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quinta-feira, 19 de maio de 2016

RESENHA CINEMA: X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2016).

X-MEN: APOCALIPSE (X-Men: Apocalypse, 2016).

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Evan Peters, Rose Byrne, Sophie Turner, Tye Sheridan, Kody Smit-McPhee, Alexandra Shipp, Olivia Munn, Lucas Till, Ben Hardy, Josh Helman, Lan Condor.

Há milhares de anos no passado, En Sabah Nur (Oscar Isaac) era um poderoso ser que era tratado pelo povo do Egito como um deus e tinha quatro guerreiros, poderosos como ele, que o acompanhavam. Enquanto ele fazia um processo de transporte de sua alma para um jovem imortal, sofre um ataque de pessoas que não aceitavam seu domínio e é soterrado, ficando dormente durante anos. No presente, Raven (Jennifer Lawrence) invade uma cúpula onde os mutantes são colocados para lutar um contra o outro e decide libertá-los. Ela, então, salva Kurt Wagner (Kody Smit-McPhee). Em outro lugar, Scott Summers (Tye Sheridan) está em sua escola, quando seus poderes se revelam. Seu irmão mais velho, Alex Summers (Lucar Till) o leva, então, para a Escola Xavier para Jovens Superdotados, onde ele conhece Jean Grey (Sophie Turner), uma jovem que possui telecinesia e telepatia.
Na Polônia, Erik Lensherr (Michael Fassbender), para evitar a perseguição, muda seu nome e se casa, criando família. No Cairo, a agente da CIA, Moira Mactaggert (Rose Byrne), investiga um grupo de devotos que possui ligação com En Sabah Nur e decide segui-los, disfarçada. Ela então os encontra dentro de uma caverna e, quando os raios do sol atingem a ponta de uma pirâmide, despertam Sabah Nur, causando um tremor que toda a comunidade mutante sente, principalmente Jean. Então o professor Charles Xavier (James McAvoy) decide investigar e descobre o envolvimento de Moira, decidindo visita-la. O tremor termina fazendo Erik se revelar, o que lhe causa problemas muitos sérios. 
En Sabah Nur, após despertar, parte pelo Cairo a procura de mutantes poderosos para serem seus guerreiros e conhece a jovem ladra Ororo Munroe (Alexandra Shipp), ampliando suas capacidades. Raven visita Caliban (Tómas Lemarquis), para que este consiga criar uma nova identidade para Kurt, quando fica sabendo de Erik e decide voltar à mansão X. Já Charles está visitando Moira, junto com Alex, quando esta lhes fala sobre En Sabah Nur e seus quatro cavaleiros. Já Sabah Nur continua buscando seus cavaleiros e encontra Psylocke (Olivia Munn) e Anjo (Ben Hardy), finalizando sua busca com o amargurado Erik. A investigação de Charles se intensifica, mas ele se vê enfrentando um poderoso e obstinado inimigo em En Sabah Nur.
“X-Men: Apocalipse” supera toda e qualquer expectativa que eu havia criado para esse filme. Bryan Singer mostra, mais uma vez, que trabalhar com um grande elenco é o que ele faz de melhor. Com algumas pequenas exceções – e olha que são 143 minutos –, Singer trabalha os dramas, dúvidas e frustrações de cada personagem que aparece no filme. Temos os atores centrais da trama em Xavier, Mística, Magneto e Apocalipse, mas nem por isso vemos quem é Ororo, quem é Scott, Jean, Kurt e, principalmente, Peter (Evan Peters).
Peter, principalmente, tem uma enorme importância para a ideia que circunda Magneto, sem contar que sua participação é uma das melhores sacadas do filme. Ele é divertido e se mostra totalmente ativo desde o momento que aparece, e olhe que não é somente por ser rápido, mas porque ele se destaca.
Esquecendo um pouco os personagens e falando dos atores por trás desses, Michael Fassbender é um dos atores mais deslumbrantes do filme. Da sua vida civil a se tornar um vilão, tudo é mostrado, detalhadamente, o motivo de seu retorno. E uma palavra que eu usaria facilmente para ele é REDENÇÃO.

Já o jovem grupo de mutantes formados por Sophie Turner, Tye Sheridan, Kody Smit-McPhee e – porque não – Alexandra Shipp é surpreendente, principalmente para Turner. Ela desperta uma magnitude na tela grande. Não precisou sem Sansa Stark para sua força crescer no passar de episódios. Em 143 minutos de filme vemos o quão poderosa Jean pode ser pela interpretação de Turner. Já Sheridan é um ator fantástico. Ele consegue te mostrar o quão estranho Scott Summers se sente com seus poderes mutantes, achando que é um deslocado, até mesmo, entre seus pares. Sheridan tem um momento que – mesmo pequeno – ele mostra o quanto Scott Summers poderá se tornar o grande líder dos X-Men. E Smit-McPhee está muito bem no papel do mutante Kurt Wagner. Ele é divertido, mas também possui medo por causa de sua aparência, mas quando encontra outros mutantes, mesmo sabendo que é muito diferente, busca neles uma amizade. Esse trio funciona muito bem em cena, parecendo já coeso no primeiro filme que fazem.

Quanto Alexandra Shipp que faz Ororo Munroe – o nome não é mencionado no filme – tem um drama pessoal por ser uma ladra. Quem conhece a história de Ororo, sabe que ela perdeu os pais em uma tragédia e depois se tornou uma ladra de rua. Ela demonstra ter trabalhado isso muito bem, e seu crescente no filme é muito bem notado.


O filme tem tudo para ser mais um dos crescentes filmes de super-herói de alta qualidade. Como Singer precisou se manter nas duas horas, muitas cenas que surgiram na internet e no Youtube, terminam não aparecendo na película. E lógico, vale lembrar que o Universo Cinematográfico não é o Universo dos quadrinhos, é uma adaptação. Uma das melhores, mas sim uma adaptação. “X-Men: Apocalipse” tem drama, ação, é extremamente divertido, dinâmico... tudo que um filme de super-heróis precisa ser, usando vários personagens ao mesmo tempo. Não sei qual o problema dos críticos especializados com filmes como esse, mas quem gosta do que citei acima, com certeza, gostará de “X-Men: Apocalipse”, que entra em cartaz no dia 19/05/2016, nos cinemas brasileiros.

terça-feira, 10 de maio de 2016

RESENHA HQ: O Questão: Zen e a arte da violência (The Question, Vol. 1: Zen and Violence).

