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domingo, 4 de novembro de 2018

RESENHA HQ: Superman – As Quatro Estações (Superman For All Seasons)


SUPERMAN – AS QUATRO ESTAÇÕES (Superman For All Seasons).

Roteiro: Jeph Loeb
Arte: Tim Sale
Cores: Bjarne Hansen
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2014 (BR: 2018)
Pág: 228

Quando Clark Kent descobriu, com o passar dos tempos, seus poderes, Jonathan e Martha Kent sabiam que ele estava destinado a algo maior. Quando ele chegou a Metrópolis, já como Superman, como Lois Lane o nomeara no Planeta Diário, ele atingiu essa grandiosidade, mas precisou encarar o seu pior inimigo, que desejava desmoralizá-lo e fraquejar quem ele era. Então, após seu retorno a suas origens, Clark descobriu que seu destino estava traçado e ele sempre seria o maior de todos os super-heróis.
“Superman: As Quatro Estações” é uma história do lado humano do Superman. Nela se percebe que Clark Kent é a identidade do Superman, não somente um mero disfarce, um alter-ego que ele se esconde. Mesmo quando está com o traje azul e vermelho, nós vemos Clark Kent embaixo daquele uniforme, agindo com coragem, determinação e altruísmo, constantemente. Não é como Bill fala em “Kill Bill – Volume 2”, o disfarce não esconde o verdadeiro lado do Superman, pois o Homem de Aço nada mais é do que Clark Kent com super-poderes.
Jeph Loeb (O Longo Dia das Bruxas) nos dá uma minissérie em quatro partes, desenvolvidas com quatro indivíduos da mitologia de Clark Kent/Superman, falando sobre quem ele é. Vemos Jonathan Kent, Lois Lane, Lex Luthor e Lana Lang, desenrolando uma história sobre o personagem Clark Kent/Superman, na visão deles. Vemos as preocupações desses personagens, a fascinação, a ira, a compreensão, a decepção, o carinho, em quatro histórias que demonstram os primeiros momentos de Clark Kent como Superman. É fascinante ver como Clark Kent está constantemente presente na história, mesmo quando é o Superman.
Uma das coisas que eu mais amo é quando buscam essa humanização do Superman, mostrando que Clark Kent está sempre presente, pois vem de sua criação em Smallville. Sua simplicidade, sua franqueza e sua força de caráter estão acima de qualquer super-poder que possua. Podemos ver que esse “deus” é bem humano.
Para tornar esse encadernado mais especial, ainda temos mais três histórias compostas por Loeb, Tim Sale e Bjarne Hansen. A primeira foi escrita para uma minissérie da DC Comics chamada “Solo”. Nela temos a visão de Martha Kent quanto seu filho, Clark Kent. É impressionante que Loeb nos mostra que Martha não faz diferenciação de Clark para o kryptoniano Kal-El. Ela o vê como seu filho, comparando suas características com a de seu marido. O amor e o carinho dela por Clark é imenso a esse ponto.
As outras duas histórias foram publicadas na série que Jeph Loeb escrevia para Batman e Superman.
A primeira história se chama “A História de Sam” e foi publicada em Superman/Batman #26. Nesse momento eu vou tomar um tempo maior de vocês, pois essa história é uma homenagem de Jeph Loeb ao seu filho, Sam Loeb, que partiu para o patamar de cima, após uma luta de três anos contra um câncer. Na história somos apresentados a Sam, que conhece Clark na época da escola. Sam era o único que conseguia fazer Clark rir. A história é contada por Jonathan Kent. Quando Clark descobre o câncer no osso de Sam, ele deseja que o amigo lhe conte a verdade, mas sua mãe lhe diz que ele o fará quando se sentir preparado. Quando Sam fala para Clark do câncer, ele usa as seguintes palavras:
Clark, eu tenho os melhores amigos, os melhores médicos, o melhor prognóstico, não esquente”.
Quando Clark descobre que Sam “partiu”, ele volta correndo para casa e, em uma conversa com Jonathan, este o fala:
A vida têm duas coisas que vêm com toda certeza: a gente nasce e a gente morre. E não há nada para dizer sobre nenhuma das duas. O importante é o que se faz entre uma coisa ou outra. É dessa parte que você tem controle, e é assim que você leva a própria vida”.
Sam Loeb tinha 17 anos quando faleceu e estava escrevendo a primeira história que compõe a edição 26 de Superman/Batman. Essa maravilhosa homenagem que Jeph Loeb, Tim Sale e Bjarne Hansen prestam ao rapaz, se torna verdadeiramente icônica e memorável.
Na última história, vemos o primeiro encontro de Clark Kent e Bruce Wayne, com uma das belas interpretações desse encontro, pois, na história Bruce já perdera os pais e estava de passagem em Smallville, quando Clark e Pete Ross – o melhor amigo de Clark Kent – terminam precisando pegar uma bola de beisebol que caíra perto da cerca. O lado interessante dessa história é a dicotomia dela. De um lado vemos a alegria de uma criança que, mesmo sem muitos privilégios, desfruta de uma vida plena, enquanto do outro vemos uma criança que, mesmo com todos os privilégios, sofre com a dor da perda e um desejo desesperado de justiça. Na interpretação de Hansen, a ausência de cores em Bruce Wayne demonstra bem esse lado, na arte de Tim Sale.
“Superman – As quatro Estações” é a obra completa e definitiva desse trabalho realizado a seis mãos, com o roteiro de Jeph Loeb, arte de Tim Sale e cores de Bjarne Hansen. Indispensável para qualquer coleção... ah não ser que não goste do Superman!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

