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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os – meus – 11 melhores quadrinhos de super-heróis (Pois dez é muito complicado!)

Lista de melhores filmes, quadrinhos, séries, livros, existem aos montes. Especialistas sempre lançam esses tipos de listas, mencionando o motivo do qual determinada cultura midiática pode ser considerada melhor, mas nem sempre concordamos com elas.

Fãs geralmente têm sua própria lista na cabeça. Aquela que ele guarda com afeição, que ele não consegue esquecer e que o motiva a querer sempre assistir/ler. Sendo assim, eu tenho minhas listas. Aquelas que sempre me deixam feliz de ser Nerd, que me motivam, toda vez que posso, ver/ler novamente. São filmes, quadrinhos, séries e livros que eu não consigo esquecer.

Dentre os principais estão os quadrinhos.

É difícil citar uma série mensal que me marcou, pois no geral possuíam histórias boas, histórias razoáveis e histórias medíocres, que terminavam sendo lançadas por causa da continuidade do personagem nos quadrinhos. Bem como é sempre complicado mencionar minisséries, pois elas influenciam seu gosto pelos quadrinhos, como aconteceu comigo com Crise nas Infinitas Terras, minissérie que mudou todo o panorama da DC Comics no final da década de 1980, criando uma revisão geral e total no Multiverso DC que passou a ser somente um. Pena que redatores não gostaram muito desse aspecto e o quebraram todo, criando uma contaminação exacerbada nos quadrinhos, deixando-o mais confuso do que antes. Também é difícil citar Batman: Ano Um e Superman: O Homem de Aço e Mulher-Maravilha: Deuses e Mortais, minisséries escritas por Frank Miller, John Byrne e George Pérez, respectivamente, que iniciaram a nova fase da DC pós-Crise. Elas são lindas, mas fazem parte da série mensal dos personagens. E como eu estou falando de super-heróis, vou terminar deixando de lado séries como A Saga do Monstro do Pântano, de Alan Moore, pois vai muito além do super-herói. Essa série é terror moderno, da melhor forma que pode se citar. Bem como Sandman, de Neil Gaiman, que também não funciona no quesito de super-herói, entre tantas outras séries lançadas pelo selo Vertigo Comics da DC Comics.

Eu cito na maioria DC, pois como já afirmei incontáveis vezes, sou DCnauta, sem tirar e nem por, mas – como também já afirmei outras tantas – sou leitor de quadrinhos, principalmente de super-heróis e existem lançamentos da Marvel Comics que me encantam. Citado isso, vamos a minha lista – bem complicada de se escolher – dos 11 melhores quadrinhos de super-heróis – pois dez é muito complicado!littleleague

11 MELHORES QUADRINHOS DE SUPER-HERÓIS (POIS DEZ É MUITO COMPLICADO!)

11 – LEX LUTHOR – BIOGRAFIA NÃO-AUTORIZADA (Lex Luthor: The Unauthorized Biography, 1989)

11 - Lex Luthor Biografia Não-AutorizadaNão tinha como excluir essa graphic novel (romance gráfico) da lista, pois mesmo que seja mais ligada a um vilão, é uma história muito boa. Ela não foge do contexto criado por John Byrne para Lex Luthor pós-Crise nas Infinitas Terras. Ele é um multimilionário inescrupuloso, capaz de qualquer coisa para alçar o poder. Luthor é capaz de sacrificar os próprios pais para conseguir o que deseja. Então um escritor decide escrever uma biografia não-autorizada de Luthor e começa a se chafurdar no passado sombrio do empresário, descobrindo coisas que Luthor gostaria que fossem esquecidas. Nesse ínterim, Clark Kent é procurado, pois o escritor fora assassinado e creem que ele seja o culpado disso. Tá, eu falei que ele foi assassinado e você acha que eu já entreguei o final? Você não sabe da missa o terço. O fato de o Kent ser acusado e do assassinato é o que importa no meandro da história. Pois o aprofundamento nos aspectos de quem Luthor é, chega a ser fascinante. O roteirista James D. Hudnall nos estrega um contexto do personagem, mostrando do que ele pode fazer, sem sujar as mãos. Ele manipula, ele usa, ele abusa das pessoas a sua volta para conseguir o que deseja. Luthor torna seus inimigos, comparsas. Faz o que deseja e sempre consegue sair por cima, dominando e tomando tudo para si.

A história já fora publicada três vezes, sendo a primeira em uma edição especial da Editora Abril em 1990. Depois a Mythos decidiu republica-la em 2003, para finalmente integra-la ao encadernado “Superman – Superalmanaque Homem de Aço”, em 2004. A Panini poderia republicar essa história de forma mais caprichada, pois merece fazer parte de uma coleção.

10 – X-MEN: DEUS AMA, O HOMEM MATA (Marvel Graphic Novel nº 5: X-Men – God Loves, Man Kills, 1982)

10 - X-MEN - DEUS AMA, O HOMEM MATATá, parece que estou me contradizendo quando escrevi que não mencionaria minisséries ligadas as mensais, mas o lance dessa história é que ele foi lançada no formato graphic novel, com começo, meio e fim. Ela não foi uma minissérie, foi uma história fechada, falando sobre o preconceito, algo que enredou as histórias dos X-Men durante toda a existência. O fato é que na história um fanático religioso, o reverendo William Stryker, começa a declarar todo mutante como uma ameaça a existência da humanidade, levando a todos uma perseguição ao homo-superior, causando assassinatos e ojeriza desenfreada. Com isso, os X-Men terminam se unindo ao vilão Magneto para deter o reverendo que tomou a mente do Professor X e fez dele seu assecla.

A forma como Claremont constrói essa história foge do arquétipo super-herói salva humano, pois a ideia e que os X-Men precisam se manter a salvo da perseguição e do preconceito. Claremont ataca o emocional dos leitores, fazendo-os refletir sobre o que é verdadeiramente errado e certo. Por que odiar aquele que é diferente? Por que fazer daquele ser-vivo diferente motivo de difamação e abuso? Uma das cenas mais impactantes fica por conta do momento em que Stryker fala de Noturno, pois o mutante alemão é o menos semelhante ao ser humano, mas que todos sabemos que tem afeição por todos, sejam mutantes como ele ou humanos. A história é tão boa que teve, aqui no Brasil, mais republicações do que várias outras graphic novels que eu já li. Sua primeira publicação foi em 1988 na coleção Graphic Novel da Editora Abril. Depois foi republicada em 2003 pela Panini, que voltou a publica-la em 2014, numa edição de luxo, além de fazer parte do encadernado na edição 15 da “Heróis Mais Poderosos da Marvel” da Editora Salvat (a coleção de capa vermelha), em 2015.

“X-Men: Deus Ama, o Homem Mata” faz parte dessa lista, pois é um verdadeiro tapa na cara daqueles que ainda proclamam a diferença como forma de uma coisa abominável. Mostrando que se deve aceitar a todos, sem distinção.

09 – MULHER-MARAVILHA: HIKETÉIA (Wonder Woman – The Hiketeia, 2002)

09 - Mulher-Maravilha - HiketéiaTá, aí você se pergunta: Por que Hiketéia? Primeiro, porque depois do trabalho de Goerge Pérez com a Mulher-Maravilha, este é o segundo melhor trabalho com a personagem, pós-Crise nas Infinitas Terras.

Na história, uma jovem busca a princesa Diana para que esta a mantenha a salvo, clamando a hiketéia, um trato feito entre um membro da realeza e um criminoso para que este pagasse por seus pecados através de serviços, assim não sucumbiria às Fúrias. Essa jovem matara um homem em Gotham City e, com isso, é perseguida pelo Batman que pretende leva-la a justiça, não se importando se foi em legítima defesa ou não. Com isso, o Homem-Morcego entre em combate com a amazona e termina humilhado, tendo o rosto pisoteado por ela.

Um dos aspectos mais interessantes dessa história é o embate entre fé e descrença. A Mulher-Maravilha, como bem sabemos – antes de Novos 52 – é uma fiel devota ao helenismo. Ela pratica as cerimônias, conclamas os deuses, age conforme o que lhe fora ensinado a respeito de sua fé. Já o Batman, até hoje não se sabe se ele se mantém cristão. Mas ele demonstra total falta de crença na religião da amazona, um verdadeiro descrente que vê tudo como uma besteira sem tamanho, crendo que a menina fizera esse pacto com Diana somente no intuito de fugir da prisão. É fantástico como Greg Rucka leva esse trabalho com a Mulher-Maravilha com uma seriedade sem igual. Ele mostra a força da personagem não somente quando ela derrota o Batman, mas em toda a sua fé naquilo que aprendeu e que sempre usou para si. É triste não ver uma republicação dessa história até hoje, pois era mais do que merecida.

08 – SUPER-HOMEM: AS QUATRO ESTAÇÕES (Superman For All Seasons, 1998)

08 - Super-Homem - As Quatro EstaçõesBem, a primeira minissérie da lista. Super-Homem: As Quatro Estações é um dos belos trabalhos desenvolvidos por Jeph Loeb e Tim Sale, e se torna mais especial graças ao trabalho artístico do dinamarquês Bjarne Hansen. Tá, não mencionei nenhum outro desenhista ou artista nos outros, mas é que a parceria de Loeb e Sale se tornou muito conhecida em vários trabalhos e a colaboração de Hansen nesse, a tornou mais especial.

Na história, a cidade de Metrópolis vem tendo mudanças climáticas preocupantes, nas quais Luthor culpa o Superman por isso. Então o Homem-de-Aço decide ficar recluso em Smallville, onde teve velhos amigos como Pete Ross e tem lembranças de seu passado na cidade, percebendo que este retorno serviu para mostrar que seu futuro é bem mais promissor.

A narrativa dessa história mostra o quão bem inteirado a respeito do novo universo do Homem-de-Aço pós-Crise Loeb estava. Seus trabalhos anteriores com o Batman são completamente distantes de seu trabalho com o Superman. Enquanto ele trabalhou as trevas e a escuridão com Batman, com Superman foi um ambiente mais iluminado, com uma pureza e inocência atípica ao que víamos antes. Ele é simplesmente genial na sua abordagem, pois trabalha de forma do arquétipo do que se espera de uma história do Superman, sendo completado pela interpretação bem pessoal de Tim Sale, que trabalha a disparidade entre Clark Kent e Superman, algo que me lembrou muito a forma como Christopher Reeve (1952-2004) fez no cinema.

07 - BATMAN: VITÓRIA SOMBRIA (Batman: Dark Victory, 1999-2000)

07 - Batman - Vitória SombriaMais uma minissérie de Loeb e Sale e o quinto trabalho dos dois com Batman.

Enquanto nos trabalhos anteriores, Loeb se concentrou unicamente no Batman e sua luta contra os loucos, assassinos e marginais de Gotham. Nessa história (uma continuação direta de Batman: O Longo Dia das Bruxas), ele introduz o Menino-Prodígio nas aventuras do Cavaleiro das Trevas.

Na história, Feriado, o assassino que estava matando mafiosos em datas comemorativas está preso, mas é assombrado por vozes. Enquanto isso, Gotham volta a sofrer com assassinatos nos quais Batman se vê sem explicações e buscando alternativas nos seus corriqueiros inimigos. Entre eles está o novo insano sociopata Duas-Caras, o ex-promotor Harvey Dent, que fora deformado com um ácido jogado contra sua face.

Como na minissérie anterior, vemos vários elementos do Universo do Batman nas histórias. Desde o Coringa até os mafiosos de Gotham, eles aparecem assombrando as ruas de Gotham e tornando a vida do Batman um inferno. Nesse intermeso chega o circo à cidade, onde trabalham os Grayson Voadores.

O trabalho de Loeb e Sale nessa minissérie foi fantástico. Não chega a superar as histórias anteriores, mas é muito interessante como eles trabalham a introdução do Robin no Universo do Cavaleiro das Trevas. Todos os vilões, mesmo os secundários, ganham grande importância ao contexto da história e tem seu momento de relevância na trama. Outro fator importante de Loeb é se preocupar com a trama e não somente com um personagem, dando espaço para todos. Leitura boa e com garantia de agradar aos fãs do Cavaleiro das Trevas.