O QUESTÃO: ZEN E A ARTE DA VIOLÊNCIA (The Question, Vol. 1: Zen and Violence).

Roteiro: Dennis O’Neil
Desenhos: Denys Cowan
Arte-final: Rick Magyar
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2007 (BR: 2009)
Pág.: 178

Charles Victor Szasz, também conhecido como o repórter investigativo Vic Sage, quando coloca sua pseudoderme criada pelo cientista – e seu amigo – Aristotle “Tot” Rodor, se torna o enigmático Questão.
O personagem foi criado por Steve Ditko na revista “Blue Beetle” #1 (junho de 1967). Depois disso, se tornou parceiro ocasional do Besouro Azul, mas quando a editora Charlton Comics – onde o personagem, junto com Besouro Azul, Capitão Átomo, Sombra da Noite e Pacificador, surgiu – fechou e vendeu seus personagens para a DC Comics, ele ficou no ostracismo durante um longo tempo.
Após Crise nas Infinitas Terras – onde Questão teve uma participação ínfima –, o roteirista Dennis O’Neil (muito conhecido na época pelos seus trabalhos em Arqueiro Verde/Lanterna Verde e Batman, onde ele continuou como editor-executivo e foi responsável por diversos clássicos), o desenhista Denys Cowan (que já havia realizado trabalhos na Marvel com Tigre Branco em “Peter Parker, The Spectacular Spider-Man” e “Power Man and Iron Fist” e na DC com “Superman”, Nuclear em “The Flash” e “The Vigilante”) e o arte-finalista Rick Magyar (que também já fez trabalhos na Marvel e na DC), se uniram para revitalizar o Questão.

Na história, Szasz retorna a sua cidade, Hub City, e usando a identidade de Vic Sage, ele se torna o repórter investigativo do canal de TV KBEL. À noite, ele sai como Questão investigando e desvendando casos que ele desmascara no seu quadro investigativo do jornal local. Durante uma investigação, Questão se depara com a mortal Lady Shiva, que quase o mata, deixando essa missão para outros marginais. Shiva, percebendo a gana do herói, o salva e depois o leva até o artista marcial Richard Dragon, que o treina. Então, Sage agora tem uma consciência de seu interior e busca manter um equilibro, sempre que coloca sua pseudoderme e se torna o Questão.
O encadernado “O Questão: Zen e a arte da violência” junta a seis primeiras edições da revista “The Question”. Nos Estados Unidos, foram um total de quatro encadernados, mas a Panini – creio que devido as baixas vendas – somente lançou esse. O personagem se tornou um expoente entre os grandes heróis da DC Comics, pois como Batman e Arqueiro Verde, não tinha superpoderes, era somente corpo e mente bem treinada por um dos grandes artistas marciais da DC Comics.
Questão ainda fez parte de uma minissérie que o unia ao Homem-Morcego e o Arqueiro, chamada “Parábolas”, que foi publicada aqui na revista “Os Caçadores” (maio-julho de 1990). Seu lado enigmático ficou tão famoso que ele chegou a aparecer na animação “Liga da Justiça Sem Limites”, de forma bem impactante e importante.

As histórias que compõem esse encadernado são o começo do trabalho do Questão em melhorar Hub City, com isso ele encara as pessoas mais sagazes e imorais que habitam a cidade. Se a Panini tivesse completado a coleção, seria uma das melhores que ela já publicou, pois Dennis O’Neil nos dá uma história cheia de ação, mistério e violência, sem extrapolar os limites desta. É um daqueles materiais que dão para perceber como os anos de 1980 nos proporcionou as mais fantásticas histórias em quadrinhos.

domingo, 8 de maio de 2016

RESENHA HQ: Gavião Arqueiro: Minha vida com uma arma (Hawkeye: My life as a weapon).

GAVIÃO ARQUEIRO: MINHA VIDA COM UMA ARMA (Hawkeye: My life as a weapon)

Roteiro: Matt Fraction
Desenhos: David Aja, Javier Pulido, Alan Davis
Arte-final: Mark Farmer
Editora: Marvel Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2013 (BR: 2015)
Pág.: 140

“Tá legal, isso parece ruim”.

Gavião Arqueiro – também conhecido como Clint Barton – é um ex-artista circense, ex-vilão, ex-líder dos Thunderbolts, ex-Defensores, mas um eterno vingador, não importando a formação do grupo, nem se são Secretos ou Novos. Só que, como qualquer outro, Clint tem sua vida pessoal, que é agitada da mesma forma.
Ele ganha um cachorro – da forma que poderia ser a mais complicada –, enfrenta super-chefões, compra um carro – não pense que isso será simples – e busca comprar um fita VHS que tem segredos sombrios dele.
Eu nunca fui muito fã do Gavião Arqueiro, sinceramente falando. Sempre o achei somente uma cópia roxa do Arqueiro Verde – o que não deixa de ser –, mas o trabalho de Matt Fraction (The Invencible Iron Man) com o personagem é totalmente merecedor do Eisner e do Harvey que a revista ganhou em 2014.
Fraction busca nos mostrar que o dia-a-dia de Clint Barton é tão complicado quanto sua vida com os Vingadores ou qualquer outro grupo que ele tenha feito parte. Ele é um herói, usando arco e flecha ou não, e sabe agir como tal. Sempre acompanhado de sua sucessora, Kate Bishop, ele enfrenta os perigos mais sinistros e tenebrosos que um herói pode encarar na sua vida pessoal.
Fraction não poupa na ação das histórias. Sejam encarando a máfia russa ou inumerosos super-chefões, Gavião Arqueiro e Gaviã Arqueira estão constantemente, de quadro a quadro, numa ação desenfreada e adrenalizante. Para auxiliá-lo nessa fantástica ação, Fraction conta com o talentoso David Aja e Javier Pulido.
Aja divide os quadros de forma que você consegue compreender totalmente a ação que seu roteirista deseja. Na primeira história, ele nos dá uma ação com detalhes que me lembram muito o trabalho de Mazzucchelli com Miller em Batman: Ano Um, mostrando que um herói não precisa de músculos definidos para que possa mostrar seu heroísmo. Sem contar que é – quase – um storyboard, como se preparasse-nos para ver um filme do Gavião Arqueiro.
Pulido não foge dessa ideia, dando até uma amplitude no sentido de storyboard e nos colocando cenas inesquecíveis, como o assalto de Barton em Madripoor, aquilo é fantástico, pois parece que não tem fim. Foram escolhas muito bem feitas para o trabalho desenvolvido nas cinco primeiras edições da carreira-solo de Gavião Arqueiro.
Na última história, Fraction conta o primeiro encontro de Barton com Kate, enquanto ele ainda é o Ronin e ela herdara o nome e o arco de Clint, que fora considerado morto e substituído por Mercenário, que assumiu seu traje e nome. A história é desenhada pelo fantástico Alan Davis (Avengers: Ultron Forever) que, mesmo não deselvolvendo o mesmo nível de ação de Aja e Pulido, conta uma história como ninguém. O interessante da história – totalmente concentrada em Kate – é a interação da personagem com seus colegas dos Jovens Vingadores, onde ela mantem um romance mal resolvido com Patriota – Elijah Bradley – e recebe – um pouco mais que isso – cantadas de Célere – Thomas Shepherd. Além disso, existe um impasse quanto a ela ser sucessora do legado do Gavião Arqueiro, pois Barton precisa de comprovações que ela está de acordo com o cargo.