RESENHA HQ: Superman: Identidade Secreta (Superman: Secret Identity)


SUPERMAN: IDENTIDADE SECRETA (Superman: Secret Identity).

Roteiro: Kurt Busiek
Arte: Stuart Immonen
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2016 (BR: 2018)
Pág.: 212

Clark Kent vive em uma cidade do Kansas, seus pais são donos de uma fazenda, ele trabalha com notícias, sua namorada se chama Lois, mas ele não é quem vocês pensam.
“Superman: Identidade Secreta” traz o retrato de um Clark Kent que não é o personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938, pelo contrário, ele ganha seu nome devido a uma brincadeira de seus pais, o que se torna seu grande problema. Clark sofre bullying na escola por causa do seu nome, seus parentes sempre o presenteiam com artigos baseados no personagem da DC Comics e ele não consegue paz na sua cidade, frustando-o constantemente. Mas, em determinado momento, ele descobre possuir mais semelhanças com o Homem de Aço do que imagina, pois começa a voar, ter super-força, super-audição, visão de calor e visão de raios-x. Sem entender os motivos desses poderes e como os adquiriu, Clark decide então tornar-se o Superman e ajudar a todos, da melhor forma possível.
Na história de Kurt Busiek, não temos o Superman dos quadrinhos, pois o Clark Kent de sua história é um rapaz normal que, devido a uma possível experiência genética que sofreu ainda no útero de sua mãe, ele ganhou os poderes do personagem.
Clark seria como qualquer um de nós se não fossem pelos poderes adquiridos que, no decorrer da história, nunca descobre como ocorreu. O mais interessante é que ele mesmo conta sua história, dando um ponto de vista bem pessoal de tudo que ocorre com ele.
Sua relação com seus pais, com os colegas de escola, a descoberta dos poderes, sua relação com Lois Chaudhari (sua Lois), e todos os acontecimentos de sua vida são datilografados em uma máquina de escrever. Então você sente uma proximidade maior com ele, pois a máquina parece uma extensão dele, em todos os momentos.
E
sse Clark Kent também mantém a humildade, pois quando descobre os poderes, ele não extrapola, fazendo uso deles somente para ajudar a humanidade. Essa parte do Superman, mantido por Busiek, que consegue fazer uma ligação mais próxima com o Superman que estamos acostumados. O que é mais interessante foi Busiek mostrando a possibilidade de Superman ser um “salvador” sem revelar sua identidade.
São tantos os pontos positivos de “Superman: Identidade Secreta”, que ficaria muito tempo escrevendo sobre o assunto, mas, o mais importante, é ser um trabalho bem único com o maior e mais antigo super-herói dos quadrinhos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

RESENHA HQ: Arqueiro Verde – Os Caçadores (Coleção DC Comics de Graphic Novels Volume 52 da Eaglemoss)


ARQUEIRO VERDE – OS CAÇADORES (Coleção DC Comics de Graphic Novels Volume 52 da Eaglemoss)

Roteiro: Mike Grell
Desenhos: Mike Grell
Cores: Julia Lacquement
Título original: Green Arrow – Longbow Hunters