06 – BATMAN: O LONGO DIA DAS BRUXAS (Batman: The Long Halloween, 1996-1997)

06 - Batman - O Longo Dia das BruxasNos anos de 1993, 1994 e 1995, Jeph Loeb e Tim Sale desenvolveram um trabalho especial para a série “Batman: Legends of the Dark Knight”, lançados edições de Halloween (o famoso dia das bruxas dos Estados Unidos). Com isso, ambos foram chamados para, em 1996, iniciar a minissérie em doze partes “The Long Halloween”. Entre outubro de 1998 e fevereiro de 1999, a Editora Abril Jovem lançou a minissérie em oito partes. Esta contava a história de um assassino em série que assassinava pessoas em dias comemorativos. O grande lance é que ele somente matava pessoas ligadas as famílias mafiosas de Gotham. No local do assassinato ele deixava uma pistola com um bico de mamadeira na ponta como silenciador e um objeto que simbolizasse o dia comemorativo. Com isso, o capitão da polícia James Gordon, o promotor público Harvey Dent – que se torna um dos suspeitos – e o Batman correm atrás para descobrir quem é o famigerado Feriado.

Essa minissérie é uma das mais empolgantes no quesito detetivesco do Batman, superando Batman: Ano Dois. Ela trabalha todo esse lado da insanidade dos vilões que povoam o universo do Cavaleiro das Trevas. Personagens como o Homem-Calendário ganham uma importância enorme para a série, como se fosse um Hannibal Lecter para o Batman, servindo de consultor para o Homem-Morcego ir em perseguição ao vilão Feriado. Também temos toda a construção da insanidade de Harvey Dent. Sua dualidade nas decisões é muito bem trabalha em todos os aspectos. Sua vida de casado, sua parceria com o Batman, indo até o momento de sua transformação total no vilão Duas Caras.

Além disso, o trabalho de sombras e luz que Tim Sale desenvolve dá todo o clima sombrio da minissérie. Ele trabalha vários tons, acrescentando um sombreado forte, dando o clima bem tenso. É uma minissérie que tem de se ter em uma coleção, ainda mais quando a Panini lançou este ano a Edição Definitiva dela. Vale muito a pena.

05 – DEMOLIDOR – FIM DOS DIAS (Daredevil: End of Days, 2012)

05 - Demolidor - Fim dos DiasO Demolidor morreu! Foi morto durante um combate contra o Mercenário. Mas uma palavra ditas por ele ficou no ar e o jornalista Ben Ulrich decide descobrir o que ele queria dizer com “Mapone” e, para isso, termina esbarrando em velhos amigos e antigos inimigos do vigilante da Cozinha do Inferno.

A história é bem baseada no clássico Cidadão Kane, de Orson Welles. A diferença é que o Demolidor, Matt Murdock, é um advogado cego da Cozinha do Inferno e não um mega-empresário. Mas Brian Michael Bendis e David Mack trabalharam isso de forma magnífica, pois envolve todos os personagens com quem Matt Murdock e o Demolidor já tiveram alguma relação. De Foggy Nelson à Wilson Fisk, o Rei do Crime, vemos a construção envolta do personagem para chegar no âmago do mistério. O mais interessante é como Bendis e Mack terminam construído e injetando um novo Demolidor na história. Todos sabemos como Matt se tornou o Demolidor, mas a origem desse novo vigilante tem vertentes bem diferenciadas.

A ideia de que um dia o Demolidor virá a morrer durante seus combates sempre povoou suas histórias, principalmente quando Frank Miller as escreveu e fez o maravilhoso “A Queda de Murdock”, que jogou uma bomba na vida do Demolidor quando Wilson Fisk descobre sua identidade secreta. O personagem vive no fio da navalha, mas Bendis e Mack o fazem ultrapassar nessa história, pois ele morre dando espaço para a entrada de um novo Demolidor, mais violento do que o original. Ulrich ser o responsável pela homenagem póstuma, encomendada por J. Jonah Jameson, dá o ar de Cidadão Kane que mencionei no começo, pois ele persegue uma palavra como ocorre com o personagem Jerry Thompson, interpretado pelo ator William Alland (1916-1997), que persegue o significado de “Rosebud”. É impressionante e interessante como personagens como Wilson Fisk, Ben Ulrich e Justiceiro, que surgiram nas páginas do Homem-Aranha, funcionam bem melhor ao fazerem participações em Demolidor.

Demolidor – Fim dos Dias é uma minissérie que todos colecionador de quadrinhos, seja DCnauta ou Marvete, deveria ter em sua coleção.

04 – REINO DO AMANHÃ (Kingdom Come, 1996)

04 - Reino do AmanhãA Terra está um caos, pois uma nova ordem de super-seres tomou o lugar dos antigos heróis que envelheceram. Estes super-heróis, ou largaram a carreira ou descobriram outras formas de manter a vigilância. Um dos que largou foi o Superman, após Magog ser ovacionado como um super-herói melhor ao matar um bandido.

Em seu exílio ele é procurado pela Mulher-Maravilha após um desastre nuclear causado pela ruptura do corpo do Capitão Átomo dizimar o Kansas, o grande celeiro dos Estados Unidos. Após observar o que o mundo se tornou, Kal-El decidi reunir seus velhos aliados em uma nova Liga da Justiça, operando inicialmente no Palácio Nova Oa do Lanterna Verde, mas o Batman se recusa a participar dessa aliança, criando seu próprio grupo de vigilantes, a Cavalaria Silenciosa. Enquanto do outro lado, Luthor cria a Frente de Libertação da Humanidade, dizendo-se defender o interesse dos seres humanos comuns.

Com a ajuda de Scott Free, o Senhor Milagre, e sua esposa a Grande Barda, Superman constrói o Gulag, uma super-prisão que ele mantém os super-seres presos. Só que a FLH bem como a Cavalaria Silenciosa acredita que o Gulag é um barril de pólvora prestes a explodir, e pretende deter o Superman a qualquer custo. Isso tudo é observado pelo reverendo Norman McKay, que acompanha o Espectro, em uma missão divina que ele terá de um dia se intrometer.

O que Mark Waid criou aqui foi um verdadeiro presságio dos quadrinhos dos dias de hoje (não tão presságio, pois isso começou com a Image Comics que surgiu na década de 1990). Os personagens perderam o objetivo de salvar a humanidade, somente brigando entre si, sem o menor sentido. Você não sabe mais distinguir quem é herói e quem é vilão, pois todos foram distorcidos pelos atuais roteiristas, guiados pelos editores das empresas – coloco aqui as duas mais antigas, DC e Marvel. E ele coloca a Era de Ouro para organizar isso. Ele trabalha cada aspecto da interferência dos antigos heróis na vida dos novos, buscando ensina-los como as ações devem ser pensadas antes de serem feitas, pois pode culminar em mais problemas do que soluções. O interessante é que, quem busca isso, mesmo que secretamente, é o Batman. O seu grupo, Cavalaria Silenciosa, é formado por novos justiceiros, em sua maioria filhos daqueles que agora são membros da Liga da Justiça. Enquanto Superman e Mulher-Maravilha buscam uma atitude mais autoritária, prendendo àqueles que causam mais problemas do que solução, sem ao menos tentar guiá-los por um caminho melhor. O Gulag, por exemplo, além de ser construído pelo Senhor Milagre, tem patrulhamento constante pelo Capitão Cometa e é monitorada 24 horas.

Além do divino roteiro de Mark Waid para essa minissérie, mostrando que o caminho não é buscar uma nova forma de agir, sem a necessidade de falta de distinção de quem é herói e quem é vilão, temos a arte de Alex Ross.

Fica difícil falar de obra e não falar de seu desenhista. O traçado realístico do artista é fenomenal. Ele trabalha expressões, trajes, movimentação, da forma mais verossímil possível. É um trabalho plástico que quase não se via nos quadrinhos naquela época e que enriqueceu muita a forma de muitos artistas desenvolverem seus trabalhos. Ross inovou e renovou a forma de se desenhar quadrinhos.

03 – MARVELS (1994)

03 - MarvelsO jovem fotógrafo Phil Sheldon vai cobrir uma coletiva para imprensa do Prof. Phineas T. Horton, onde ele lançará o primeiro androide ao mundo. O mais impressionante desse androide é que ele pega fogo, sem se queimar. Quando o – intitulado – Tocha Humana foge do tubo que o mantinha preso, dá início a “Era das Maravilhas”.

O Tocha Humana é o primeiro de vários que começam a surgir, como um homem chamado Namor, que se intitula Príncipe Submarino, começa a atacar a humanidade. Essas Maravilhas variam entre preferência e ojeriza com a população. Com a chegada do Capitão América as coisas mudam, ainda mais com o apoio dele na Segunda Guerra Mundial. A história vai no crescente, mostrando a vida de Sheldon sendo influenciada pelo surgimento das Maravilhas. Ele anula seu noivado, reata, se casa, tem suas filhas, tudo acontece em sua vida cotidiana, mesmo que tenha constante influencia das Maravilhas, tanto que ele decide lançar seu livro, “Marvels” (Marvel = Maravilha), com fotos que ele tirará no transcorrer de sua carreira, cercado por Tocha Humana, Namor, Capitão América, Bucky, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Homem-Formiga, Vespa, Os Vingadores, X-Men, Demolidor, e tantos outros que vão surgindo.

Para mim esse é o trabalho máximo da Marvel Comics, nada se compara a ele. Kurt Busiek foi agraciado pelos céus quando fez essa obra prima. Ele viaja por todo o universo Marvel, sem perder nada. Ele narra fatos totalmente relevantes e importante para cada momento da Marvel Comics, começando da época que ela ainda se chamava Timely Comics. Cada personagem citado, cada momento narrado por Phil Sheldon é um momento que ocorrera mesmo nas revistas da Marvel Comics. E ainda se tornou mais grandioso, porque Alex Ross se envolveu.

O toque realístico de Ross tornou as cenas que encontramos nos quadrinhos da Marvel Comics em fatos verídicos. Era como se eles tivessem acontecido mesmo. Ele mostra cenas, momentos, personagens que víamos nos quadrinhos, mas que nunca pensamos que poderíamos ver feito da forma como ele desenhou. As aparições do Namor, do Tocha Humana. A cena do casamento de Reed Richards, a invasão de Namor em Manhattan. A chegada de Galactus, a batalha entre os Vingadores e os Mestres do Terror, a exposição de Alicia Masters, o surgimento de Luke Cage. São tantos fatos relevantes, que eu ficaria dezenas de linhas citando-os.

O trabalho de Busiek e Ross nessa minissérie é algo que para sempre ficará na lembrança de qualquer leitor de quadrinhos.

02 – BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS (The Dark Knight Returns, 1986)

02 - Batman - O Cavaleiro das TrevasEm 1986, o Batman não está mais na ativa e Gotham City está caótica, dominada por uma gangue chamada de Mutantes. Eles não respeitam nenhuma autoridade e fazem tudo o que desejam nas ruas. Mesmo vendo o que sua cidade se tornou, Bruce Wayne não pode fazer nada, pois se sente velho e incapaz de voltar a ser o Homem-Morcego. Mas uma noite ele desperta dentro de sua caverna e percebe que seu trabalho não finalizou e parte para enfrentar o Líder-Mutante, mas é massacrado. Em uma segunda chance, ele o vence, apoiado pela jovem Carrie Kelley, a nova Robin.

Entremeios, a sociedade discute o valor do Batman para Gotham, os benefícios e malefícios de seu retorno à atividade. Os loucos que começam a imitá-lo, velhos inimigos que retornam, sua influência na juventude sem orientação, isso tudo influenciado por um jornalismo sensacionalista, que se beneficia de qualifica-lo e rechaça-lo, constantemente. Além de uma tensão constante, na qual o Superman está envolvido, entre os Estados Unidos e Cuba, no que poderá acarretar em uma guerra nuclear iminente. Ao final temos o embate épico entre os dois maiores gigantes da DC Comics, Batman x Superman, em um final surpreendente.