Mesmo que você não goste do Gavião Arqueiro, é impossível não gostar das histórias bem estruturadas e escritas. E se você gosta do personagem, vai gostar mais ainda, graças ao nível de ação desenvolvido por Matt Fraction e as artes de David Aja e Javier Pulido. “Gavião Arqueiro: Minha vida como uma arma” é um daqueles trabalhos que deixa qualquer fã de quadrinhos feliz.

sábado, 7 de maio de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal – Deus Ex-Machina (Animal-Man, Book 3 – Deus Ex-Machina).

HOMEM-ANIMAL – DEUS EX-MACHINA (Animal-Man, Book 3 – Deus Ex-Machina).

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Chaz Truog, Paris Cullins
Artes-finais: Doug Hazzlewood, Steve Montano, Mark Farmer
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2003 (BR: 2016)
Pág.: 252

“Bom, é esse o problema das minhas histórias. Sempre prometem crescer pra culminar em algo maior... que acaba não acontecendo. É o problema com minha vida também”. -- Grant Morrison.

“Homem-Animal – Deus Ex-Machina” é um BOOM cerebral. Ele é a conclusão do trabalho de Grant Morrison com o personagem Homem-Animal e, com isso, ele aproveita para usar todas as formas de escrita e estruturação textual que é possível.
Desde o começo da série, percebemos que o Homem-Animal de Morrison é bem diferente da ideia de super-herói lutando pela verdade e justiça no mundo em que vive. Ele combate bandidos e super-vilões, mas também combate       grandes corporações que usam animais em testes químicos, enfrenta caçadores de animais, sejam terrestres, aéreos ou aquáticos. É um grande defensor da fauna mundial. Também vemos que seus combates com super vilões não são duelos de poderes, mas diálogos, buscando compreender o que os motiva em suas ações.
Desde o começo do encadernado, Buddy Baker busca por respostas, não somente para os seus poderes, mas pelas sensações e sentimentos que possui durante toda essa história. Os enigmáticos alienígenas que lhe deram poderes, as suas aparições em momentos que ele não imaginaria que estivesse, suas batalhas sem sentido, contra inimigos inesperáveis. A busca se torna mais intensa quando uma tragédia ocorre em sua vida, fazendo-o partir em busca de vingança, de uma forma como nunca agira antes, indo contra seus princípios e contra os seus ideais.

Buddy se envolve em coisas inexplicáveis, nas quais nem ele consegue compreender direito, e fará de tudo para conseguir respostas, mesmo que isso ultrapasse barreiras do incompreensível.
Sinceramente, é o encadernado mais complicado de resumir, pois possui tantas revelações e informações que qualquer coisa na qual eu venha a escrever pode ser um spoiler. Mas Morrison, como eu disse, antes, usa todos os tipos de artifícios e formas de se trabalhar essa história. Meta linguagem, quarta parede, interação, ele não poupa esforços para tornar essa história única, de uma forma que você sempre se lembre que é um trabalho dele.

Diferente de seus trabalhos posteriores, Morrison consegue imprimir nesse trabalho toda sua capacidade de interação com seu público. Ele não busca mexer com nossas mentes como em “Os Invisíveis”, o mesmo deturpar conceitos como com Batman, ele trabalha com afinco para tornar o Homem-Animal um personagem inesquecível, e consegue. Desde o começo, Morrison nos mostra que o Homem-Animal pode ser um personagem mais interessante e que está longe de ser um personagem de segunda linha, como durante anos ele foi considerado. Com Morrison, Homem-Animal foi considerado um personagem para integrar a Liga da Justiça Internacional. Essa série foi tão digna que o personagem tem uma importância muito grande até os dias de hoje para a DC Comics.

Sei que a série não é somente feita pelo roteirista, e definitivamente Morrison conta com grandes desenhistas para desenvolvimento do encadernado. Chaz Truog e Dave Hazzelwood, que o acompanham desde o começo da série, são os principais artistas no desenvolvimento da série e em tornar as ideias de Morrison reais. Mas para o final ele termina contando com o talento de Mark Farmer, também. Além deles, os artistas Paris Cullens e Steve Montano trabalham em um dos momentos de interligação da série, que tem grande importância para a compreensão dela.
A frase que citei no começo não serve para essa série em si, mas é interessante a menção dela, pois muitos dos trabalhos de Morrison eu sempre vi como o que ele fala em determinado momento.

Me sinto feliz de ter, finalmente, concluído essa série, que sempre considerei um dos melhores trabalhos de Grant Morrison dentro da DC Comics, pena que minhas ideias e conceitos com o roteirista mudaram, graças aos seus trabalhos atuais.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

RESENHA HQ: Convergência (Convergence)

CONVERGÊNCIA (Convergence)

Roteiros: Dan Jurgens, Jeff King, Scott Lobdell
Desenhos: Ethan Van Sciver, Paulo Pagulayan, Stephen Segovia, Andy Kubert, Ed Benes, Eduardo Pansica, Aaron Lopresti
Arte-final: Jason Paz, Mark Farmer, Júlio Ferreira, Jonathan Glapion, Rob Hunter, Mark Roslan, Stephen Segovia, Sandra Hope, Ed Benes, Trevor Scott, Scott Hanna, Wayne Faucher, Mark Morales, Ethan Van Sciver
Editora: DC Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2015 (BR: 2016)
Edições: 89 (BR: 23)