No final da década de 1980, muitos personagens da DC Comics estavam sendo reformulados. Batman passou por uma reformulação nas mãos de Frank Miller e David Mazzucchelli, Superman sofreu várias mudanças nas mãos de John Byrne, Mulher-Maravilha foi reformulada nas mãos de George Pérez, Gavião Negro e Mulher passaria por uma verdadeira transformação em suas histórias nas mãos de Tim Truman, até mesmo Aquaman sofreria pequenas mudanças nas mãos de Neal Pozner e Craig Hamilton e, posteriormente, sua origem seria recontada por Keith Giffen, Robert Loren Fleming e Curt Swan. Outro que teria mudanças, não nas origens, mas sim nos aspectos de ação seria Arqueiro Verde, pelas mãos de Mike Grell.
Mike Grell é aquela pessoa que gosto de chamar de “legendária”. Sua passagem pela DC Comics deixou marcas que são eternas. Grell foi responsável pela criação de Tyroc (com Cary Bates) e por um grupo de rejeitados da Legião dos Super-Heróis – conhecido como Legion of Super-Rejects – (com Jim Shooter) na revista Superboy and The Legion of Super-Heroes, do personagem Guerreiro (Warlord), um ex-piloto que sofre um acidente e se torna um grande guerreiro em Skartaris. Mas quando ele foi convidado para escrever as histórias do Arqueiro Verde, foi que ocorreu a grande revolução no personagem.
Grell não alterou as origens do personagem, somente criou aspectos mais humanos na criação. Oliver Queen não era o grande herói que venceu piratas para sair da ilha, ele tomou de assalto a embarcação com dois marginais, somente, que foram presos pelas autoridades quando chegaram ao porto.
Outra coisa que Grell fez foi mudar a cidade do Arqueiro Verde, levando-o para um lugar mais real, como Boston, onde ele e Dinah Lance, a Canário Negro, estabelecem residência e fundam a Floricultura Sharewood. Como nas histórias anteriores Ollie havia perdido sua fortuna e mudado sua forma de pensar, o que fez com que entrasse em conflitos com vários membros da Liga da Justiça, principalmente o Flash (Barry Allen), nas histórias de Mike Grell ele é uma pessoa mais pé no chão, mas sentindo a idade chegar, principalmente quando descobre que seu ex-parceiro, Roy Harper (Arsenal) se tornou pai.
Seu traje também alterou, perdendo um pouco do estilo heroico e se tornando mais um guerreiro urbano, com capuz no lugar do chapéu, mangas longas e, ao invés de flechas com parafernálias, Ollie adotou flechar comuns, como um verdadeiro arqueiro.
Em “Os Caçadores”, Grell também nos apresenta Shado, uma jovem arqueira, treinada pela Yakuza, para se vingar do que ocorrera com seu pai, no passado. Ela é uma exímia arqueira, extremamente superior à Ollie, como é demonstrado no decorrer da história. Uma outra coisa muito interessante é que Oliver Queen não enfrenta super-vilões em “Os Caçadores”, mas entra em uma guerra urbana mesmo, contra traficantes, psicopatas, serial killers, sem contar a crueza da minissérie – que foi seguida por um revista solo do personagem, algo inédito para o Arqueiro Verde – que mostra cenas de impressionar qualquer um.
“Os Caçadores” de Mike Grell é uma visão mais realista do Arqueiro Verde, com aspectos mais críveis. Grell transforma Oliver Queen em um guerreiro urbano convincente, com problemas pessoais com sua namorada e com ele mesmo. A minissérie se torna o pontapé inicial para algo que tornaria o Arqueiro Verde um dos personagens mais adorados do Universo DC e serviria de influencia para o transcorrer dele nos quadrinho e na atual série, “Arrow”.
Na sequência, Jack Kirby e Ed Herron recontam a origem do Arqueiro Verde, dando-lhe aspectos diferentes do que fora contado em More Fun Comics #89 (março de 1943). Na história eles transcorrem do momento em que Ollie se torna naufrago, contando de seu treinamento com arco e flecha por sobrevivência, sua descoberta de como incluir parafernálias nas suas flechas, a captura dos piratas e sua chegada à civilização onde se tornaria o Arqueiro Verde. Alguns consideram essa história como algo mais próximo ao real, mas fica a questão de alguns aspectos da história que ficam difíceis de crer.
A Coleção pode ser adquirida em bancas, lojas especializadas e na Loja Eaglemoss na internet. Você também pode fazer a assinatura na Eaglemoss Collections, podendo ganhar muitos brindes legais.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

RESENHA HQ: Superman: Alienígena Americano (Superman: American Alien)

SUPERMAN: ALIENÍGENA AMERICANO (Superman: American Alien)

Roteiro: Max Landis
Arte: Nick Dragotta, Tommy Lee Edwards, Joëlle Jones, Jae Lee, Francis Manapul, Jonathan Case, Jock, Mathew Clark, Evan “Doc” Shaner, Mark Buckingham, Steve Dillon.
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2018
Pág.: 228