Frank Miller conseguiu revolucionar – ao lado de Alan Moore – a forma de se pensar e fazer quadrinhos. A era da inocência passou, estamos em um período onde o caos predomina e para trazer a ordem de volta é necessário aderir ao caos. Não vislumbramos nenhum momento utópico nessa história, pois a distopia reina absoluta, do começo ao fim. Mesmo a aparição do Superman, que deveria destoar e trazer uma esperança utópica, é dominado por essa distopia, essa falta de esperança de que algo melhor virá. Superman não simboliza a esperança nessa minissérie, ele representa o autoritarismo governamental estadunidense, que acha e acredita poder e dever se envolver em todos os sistemas governamentais do mundo (algo bem real!). Miller distorce a esperança e a transforma em desespero. A sociedade é dominada por mentiras cuspidas pelo sistema midiático, como se fossem suas verdades. A TV pode lhe tornar herói e bandido em uma simples mudança de quadros. É totalmente revolucionário até os dias de hoje, tanto que já ocorreu uma tentativa de fazer uma sequência (DK2) e a DC Comics volta a tentar refazer o sucesso com DK III. Sinceramente, mesmo que seja uma boa história, alcançar a majestosidade de Batman: O Cavaleiro das Trevas sempre será algo impossível, pois Miller não somente criou algo maravilhoso, mas mudou, revolucionou e iniciou a Era Moderna dos Quadrinhos.

01 – WATCHMEN (1986)

01 - WatchmenSe existe um nome simples para Era Moderna dos Quadrinhos, ele se chama Watchmen.

Essa minissérie – ao lado de Batman: O Cavaleiro das Trevas – mudou totalmente a forma de se ver e fazer quadrinhos para sempre, pois ela mostra como seria um mundo real com vigilantes.

Sim, somente existe um super-herói, o Dr. Manhattan, um cientista chamado Jon Osterman que sofrera um acidente fatídico durante um teste nuclear. Ele se tornou um deus, alguém capaz de ver tudo, estar em vários lugares ao mesmo tempo, ouvir tudo e testemunhar tudo. Não existe ninguém como ele e nem próximo do que ele é. Com exceção de Manhattan, todos os demais são seres comuns que decidiram vestir uma fantasia e agir como vigilantes nas ruas.

Bem antes de Kick-Ass, Watchmen já mostrava as consequências de uma pessoa decidir se tornar um vigilante. Mesmo que a ideia já existisse, Watchmen deu sentido a palavra “legado”. Hollis Mason, o primeiro Coruja, sempre recebia Dan Dreiberg, o segundo Coruja, para conversarem sobre a época de ouro do vigilantismo. Laurie Juspeczyk, a segunda Espectral, era filha de Sally Jupiter, a primeira Espectral. A ideia da antítese do herói surgiu em Watchmen com personagens como Comediante e Rorschach. Sem contar que o questionamento “o que um herói é capaz de fazer para salvar a humanidade? Isso o tornaria um vilão?” fez todo o sentido com Watchmen.

Alan Moore e Dave Gibbons pretendiam fazer esse trabalho, inicialmente, com os personagens da Charlton Comics que a DC Comics havia adquirido, mas a presidente da empresa na época, Jenette Kahn, não permitiu, pois tinha planos para os personagens. Ela então sugeriu que eles criassem novos e fizessem sua história. O desapego de Moore com o sentido de super-herói tornou essa minissérie extremamente importante para tudo relacionado aos quadrinhos. Ele pegou civis que deviam dar algo mais para a sociedade e por isso se fantasiavam de vigilantes. Até mesmo bancos desenvolviam seus próprios heróis, como era o caso de Dollar Bill. Sem contar que ele mostra o quão esses vigilantes poderiam vir a influenciar a sociedade em seu dia-a-dia. O que aconteceria se Dr. Manhattan e o Comediante participassem da Guerra do Vietnã? Qual seriam os benefícios de ter uma pessoa como Dr. Manhattan entre nós? E os malefícios? O que aconteceria se um vigilante torna-se seu nome em uma marca? Como seriam os grupos de viligantes? Eles se entenderiam? Trabalhariam em equipe? As questões são infinitas e as respostas são dadas em todas as doze edições de Watchmen.

A DC Comics tentou reproduzir o sucesso com uma série contando o passado “Antes de Watchmen”, mas foi um total fracasso, pois as histórias perderam o sentido do objetivo original. Elas não fazia como Watchmen, levantando as questões para que um vigilante possa existir.

Watchmen é uma minissérie única, com um começo fantástico, um meio avassalador e um final apoteótico. Dificilmente veremos um trabalho tão magnífico quanto este nos quadrinhos novamente.

MENÇÃO HONROSA: WOLVERINE: ARMA X (Weapon X, 1991)

00 - Wolverine - Arma X (menção honrosa)Bem, vai à menção honrosa para Wolverine: Arma X. Eu bem que gostaria de colocá-lo entre meus 11 mais, mas foge um pouco do contexto da lista que fiz da seleção. Primeiro porque mesmo que muitas das histórias sejam partes do contexto das mensais, nunca foram mencionadas dessa forma, diferente dessa minissérie do Carcaju. Ela não somente faz parte do enredo do Wolverine, como influencia muito várias coisas posteriores que ocorreram com o personagem nos quadrinhos. Mas por que ele é minha menção honrosa? Porque, mesmo sendo parte do enredo do Wolverine, “Arma X” é absolutamente fantástico em vários sentidos.

Barry Windson-Smith nos agraciou com uma história que cria um contexto para o personagem. Logan fora sequestrado e levado a um laboratório de uma organização secreta que pretende injetar em seu corpo o metal adamantium. A experiência não somente dá certo, como torna Logan um selvagem desumano, capaz de matar qualquer um ou qualquer coisa a sua frente. Ele é a máquina mortal perfeita para o exército canadense, se tornando a Arma X. Mas nem tudo são flores, pois os cientistas perdem o controle sobre Logan e ele termina causando uma chacina descontrolada e fenomenal.

Várias histórias escritas posteriormente a Arma X usam-na como uma forma de pré-texto. Sua filiação à Tropa Alfa, a busca por sua identidade. Sem contar que explica, sem quebrar o enigma por trás do personagem – algo que foi feito por Origem e Origem II –, como Logan adquiriu o adamantium que reveste seus ossos.

Barry Windsor-Smith pega um personagem que era coadjuvante em uma história do Hulk, que cresceu nas histórias dos X-Men de Claremont e Byrne, e o torna maior ainda do que tudo isso. Dando-lhe uma importância sem igual. Isso, casado com seu traço sem igual, dá o status para Arma X se tornar minha Menção Honrosa nessa lista.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

RESENHA HQ: Y: O Último Homem – Edição de Luxo: Livro Um (Y: The Last Man Deluxe Edition Book 1)

Y: O ÚLTIMO HOMEM – EDIÇÃO DE LUXO: LIVRO UM (Y: The Last Man Deluxe Edition Book 1)

Y O Último Homem - Edição de LuxoRoteiro: Brian K. Vaughan

Desenhos: Pia Guerra

Arte-Final: José Marzan Jr.

Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2008 (BR: 2015)

Pág.: 256

Em 1993, a editora Karen Berger dava o passo de iniciar a Vertigo Comics, um braço da DC Comics dedicada a uma linha editorial de quadrinhos mais adulta. Nessa empreitada ela chamou roteiristas dos mais variados para escrever histórias fora do padrão dos quadrinhos da DC Comics, assim surgiram Sandman (Neil Gaiman), A Saga do Monstro do Pântano (Alan Moore), Hellblazer (Jamie Delano, Garth Ennis, entre outros), Preacher (Garth Ennis), 100 Balas (Brian Azzarello), Os Invisíveis (Grant Morrison), Ex-Machina (Brian K. Vaughan), Shade, O Homem-Mutável (Peter Milligan), Fábulas (Bill Willingham), e tantos outros, dentre eles Y: O Último Homem.

Y: O Último Homem foi uma série que iniciou em dezembro de 2002, escrita por Brian K. Vaughan e desenhada por Pia Guerra. Na história, todos os homens, possuidores do cromossomo Y, foram mortos por uma praga inexplicável, deixando somente as mulheres vivas. Mas por uma incrível força do destino, o jovem Yorick Brown e seu macaco capuchinho, Ampersand, sobreviveram à praga. Eles agora são a esperança da humanidade e, por isso, viajam sob a proteção da Agente 355 para encontrar a geneticista, Dra. Mann, para que possa duplicar seu DNA e criar clone que possam sobreviver. No caminho deles terminam encontrando obstáculos ao quais desejam exterminar Yorick ou tomá-lo para si, enquanto ele somente deseja ir à Austrália e ficar com sua namorada.

Y: O Último Homem foi o meu primeiro contato com a Vertigo Comics de uma forma, digamos, ilegal, pois eu o li através de scans da revista.Y O Último Homem - Yorick e Ampersand

Sinceramente, não sou muito fã dessa forma de leitura, pois prefiro o contato com a revista nas mãos, mas nunca havia visto nada referente a histórias nas bancas daqui, então quando comecei a ler através de scans e não consegui parar. Foram sessenta edições que me deixaram fascinado. Vaughan nos entrega uma trama maravilhosa com as mais fantásticas variações nos personagens. Personagens duronas terminam demonstrando uma humanidade sem igual, enquanto personagens humanitárias se transformam em monstros desumanos. Temos na história o reverso do mundo machista em que vivemos, pois existem mulheres capazes de levar o feminismo ao extremo. A história não busca denegrir a mulher, mas mostrar sua força, sua capacidade de sobrevivência, sem a existência do homem a sua volta. Mas percebe-se que, como o homem precisa da mulher, o inverso também acontece, pois a perpetuação da espécie, mesmo podendo ser feita in vitro, precisa da outra parte para existir. E a ideia de um único homem para isso, faz-nos pensar como seria se ocorresse. Feministas caçando-o para matá-lo, outras querendo usa-lo como cobaia de laboratório, no objetivo de perpetuar a espécie, seja com você vivo ou morto. Parece até egoísmo do Yorick querer ficar com sua namorada – pretensa noiva – enquanto toda a humanidade depende dele para sobreviver, mas Vaughan o fez com tamanha humildade que ele não crê que toda a humanidade dependa dele para voltar a movimentar a máquina da procriação, ou talvez ele até perceba, mas não deseja tal destino para si, pois a responsabilidade é grande demais.

Esse Livro Um é composto das dez primeiras edições da história, ou seja, a Panini ainda terá mais cinco livros pela frente para serem lançados. Espero que ela não esmoreça, pois o ressurgir dessa saga, nos traz um material excelente de leitura e entretenimento, no qual o canal FX virá a produzir uma série de televisão, futuramente, com desenvolvimento de Brian K. Vaughan, Nina Jacobson e Brad Simpson. Ela ainda não tem roteirista ou atores envolvidos, pois fora noticiada recentemente pelos sites de entretenimento estadunidenses, mas podemos esperar um florescer dessa saga, que ganha novas edições e novos ares.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

RESENHA HQ: Edição Definitiva: Sandman Volume 2 (The Absolute Sandman II)

EDIÇÃO DEFINITIVA: SANDMAN VOLUME 2 (The Absolute Sandman II)

sandman-ed-definitiva-vol2Roteiro: Neil Gaiman

Desenhos: Shawn McManus, Kelley Jones, Mike Dringenberg, Bryan Talbot, John Watkiss, Matt Wagner, Stan Woch, Colleen Doran, Duncan Eagleson, John Bolton, Malcolm Jones III, George Pratt, Dick Giordano, P. Craig Russel e Vince Locke.

Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2007 (BR: 2011)

Pág.: 620

Destino, um dos Perpétuos, reúne seus irmãos para lhes informar sobre algo que está para acontecer que poderá mudar o rumo das coisas drasticamente, mas não especifica o que. Durante o encontro, Desejo, também um membro da família, provoca seu irmão Sonho quanto ao enclausuro da jovem Nada, que era uma princesa africana que não cedera às investidas românticas de Morfeu. Percebendo seu erro, Sonho decide ir ao inferno para resgatá-la de sua prisão, mas termina sendo surpreendido por Lúcifer, que lhe entrega a chave do inferno e deixando-o sobre seu poder. Morfeu então precisa encontrar um novo governante do inferno, pois Lúcifer o abandonou.

Depois embarcamos na história da bela Barbie, que depois de deixar seu marido Ken, encontra-se sem dinheiro e vivendo em um prédio ao lado de uma transexual, de um casal de lésbicas e de uma moça pouco sociável. Só que tudo muda quando ela encontra Dezossos, um enorme cão que vive na Terra, um reino dos sonhos de Barbie, onde ela é uma princesa. Barbie precisa voltar ao seu reino, pois o malévolo Cuco tomou conta do lugar e o está destruindo.