A DC Entertainment mudou sua sede de Nova Iorque para a Califórnia, depois quase 80 anos. Essa mudança, para não deixar um hiato nas edições teve a minissérie “Convergência” para suprir. Nos Estados Unidos foram 89 edições (nove da minissérie e oitenta de tie-ins) que contaram uma batalha elaborada por Telos, um assecla de Brainiac, responsável por um planeta homônimo. Ele percebe que o sustento do planeta está escasso, então decide que somente uma das cidades levadas até lá deveria prevalecer. Com isso, ele desfaz o domo que cerca as cidades e retirava os poderes dos super-heróis e os coloca uns contra os outros. Assim, “Gotham City, Terra 1 pré-Crise”, “Nova York, Terra d.D”, “Central City, Universo Tangente”, “Gotham City, Universo de ‘Chuva Rubra’”, “Durvale”, “Gotham City pré-Ponto de Ignição”, “El Inferno”, “Nova York, Angor”, “Gotham City, Ponto de Ignição”, “Pinelwood, Pelofórnia”, “Metrópolis da Terra Três”, “Metrópolis do século 853”, “Metrópolis, Terra 2 pré-Crise”, “Atlanta, Geórgia”, “Universo de Anti-matéria de Qward”, “Moscou, Rússia”, “Metrópolis do século 30, pré-Crise”, “Metrópolis pré-Zero Hora”, “San Diego, Califórnia”, “Eletrópolis”, “Metrópolis, Universo ‘Reino do Amanhã’”, “Fawcett City, Terra S”, “Gotham City, Universo 1889”, “Nova York, Terra X”, “Nova York, 35 anos, Universo pós-Ponto de Ignição”, “Hub City, Terra 4”, “Metrópolis do século 31”, “Skartaris” e “Ponto de Fuga”, se veem em uma batalha pela sobrevivência.
Onde uns ponderam sobre uma forma de evitar o combate e tentar vencer o opressor e sequestrador de sua cidade, outros já partem para o ataque cegamente, pensando na sobrevivência de seu espaço naquele mundo inóspito. Neste momento também os habitantes da Terra-2 do Novo Universo DC Novos 52 buscam a derrota de Telos e são convencidos por Deimos, um feiticeiro de Skartaris, uma cidade existente no interior do planeta, que somente ele pode derrotar Telos. Só que, inesperadamente, são traídos por Deimos que busca dominar Telos e, consequentemente, Brainiac. Para isso captura vários mestres do tempo e os aprisiona. O combate se intensifica quando Telos se une aos super-heróis da Terra-2 para enfrentar Deimos, que tornou-se extremamente poderoso e perigoso para a sobrevivência do planeta e dos seus atuais habitantes.
Aqui no Brasil, a Panini Comics providenciou publicar a série central de “Convergência” em três edições, pois não tinha o mesmo objetivo da DC Entertainment. O lance é que a minissérie termina se tornando mais uma transformação no Multiverso DC, pois aparentemente os personagens de Terra-2 terão uma nova série, bem como acontecem mudanças em outros, como Superman, Batman, Lanterna Verde e Liga da Justiça, principalmente, na chamada DC You (aqui está sendo chamada de DC & Você). Mas esses acontecimentos são consequências das histórias que vinham ocorrendo nas séries regulares.
Outro lance é que a DC, durante o período de mudança, interrompeu todas as suas séries regulares e lançou os tie-ins com títulos diversos. Aqui no Brasil, a Panini manteve a ideia de mix e lançou em vinte edições, com histórias que, na maioria das vezes, mesmo habitando o mesmo lugar, não se cruzam. É estranho, pois os acontecimentos parecem ocorrer nas mesmas cidades e, mesmo assim, não se cruzam. Isso e as incongruências, como alguns personagens que mantêm poderes embaixo do domo, e por aí vai.
“Convergência” não teve muita utilidade em um sentido mais amplo. A DC poderia ter mantido suas séries regulares, sem a necessidade dessa série. Poderiam ter usado os acontecimentos com os heróis de Terra-2, somente, pois para eles teve alguma alteração. A minissérie serviu, somente, para dar um prazer momentâneo aos antigos fãs da DC Comics, que conseguiram matar uma pequena saudade dos personagens que eles curtiam antes de eventos como Crise de Identidade e Novos 52. O segundo Besouro Azul, o Superman pré-Novos 52, Sociedade da Justiça – tanto a pré, quanto a pós-Crise nas Infinitas Terras –, Legião dos Super-Heróis e Legionários, Corporação Infinito pré-Crise nas Infinitas Terras, Homem-Elástico e sua esposa Sue Dibny. Foi um verdadeiro turbilhão de emoções que deixou somente o sentimento de saudades, pois ao fim, retornamos à Novos 52. Dessas emoções, ver novamente Ted Kord como Besouro Azul e Superman casado com Lois Lane foram as melhores, chegando a ser emocionante recordar os momentos “Azul e Dourado” e um dos casais mais icônicos dos quadrinhos.

Foram muitas edições para nada, já que o prazer de ver esses personagens e tantos outros é idêntico a um sabor que você experimentou e talvez nunca mais o experimente novamente.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

RESENHA CINEMA: Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016)

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (Captain America: Civil War, 2016).

Direção: Joe Russo e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evan, Robert Downey Jr., Sebastian Stan, Anthony Mackie, Scarlett Johansson, Chadwick Boseman, Daniel Brühl, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle, Paul Rudd, Tom Holland, Jeremy Rennet, Emily VanCamp, William Hurt, Martin Freeman, Frank Grillo, Marisa Tomei, John Kani, John Slattery, Hope Davis, Alfre Woodward, Stan Lee.

Os Vingadores estão em uma missão em prender Brock Rumlow (Frank Grillo), um ex-soldado da S.H.I.E.L.D. que demonstrou ser membro da HIDRA em “Capitão América: Soldado Invernal”. Eles o seguem até a Nigéria, onde terminam o enfrentando e mais uma tragédia ocorre.
Após serem massacrados pela imprensa devido suas ações, recebem uma visita do Secretário de Estado, o general Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt). Ross lhes apresenta o “Tratado de Sokovia”, onde os Vingadores deixarão de serem independentes e responderão a um órgão superior. O tratado foi desenvolvido depois das ações que ocorreram em Nova Iorque, Washington, Sokovia e Nigéria. Nem todos concordam com o tratado, tendo seus próprios argumentos que os levam em discordância. Enquanto eles discordam, ficam proibidos de agirem, mas ações que ocorrem durante a assinatura do tratado, levam a um rompimento, tornando Capitão América (Chris Evans) e Falcão (Anthony Mackie) em criminosos, pois tentavam abordar Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Soldado Invernal, em busca de respostas sobre suas ações. Juntos dos três também é preso o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman), que estava usando seu traje de Pantera Negra.
Na prisão, supervisionada Everett Ross (Martin Freeman), Zemo (Daniel Brühl) aparece em busca de trazer o caos para Capitão América e seus parceiros. Com isso, um conflito se inicia e Capitão América e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que depois de ser abordado pela mãe de um jovem que morreu no conflito contra Ultron decide pelo “Tratado de Sokovia”, precisam encontrar seus aliados, iniciando uma guerra sem precedentes, onde amigos se tornam inimigos e lados são escolhidos.