Todos conhecem, extensivamente, como Kal-El se torna Clark Kent – pelo menos o entremeio da história – e como Clark Kent se torna Superman – as várias versões –, mas quem é Clark Kent? Em “Superman: Alienígena Americano”, o roteirista Max Landis tenta responder a esta pergunta.
Não é a primeira vez que a história do alter-ego do Superman é esmiuçada, mas Landis vai um pouco mais a fundo nela. Ele trabalha a infância do personagem e a descoberta dos seus poderes, parte para sua adolescência, quando ele decide deter uns marginais e, mais tarde, é confundido e termina conhecendo Oliver Queen (Arqueiro Verde), Sue Dibny (esposa de Ralph Dibny, o Homem-Elástico) e Barbara-Ann Minerva (Mulher-Leopardo). Depois vai para o seu estágio no Planeta Diário, enfrentando Lois Lane para conseguir exclusividade em uma entrevista histórica. Seus primeiros momentos usando a extensão de seus poderes e a primeira vez contra seu nêmesis. Sua vivência em Metrópolis. E seu primeiro encontro com o Maioral.
A soma desse trabalho amplo de Landis vem com o auxílio de vários artistas que desenharam a história que se tornaram mais completas com shots sobre os Kent, introdução do Apocalypse, Sr. Mxyzptlk, Parasita e Jimmy Olsen. Tudo isso somado, transforma “Superman: Alienígena Americano” em uma história que contribui muito para a homenagem ao Homem-de-Aço nos seus 80 anos.

domingo, 30 de setembro de 2018

RESENHA HQ: Paraíso Perdido (El Paraiso Perdido)



PARAÍSO PERDIDO (El Paraiso Perdido)

Baseado na obra de John Milton
Roteiro: Pablo Auladell
Arte: Pablo Auladell
Editora: Sexto Piso (BR: Darkside Books)
Ano: 2015 (BR: 2018)
Pág.: 320

“Todos que leem o Paraíso Perdido de Milton enxergam a obra de modo particular [...]”. (Andrew Pyper, autor de O Demonologista)
As palavras de Andrew Pyper interpretam bem o que é essa obra secular do autor inglês John Milton (1608-1674).
Escrita em pleno século XVII, “Paraíso Perdido” narra uma breve passagem da Bíblia que fala sobre a criação dos seres vivos e o primeiro pecado e também vai além ao narrar um outro mito, a Batalha do Céu, onde Lúcifer enfrenta seus irmãos ao discordar do favoritismo de Deus com a humanidade. Ele cria sua horda que, após serem vencidos, “caem” do céu e criam seu próprio mundo. Lúcifer, agora conhecido por Satã, é ambicioso e crê poder macular a criação de seu Pai, fazendo-os desobedece-lo. Assim ele tenta a “primeira” mulher a provar da árvore do conhecimento e o pecado original ocorre.
2 – [...] Ihaweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.
Iahweh Deus plantou um jardim em Éden, no oriente, e aí colocou o homem que modelara. Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. (...) Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: “Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer.
Iahweh Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda.” (...) Então Iahweh Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. Depois, da costela que tirara do homem, Iahweh Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem.
Então o homem exclamou:
“Esta, sim, é osso de meus ossos/e carne da minha carne!/Ela será chamada ‘mulher’,/porque foi tirara do homem!”
[...]
Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam.
3 – A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?”. A mulher respondeu à serpente: “Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte.” A serpente disse então à mulher: “Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal.” A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou-lhe do fruto e comeu. Deu-o também ao seu marido, que com ela estava, e ele comeu. Então abriram-se os olhos dos dois e perceberam que estavam nus; entrelaçaram folhas de figueira e se cingiram.
Eles ouviram o passo de Iahweh Deus que passeava no jardim à brisa do dia e o homem e sua mulher se esconderam da presença de Iahweh Deus, entre as árvores do jardim. Iahweh Deus chamou o homem: “Onde estás?” disse ele. “Ouvi teu passo do jardim.” respondeu o homem; “Tive medo porque estou nu, e me escondi.” Ele retomou: “E quem te fez saber que estavas nu? Comeste então da árvore que te proibi de comer!”. O homem respondeu: “A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore e eu comi!”. Iahweh Deus disse à mulher: “Que fizeste?” E a mulher respondeu: “A serpente me seduziu e eu comi.”
Então Iahweh Deus disse a serpente:
“Porque fizeste isso/és maldita entre todos os animais domésticos/e todas as feras selvagens./Caminharás sobre teu ventre/e comerás poeira/todos os dias de tua vida./Porei hostilidade entre ti e a mulher,/entre tua linhagem e a linhagem dela./Ela te esmagará a cabeça/e tu lhe ferirás o calcanhar.”
À mulher ele disse:
“Multiplicarei as dores de tuas gravidezes,/na dor darás a luz filhos./ Teu desejo te impelirá ao teu marido/e ele te dominará.”
Ao homem, ele disse:
“Porque escutaste a voz de tua mulher/e comeste da árvore que te proibira, comer,/maldito é o solo por causa de ti!/Com sofrimentos dele te nutrirás/todos os dias de sua vida./ Ele produzirá para ti espinhos e cardos,/e comerás a erva dos campos./Com o suor de teu rosto/comerás teu pão/até que retornes ao solo,/pois dele foste tirado./Pois tu és pó/e ao pó retornarás.”
O homem chamou sua mulher “Eva”, por seu a mãe de todos os viventes. Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu. Depois disse Iahweh Deus: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora se estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!” E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora criado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.”[I]
Milton transformou isso em mais de 400 páginas de uma história que fala sobre todo o mito da criação. Coisas que não percebemos e ele usa como referência, como a transformação de Satã na serpente, são alguns dos aspectos dessa leitura do mito.
É sempre complicado falar sobre um assunto tão polêmico como o Criacionismo[II], principalmente com base em uma escrita com várias interpretações – a Bíblia e o “Paraíso Perdido”, é claro –, então, ao invés de falar sobre as várias ideias míticas de ambos os lado, vou me ater a arte de Pablo Auladell, que é um dos mais belos trabalhos que já vi em minha vida.
Auladell desenvolveu uma verdadeira obra de arte, pois são afrescos em movimentos. A textura das imagens, os aspectos artísticos que ele nos apresenta, mereceria uma exposição em uma galeria, contando uma história de forma magnífica. Mesmo que não tivéssemos o poema de Milton falado pelos personagens e escritos, daria para compreender toda a história somente pelas imagens.
Auladell nos dá várias nuances e movimentos com sua arte, sem contar que percebemos aspectos de outros trabalhos que foram desenvolvidos por outros artistas, contando a história da batalha dos céus e de Adão e Eva.
Você simplesmente viaja nesse trabalho magnífico, com uma interpretação única, mas totalmente plausível.
Não sou cristão, não sou criacionista, mas consigo compreender muito bem as ideias de John Milton, principalmente nessa maravilhosa interpretação de Pablo Auladell.