Mesmo que eu cite somente essas duas histórias, Neil Gaiman gosta de trabalhar entremeios, ou seja, historietas que servem para intermediar um arco de histórias do outro. O mais interessante é o extenso trabalho que ele desenvolve com vários personagens que desenvolverá para o seu Universo Gaimaniano. Quando você pensa que somente verá determinado personagem uma vez, ele nos vêm com uma reaparição em determinada história, como ocorre com Lady Johanna Constantine, que teve uma historieta totalmente dedicada a ela, depois de aparecer como coadjuvante em uma história anterior. Bem como Barbie, que somente era uma residente em um arco de história e, de repente, está a frente de seu próprio arco. É um trabalho extenso, longevo e gostoso de acompanhar.Perpetuos

Não tem como se cansar de personagens como Desejo, que sempre trama algo para desafiar tudo que Sonho representa, como no caso da historieta que corresponde ao Imperador dos Estados Unidos.

Joshua Edward Norton (1818-1880) foi um personagem verídico dos Estados Unidos que, em 1859, através de uma carta, decretou-se Imperador dos Estados Unidos. Ele residia em São Francisco e tinha o respeito de muitos, figuras da literatura mundial e da política estadunidense o convidavam para festas, além dos turistas adorarem receber sua “moeda”. O interessante dessa historieta é que Gaiman relaciona Norton se tornar imperador dos Estados Unidos, devido a uma aposta realizada entre os irmãos Devaneio, Desejo, Desespero e Delírio, onde os três últimos apostavam que conseguiriam persuadir Norton, mesmo que Sonho o mantivesse são. É uma das histórias mais lindas que já vi, pois a integridade e a sanidade de Norton é posto a prova o tempo inteiro, mas ele não pestaneja nenhum minuto.Sandman-definitivo-2-pg038

A cada momento nas histórias que compõem esta edição – como acontecera no primeiro volume – você tem uma surpresa maravilhosa e percebe a riqueza e a magnitude da composição do trabalho de Gaiman. Ele se encheu de pesquisas e conhecimento para compor seu universo. Não somente pesquisou em quadrinhos de House of Mystery e House of Secrets, da DC Comics, mas foi além ao pesquisar em mitologias Greco-romanas, célticas, germanas, africanas, se aparando nelas para enriquecer o conteúdo que escreve.

Dessa vez a Panini foi concisa na composição desse encadernado, não misturando histórias, deixando fluir aos nossos olhos tudo que compõe esse segundo volume de Sandman. Rico seria uma palavra menor para descrever o majestoso e magnífico universo criado por Neil Gaiman, Sam Kieth e Mike Dringenberg. São histórias que se eternizam em sua lembrança e o faz perceber que não existe um universo que seja melhor do que o de Sonhar e todos os personagens que por lá passam.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

RESENHA HQ: O Perfuraneve (Le Transperceneige)

O PERFURANEVE (Le Transperceneige)

o-perfura-neveRoteiristas: Jacques Lob, Bejamin Legrand

Desenhos: Jean Marc Rochette

Editora: Casterman (US: Titan Comics / BR: Aleph)

Ano: 1982 (US: 2014 / BR: 2015)

Pág.: 280

A primeira história começa com o mega trem de turismo conhecido como “Perfuraneve”, que salvou parte da humanidade após um cataclismo que nos levou de volta a Era Glacial. O trem divide os grupos em Comboios, sendo que o Terceiro Combios, os “fundistas”, são as pessoas que entraram por último no trem e ficaram no final deste, sendo execrados pelo restante dos habitantes do Perfuraneve, principalmente os militares, que os tratam como escória. As coisas aparentam mudar quando um desses fundistas, Proloff, adentra no Segundo Comboio e é interceptado por um dos guardas que o espanca. Achando que ele pode ter alguma doença, o isolam, mas uma jovem que faz parte do Grupo de Ajuda ao Terceiro Comboio, Adeline Belleau, termina entrando em contato com ele, o que acarreta em sua prisão, também. Após serem assepsiados, ambos são levados em direção aos vagões frontais, passando por vários setores e conhecendo um pouco da comunidade que habita o Perfuraneve. Só que sua passagem ocasiona em fatos que podem levar a extinção dos habitantes do Perfuraneve.

Na segunda e terceira histórias, conhecemos os habitantes do segundo trem de passageiros, o “Desbrava-Gelo”. Este é um trem bem maior que o Perfuraneve e possui um contingente maior de pessoas, que trabalham em integridade para o melhor funcionamento do trem. Quando o trem inicia o processo de frenagem, causa um enorme caos entre os moradores do Desbrava-Gelo, ocasionando a morte de vários. Um dos sobreviventes é Puig Vallés, que se torna um explorador. Os exploradores descem do trem durante a frenagem para conhecer o ambiente que o Desbrava-Gelo passa. Durante uma dessas expedições, a câmera do capacete de Puig não funciona e ele é preso e termina conhecendo a filha do Conselheiro Kennel, Val Kennel. Como punição, enviam Puig em uma missão suicida, na qual seria impossível o retorno, mas ele volta e se torna um herói, pois avisa às pessoas do Desbrava-Gelo que uma ponte está caída, possibilitando a frenagem para um conserto da ponte e tornando-o membro do Conselho. Os acontecimentos de sua prisão até se tornar herói e membro do Conselho, revoltam o grupo intitulado Alienistas, cujo líder Metronômo crê que eles estão em uma nave espacial e que precisa provar, de alguma forma, isso para todos, nem que precise destruir a nave. Encarando terrorismo, complôs, revoltas e tentativas de denegrir seu nome, Puig precisa mostrar seu valor e que se importa com a sobrevivência de todos.O Perfuraneve

Como eu pensei que seria, o filme “Expresso do Amanhã” (Snowpiecer, 2013) é bem diferente da história que nos conta esse encadernado das três histórias criadas na França entre os anos de 1982 e 2000.

A primeira história, cujo título é “O Perfuraneve”, começou a ser escrita pelo escritor Dominique “Alexis” Vallet (1946-1977), em 1977, mas terminou finalizada pelo seu colega – e parceiro na obra Superdupont – Jacques Lob (1932-1990) e desenhada pelo pintor Jean-Marc Rochette. Após o falecimento de Lob em 1990, duas novas histórias foram escritas por Benjamin Legrand, L’Arpenteur e La Traversée, dando continuidade a esse universo extensamente rico.

O caráter de valor dessas três histórias dá mais conteúdo a tudo que se conhece de ficção científica. Explora um ambiente novo quanto a cataclismos globais. Percebe-se que a ideia não se iniciou com “O Dia Depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow, 2004), mas sim com “O Perfuraneve”.L'Arpenteur

Outro trabalho bem explorado em todas as histórias são as divisões de classes e ideais que todas possuem. A primeira, mesmo que sejam somente mostradas em lembranças do personagem Proloff, mostra que os Fundistas são pessoas que vivem cada momento como se fosse – possivelmente – o último. São doentes, suicidas, pessoas nas quais os outros poucos se importam, a não ser um grupo em particular. Já nas histórias cujo personagem principal é Puig Vallés, a classe trabalhadora do segundo trem é a menos favorecida, mesmo que seja a mais importante. Ela faz tudo pelo trem, desde sair na neve para explorar o ambiente inóspito que se tornou a Terra até proteger e servir, desde que mantenha a “classe favorecida” bem e se sentindo segura. Mesmo que as vezes não pareça haver diferença, ela está nas formas com as coisas agem dentro do trem, já que a classe trabalhadora precisa ganhar sorteios para poder fazer viagens virtuais, criadas para o entretenimento de todos, enquanto os outros podem fazer as viagens quando bem desejarem.

Diferente do filme de Bong Joon-Ho, que explora a utopia e a distopia, “O Perfuraneve” explora a divisão de classes, como se fossem espécies diferentes vivendo no mesmo ambiente, mesmo que sejam todos humanos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

RESENHA HQ: Edição Definitiva Sandman: Volume 1 (The Absolute Sandman I).

EDIÇÃO DEFINITIVA SANDMAN: VOLUME 1 (The Absolute Sandman I).

sandman-ed-definitiva-vol1Roteiro: Neil Gaiman

Artes: Chris Bachalo, Coleen Doran, Mike Dringenberg, Kelley Jones, Malcolm Jones III, Sam Kieth, Steve Parkhouse, Charles Vess, Michael Zulli

Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Books)

Ano: 2006 (BR: 2010)

Pág.: 616

Em 1916, ao usar o Livro Místico de Madalena na intenção de aprisionar à Morte, Rodrerick Burgess termina aprisionando seu irmão mais novo, o Sonho.

Também conhecido como Morfeu, Oneiros, L'zoril, Kai'ckul, Moldador, ele ficou preso por mais de setenta anos, causando anomalias conhecidas como narcolepsia, a doença do sono.

A prisão de Sonho é um globo de vidro, cercado por um círculo místico que o mantém dentro. Quando o círculo é quebrado, ele escapa e, depois de se vingar de Alex Burgess, filho de Rodrerick, que ainda o manteve cativo, sai em busca de suas ferramentas. Sua algibeira que o John Constantine sabe onde está, seu elmo que está no inferno e sua pedra dos sonhos que fora recuperada pela Liga da Justiça ao combaterem o Dr. Destino, um vilão que fora aprisionado no Arkham. Após recuperar essas ferramentas, Sonho precisa combater um vórtice que pode destruir Sonhar, além de recuperar suas criações que fugiram de seu reino durante sua ausência. Entremeios, conhecemos alguns dos amores de Morfeu, alguns de seus irmãos/irmãs, membros dos Perpétuos como ele, e seus amigos.

Eu não sei o motivo de ter demorado tanto para conhecer esse Universo Gaimaniano, mas finalmente me adentrei nele. Comecei meio de trás para frente, mas me embrenhei no mundo dos Perpétuos e me encanto com a riqueza de detalhes e acontecimentos.

O mais interessante é que além de um exímio escritor, Neil Gaiman não gosta de deixar pontas soltas, além de nos mostrar várias possibilidades de seus personagens.

Nesse primeiro volume somente temos uma pequena visualização desse rico universo. Conhecemos a história de como Sonho é preso e as repercussões de sua prisão – interessantíssima a forma como Gaiman liga a narcolepsia à ausência de Morfeu em Sonhar. Fazer relação de personagens como Caim (criado por Bob Haney, Jack Sparling e Joe Orlando em House of Mystery #175 (agosto de 1968)) e Abel (criado por Mark Hannerfeld e Bill Draut em House of Secrets #81 (setembro de 1969)), John Constantine (criado por Alan Moore e Steve Bissette em Swamp Thing #37 (junho de 1985)), Etrigan (criado por Jack Kirby em The Demon #1 (setembro de 1972)), Liga da Justiça Internacional (criado por J.M. DeMatteis, Keith Giffen e Kevin Maguire em Justice League #1 (maio de 1987)), Doutor Destino (criado por Gardner Fox e Mike Sekowsky em Justice League of America #5 (julho de 1961)) com as ferramentas perdidas de Sonho, usar personagens como Moça-Elemento (criada por Bob Haney e Ramona Fradon em Metamorpho #10 (fevereiro de 1967)). A ligação intrínseca entre as histórias, sem perder as intenções de cada uma delas, é simplesmente genial.

Neil Gaiman faz ligação aos mitos conhecidos e desconhecidos, como no caso de J’onn J’onzz, o Caçador de Marte e o deus dos sonhos, L’zoril, criando uma amplitude enorme em suas histórias. O que Gaiman faz é dimensionar sua criação, usando artifícios já existentes para quantifica-la. O mito de Nada e Kai’ckul, a musa Calíope, além de usá-lo como artífice para uma das criações máximas de William Shakespeare, “Sonhos de Um Noite de Verão”, que reúne mitologia greco-romana com elementos anglo-saxônicos.Sandman1

O único problema do primeiro volume são as páginas trocadas, pois assim que terminei a página 98, logo em seguida me deparo com a página 335. Acredito que fora algum problema da Panini Books na organização das páginas ou então algum problema de impressão, mas mesmo assim não tira nenhum pouco o prazer da leitura, pelo contrário, se torna uma viagem pela leitura. Talvez muito não gostariam de ficar caçando a continuação de determinada história, mas para mim foi uma aventura sem igual.