Sinceramente, eu fui sem expectativa nenhuma de que esse filme conseguisse ser bom. Pelo contrário, no pouco tempo que ele foi feito, eu esperava uma grande bomba ou então algo meia boca, como considero “Vingadores: Guerra de Ultron” e “Homem-Formiga”. Mas ele me surpreendeu.
O filme tem um enredo muito bem estruturado – palmas para Christopher Markus e Stephen McFeely – e não se prende e nem tem nada a ver com a história em quadrinhos, a não ser o subtítulo. A ideia é um conflito de ideais, enquanto uns creem que a independência d’Os Vingadores seja a coisa certa, outros acreditam que eles precisam ter um controle de danos para que desastres como os que ocorreram em filmes anteriores – e nesse filme – não continuem acontecendo. Enquanto eu pensei que a trama seria sem pé e nem cabeça, que Tony Stark apareceria somente para ser a favor, existe toda uma motivação que o leva até aquele ponto, o que torna ainda mais profunda a ideia do filme.
Não existem pontos sem nós. Markus e McFeely resgatam vários aspectos para tornar essas questões mais intrigantes, principalmente na questão que envolve a amizade de Steve e Bucky. A ideia do amigo ainda estar por aí, com a mente atormentada, aflige gravemente o Capitão América, fazendo-o desconcentrar da ação e deixando ações desastrosas ocorrerem. Ele ainda se culpa pelo que acontecera no trem em “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), pois por mais que tenha acontecido anos atrás, ainda está fresco em suas lembranças.
Outro ponto interessante são as tomadas de decisões, como acontecem as escolhas de lados. Os argumentos de cada lado são bem válidos, pois enquanto alguns creem que eles precisam saber assumir seus erros, outros creem que com a ação controlada e limitada será benéfica. Os motivos dos argumentos do Capitão América se calcam nos acontecimentos de “Capitão América: Soldado Invernal” (2014), onde ele viu uma força privada que ele servia se virar contra a humanidade e contra ele. Já a decisão do Homem de Ferro e seus aliados são solidificadas pelas mortes ocorridas nos vários momentos em que os Vingadores agiram sem alguém para guia-los no caminho certo, sempre achando que beneficiam a humanidade, quando terminam causando mais danos do que benefícios.
Outro ponto forte do filme é o uso dos personagens em cena. Quando você vê vários personagens, pensa que alguns terão mais importância do que outros, mas isso não ocorre, pois a forma como cada um dos super-heróis é usada é de extrema maestria.
Os irmãos Russo souberam posicionar cada personagem no momento adequado, dando seu devido valor e o melhor momento para vermos isso é na batalha onde todos se enfrentam. Você percebe a importância de personagens como Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), por exemplo. Visão (Paul Bettany) demonstra ser um combatente fenomenal em cena, da mesma forma que Wanda (Elizabeth Olsen). A introdução de Homem-Formiga (Paul Rudd) e Homem-Aranha (Tom Holland) são extremamente importantes. Falando do “Amigo da Vizinhança”, seu surgimento na história é um dos momentos mais fantásticos do filme, pois é confuso e engraçado, ao mesmo tempo, mas percebemos que ele é um rapaz com grande potencial e uma capacidade criativa fenomenal.

Pela primeira vez gostei de ver o Homem-Formiga e vi sua importância em uma trama. Enquanto eu considero “Homem-Formiga” (2015) um os piores filmes da Marvel Studios – não pelos atores, mas sim pela trama –, a importância de Scott Lang e sua forma de agir no filme é fenomenal.
Sam Wilson continua ganhando importância em suas participações ao lado do Capitão América. Ele é o cara que sempre confia piamente nas decisões do Capitão, pois esteve ao lado do Caps em “Soldado Invernal” e sabe como lideranças externas podem ser prejudiciais. Até mesmo James Rhodes (Don Cheadle) é um ponto de ressonância alta dentro dos conflitos. Um dos melhores debates sobre o Tratado ocorrem entre ele e Sam.

Natasha é uma das mais exímias combatentes que já se viu agindo. Ela consegue te deixar louco com suas cenas de ação, pois ela domina seus inimigos e, quando não consegue, parte para seus ferrões que, às vezes, podem ser bem doloridos. Da mesma forma é a participação de Wanda Maximoff. Ela mostra que é uma das mais mortais dos Vingadores, seus poderes de manipulação derrotam até mesmo àquele que pensamos ser impossível de derrotar. Sharon Carter (Emily VanCamp) é outro grande ponto do filme, pois ela continua apoiando o Capitão e acreditando nele, pois, como Sam, também esteve na Queda do Triskelion e a derrocada da S.H.I.E.L.D.
Mesmo o misterioso Zemo tem uma importância significativa na história, pois ele é parte dos pontos que se cruzam, sendo o grande estrategista por trás de muitos acontecimentos. Da mesma forma é a importância do Secretário de Estado Thaddeus Ross, pois ele pareceu um pai antes de uma surra, passa a mão na cabeça, questiona como foi que ocorreu, depois da as palmadas necessárias. E Everett Ross, mesmo que tenha uma aparição menor, demonstra ser o braço longo da lei dentro do Departamento de Estado, sendo responsável pela prisão de Bucky.
“Capitão América: Guerra Civil” é o melhor filme da Marvel Studios, para mim. Eu escrevo pouco isso, pois o último que considerei um filme bom da Marvel foi o antecessor a esse em 2014. Ele é um filme “adulto”, com uma história madura que mistura intriga, vingança e conflitos. É uma história que se constrói de forma magistral e digna, sem perda de ritmo.