[I] Genesis 2, 3 – Bíblia de Jerusalém
[II] Criacionismo é uma estrutura/modelo conceitual que adota o estudo da natureza a possibilidade da existência de um criador. A vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo. Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica. (fonte: http://www.criacionismo.com.br/p/o-que-e-criacionismo.html)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

RESENHA HQ: Batman: Gotham 1889 (A Tale of the Batman: Gotham by Gaslight)


BATMAN: GOTHAM 1889 (A Tale of the Batman: Gotham by Gaslight).

Roteiro: Brian Augustyn
Desenho: Mike Mignola, Eduardo Barreto
Arte-final: P. Craig Russell, Eduardo Barreto
Editora: DC Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2006 (BR: 2018)
Pág.: 124

No ano de 1889, Bruce Wayne encerra sua viagem de cinco anos pelo mundo e decide retornar à Gotham City, cidade onde nasceu e testemunhou seus pais serem assassinados.
Durante seus cinco anos de andança ele se preparou fisicamente e mentalmente para encarar as ruas de Gotham City e, na intenção de inferir no coração do bandidos medo, ele usou um traje que lembrava um morcego.
O que Bruce Wayne não podia esperar era que quando ele retornou, na sua cola veio o maior assassino de Londres, Jack, o Estripador.
Agora ele precisa descobrir quem é o assassino, antes que ele cause em Gotham tanto terror quanto causou em Londres.
Na sequência, após meses de luta contra o crime, Bruce Wayne decide aposentar a capa e a máscara e se dedicar mais a sua empresa, aos empreendimentos em Gotham e a bela Julie Madison, sua bela noiva. Mas, durante a reunião para uma grande feira, uma ameaça surge fazendo com que Bruce Wayne volta a se vestir de Homem-Morcego para encará-la.
Esse encadernado da Panini Books traz duas histórias do escritor Brian Augustyn sobre o Batman no século XIX. A primeira história foi lançada em comemoração aos 50 anos do Batman e iniciou um ciclo de edições que faziam revisitações do personagens da DC Comics – principalmente o Batman – em vários momentos, fosse no passado, em um presente alternativo ou no futuro, que foi intitulado como Elseworlds (no Brasil ficou conhecido como Túnel do Tempo).
Brian Augustyn mostra que a história do Batman pode funcionar muito bem em um período próximo a virada de um século, principalmente em um período que situações de mudanças e assassinatos atrozes aconteciam. Na primeira história, coloca-lo encarando Jack, o Estripador, nos disponibiliza uma dinâmica bem interessante, pois ele seria o típico vilão que o Batman encararia. Um dos pontos interessantes da história é não nomear Bruce Wayne com a alcunha comum, somente citando-o como o “Homem-Morcego”*. Seus cinco anos de aprendizado, ele passou conhecendo personagens reais, como Sigmund Freud, ou fictícios, como Sherlock Holmes, (não mostrado, mas citado).
Na segunda história, intitulada “Batman: Mestre do Futuro” (Batman: Master of the Future), vemos o desenvolvimento da humanidade e suas novas invenções, movimentadas pela Segunda Revolução Industrial. Temos personagens com Thomas Edison, o dirigível, as feiras temáticas, autômatos, entre outras coisas. Nessa história, Bruce Wayne conseguiu sanar seu desejo de vingança e decide parar com tudo, mesmo que não seja a desejo de todos. Então ele termina travando uma batalha interna, pois alcançara seu objetivo, mas Gotham ainda precisa do justiceiro encapuzado para protegê-la. As nuances de mudanças em ambas as histórias ocorrem em um período curto, mas a forma de interpretação dos personagens pelos artistas e pela forma de narrativa é evidente.