Quando sempre falam que Sandman é uma obra máxima dos quadrinhos, depois que o lemos, percebemos que as pessoas têm toda a razão. Edição Definitiva Sandman: Volume 1 dá um início a um universo que pretendo ler sem parar, mesmo que não tenha começado pelo começo e me apaixonado pelas outras edições, conhecer Sandman pelo seu começo é algo fascinante e maravilhoso.

domingo, 20 de setembro de 2015

RESENHA FILMES: Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013).

expresso do amanhãEXPRESSO DO AMANHÃ (Snowpiercer, 2013)

Direção: Joon-ho Bong

Roteiro: Joon-ho Bong, Kelly Materson

Elenco: Chris Evans, John Hurt, Tilda Swinton, Jamie Bell, Octavia Spencer, Kang-ho Song, Ah-sung Ko, Luke Pasqualino, Ed Harris.

Uma fórmula “milagrosa” foi jogada na atmosfera da Terra para buscar evitar o Aquecimento Global, mas terminou causando o oposto, levando o planeta a uma nova Era do Gelo. A humanidade terminou quase extinta se não fosse um trem que viaja todo o planeta, ela teria sido exterminada.

O trem, uma construção do genial Wilford (Ed Harris), dá todo o sustento que os humanos precisam, com exceção do que vivem na cauda, que sofrem processos de contagem constantes, comem uma barra de proteína que eles não têm ideia como é feita e veem suas crianças serem escolhidas, desconhecendo seu destino. Mas Curtis Everett (Chris Evans) não suporta mais isso. Incentivado por Gilliam (John Hurt) e mensagens que recebe em pequenas cápsulas de metal, ele decide uma rebelião. Apoiado pelo jovem Edgar (Jamie Bell) e por Tanya (Octavia Spencer), que deseja rever seu filho que foi lhe levado, ele inicia uma incursão até a frente do trem, mas antes precisa do engenheiro de segurança do trem, Namgoong Minsu (Kang-ho Song), que sabe abrir todas as portas, e sua filha Yona (Ah-sung Ko).

O filme inspirasse no romance gráfico francês “O Perfuraneve” (Le Transperceneige), escrito em 1982 pelo escritor francês Jacques Lob (1932-1990) e desenhado pelo artista – também francês – Jean-Marc Rochette. O encadernado foi lançado no Brasil pela editora Aleph no ano de 2015, bem como esse filme.

Eu ainda não li o encadernado, mas o filme é uma ficção científica de ótima qualidade. O diretor coreano Joon-ho Bong, conhecido pelos seus suspenses “Memórias de um Assassino” (2003) e “O Hospedeiro” (2006), acerta em cheio tanto no roteiro quanto na direção, pois o filme tem uma tensão que não se cessa. A cada abrir de porta dos compartimentos não se sabe a surpresa que virá, isso sem contar o contraste da utopia com a distopia, de uma se sobressaindo sobre a outra. Enquanto a cauda vive uma distopia total, onde pessoas buscam viver uma vida utópica, os outros vagões vivem esta utopia e desejam mantê-la, mesmo que as vezes usem do caos para aproveita-la. É o típico sobrepujar os mais afortunados sobre os menos, a necessidade de utopia existir desde que tenha uma distopia. Joon-ho acertou totalmente nesse ponto, além de contar com um estupendo elenco.snowpiercer2

Chris Evans cresce cada vez mais em suas atuações. Para um cara que fez “Não é Mais um Besteirol Americano” (2001), seus últimos trabalhos mostram como ele cresceu em seus trabalhos. Seja como Capitão América, Mr. Freezy – em “O Homem de Gelo” (2012) – ou Curtis Everett, Evans tem demonstrado seu grande talento. Ele deixou de ser o rapaz sarado de “Celular – Um Grito de Socorro” (2004) para se tornar um ator muito talentoso, que sabe equilibrar drama e humor em suas atuações. Não perdeu o jeito de meninão, mas se tornou um ator maduro. Ainda mais trabalhando ao lado de atores do calibre de John Hurt, Ed Harris, Tilda Swinton e Octavia Spencer. Mesmo que eles tenham papéis menos atuantes, não deixam de ter suas importâncias no filme, por exemplo, John Hurt e Ed Harris fazem os opostos, Enquanto Hurt faz Gilliam, nomeado como líder do grupo da cauda do trem, Ed Harris é Wilford, o criador do trem de que viaja o mundo. Hurt busca tornar a distopia em uma utopia e Wilford tenta manter o equilíbrio entre os grupos que vivem no trem, mesmo que tenha de tornar a vida das pessoas que habitam a cauda algo pior do que já é. Outro que também está muito bem nesse trabalho é o ator Jamie Bell.snowpiercer

Depois de “Billy Elliot” (2000), Bell veio fazendo papéis menores, mas não que viesse crescendo com cada um deles. Personagens como Jimmy em “King Kong” (2005), Griffin em “Jumper” (2008), Esca em “A Legião Perdida” (2011) e St. John Rivers em “Jane Eyre” (2011), foram os papéis coadjuvantes de destaque que ele teve e sempre mostrando um grande talento. Bell fez recentemente Bem Grimm/O Coisa em “Quarteto Fantástico” (2015), mas como Edgar ele está muito melhor. Antes “Expresso do Amanhã” tivesse estreado em 2013, como ocorreu em outros países, que assim mostraria a todos como Bell é um ator talentoso.

“Expresso do Amanhã” é um excelente filme de ficção científica. Sobre sua relação com a revista em que baseia, ainda não posso falar, mas vale muito a pena ver.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Os – meus – 10 melhores filmes baseados em quadrinhos.

Lista de melhores filmes, quadrinhos, séries, livros, existem aos montes. Especialistas sempre lançam esses tipos de listas, mencionando o motivo do qual determinada cultura midiática pode ser considerada melhor, mas nem sempre concordamos com elas.

Fãs geralmente têm sua própria lista na cabeça. Aquela que ele guarda com afeição, que ele não consegue esquecer e que o motiva a querer sempre assistir/ler. Sendo assim, eu tenho minhas listas. Aquelas que sempre me deixam feliz de ser Nerd, que me motivam, toda vez que posso, ver/ler novamente. São filmes, quadrinhos, séries e livros que eu não consigo esquecer.

Uma dessas listas muito importantes para mim são os filmes baseados em quadrinhos.

Desde 1980 (creio que foi quando eu assisti “Super-Homem – O Filme” no cinema), eu sou simplesmente fascinado por filmes baseados em quadrinhos. Adoro Super-Homem – O Filme (Superman – The Movie, 1978), Flash Gordon (1979), Batman (1989), pois foram filmes que eu assisti no cinema e me encantaram de forma inominável.

Desde o final do século XX e começo do novo século, os cinemas têm sido tomados por uma onda de filmes baseados em quadrinhos. Não que antes não tivesse ocorrido – já mencionei alguns acima –, mas as produções têm sido investimentos de grandes estúdios, gerando – as vezes – brigas entre eles ou suas uniões.

Pensando nesses filmes, eu decidi fazer uma lista de dez filmes que considero como excelentes blockbusters, tendo enredo bem tramado, elenco empenhado e histórias bem motivadoras e com – certa – fidelidade aos quadrinhos que foram baseados. Muitos não gostaram da lista, dizendo: “Ah, tá faltando este filme”, “Ah, tá faltando aquele filme”... bem, não se pode agradar gregos e troianos, DCnautas e Marvetes, Trekkers e Star Wars, tolkienianos e georgenianos, então se desejam criticar fiquem a vontade, mas a lista não vai mudar por causa disso.

fantasy_superheroes_in_cinema10 MELHORES FILMES BASEADOS EM QUADRINHOS

10 – KICK-ASS: QUEBRANDO TUDO (Kick-Ass, 2010)

10 - Kick-Ass Quebrando TudoO filme toma como base a história criada por Mark Millar e John Romita Jr, que se baseia em Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson), um jovem rapaz fã de quadrinhos que um dia decide colocar um traje de mergulho, uma máscara de esqui e sair nas ruas para se tornar um vigilante, mas já no seu primeiro dia como herói, quase termina morto. Quando retorna as ruas, Dave termina se apelidando de Kick-Ass e assim começa suas aventuras. Ele conhece Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloë Grace Moretz), um pai e uma filha em busca de vingança contra o gangster Frank D’Amico (Mark Strong), que acredita ser Kick-Ass o culpado pelos seus problemas de tráfico, mas seu filho, Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse), decide se fantasiar de Red Mist e trair Kick-Ass.

O enredo é fantástico, pois mostra como uma pessoa comum pode se tornar um vigilante usando poucos recursos, mas que isso pode trazer grandes problemas, também. A atuação dos atores demonstra um bom entrosamento, principalmente nas relações pai e filho (a), fosse por imparcialidade (Dave e seu pai), fosse por afinidade (Big Daddy e Hit Girl) ou desinteresse (Frank e Chris D’Amico), elas são bem feitas, sem contar que a história tem um começo, meio e fim, uma verdadeira trajetória do herói. Mas peca por não usar certos elementos dos quadrinhos que a tornariam melhor ainda. Só um exemplo, na revista Dave não chega a ter uma relação com Katie Deauxma (Lyndsy Fonseca). Quando ela descobre que ele estava fingindo ser gay, ela ordena que seu namorado dê uma surra em Dave.

Certos elementos deram um tom maior de ação, mas o filme ter seguido mais próximo aos quadrinhos, que é praticamente um roteiro para o cinema. Isso o tornaria mais único do que qualquer coisa.

9 – RED: APOSENTADOS E PERIGOSOS (RED, 2010)

09 - R.E.D. Aposentados e PerigososO filme se baseia na minissérie em 3 partes escrita por Warren Ellis e desenhada por Cully Hammer. No filme vemos o aposentado Frank Moses (Bruce Willys) vivendo sua vida e mantendo contado com a bela e jovem atendente do Departamento de Aposentadoria, Sarah Ross (Mary-Louise Parker), até que um dia ele é atacado em sua casa e então esse aposentado revela ser um assassino dos mais eficientes. Moses era um operativo da CIA que sempre era chamado para depor ditadores, matar espiões e desbaratar organizações. Quando ele é atacado, decide correr atrás daqueles que querem elimina-lo e se junta a outros colegas como Joe Matheson (Morgan Freeman), Marvin Boggs (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren), para enfrentar o jovem agente William Cooper e toda uma rede que termina envolvendo até o vice-presidente do Estados Unidos, Robert Stanton (Julian McMahon).

"RED: Aposentados e Perigosos" é totalmente baseado na minissérie em quadrinhos, tendo somente como referência o sobrenome Moses do personagem de Bruce Willys e certa semelhança entre Paul (quadrinhos) e Frank (filme). Mas o que poderia ser uma desvantagem, termina se tornando algo sensacional.

Enquanto que na minissérie "Red" é o código de ativação de Paul Moses, saindo da aposentadoria para voltar à ativa, no filme R.E.D. se torna a sigla para Retired Extremely Dangerous (algo como Aposentado Extremamente Perigoso, em inglês), o que torna as histórias distintas. Outra grande diferença é que enquanto Ellis se concentra em uma história solo de Paul Moses, os roteiristas John e Erich Hoeber criam vários personagens que auxiliam e vão contra Frank Moses, ampliando a história em quantidades.

Ambos os enredos são muito bons, pois na minissérie, Paul busca matar todos que decidiram retira-lo da aposentadoria, já no filme Frank pretende se unir a sua velha equipe para descobrir e exterminar aqueles que decidiram tentar mata-lo. O filme trabalha a ideia de espionagem e contraespionagem, algo bem corriqueiro no período da chamada "Guerra Fria". Mas seu erro é o lance de criar uma dupla romântica.

Na minissérie temos Sally, que sempre atende Paul Moses e trabalha no departamento de aposentados da CIA, mas a ligação dela com Paul é bem pequena. Sim, ele sente uma afeição e ligação com ela, mas é o suficiente para não matá-la, mas no filme Frank busca ter mais do que uma ligação carinhosa com a atendente Sarah. É engraçada e divertida a relação de ambos, mas se não tivesse rolado tornaria a história mais dinâmica.

