS –, pois Snyder decide mexer em algo que não deveria ser mexido e dessa vez é na história de Victor Fries, o Senhor Frio.

Um dos dramas mais fascinantes dos vilões de Batman é o do Dr. Victor Fries, que congela o corpo da esposa enquanto busca a cura para seu problema de coração. Chega a ser emocionante a dedicação do vilão. Mas Snyder decide quebrar esse mito e me decepcionou com isso, pois a forma como ele nos entrega Fries é como mais um maníaco psicopata do Arkham.

Sempre fui apaixonado pelos dos vilões insanos do Batman, pois suas insanidades tinham uma motivação maior do que ser somente um louco. Existia uma certa nobreza em suas insanidades, e quando vejo isso ser quebrado, me entristece muito.

Batman: A Noite das Corujas finaliza a minissérie, mas não finaliza a ação da Corte em Gotham City, pelo contrário, Snyder implanta mais um mito dentro da cidade do Batman. Isso é legal e interessante, mas seria mais ainda se ele não tornasse o Batman um fraco e desinformado, totalmente suscetível à Corte. Vamos ver o que mais vem por aí.batman 11

domingo, 30 de agosto de 2015

RESENHA HQ: Aquaman: As Profundezas (Aquaman Volume 1: The Trench, 2013).

AquamanAsProfundezasAQUAMAN: AS PROFUNDEZAS (Aquaman Volume 1: The Trench)

Roteiro: Geoff Johns

Desenhos: Ivan Reis

Arte-final: Joe Prado

Editora: DC Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2013 (BR: 2015)

Pág.: 148

Arthur Curry, também conhecido como Aquaman, vive em um farol com sua consorte Mera. Intitulado Senhor de Atlântida, Arthur busca uma vida calma e comum em Mercy Reef, cidade costeira do Estados Unidos onde nasceu e cresceu, mesmo que as vezes busque agir como super-herói. Discriminado por ser uma pessoa que possui a capacidade de se comunicar com seres aquáticos, Aquaman busca mostrar que ele pode ser mais do que motivo de piadas e chacota, principalmente quando uma ameaça chega à uma cidade vizinha da sua. Ao enfrentar essa ameaça ele descobre coisas do seu passado que podem ser muito relevantes para o seu futuro.

Até os dias de hoje eu ainda ouço piadas sobre Aquaman. E isso terminou mais motivado pelo canal infantil Cartoon Network e pelo seriado The Big Bang Theory. O que Geoff Johns busca é mudar essa visão.

Aquaman_0156Aquaman: As Profundezas é a revitalização de Novos 52 mais aclamada pelo público dos quadrinhos, sendo considerada a melhor caracterização do personagem nos quadrinhos... isso se você for desinformado.

Não vou tirar os méritos de Johns, que remodelou as histórias do Lanterna Verde e trouxe Barry Allen de volta (esta segunda tenho minhas críticas como TOTALMENTE desnecessária), mas considerar essa a melhor revitalização do Aquaman está totalmente fora da realidade.

Tá certo, Aquaman é o personagem mais execrado dos quadrinhos, mas ele teve muitos momentos maravilhosos. Uma das suas revitalizações memoráveis foi nas mãos de Neal Pozner em uma minissérie de quatro partes (1986), que se tivesse ido em frente teria modificado não somente o uniforme do personagem, mas toda a forma de ação de suas revistas, e depois nas mãos de Peter David que iniciou seu trabalho com o personagem na Aquaman #0 (outubro de 1994) indo até a Aquaman #46 (agosto de 1998), onde revolucionou o personagem (isso sim foi uma revolução, pois mudou totalmente a forma de Aquaman se vestir e agir).

Johns traz de volta vários fatores da mitologia do personagem, como sua parcial invulnerabilidade, sua capacidade de longos saltos, sua força descomunal e desmistificou o lance de “conversar com os peixes” (que foi bem explorado por David durante seu período com o Aquaman, sem tornar uma chacota), mostrando que, telepaticamente, ele dá ordens e os peixes obedecem. Ele também retorna a história da herança atlante de Arthur, colocando – neste ponto – novidades sobre isso.

Johns não ignora o que fora feito com o personagem nos seus 70 anos de criação (vale lembrar que essa história começou em New 52 - Aquaman #1 (novembro de 2011)), pelo contrário, ele busca trazer tudo de maneira que possa ser introduzido nessa nova mitologia, além de brincar com as chacotas que o personagem geralmente sofre.

E a arte de Ivan Reis complementa a história com sua força de retratação de cenas. Seus desenhos estão melhores do que nunca e impressionam em alguns momentos, com os detalhes que nem sempre alguns desenhistas se preocupam. Seu trabalho é fantástico, que é bem ressaltado com a arte-final de Joe Prado.aquaman1

A parceria dos dois me faz lembrar o trabalho de Jim Lee e Scott Williams, que simplesmente se completam e fazem trabalhos fantásticos até hoje.