Vale lembrar: fiquem até o final dos letreiros, pois tem uma cena surpreendente, principalmente para os fãs da Marvel.

terça-feira, 26 de abril de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal – Origem das Espécies (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

HOMEM-ANIMAL – ORIGEM DAS ESPÉCIES (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Tom Grummett, Chaz Truog
Arte-final: Doug Hazlewood, Mark McKenna, Steve Montano
Editora: DC/Vertigo (BR: Panini Comics)
Ano: 2002 (BR: 2015)
Pág.: 244

O segundo livro dessa coleção das histórias do Homem-Animal, escrito por Grant Morrison, que redefiniu o personagem e tornou-o um personagem importante no Universo DC.
Nessa nova edição, Buddy Baker vem procurando uma cura para seus problemas com os poderes do Homem-Animal que andam descontrolados desde a Bomba Metagene dos Dominions ao final da minissérie “Invasão” e, com isso, conhecemos a história de sua origem, quando Buddy, durante uma caça encontra uma nave alienígena e após uma explosão ele ganha seus poderes de Homem-Animal. Vemos sua primeira ação, seu primeiro uniforme, sua relação com Ellen florescer, mas descobrimos que a maioria dessas lembranças são embustes, fantasias necessárias geradas por aqueles que tornaram Buddy Baker no Homem-Animal.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, o físico James Highwater encontra-se com Roger Hayden, o Pirata Psíquico, o único que possui lembranças da Crise e do Multiverso DC. Já em San Diego, Vixen procura o Homem-Animal para ajudá-la contra um monstro invisível e isso termina dando muito errado e, de repente, eles acordam na África, onde Buddy reencontra Mike Maxwell, o Fera B’wana, que procura um sucessor. Eles então enfrentam forças militares na África para libertar o sucessor de Maxwell e, durante essa missão, Buddy descobre mais sobre sua origem que é logo reformulada.
Quando retorna, ajuda um grupo ambientalista que resgata animais usados para experiências abusivas, só que esses ambientalistas são ecos-terroristas que causam um incêndio que transforma-se em uma tragédia, causando problemas na amizade de Buddy com Roger Denning, seu agente e melhor amigo. Esse problema faz com que Buddy decida abandonar a carreira de super-herói e, como um último uso para o Tubo de Teletransporte, ele leva Ellen a uma viagem em Paris, França, onde sua esposa conhece a Liga da Justiça Europa; Metamorfo, Homem-Elástico, Soviete Supremo e Sue Dibny, que coordena o grupo, só que Buddy termina ajudando a LJE contra John Starr, o Comandante do Tempo, que decide fazer do tempo uma forma de ajudar as pessoas que não conseguiram se reconciliar com o passado. As coisas não terminam muito bem, fazendo com que Buddy e Ellen voltem para casa, onde uma nova confusão está para começar na vida do Homem-Animal.
Grant Morrison se aproveita bastante de sua liberdade com Homem-Animal nesse encadernado. Ele flutua nas nuvens do absurdo e abusa da metalinguagem ao usar o Pirata Psíquico como aporte para isso. Mas ele não perde o enfoque do lance de consciência ambiental, indo mais além na luta pelos direitos humanos na África, onde os africanos batalham contra o Apartheid e são massacrados e torturados por lutar pela sua liberdade de expressar.
Morrison, nessa edição, aproveita para recontar as origens do Homem-Animal e criar novas teorias sobre os poderes do personagem, maximizando ainda mais o super-herói. Já Highwater começa a ganhar uma importância bem maior e significativa nessa edição. Criação de Morrison e Chaz Truog, o físico surge para ser um auxílio de Buddy Baker na descoberta de mais informações sobre seus poderes. Suas origens indígenas serão o passo futuro para o herói nisso.

É mais uma edição em que Morrison nos dá a honra de escrever um super-herói de forma aprazível e que você consegue curtir do começo ao fim, sem vontade de interromper.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

RESENHA HQ: Superman/Batman: Supergirl (DC Comics Coleção de Graphic Novels volume 14 da Eaglemoss).

SUPERMAN/BATMAN: SUPERGIRL (DC Comics Coleção de Graphic Novels volume 14 da Eaglemoss).

Roteiros: Jeph Loeb, Otto Binder
Desenhos: Michael Turner, Al Plastino
Título original: Superman/Batman: Supergirl