8 – O JUSTICEIRO: EM ZONA DE GUERRA (Punisher: War Zone, 2008)

08 - O Justiceiro Em Zona de GuerraAntes desse filme ser feito, foram feitas outras duas tentativas de leva-lo ao cinema, mas ambas foram infrutíferas e não retrataram Frank Castle em toda sua extensão. A primeira foi um enorme fracasso, pois com exceção do nome do personagem e dele ter perdido a família no meio de um tiroteio, nada mais se assemelha ao personagem. Na segunda, teve um sucesso morno, mas as mudanças na história do personagem e na sua forma de agir terminou sendo muito criticado, tanto que o ator Thomas Jane depois fez o fanfilm “Dirty Laundry” como um pedido de desculpas aos fãs e mostrou que ele poderia ter sido um Justiceiro bem melhor do que no filme de 2004.

Quatro anos depois do filme com Jane e Travolta (este fazia o mafioso Howard Saint), a diretora Lexi Alexander dirigiu “O Justiceiro: Em Zona de Guerra”. Esta alemã – ex-campeã de Karatê e Kickboxing - já havia dirigido e co-roteirizado o fantástico “Hooligans”. Ela pegou o roteiro de Nick Santora, Art Marcum e Matt Holloway e tornou-o mais fiel ao legado de Frank Castle.

No filme, Frank (Ray Stevenson) é um ex-fuzileiro que perdeu a esposa e os filhos em meio a um tiroteio de gangsteres, quando faziam um piquenique no Central Park. Ele se tornou obcecado em destruí-los, sendo juiz, júri e carrasco de qualquer pessoa que não siga a lei, seja bandido ou policial, ele não perdoa. Durante uma batida numa festa na casa do mafioso Gaitano Cesare (John Dunn-Hill), Frank termina perdendo Billy “O Belo” Russotti (Dominic West), um capanga de Cesare com pretensões de grandeza no tráfico de drogas. Este foge para uma fábrica de reciclagem e termina sendo atacado pelo Justiceiro, que o joga em uma máquina de reciclagem de vidros. Durante o ataque, Frank termina matando um agente infiltrado na quadrilha de Russotti e isso o corrói por dentro. Deformado, Russotti agora se intitula Retalho e decide solta o irmão, James “Loony Bin Jim” Russotti (Doug Hutchison), para que ambos dominem Nova Iorque de assalto.

Frank agora é perseguido pelo parceiro do agente que assassinara, Paul Budianski (Colin Salmon), que se une ao detetive Martin Soap (Dash Mihok) na – chamada – “Força-Tarefa Justiceiro”, para ser levado à justiça pelo crime de assassinato de um agente da lei. Ele busca a remissão tentando ajudar a esposa e a filha do agente, mas sua única forma de ajuda-la e salvando-a de Cicatriz e seu irmão lunático, que descobrem do agente infiltrado e decidem se vingar na família dele.

No filme vemos vários elementos da mitologia de Frank Castle, como lembranças do assassinato de sua família, que o assombra, personagens como Retalho e David “Microchip” Lieberman (Wayne Knight), que sempre estiveram ligados ao personagem. Mas a forma como o ator Dominic West cria a personalidade do vilão Retalho se tornou caricata. Em vez de uma loucura desenfreada por ter tido os nervos da face cortados, ele se tornou um vilão engraçado. E esse é o grande problema do filme, as caracterizações dos vilões ficaram caricatas enquanto deveria ter uma profundidade maior no arquétipo da demência desenfreada tanto do Retalho quando de Loony Bin Jim. Também vemos essa construção caricata no detetive Martin Soap, que é um “bucha”, somente servindo para ser salvo pelo Justiceiro. O Microchip, que é um hacker sofisticado, é mais forte do que o detetive, que nada mais é do que uma piada dentro do próprio distrito. Já a história busca algo que os outros não tentaram, ou seja, uma proximidade maior com os quadrinhos, pois Frank Castle não tem pena dos bandidos. Ele usa de todos os meios e subterfúgios para destruir seus inimigos. Se algum escapa é por pura sorte, não porque ele quis. A violência é o que se espera de um filme sobre o personagem, nada mais e nada menos que isso. Enquanto alguns atores erraram drasticamente na criação de seus personagens, a história e a direção acertaram em cheio no resto.

7 - BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (The Dark Knight Rises, 2012)

07 - Batman O Cavaleiro das Trevas RessurgeEste é o final da trilogia do diretor e roteirista Christopher Nolan. Neste filme, depois de ser acusado do assassinato de três policiais e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman (Christian Bale) não é visto nas ruas de Gotham há cinco anos, mas com a implantação da Lei Dent, ele e o Comissário James Gordon (Gary Oldman) se tornaram obsoletos. Mas isso está para mudar quando Bane (Tom Hardy) chega à cidade. Mas antes dele estabelecer sua "Nova Ordem", Bruce Wayne – alter ego do Batman - é assaltado pela Selina Kyle (Anne Hathaway), também conhecida como A Gata, uma ladra profissional que lhe rouba mais do que o estimado colar de pérolas de sua mãe, levando-o a falência. Mas antes disso, Bruce determina Miranda Tate (Marion Cotillard) como nova presidente das Indústrias Wayne, mas esta também possui segredos nas trevas. Depois do que Bane faz com Gordon, Batman decide ir contra ele e termina paraplégico e é jogado no Foço, de onde precisa ressurgir para salvar sua cidade, nem que para isso precise se sacrificar.

Esse último filme foi o mais criticado da franquia por vários motivos, mas sempre vi como um fechamento grandioso para Cavaleiro das Trevas. A forma como trataram todo o processo das angustias de Bruce com a morte de sua amiga e interesse romântico Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), seu corpo debilitado por causa dos anos que agiu como Batman, suas perdas, seu ressurgir e o final apoteótico, tornou o terceiro filme muito bom. Nele temos a continuidade do que já vinha acontecendo nos filmes anteriores. Ótimos atores bem relacionados com seus papéis, a introdução de novos atores que dão vida grandiosa aos seus personagens. Uma história bem amarrada – com alguns buracos, para quem não conseguiu entender a franquia desde o começo – com começo, meio e fim. Mas com um problema, a finalização dos personagens.

Com exceção do Batman, que teve toda uma explicação do que ocorrera com ele, personagens como Amanda Tate – que se revelou ser Talia Al Ghul, filha de Ra’s Al Ghul – e Bane têm um fim simplório para personagens que demonstraram serem de suma importância para a transcorrer do filme. O detetive Robin John Blake (Joseph Gordon-Levitt), de repente, ganha esse primeiro nome como se este fosse um fantasma que o assombra e que ele não deseja revelar. São coisas que poderiam ser melhor trabalhadas, mas não tira o mérito do filme e por isso eu o coloco nessa lista.

6 – HOMEM DE FERRO (Iron Man, 2008)

06 - Homem de FerroA partir de Homem de Ferro, a Marvel Studios começou a construir seu Universo Cinemático, que mistura filmes, seriados, animações e quadrinhos em um mesmo universo.

No filme, Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um bilionário que tem negócios com o governo dos Estados Unidos vendendo armas bélicas. Durante uma visita à região da palestina, para apresentar um novo armamento, o comboio que estava é atacado e ele é sequestrado. Com fragmentos de metal bem próximos de seu coração, Tony recria seu artefato ARC em miniatura para manter os fragmentos longes de seu coração e mantê-lo vivo. Seu sequestro acontece, pois seus captores desejam que ele remonte a arma que ele apresentava ao exército dos Estados Unidos, mas ao invés disso, com a ajuda de outro cativo, Yinsen (Shaun Taub), ele cria uma armadura que o ajuda na fuga do seu cativeiro. Resgatado pelas tropas estadunidense do meio do deserto, Tony retorna aos EUA, onde decide cessar com a fabricação e venda de armamentos, surpreendendo seu amigo e tutor Obadiah Stane (Jeff Bridges), pois descobrira que as armas que sua empresa fabrica estão sendo comercializadas, também, com os exércitos palestinos. Nesse interim ele é visitado pelo agente Phil Coulson (Clark Gregg) da Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, uma agência de contraterrorismo que diz querer ajuda-lo. Mas as intenções de Tony vão além de parar de fabricar armas, pois ele pretende criar uma nova armadura e combater àqueles que usam suas armas para o terrorismo global, criando o Homem de Ferro. Com auxílio da inteligência artificial J.A.R.V.I.S. (Paul Bettany), ele faz várias tentativas até acertar, mas após enfrentar as forças palestinas lideradas por Abu Bakaar (Sayed Badreya), ele é descoberto pela Força Aérea estadunidense e recorre ao amigo James “Rhodey” Rhodes, tenente-coronel da Força Aérea, que o livra. Enquanto isso, o próprio Stane aparece como o negociador de armamentos com o grupo extremista conhecido como “Dez Anéis”, liderados por Raza (Faran Tahir), que sequestraram Tony e, agora, tem como posse a armadura que este criara quando cativo. Matando Raza, Stane leva a armadura e pretende criar sua própria, mas não consegue desenvolver a fonte de alimentação da armadura, então a rouba de Tony, que criara uma nova. Rhodey encontra Tony à beira da morte, mas o salva e este vai atrás de Stane que é descoberto por Coulson e a secretária de Tony, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), usando uma enorme armadura que se assemelha a primeira de Tony. Em uma luta épica, Tony o vence, salvando sua empresa.

Como eu disse inicialmente, com este filme a Marvel deu o pontapé inicial para o conhecido MCU (Marvel Cinematic Universe). E o fez com chave de ouro, pois o roteiro de Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway, juntado à direção de Jon Favreau, trouxe, pela primeira vez, um filme muito fiel às origens do personagem Tony Stark/Homem de Ferro. As mudanças foram necessárias, pois quando Jack Kirby, Stan Lee e Don Heck criaram o Homem de Ferro para a Tales of Suspense #39 (março de 1963), os Estados Unidos participavam da Guerra do Vietnã (1955-1975). Mas todos os elementos estão ali, o que torna Homem de Ferro em um filme muito bom. As atuações também são memoráveis, desde as participações menores como Shaun Taub no papel de Yinsen e Clark Gregg como o agente Coulson, até o fantástico Jeff Bridges como Obadiah Stane e Robert Downey Jr – em remissão – como Tony Stark, nenhum ator fica a dever a qualquer outro. Mesmo a tensão romântica entre Tony e Pepper é bem esquematizada, sem quebrar o ritmo do filme e sem ser melosa demais. O que quebra o filme é somente uma coisa, a necessidade de apresentar vários elementos do personagem em um só filme, como ele revelar sua identidade ao final da película. Sei que isso se deve ao caráter atrevido de como Tony se revela no filme, mas se mantivessem sua identidade secreta, seria uma forma de explorar isso mais a fundo no futuro. Uma das coisas que sempre cria tensão nos quadrinhos é exatamente isso, pois enquanto o Homem de Ferro é tratado como um herói, Tony Stark é visto como uma pessoa frívola e inconsequente. Seria algo que poderia vir a ser mais explorado nos outros filmes, explorando o quanto um segredo desses poderia influenciar a vida daqueles que conhecem a verdade.

Homem de Ferro iniciou a corrida cinematográfica da Marvel Studios nos cinemas de forma memorável, mas pecou em explorar arquétipos que poderiam ser interessantes no futuro.

5 – BATMAN BEGINS (2005)

05 - Batman BeginsSe o Batman teve um começo memorável nos cinemas, foi com Batman Begins.

Não desmereço o filme de 1989, mas naquele filme o Batman era um personagem secundário, ficando tudo centrado no Coringa vivido por Jack Nicholson, mas nesse filme vemos a construção do herói.