No primeiro temos Mike Mignola que possui uma forma mais distinta de trabalhar a arte, com bastantes sombras e agilidade. No outro temos Eduardo Barreto, que nos entrega um trabalho menos sombreado e com traços mais simples. Mas a narrativa é enriquecedora com ambos.
Recentemente, A Warner Bros. Animation decidiu adaptar a história com o título “Gotham City 1889: Um Conto do Batman”, roteirizado por Jim Krieg e dirigido por Sam Liu. Na história eles fizeram algumas mudanças no enredo desenvolvido por Brian Augustyn, além de envolver vários personagens do universo do Cavaleiro das Trevas, na trama.
Batman: Gotham 1889 é uma grande aventura do Batman, com um desenrolar e uma surpreendente surpresa. Um marco nas histórias dos quadrinhos e uma forma maravilhosa de homenagenar o Cavaleiro das Trevas.


* Bat-Man, em inglês, com separação de hífen, foi a primeira forma que Bob Kane e Bill Finger se referiram ao personagem na Detective Comics #27.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

RESENHA HQ: Camelot 3000 – Edição de Luxo


CAMELOT 3000 – EDIÇÃO DE LUXO 

Roteiro: Mike W. Barr
Desenhos: Brian Bolland
Arte-final: Bruce Patterson, Terry Austin
Editora: DC Comics (BR: Panini)
Ano: 2008 (BR: 2010)
Pág.: 320

O mito do rei Arthur, a Távola Redonda, Merlin, Camelot e Morgana Le Fey, são contados desde o século IX, e se sabe que, quando for necessário novamente, Arthur Pendragon retornará para assumir seu trono e enfrentar qualquer força maligna adversa.
No ano 3000, o mundo encontra-se em completo caos e de seu túmulo há muito tempo guardado em Avalon, ressurge Arthur – graças ao feiticeiro Merlin – que parte em busca dos seus cavaleiros, reencarnados em outros seres-humanos. Seu retorno dá-se ao ressurgimento de sua meia-irmã, Morgana Le Fey, que pretende soltar novamente uma horda maligna – desta vez alienígena – para domínio do mundo.
Camelot 3000 foi uma minissérie de doze partes que a DC Comics publicou em meados da década de 1980. Pouco conhecida por alguns colecionadores de quadrinhos, a minissérie é um verdadeiro marco. Por que eu digo isso? Porque Camelot 3000, para mim, se equipara em qualidade com Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, e Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons.
A história aborda uma busca por algo esquecido pela humanidade, a esperança. Em meio a todo o caos, todas as batalhas, ganância, traição, pode ser perceber um fio de esperança de que tudo poderá melhorar, mesmo que não creia. Arthur é mostrado como um valente guerreiro e um austero rei, como em suas lendas e mitos, cometendo erros e deslizes como qualquer outro humano.
Também é sempre bom recordar que “Camelot 3000” antecede “Watchmen” e “Cavaleiro das Trevas”, servindo como um “abridor de portas”  para ambas. O grande lance é que ela não é vista como uma história de super-heróis, mas sim como uma ficção científica de espada e feitiçaria e, sinceramente, eu agradeço por isso, pois tirando a referência em título na série “DC’s Lengends of Tomorrow”, “Camelot 3000” continua imutável e sem adaptações distorcidas feitas pela Warner Bros.
Em março de 2018, a Panini Comics fez o relançamento da edição de luxo de “Camelot 3000” e é altamente recomendável que todos os colecionadores de boas histórias em quadrinhos adquiram esse material.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