A história desse encadernado (sim, continuo teimando em chama-lo assim, pois não é sempre que ele publica graphic novels – Lex Luthor: Homem de Aço e LJA: Terra Dois são dois exemplos de graphic novels –, mas sim minisséries que foram publicadas nas mensais ou à parte da cronologia do personagens) é, praticamente uma continuidade de “Superman/Batman: Inimigos Públicos”, publicada no volume 5 da coleção da Eaglemoss, então após a queda dos restos de meteoro de kriptonita na Terra, Superman vê-se isolado enquanto Batman e a Liga da Justiça procuram esses pedaços. Submerso no rio próximo de Gotham, Batman encontra uma nave com um texto em kriptoniano, só que esta está vazia. Enquanto isso, uma jovem nua anda pelas ruas de Gotham, totalmente desnorteada e perdida. Quando Batman a encontra, descobre que ela somente sabe falar kriptonês e tem poderes que assemelham-se ao do Superman. Ela termina causando um desastre, o que leva ao Batman capturá-la, enquanto Superman salva o dia.
Descobre-se que a jovem é Kara, filha de Zor-El, irmão de Jor-El, pai do Superman, ou seja, ela é prima do Homem-de-Aço. Desconfiado de quem a menina seja, Batman ajuda Superman a investigar mais sobre a jovem, mas terminam tendo a intervenção da Mulher-Maravilha que leva Kara para Themyscira, a ilha Paraíso, onde ela é treinada por Artêmis e faz amizade com Lyla, a Precursora. Só que, do outro lado do universo, em Apokolips, Darkseid deseja que a jovem faça parte de suas Fúrias e será capaz de qualquer coisa para isso. Então, mais do que nunca, Superman precisará da ajuda de Mulher-Maravilha e do Batman, além de um dos residentes de Apokolips que decidiu ficar na Terra para deter Darkseid de seus desejos sórdidos.
Depois temos a chegada da jovem Kara Zor-El à Terra em Action Comics #252 (maio de 1959). Advinda de um pedaço de Krypton que se separou após a explosão do planeta, Kara nasceu nesse pedacinho do planeta, que foi mantido a salvo, durante muito tempo, por seu pai Zor-El. Quando Zor-El percebeu que aquele pedaço do planeta estava em vias de total destruição, sem recuperação, ele monta uma nave e envia sua filha à Terra, após sua esposa, Allura, e Kara pesquisarem sobre o planeta e descobrirem que aqui vive outro kriptoniano, o Superman. Chegando ao nosso planeta, Superman a resgata e ambos descobrem serem primos, então na intenção que ela viva entre os terráqueos como ele faz no papel de Clark Kent, Superman a leva para um orfanato com o nome Linda Lee e lá a deixa.
Ter mais essa edição da coleção em mãos é muito bom. Eu já conhecia a história “Supergirl de Krypton”, que fez parte das edições 1 a 4 de “Superman/Batman”, lançada no Brasil pela Panini (junho/outubro de 2005). Na época eu achei a história – pois ainda estava acostumado a Supergirl do Universo Compacto, criado pelo Mestre do Tempo para ludibriar a Legião de Super-Heróis – totalmente desnecessária, pois não via motivo para a existência de uma Supergirl, mas com o passar do tempo, Kara foi conquistando seu espaço, sempre aprendendo a convivência com todos os outros heróis. Chegou até a integrar os Novos Titãs por um curto período de tempo.
Critiquei muito Jeph Loeb por trazê-la de volta, ainda mais que Byrne havia estabelecido Kal-El como um órfão, mas Zero Hora já havia ocorrido, sendo assim, a possibilidade de mudanças nos parâmetros da solidão do Superman eram possíveis, tanto que Krypto reapareceu, também – existiu outro Krypto, mas este era um cachorro do bartender Bibbo que ele deu ao Superboy.
A entrada de Kara Zor-El foi bem querida por muitos, pois ela fazia parte do universo pré-Crise, fosse como Poderosa (nesse caso era Kara Zor-L) na Terra-2 ou como Supergirl em Terra-1, e nem tanto por um pequeno grupo que – como eu – achava que se você é o último filho de Krypton, não tem de haver uma última filha e assim por diante, pois se perde a noção dos limites, como terminou acontecendo posteriormente, em histórias futuras. Mas eu admito que errei com isso, pois a adição da personagem deu uma nova dinâmica nas histórias do Superman e também acrescentou elementos na história da personagem que a envolvia constantemente com vários aspectos das sagas que transcorriam, como foi o caso de A Guerra das Amazonas, onde Kara se viu entre a cruz e a espada, pois era vista como uma das guerreiras de Themyscira, já que fora treinada por elas.
Eu gostava da Kara pré-Crise, pois ela era um elemento importante nas histórias da Legião dos Super-Heróis, principalmente. Era um membro importante do grupo e a amada de Brainiac-5, mostrando que até mesmo o mais racional dos seres pode amar. Essa nova Kara acrescentou bastante elementos, pena que durou somente até 2011, quando surgiu Novos 52 e Kara teve sua história recontada, novamente.
Já na segunda história, escrita por Otto Binder e desenhada por Al Plastino, vimos a introdução da Supergirl da Terra-1. Essa foi a primeira de várias histórias que Kara possuiu posteriormente. Ela foi adotada pelos Danvers, foi apresentada ao público pelo Superman, se tornou membro da Legião dos Super-Heróis e ganhou super-animais como Rajado, Beepo e Cometa. Sua história foi longa e cheia de grandes aventuras até sua fatídica e lembrada morte em “Crise nas Infinitas Terras”.
No volume 15 da coleção começará a saga “O Nascimento do Demônio”, onde Batman encarará o terrorista Ra’s Al Ghul, que busca um herdeiro para seguir no comando de sua Liga dos Assassinos.

A coleção de graphic novels pode ser adquirida em bancas ou lojas especializadas. Números anteriores também podem ser requeridos no site Eaglemoss Brasil. Se preferir fazer a assinatura, com ela você ganha vários brindes exclusivos.

domingo, 17 de abril de 2016

De alma lavada!