Até o momento, de tudo dentro de Novos 52, Aquaman é o único personagem que mais me interessou, pois o resto buscou tornar os personagens menores ou usaram de roteirismo para torna-los grandes demais.

Aquaman – As Profundezas é curto perto dos outros encadernados que vêm sendo lançados, mas é muito bom como início de algo que eu torço tenha continuidade.

sábado, 29 de agosto de 2015

RESENHA HQ: Flash: Seguindo em Frente (Flash Volume 1: Move Forward, 2013)

FlashSeguindoFrenteFLASH: SEGUINDO EM FRENTE (Flash Volume 1: Move Forward)

Roteiro: Francis Manapul

Desenhos: Brian Buccellato

Editora: DC Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2013 (BR: 2015)

Pág.: 196

Barry Allen é um cientista forense que divide seu tempo sendo o super-herói Flash. Ele trabalha no Departamento de Polícia de Central City ao lado de sua parceira e namorada Patty Spivot, mas é sempre assediado pela bela repórter do Cidadão de Central City, Iris West, que deseja sempre decifrar mais coisas sobre o Flash. Desacreditado pela mídia, perseguido pela polícia, Barry não desiste de ser super-herói, mesmo quando descobre que seus poderes ligados à Força da Aceleração podem ser prejudiciais para Central City e sua “irmã gêmea”, Keystone City.

Este é o primeiro volume de uma coleção de encadernados de histórias publicadas na revista The Flash, no atual universo Novos 52. Esse, por exemplo, corresponde as oito primeira edições, por isso sua conclusão fica ambígua, deixando um ponto de partida para uma próxima que a Panini pode ou não lançar, dependendo do sucesso dessa (algo que, pelo que tenho visto, acontecerá!).

Bem, acabo de crer que devo ser o DCnauta mais chato, mais enjoado de todo o mundo, pois “Seguindo em Frente” não me agradou. Nada contra o roteiro de Francis Manapul, que parece concreto, coeso e tem uma direção a seguir, muito menos a arte de Brian Buccellato que é de encher os olhos, mas sim no âmago do roteiro e a forma como ele é construído, em cima de roteirismo.

Tá, aí você se pergunta “o que é roteirismo?”, no que eu lhe respondo que é a tendência do roteirista quantificar ou denegrir em demasia a imagem do personagem, neste caso o Flash.

flash vibrates airplaneTá, eu sei que Flash é o maior velocista do Universo DC e – possivelmente – do universo dos quadrinhos em um todo, mas existem coisas que precisam seguir uma certa coerência nas histórias e precisam saber respeitar a inteligência do leitor. Uma das cenas que eu critico com o excesso de roteirismo é a queda do avião no qual Flash vibra para que ele passe pela ponte que interliga as Cidades Gêmeas, sem prejudicar nem os passageiros e muito menos a ponte, e quando digo vibra, eu estou falando de tudo, ou seja, avião e passageiros.

Eu posso não entender patavina de física, mas eu acredito que quando você desestabiliza moléculas de um corpo, quando elas se reajuntam, ou o corpo explode ou a pessoa terá sérios problemas pelo resto da vida, mas nessa história tudo leva a crer que todos ficaram muito bem.

Tá, alguns dirão “Ah, mas é história em quadrinhos, não precisa ter lógica”... sério??? E é por aceitar essas coisas que todos nós, fãs de quadrinhos, somos considerados insensatos

Além disso, tem essa “culpa por qualquer coisa” que impõem ao Flash. É algo como “PQP um cachorro mijou no pneu do meu carro... é culpa do Flash!” ou “Que m..., levantei do lado errado da cama... é culpa do Flash!”. Acho que já entenderam o conceito.

Por mais que não existam provas de que o Flash é culpado de certas situações que ocorrem nas histórias que compõem o encadernado (não é um arco somente, mas vários que possuem um eixo central), a maioria tende a culpa-lo por não encontrar mais nada para culpar, algo do tipo “se aberrações acontecem é culpa de uma aberração”. Me parece uma busca da DC Comics usar conceitos desenvolvidos pela concorrente na criação dos mutantes, mas usa com seus super-heróis. Antes respeitados e adorados, agora personagens como Flash são considerados problemas para aqueles que eles querem auxiliar ou mesmo é culpado por qualquer acontecimento fora do comum.

Entendam apesar das críticas quando alguns caminhos e decisões na história, Flash: Seguindo em Frente é muito bom e mostra fatores sobre a Força da Aceleração que não foram consideradas por outros roteiristas antes, o que deixa bem interessante e com muitas possibilidades de exploração.Flash_Move_Forward_design-1 copy

Como disse antes, sou um cara chato com alguns fatos de Novos 52, mas nem por isso vou dizer que esse novo Flash não seja possível de leitura, pelo contrário, vale a pena lê-lo e ainda torcer pela continuidade das encadernações.