RESENHA LIVROS: Solomon Kane: A Saga Completa


SOLOMON KANE: A SAGA COMPLETA

Autor: Robert E. Howard
Editora: Generale
Ano: 2015
Pág.: 256

Aventureiro. Justiceiro. Salvador de donzelas. Caçador de bandidos. Esses são alguns termos que podemos usar para o personagem Solomon Kane do genial Robert E. Howard (1906-1936).
O livro “Solomon Kane: A Saga Completa”, lançado pela editora Generale, pega todo o trabalho de Howard com o personagem em pulps (revistas que publicavam aventuras de capa e espada, policiais, suspense, terror, entre outros temas). Nessas revistas, Howard retratava Kane como um errante, sem destino, mas determinado a ajudar quem fosse e capturar qualquer que fosse o facínora ou assassino, seja vivo ou morto.
Robert E. Howard é mais conhecido por seu outro trabalho, Conan o Cimério, mas com Solomon Kane ele demonstra conhecer o outro lado das histórias de aventuras. Enquanto com Conan, Howard criou praticamente seu próprio universo, com Kane ele se aproveitou das longas viagens que os ingleses desenvolveram para desbravar o Velho, Novo e Novíssimo Mundo, levando aos cantos mais remotos das selvas tropicais e, as vezes, em meio a piratas e bruxos malignos.
Solomon Kane era um puritano, membro de um movimento religioso que tomou força durante o reinado de Elizabeth I, sendo assim, seu sentimento religioso era intenso e conflitante. Esse sentimento de conflitos você percebe no decorrer das histórias que Howard desenvolveu com o personagem.
Um dos pontos mais interessantes das histórias eram as formas que Howard encontrava para Solomon escapar de encrencas e problemas que pareceriam impossíveis. Eles conseguia resolver as formas de vitória e conquista de Kane com uma maestria sem igual. Alguns poderiam achar as formas de ação simplórias e clichês, mas vale a lembrança que Solomon Kane foi criado por Howard no final da década de 1920, então clichê chega a ser redundante.
Como ocorreu com Conan, Kull e Sonja, Solomon Kane também teve sua adaptação nos quadrinhos da Marvel Comics e, mais tarde, na Dark Horse Comics.
Em 2009, estreou nos cinemas franceses uma versão franco-britânica do personagem. Escrita e dirigida por Michael J. Bassett (Silent Hill: Revelação), “Solomon Kane – O Caçador de Demônios” toma um rumo diferente na história de seu protagonista, com um teor mais sobrenatural do que nos contumeiros contos de Howard. O filme tem seu valor, pois percebemos que o ator James Purefoy (John Carter: Entre Dois Mundos) busca captar a essência de Kane nas histórias de Howard. Os conflitos internos do personagem estão totalmente captados na interpretação do ator, mesmo que a história tenha pouco – ou nada – a ver com o que seu criador pensara.
A obra “Solomon Kane: A Saga Completa” traz uma longa analise sobre o filme, entre outros conteúdos bem exclusivos. Então é um trabalho mais do que recomendado para os fãs de Howard, de histórias de capa e espada e feiticaria e de Solomon Kane.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

RESENHA CINEMA: O Predador (The Predator, 2018)


O PREDADOR (The Predator, 2018).

Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Fred Dekker
Elenco: Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Keegan-Michael Key, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Augusto Aguilera, Brian A. Prince.