Eu pretendo fazer um especial sobre Convergência, falar sobre a história, o que achei dela, do que gostei, do que achei interessante e tal, mas antes tenho de falar sobre a primeira história de “Convergência: Superman”, que conta sobre o Último Filho de Krypton, sobre o Escoteirão, sobre o primeiro dos grandes super-heróis que se tem notícia. Podem surgir spoilers, então cuidado.
Antes dele não existia outro, depois dele surgiram milhares e milhões de super-poderosos.
A história conta sobre o Superman pós-Crise Infinita, pré-Ponto de Ignição. Antes de Ponto de Ignição, depois de Crise nas Infinitas Terras, tivemos três Supermen, por incrível que pareça, mas as diferenças estavam em suas histórias de origem e não em quem ele era.
Depois de Crise nas Infinitas Terras, Superman (Kal-El ou Clark Kent) era um embrião colocado em uma nave de um planeta estéril e em extinção. Cresceu dentro da nave e foi encontrado pelo casal Jonathan e Martha Kent em um local descampado em Smallville. Ele cresceu sem poderes e quando atingiu a puberdade aprendeu a voar. Não conhecida seu lugar no mundo, então decidiu viajar por ele. Fez universidade, onde conheceu Lori Lemaris, e quando estava em Metrópolis, testemunhou o voo de um ônibus espacial especial que sofreu uma pane e ele os salvou. A partir daí, quando a repórter Lois Lane, que estava dentro do ônibus espacial, o nomeou como Superman, ele descobriu que tinha um destino, uma meta a seguir. Sua mãe lhe fez um traje que ele usou durante anos, até 2011. O traje era um colante, pois Martha percebera que os tecidos quando ficavam em contato direto com a pele de Clark, não se rasgavam, por isso ela se preocupava com a capa. Clark então voltou a Metrópolis, mas dessa vez como um repórter que conseguiu uma exclusiva com o Superman, o que causou uma revolta em sua colega de jornal, Lois Lane. Depois os dois foram convidados para um passeio no iate do multimilionário Lex Luthor, que submeteu todos seus convidados a um sequestro pirata, mas foram salvos por Superman. Achando que o Homem-de-Aço era corruptível, Luthor tenta contrata-lo, mas em vão. Então surgiu uma rixa imemoriável. Esse contexto foi o começo de uma nova Era de Heróis da DC Comics, iniciado por John Byrne.
Depois da saga Zero Hora, parte desse contexto foi alterado drasticamente. Começa que Lex e Clark chegaram a ser conhecer na adolescência, quando o pai de Luthor o mandou para Smallville. Os pais de Kal-El, Jor-El e Lara, não o mandaram ainda um embrião, mas sim uma criança nascida a pouco tempo. Seu planeta não era estéril, mas produtivo. Também no novo contexto conhecemos mais sobre a viagem de Clark pelo mundo, sendo que não foi somente um acidente de ônibus espacial que levou-o a se tornar o Superman, mas vários acontecimentos que ele testemunhou durante sua viagem, percebendo que, as vezes, um Superman pode fazer a diferença. Mas sua história com Lois Lane não mudou, pois antes de Zero Hora os dois haviam se casado. Clark revelou a Lois sua identidade secreta e, antes dele “morrer” encarando o Apocalypse, eles ficaram noivos.
O casamento aconteceu após o retorno do Superman, pois Clark havia sido “substituído” por Matriz, que morava com os Kent, mas ainda não sabia o que fazer de sua vida. Quando Superman retornou, foi difícil tirar Matriz do papel de Clark, mas conseguiram. Clark e Lois tiveram uma crise, pois ele não se achava pronto para ser o marido que ela esperava, pois estava perdendo os poderes, mas passada a crise, eles se casaram e foi um dos momentos mais celebrados dos quadrinhos, pois foram quase 60 anos de romance, já que a chama já existia desde Action Comics #1 e nunca deixou de existir. Mesmo    quando dividiram a DC Comics em um multiverso, ambas as versões do Superman – da Terra-1 e da Terra-2 – tinham uma Lois Lane em sua vida. O Clark da Terra-2, mais velho, se casara com sua Lois Lane e era chefe do Planeta Diário, o da Terra-1 ainda sofria com Lois ser apaixonada pelo seu alter-ego e não por ele. Terminou essa fase graças a Crise e tudo mudou e eles se casaram.
Não era fácil para ambos, mas o amor sempre era maior e mais forte. Lois passou por vários problemas, mas ela sabia que podia sempre contar com Clark. Mesmo depois de Crise Infinita, onde Superboy Prime socou o tecido da realidade e despedaçou e, mais uma vez, a realidade do Superman foi alterada. Sua chegada de Krypton ainda era a mesma, mas na idade pré-adolescente ele usou um uniforme e foi o Superboy durante um tempo, mas ainda permanecia casado com Lois, que mesmo que essa preferisse ser chamada de Sra. Lane (sim, era seu nome “artístico”).
Então os infelizes editores-chefes e chefe criativo da DC Entertainment acharam que o casamento não valia de nada. Foram 15 anos de casamento jogados pela janela, pois eles queriam o Superman solteiro – não somente ele, mas outros também, mas isso é história para outra oportunidade –, sem nenhuma ligação romântica com Lois Lane. Na verdade, sem nenhuma ligação com o Planeta Diário em si. Ele praticamente ignorava seu lado humano e passava mais tempo como Superman. Para piorar, ele estava tendo um caso com a Mulher-Maravilha.
Bem, tem aqueles que acham isso plausível, pois ele é um super-homem e ela é uma mulher com dons de deuses, então seria ideal os deuses serem um par. Só que isso quebra TOTALMENTE o mito do super-homem buscando seu lado humano ao se apaixonar por uma humana.
Kal-El veio de um planeta que estava em extinção, foi criado por um casal de fazendeiros e aprendeu que seu lado humano é mais importante que seu lado super, que ele não é melhor que ninguém – mesmo que seja – somente por ter super-poderes. Ele foi criado por humanos, viveu cercado de humanos e a primeira vez que viu Lois, se apaixonou por ela, por sua força, por sua determinação, por sua vontade de ser melhor do que qualquer outro. Ela era uma humana que tinha essas qualidades, sem ter super-poderes. Kal-El ganhou de seus pais o nome Clark Kent (Clark era o sobrenome de solteira de Martha), e de Lois Lane o nome de Superman. Seus pais biológicos somente se tornaram de seu conhecimento anos depois dele crescer, anos depois dele ser criado pelo gentil casal de fazendeiros.
Mesmo em 1938, quando ele surgiu na Action Comics #1, seu lado humano contava para ele estar próximo de Lois Lane, mesmo que precisasse se transformar em Superman para salva-la. Lois e Clark são um casal tão clássico quanto Diana e Fantasma ou Lorna Darne e Flash Gordon. Eles são históricos, clássicos, um casal fora do comum exatamente por serem como são.
Por que tanta ladainha para falar sobre Lois e Clark? Bem, voltando a edição “Convergência: Superman”, a primeira história mostra o casal preso em Gotham pré-Ponto de Ignição. Clark – como todos os super-heróis – perdeu seus poderes, mas ainda deseja fazer o bem, pois é difícil perder velhos hábitos e, com isso, ele conta com Lois o monitorando a distância. Quando o domo cai e seus poderes retornam, ele vence os marginais e volta para casa, onde encontra Lois... grávida. Eles passam um tempo juntos, antes que ele parta para o desafio de encarar os heróis de Ponto de Ignição: Capitão Trovão, Cyborg e Abin Sur. O lance é que um obcecado Kal-El – também conhecido como Projeto Um – acredita que a Lois de Clark é a mesma que cuidou dele quando foi liberdade de seu cativeiro e terminou morta na sua frente. Ele então rapta Lois e a leva à caverna do Batman de Ponto de Ignição, ou melhor, Dr. Thomas Wayne. Após lutar bravamente contra os três heróis e derrota-los, Superman retorna para sua Gotham e encontra seu apartamento vazio, mas Abin Sur o segue e descobre a verdade sobre o bravo super-herói e conta o que pode ter acontecido, explicando a situação de seu planeta. Superman então voa até a caverna do Batman e lá encontra sua Lois prestes a entrar em trabalho de parto e, com a ajuda de Dr. Thomas Wayne, nasce Jonathan Samuel Kent, em uma clara homenagem ao pai de Clark e ao pai de Lois.

Ler esta história me fez lavar a alma, pois eu sempre desejei ver um ponto decisivo para Clark e Lois, pois eles precisavam. Eles precisavam de um futuro, de algo mais do que um fim sem motivo, sem explicação. Simplesmente as pessoas responsáveis pela DC Comics nos deram... nada.
Mesmo que Convergência seja somente um momento de mudanças para a DC Entertainment, significou muito ler essa história. Não somente por ver Lois e Clark juntos, mas por ver o verdadeiro Superman dos quadrinhos.

Tô nem aí quem não goste desse Superman. Ele é absolutamente como tem de ser, heroico, um verdadeiro símbolo do super-herói de verdade. Sua história pode ter se modificado no decorrer dos tempos, mas ele sempre manteve sua integridade, sempre foi uma pessoa que não estava acima de todos por causa de seus poderes, mas por ser uma pessoa que defendia seus princípios, era nobre. Não era inocente, mas também não perdia a virtude, algo que aprendera com os pais e que carregava consigo para onde fosse. Esse é o verdadeiro Superman, em absoluto.