O filme nos mostra como Bruce Wayne (Christian Bale) se torna o Batman. Mostra a infância do personagem, a perda de seus pais pelas mãos de Joe Chill (Richard Brake), sua convivência com seu mordomo Alfred (Sir Michael Caine) e a assistente de promotoria Rachel Dawes (Katie Holmes). A parceria com o sargento de polícia James Gordon (Gary Oldman) e o embate contra Carmine Falcone (Tom Wilkinson), Dr. Jonathan Crane, o Espantalho (Cillian Murphy) e Ra’s Al Ghul (Ken Watanabe/Liam Neeson). O roteiro de Christopher Nolan e David S. Goyer explora cada meandro da mitologia do Batman. Vai desde o – já mencionado – assassinato de seus pais, passando pelo seu treinamento e ele adquirindo o material que possa torna-lo mais do que um vigilante. A direção de Nolan é minuciosa em vários detalhes, ele se preocupa com cada situação que faz de Bruce Wayne o Batman, mostrando que não é só um cara vestir um traje com orelhas pontudas, pular pelos telhados e bater em bandidos que torna o Cavaleiro das Trevas em uma lenda da cidade. Ele tem aliados, pessoas que o ajudam e estão constantemente ligados a sua ação. Tem pessoas como Lucius Fox (Morgan Freeman), que lhe fornece o material ideal para ele agir, ou mesmo Alfred que lhe dá orientação e conselhos.

O elenco do filme é outra estrela a parte. Mesmo personagens como Joe Chill e William Earle (Rutger Hauer), que são menores se destacam no filme. Temos um elenco maximizado por atores britânicos, um país cuja arte de interpretar é fantástica, gerando alguns dos melhores atores do mundo. Temos Gary Oldman, Tom Wilkinson, Christian Bale, Liam Neeson, Cillian Murphy, Sir Michael Caine, Linus Roache e Richard Brake como um bom exemplo. Eles se juntam a atores do calibre do holandês Rutger Hauer e do estadunidense Morgan Freeman, para dar alma a esse filme. Mas o que Batman Begins tem algumas falhas que terminam sendo consideradas mínimas, terminam colocando nessa classificação. Um dos problemas do filme são as cenas de ação, pois como são feitas em ângulo fechado terminam perdendo um pouco da emoção. Outro problema fica com a atriz Katie Holmes que não parece confortável com a personagem Rachel Dawes. Ela parece se preocupar somente com uma intenção da personagem, esquecendo a tensão romântica que Rachel Dawes tem com Bruce Wayne. Tirando esses pontos, Batman Begins é considerada como a melhor história de começo de um personagem dos quadrinhos no cinema, tanto que muito usaram a forma “realista” de Nolan como referência para os filmes que foram lançados após este.

4 – CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR (Captain America: The First Avenger, 2011)

04 - Capitão América O Primeiro VingadorSe Homem de Ferro foi o começo do Universo Cinemático Marvel, “Capitão América: O Primeiro Vingador” foi a pedra angular para esse universo. Ele é o prequel que estabelece o princípio do Universo Marvel como um todo.

No filme, temos o franzino Steve Rogers (Chris Evans) tentando ingressar no exército do Estados Unidos, pois deseja ir para a Segunda Guerra Mundial ao lado do seu amigo Bucky Barnes (Sebastian Stan), mas somente consegue ser reprovado até que o Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci) o vê e lhe chama para o projeto super-soldado, submetendo-o a um experimento inovador que o transformará no exército de um só. Erskine é assassinado, mas consegue com que Steve se torne o super-herói que ele desejava. Só que o coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones) acha que Steve não seria o suficiente para o que ele deseja, ou seja, vencer a guerra. Então o nomeado Capitão América se torna um instrumento do governo para angariar bônus, fazendo apresentações e filmes promocionais.

Steve consegue chegar ao local de batalha, mas como entretenimento das tropas, mas fica sabendo que seu amigo Bucky e outros soldados foram capturados. Ajudado pela agente do serviço britânico Peggy Carter (Hayley Atwell), Steve vai atrás dos soldados e termina encarando Johann Schmidt (Hugo Weaving), o Caveira Vermelha. Ele salva a todos e demostra ser de enorme valia para o exército estadunidense. Com ajuda de Howard Stark (Dominic Cooper), Steve consegue um traje e seu escudo.

Ele enfrenta a Hidra, uma frente de combate nazista que explora forças sobrenaturais e usa armas super-avançadas para vencer o combate em nome do führer. Capitão América e seus aliados precisam vencê-los, senão a derrota será certa e as perdas serão grandes.

Foram necessários quatro filmes iniciais para lançarem o filme que define o Universo Marvel no que ele é. A construção do herói, mais uma vez, é o ponto chave desse filme, mas a construção vai no crescente fantástico, pois Christopher Markus e Stephen McFeely tem um grande respeito com toda a trajetória de Steve Rogers no Capitão América. Eles não o tratam como um símbolo americano, mas como um símbolo da justiça. Capitão América se mostra o verdadeiro super-herói, pois ele demonstra um altruísmo único, pouco visto em filme de super-heróis. Ele usa todo o seu dom e poder para ajudar aos outros, mesmo que precise se sacrificar. Ele não pensa somente em si, mas vai além, sempre pensando no bem maior. A direção de Joe Johnston somente torna isso tudo em realidade, mas ele é um diretor acostumado a filmes grandes, além de contar com um elenco excelente e promissor. Mesmo Chris Evans e Sebastian Stan surpreendem em suas interpretações, mas eles trabalham ao lado de atores como Stanley Tucci, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving e Toby Jones, além de ter o suporte dos britânicos Hayley Atwell e Dominic Cooper, mas, mesmo assim, Evans e Stan estão ótimos.

“Capitão América: O Primeiro Vingador” somente ocupa essa posição devido a falhas pequenas, principalmente na construção histórica do filme. No começo parece que o Capitão América combaterá o Terceiro Reich, mas ele somente enfrenta a Hidra, como se as tropas nazistas e toda a Segunda Guerra Mundial ficasse em segundo plano do filme, o que não deixa de ser uma verdade. Lógico que isso é o mínimo do filme, pois ele tem a dosagem certa de ação, drama e humor, sem perder nunca o ritmo.

3 – DREDD (2012)

03 - DreddO filme é baseado no personagem da editora britânica 2000 AD, criado por John Wagner e Carlos Ezquerra. Dredd teve um filme em 1995 com Sylvester Stallone, mas é totalmente execrado pelos fãs devido a pompa e falta de conteúdo do personagem, tendo muito pouco do mito de Dredd no filme.

Mas em uma redenção esse novo filme foi feito, tendo mais respeito ao personagem.

Dredd é membro da Ordem dos Juízes em Mega City I, um conglomerado de blocos que existe em um Estados Unidos distópico. Ele é chamado para a avaliação de uma nova Juíza, Cassandra Anderson. Nesse mesmo dia o Peach Trees, um bloco de 200 andares, teve três assassinatos feitos pelos capangas da chefe local, Ma-Ma, então Dredd e Anderson são chamados para investigar o crime e prender, julgar e punir Ma-Ma e seus asseclas. Mas tudo não será tão simples, então Dredd e Anderson se envolvem em uma verdadeira guerra dentro do bloco. Além dos homens de Ma-Ma, os dois precisam enfrentar Juízes corruptos e sobreviverem até o dia seguinte.

Não é filme de origem, não parece nem um filme baseado em quadrinhos, mas é um dos melhores filmes nesse sentido. “Dredd” traz toda a carga de ação e violência das revistas do personagem britânico. Ele mostra de forma única a distopia que Mega City representa, com seus Juízes e seus bandidos. A representação de como uma sociedade pode se tornar pior do que imaginamos, mesmo que os oficiais da lei tomem a justiça nas próprias mãos. O roteiro de Alex Garland é uma referência sem igual ao universo de Dredd, respeitando tudo que Wagner – e posteriores escritores – fizeram pelo personagem. Pete Travis traz toda a crueza dos quadrinhos com sua direção. Junte a isso a capacidade dos atores se entregarem aos personagens, temos um dos três primeiros colocados entre os melhores filmes baseados em quadrinhos. Só não o coloquei como primeiro ou segundo, pois senti falta de outros elementos de Dredd, que talvez venham a aparecer, se derem uma nova chance ao personagem nos cinemas.

2 – CAPITÃO AMÉRICA 2: O SOLDADO INVERNAL (Captain America: The Winter Soldier, 2014)

02 - Capitão América O Soldado InvernalChegamos à segunda posição e essa é ocupada por “Capitão América 2: O Soldado Invernal”. Por quê? Porque esse filme consegue equilibrar ação e intriga política na dosagem certa.

Não é bem uma continuação do primeiro – apesar de compartilhar de semelhanças – e nem de nenhum outro filme do MCU, mas tem ligação com este Universo. Neste filme, Steve Rogers não somente encara um homem por trás de um grande mal, mas sim o mal personificado em uma organização, a Hidra, que retorna com mais força do que ele poderia imaginar. E para piorar os inimigos são pessoas em quem Steve confiou e que ele estimava serem amigos, companheiro de combate, como ele tivera na Segunda Guerra. Mas tudo é muito, muito pior. Ele somente pode confiar em quem menos confia, ou seja, Nick Fury (Samuel L. Jackson). Ainda pode contar com Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Maria Hill (Cobie Smulders) e o soldado Sam Wilson (Anthonie Mackie) como aliados consideráveis, mas precisa enfrentar o seu melhor amigo transformado em um inimigo, pois agora Bucky Barnes (Sebastian Stan) é o Soldado Invernal, um sobrevivente da Guerra Fria que se tornou uma lenda. Isso graças a Armin Zola (Toby Jones), que conseguiu mantê-lo em hibernação e conservação, além de dá-lo um braço biônico.

Esse Soldado Invernal é responsável pelo atentado a vida de Nick Fury e é onde começa a Hidra a agir e tomar de assalto a S.H.I.E.L.D. Steve enfrenta Brock Runlow (Frank Grillo) e outros soldados da S.H.I.E.L.D. em uma das cenas mais icônicas de combate corpo-a-corpo. Mas é difícil não dizer um momento que não tenha isso no filme. As cenas de ação são fantásticas, abertas e limpas, onde você pode ver elas do começo ao fim sem parecerem confusas. E quando falei de intriga política, falo exatamente da tomada de poder de uma organização terrorista sobre uma organização de proteção dos Estados Unidos. A ascensão ao poder da Hidra é algo que se vê em filmes como “O Quarto Poder”, “Sob o Domínio do Mal” e tantos outros. Não se imagina ver tal enredo em um filme baseado em quadrinhos, mas algo semelhante já ocorrera em Captain America #175, quando a organização Império Secreto assume o governo dos Estados Unidos. Steve Englehart engendrou uma história de intriga política fascinante, que pode ter servido de inspiração para os grandiosos Christopher Markus e Stephen McFeely.

O mais surpreendente é a direção inspiradora dos irmãos Anthony e Joe Russo. Pensava-se que por estarem acostumados a fazerem filmes e séries de comédia, não dariam conta de um filme dessa magnitude, mas conseguiram fazer uma história tão acertada que fica difícil encontrar algo que não funcione nela, algum defeito. Então, por falta de algo, vou ficar com a falta de um vilão com força, um vilão que seja lembrado, como ocorreu no primeiro filme com o Caveira Vermelha interpretado por Hugo Weaving. Temos vários vilões, vários antagonistas, mas nenhum que seja memorável e eternizado. Algo que o primeiro lugar tem de sobra.

1 – BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS (The Dark Knight, 2008)

01 - Batman O Cavaleiro das TrevasO primeiro foi muito bom, o terceiro foi bom, mas o segundo... foi ótimo.

“Batman: O Cavaleiro das Trevas” é um filme baseado em quadrinhos que tem ação, drama, suspense, tensão e nos dá um dos maiores vilões do cinema de todos os tempos, o Coringa (Heath Ledger).

Não é a primeira caracterização do personagem nos cinemas, pois no já citado "Batman" (1989), ele fora caracterizado com um gângster que enlouquece após cair em um tonel de ácidos que o deforma. Desta vez a criação foi mais baseada na insanidade do personagem. Mesmo sendo a maior - e melhor - lembrança do filme, "Batman: Cavaleiro das Trevas" tem como plano central a desconstrução do herói. E nisso o Coringa é totalmente responsável. Ele primeiro deseja a identidade secreta do Batman (Christian Bale), depois deseja à morte daquele que sabe essa identidade. Além disso, ele consegue transformar Harvey Dent (Aaron Eckhart), o "cavaleiro de armadura branca" no insano Duas-Caras.