Uma nave alienígena entra na atmosfera da Terra e pousa em meio a uma selva tropical, atrapalhando a ação do atirador de elite Quinn McKenna (Boyd Holbrook) e sua equipe, que estavam em uma operação de resgate. Nela está um predador, um ser do espaço que é um exímio caçador, fazendo disso seu esporte. Mas, dessa vez, ele não veio para caçar humanos, mas sim para escapar de uma mutação genética que tem a pele extremamente densa como uma couraça. Durante o conflito com o predador, McKenna consegue vencê-lo e captura seus artefatos, enviando para sua casa nos Estados Unidos.  Quando retorna, após ser capturado pelo agente do governo Will Treager (Keegan- Michael Key), é enviado para um hospital de tratamento psiquiátrico com outros soldados. Nesse ínterim, a bióloga Casey Bracket (Olivia Munn) é levada à base onde encontra-se o corpo do predador, para estudá-lo. Só que a ameaça ao ser alienígena não terminou e veio atrás dele para cumprir sua missão de eliminar a ameaça e todos que tentarem ajudá-lo.
“O Predador” é o quarto filme que segue uma franquia iniciada em 1987, protagonizada por Arnold Schwarzenegger (Exterminador do Futuro). O filme faz referência ao filme de Schwarzenegger e, também, ao filme de 1990 estrelado por Danny Glover (Máquina Mortífera), Gary Busey (Caçadores de Emoção) e Maria Conchita Alonso (O Sobrevivente). Somente não se menciona o filme de 2010, protagonizado por Adrien Brody (O Pianista), Laurence Fishburne (Homem de Aço), Topher Grace (Homem-Aranha 3) e Alice Braga (Elysium), pois este se passa em outro planeta.
No novo filme, que tem direção e roteiro – escrito com Fred Dekker (Robocop 3) – de Shane Black (Homem de Ferro 3), a ação costumeira do filme e o suspense permanecem fazendo parte da trama, mas também se percebe uma tentativa de tornar a tensão mais amena, principalmente com alívios cômicos.
Sempre achei que todos os filmes precisam de alívios em determinados momentos para não deixar a trama muito pesada, mas o problema é quando isso extrapola, o que eu chamo de “efeito Marvel”.
Como bem sabemos os sucessos dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel tem sido devido aos seus vários momentos de alívios cômicos, dando uma chance para o público respirar. Isso torna o filme voltado para a família e para a diversão de todos, o que não é o caso de “O Predador”.
A franquia foi criada em cima de um personagem que tem prazer em caçar e matar todos os seres vivos, guardando seus crânios como troféus, então você já percebe uma força tensa pairando no ar quando pensa nisso. Ele não perdoa nenhum ser vivo que porta uma arma e quando mata tem toques de crueldade na ação. Os filmes da franquia Predador tem corpos mutilados, sangue jorrando, que não é para pessoas de estômago fraco. Mas quando você vê isso misturado com uma discussão por causa do nome “Predador” ou mesmo o ser alienígena demonstrando zoeira, percebe que tem algo errado.
Sei que muitos irão gostar das tiradas do filme, eu mesmo ri em vários momentos, mas o alívio de tensão é algo muito constante no filme, desequilibrando a força do suspense que um filme como esse deveria ter.
Não sei se isso tem algo a ver com a “reprovação” do público quanto a “Homem de Ferro 3”, onde Black economiza nas tiradas cômicas e dá uma tensão aflorada no filme, mas “O Predador” foi exagerado, na minha visão. Além disso, tem coisas que ficam fora de compreensão no filme, pois são escolhidas saídas simples de determinadas cenas, principalmente perto do final.
Eu vejo “O Predador” como um filme que busca uma sequência – que dependerá de seu sucesso nas bilheterias estadunidenses –, mas se seguir o mesmo ritmo, se tornará cansativo antes mesmo que começar, ficando fadado a ser igual a filmes que tiveram um bom começo, mas com sequências péssimas. Torcemos para que isso não ocorra.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Os últimos deuses retornam no Catarse.


“Para quem os deuses oram? Do que são capazes quando entram em desespero?”
Com essa premissa Hiro Kawahara abre o Apoio Coletivo no Catarse para “Os Últimos Deuses”.
Esse trabalho que ele desenvolve em conjunto com Eric Peleias (Até o Fim) traz como premissa o fim da humanidade e os deuses desesperados para ter uma sub-sobrevivência, sendo que um ser mais antigo e poderoso do que eles está a solta e desejando vingança. Na história acompanharemos Odin, Hércules, Savitar,Isimud, Fortuna, Quetzalcóatl, Epione, Rá e Sol na busca para continuarem a existir, a qualquer custo.
A base são os deuses das religiões antigas, muitas delas esquecidas quando o cristianismo se prevaleceu como religião base para a humanidade. Esses deuses, em boa parte, estão decadentes e com vários problemas de saúde e mental. O que mostra o valor que as pessoas dão as religiões antigas, fazendo prevalecer as crenças novas em detrimento destas.
O apoio no Catarse está nos seus últimos dias, mas ainda permite que possa ser apoiado e, como sempre contam com vários tipos de brindes que vão de marcadores de página a cursos presenciais ou online de desenho com o próprio Hiro Kawahara.
O livro, em si, terá 80 páginas e para aqueles que apoiarem, virá com uma sobre capa contendo o amuleto Vegvisir, um símbolo antigo que ajudava seu portador a encontrar o caminho certo (veg = estrada ou trilha; visir = guia) para os povos islandeses. O amuleto também estará em um adesivo que alguns apoiadores receberão (de R$ 50 para cima).

Acredito que será uma aquisição imperdível essa graphic novel, pois será desenvolvida em algo que muitos consideram como esquecido ou morto, e uma revisitação a esse tipo de religiões sempre acrescenta mais, como ocorre com “Deuses Americanos” de Neil Gaiman.
 Caso desejem apoiar esse projeto, cliquem no link: https://www.catarse.me/ultimosdeuses