As questões que permeiam o filme são totalmente claras e coesas, mostrando que ela tem um objetivo tentando destruir a imagem dos heróis de Gotham. Mas ele também bate de frente com o intelecto do Batman e a integridade dos cidadãos da cidade, pois quando ele acredita que o caos reinará, se mostra bem longe disso.

A dualidade é outra coisa bem explorada no filme. O tempo todo vemos aço sentido do duplo, sejam nas histórias assombrosas do Coringa, seja na desistência de uma dupla identidade de Bruce, na criação de uma dupla personalidade em Harvey Dent ou na dualidade do segredo que o Cavaleiro das Trevas e o Comissário Gordon (Gary Oldman) precisam guardar.

O ritmo da ação não se perde em nenhum momento, sendo parte necessária do filme, não somente sendo colocado para dar um ritmo mais acelerado.

A tensão amorosa criada no triângulo amoroso entre Bruce Wayne/Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) /Harvey Dent desencadeia cenas memoráveis.

O roteiro, a história e direção é de Christopher Nolan, que dividiu o roteiro com o irmão, o - também - talentoso Jonathan Nolan, baseados em uma história que Nolan criou com David S. Goyer.

Vemos referências aos quadrinhos (Batman #1 (1940), Piada Mortal). As mudanças nos mitos não são absurdas e insuportáveis e o elenco é primoroso.

"Batman: O Cavaleiro das Trevas" está no primeiro lugar pois tem um enredo firme, uma história coesa, ação bem assimilada a vários outros conceitos cinematográficos (drama, romance, suspense), uma direção afiada um elenco bem orgânico e um vilão memorável que entra para a categoria de melhor vilão dos cinemas, ao lado de Darth Vader, Jason Voorhees, Michael Myers e Freddy Krueger. Será difícil esquece-lo.

MENÇÃO HONROSA: WATCHMEN (2009)

0600005030QAr1.qxd:0600005030QAr1Uma lista como essa não poderia ficar sem uma menção honrosa, então eis Watchmen.

Sempre que se lê essa história criada em doze partes pelo escritor Alan Moore e pelo desenhista Dave Gibbons, percebemos que os vigilantes são personagens jogados a escanteio devido a uma nova ordem mundial, onde eles não cabem. Mas eles tentam persistir e defender o bem comum, se sacrificando mostrando o verdadeiro significado de herói, ou seja, aquele que faz algo por alguém por puro altruísmo, mesmo que isso signifique o seu próprio sacrifício.

É algo que vemos em bombeiros, alguns policiais e pessoas que não medem esforço para agir corretamente, defendendo, protegendo e socorrendo àqueles que precisam. Foi assim que ocorrera com os primeiros vigilantes dessa minissérie, os Minutemen. Eles se tornaram heróis pois queriam fazer algo mais, mas sem revelar a própria identidade e sem prejudicar àqueles que amam, escondendo-se atrás de máscaras e capuzes. Alguns fizeram por marketing, outros fizeram porque tinham condição de fazer e outros fizeram por simples diversão, como o Comediante (Jeffrey Dean Morgan).

O filme começa bem, com referência direta a alguns detalhes dos quadrinhos, mas nos poucos minutos de projeção já mostra exageros que nunca fizeram parte da minissérie. Quando Comediante é atacado, ele está desgastado, abatido, se sentindo desmoralizado e desconcertado, então “deixa” ser morto. Ele é pego de surpresa, não há briga, não há conflito, somente um homem desgostoso da vida sendo assassinado.

Depois vemos várias outras referências, quadros montados diretamente da revista para o filme, mas detalhes passando como se fossem algo a ser desconsiderado. A última máscara que o Comediante usa lembra os sadomasoquistas, com os olhos aparecendo e um zíper aberto na boca. Isso, além de mostrar o nível de insanidade do personagem, busca esconder uma fraqueza, uma cicatriz que ele possui no rosto e não deseja mostrar aos seus inimigos, para que não achem que ele deixou ser atacado, já que sempre se mostrou forte e determinado. Isso não é levado em conta. Também não se leva em conta que os trajes de elastano são para ser ridículos. É o quão ridículo chega o ser humano a usar colantes ou camisetas sociais e sunguinhas. Desconsidera-se isso ao colocar o segundo Coruja (Patrick Wilson) em uma armadura que recua sua barriga acentuada como se fosse uma cinta, deixando-o parecer em forma. Bem como o traje “clássico” de Ozymandias (Matthew Goode), sendo substituído por uma armadura com mamilos acentuados. Isso sem contar os “superpoderes” que cada personagem de Watchmen parece ter. Em uma luta – demasiadamente coreografada com o slow motion – vemos o Coruja e Espectral (Malin Ackerman) quebrarem vários ossos de bandidos, em vários lugares que precisaria exercer uma enorme força para tal. Não são deslocamentos, mas quebrar mesmo. Eu creio que os personagens deveriam ter algum problema nos ossos para estes serem quebrados tão facilmente.

Mas existem coisas positivas no filme também, como a caracterização do Rorschach (Jackie Earle Haley), um dos personagens de maior destaque no filme, bem como o Dr. Manhattan (Billy Crudup). Como eu disse, algumas cenas são retratações muito fieis à minissérie, sendo praticamente uma montagem perfeita. Mas é uma pena como armaduras tomaram lugar dos ridículos trajes colantes. Isso sem contar a mudança drástica do final do filme, que quebra totalmente a ideia do ridículo que Moore busca retratar com sua história.

Eu não sou fã do filme “Watchmen”, considerando o começo da decadência do diretor Zack Snyder (que teve sua redenção recentemente em “O Homem de Aço” (2015)), mas não tiro os méritos de tentar levar uma das maiores obras da nona arte para a sétima arte, só que demonstra que é impossível filmar algo tão grandioso quanto Watchmen, que deveria ter nascido e permanecido somente nos quadrinhos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cultura do Deslocado: seriados.

SelfieSimpsons

Quando se procura a palavra descolado nos dicionários, em seu sentido figurado, se fala de alguém fora de seu ambiente habitual, formal, mas se pegarmos esta palavra no seu sentido macro, em ambiente generalizado, é assim que eu me sentia quando mais novo, pois gostava de coisas que outros não gostavam. Hoje esse sentido se dispersa, pois ser deslocado é ser pop, o que termina descaracterizando a palavra em si.

Um deslocado era – ou é – uma pessoa com preferências e gostos diferentes de diversão e entretenimento. No meu caso, em específico, era meu prazer em ler quadrinhos, brincar de super-heróis (meu primo era o Batman, meu irmão era o Robin e eu, pra não ser o Alfred, era o Batmão (sem ferir os direitos autorais do Maurício de Sousa)), assistir desenhos animados e seriados (minha hipermetropia é graças as minhas horas de frente para a TV), passar horas desenhando, criando meus personagens (tenho meu próprio universo de personagens) e criando suas histórias (coisa que eu faço até hoje em dia... bem maluco mesmo!), que às vezes eu mesclava com as brincadeiras de super-heróis (a varanda da casa de minha avó era o cockpit de um furgão, com direito a comunicação por rádio. rastreamento por radar e sistema de armas). E eu sempre gostei de seriados.

the_incredible_hulk_posterAssim, não vou me lembrar qual foi o primeiro seriado que eu assisti, mas me lembro remotamente, dos seriados do Batman, com Adam West e Burt Ward e suas onomatopeias, d’O Incrível Hulk, com Bill Bixby no papel de David Banner e Lou Ferrigno no papel do gigante verde (não vou chamar de esmeralda, pois a pintura as vezes criava um contraste de verde com o tom da pele dele que NUNCA seria esmeralda), o Homem de Seis Milhões de Dólares, A Mulher-Biônica, Mulher-Maravilha, Poderosa Ísis e Shazam. Não me lembro de acompanhar séries como Jornada nas Estrelas (hoje chamado pelo nome verdadeiro por uma grande maioria, ou seja, Star Trek), Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, mas também, aqui na minha cidade só tínhamos acesso a três canais, TVS (agora conhecida como SBT), Rede Globo e TVE (hoje conhecida como TV Cultura), então ficávamos submetidos ao que passava nestes canais. Eu também me recordo de assistir Spectreman, A Terra Perdida (que eu não gostava muito).

Uma das recordações mais memoráveis que possuo foi quando anunciaram o seriado do Homem-Aranha. Eu e meu irmão estávamos na casa de uma amiga de nossa mãe quando o seriado estreou e ela tinha um filho e nós assistimos todos juntos para depois ficar brincando de subir pelas paredes como Hammond fazia na série. Lembro até hoje de subir nos portais e ficar dizendo “olha, eu sou o Homem-Aranha”, bem sem noção, mas que nutria minha sede por novidades na minha vida.

Eu parava tudo que fazia para assistir os seriados e foi assim até mais tarde, quando eu e meu irmão corríamos para chegar a tempo de ver os seriados da Sessão Aventura. Fosse a brasileiríssima Armação Ilimitada com Juba, Lula, Zelda e Bacana, ou mesmo as séries estrangeiras comomanimal Manimal, Moto Laser, Automan, Trovão Azul, Águia de Fogo, The Flash e Robocop. Ou então passava o canal e assistia Esquadrão Classe A (assisti poucos episódios, mas o que assisti adoro até hoje) e Super Máquina. Com certeza era diversão garantida e horas na frente da TV.

Essa paixão por séries nunca esmoreceu, pois televisão – ao contrário dos quadrinhos – eu não precisava pagar para assistir o que desejava, estava a minha disposição, desde que chegasse a tempo para ver.

Hoje em dia, um – possível – descolado tem o mais variado leque de opções para o que deseja assistir, desde séries inspiradas em quadrinhos até séries baseadas em literatura fantástica, passando pela ficção científica, que nunca pode fazer falta. Eu mesmo busco manter meu tempo nos fins de semana me mantendo atualizado com o que tem de novo. Assisto The Walking Dead, Fear The Walking Dead (tá, começou agora, mas já estou acompanhando), the flash-arrowThe Flash (Bem diferente do clássico dos anos de 1990, mas tão bom quanto), Gotham, Arrow, Agentes da S.H.I.E.L.D., Agente Carter, Constantine (é, eu sei que foi cancelado, mas eu acompanhei), Demolidor, Powers, Hawaii Five-0, Under the Dome (que eu tive a triste notícia que foi cancelado), Dark Matter, Killjoys, Narcos (estreou a pouco no Netflix, com Wagner Moura, e é excelente), The Blacklist, The Originals (spinoff de The Vampire Diaries, que dá de 10 a 0 na original) e Game of Thrones.

Eu sempre busco me atualizar e assistir de tudo um pouco, mas termino me enjoando ou não me identificando com o contexto de determinadas séries e desisto delas, como o recente Mr. Robot e True Detective. Existem aquelas que eu insisto, mas por causa de outras séries que considero mais interessantes, desisto, Terra Novacomo foi o caso de Teen Wolf, American Horror Story, Elementary e Defiance, que eu vinha gostando do conteúdo, mas cessei o acompanhamento.

Como boa parte das séries que eu acompanho são feitas pra emissoras de TV dos Estados Unidos, eu me frustro quando descubro que determinada série foi cancelada e eu acreditava que teria um futuro promissor, como no caso de Moonlight, Roma, Terra Nova, – já citada – Stargate Universe e – também – Constantine, mas também fico feliz quando consigo acompanhá-la até o final como Dexter, Spartacus, Fringe e Breaking Bad, mesmo que elas me deixem decepcionados como no caso de Lost (como eu ODEIO aquele último episódio).

Eu convivo com seriados como se fosse um ar que eu respiro, me divirto assistindo-os e não me canso deles. Sentiria muita falta se um dia sentasse em um sofá ou deitasse em minha cama e não tivesse uma série para eu assistir. Acho que me sentiria vazio, sem objetivo.

Agora venho aguardando o que vem pela frente, pois existem promessas de novas séries como Legends of Tomorrow, Supergirl e Marvel’s Most Wanted. O prequel de The Walking Dead, – que eu citei acima – Fear The Walking Dead, já estreou com um clima tão tenso quanto seu antecessor. Temos ainda o – para mim – decepcionante Lúcifer, baseado em um personagem da Vertigo Comics, mas que não tem muito haver com o personagem dos quadrinhos.

O importante é que, enquanto existirem seriados para serem assistidos, este descolado estará vendo-os.